Candy

2 Confusão e Ressaca


Notas iniciais
Então, como prometido aqui estou eu novamente. Espero que gostem.

A primeira coisa que senti aquela manhã foi dor. Uma dor muito forte. Ressaca. Olhei ao redor, estava em casa. Uma pontada aguda me fez pular da cama. Corri até o banheiro, tropeçando em uma enorme quantidade de roupas pelo caminho. Vomitei. É, com certeza ressaca. Olhei para o espelho. Suspirei. Minha cara estava horrível. Eu estava pálido e com olheiras. Para piorar ainda tinha um olho roxo. Rolei os olhos.

— Ah não, Matthew. O que foi que você fez ontem? — Perguntei para o meu reflexo.

O relógio na minha cabeceira tocou uma música estridente. Corri até ele e taquei na parede, deixando o corpo cair de volta na cama.

Uma hora depois eu estava correndo pelos corredores da faculdade. Atrasado como sempre. Parei na porta de uma sala em que o professor rechonchudo gesticulava irritadamente com a turma. Isso não podia ser bom. Olhei o cronograma. Inglês avançado com o Sr. Brown. Ah, que ótimo. Bati na porta e entrei na sala, o professor me olhando.

— Olha outro atrasado. Estava explicando para a turma como não tolero atrasos. — Ele apontou para uma cadeira, a única com uma pessoa só. — Sente-se ao lado da senhorita ali.

A garota nem olhou pra mim quando me sentei. Ela tinha um cabelo alaranjado em um rosto redondo que a fazia parecer uma criança. Mas era bonita. Com as feições bem marcadas. Ela olhou para mim e sua testa se curvou em confusão. Então ela sorriu amarelo e esticou a mão.

— Carolina Leyendecker.

— Matthew Mayehofer.

Eu a conhecia de algum lugar.

— Você cursa o quê?

— Terceiro de letras. — Terceiro? Quantos anos aquela garota tinha? — E você?

— Estou começando hoje a cursar Espanhol.

— Um novato que fala espanhol. Inusitado...

— Quantos anos você tem? — Eu a cortei, e ela riu.

— Sei que não parece, mas tenho vinte e dois.

— Wow! Acho que vou ficar quieto, aqui com meus dezoito anos.

Ela riu. Tinha um sorriso bonito. Com dentes branquinhos e um minúsculo piercing no canto direito da boca. Senti uma pontada na cabeça. Meu rosto se contorceu em uma careta de dor e Carolina colocou uma mão no meu ombro. Minha pele formigou onde ela tocou e instantaneamente a palavra Candy surgiu na minha mente. Alguma lembrança da noite anterior. Não, não uma lembrança. Um nome. Candy era uma garota. Mas quem?

— Está tudo bem? — Carolina cortou minha linha de pensamento. Parecia preocupada, para alguém que não me conhecia.

— Eu estou bem. Tomei um porre ontem. — Dei de ombros. — E pior, não consigo lembrar de nada depois do sexto copo.

— Um porre?! — Ela gargalhou, ignorando o olhar feio que recebeu do professor. — Um porre não faz isso com as pessoas, Matthew.

— Ta, tudo bem, talvez eu tenha misturado algumas coisas com as altas doses de álcool.

— Eu entendo. — Ela ainda sorria. — Passei por algo parecido noite passada também.

— E você não se lembra de nada?

— Nem uma palavra!

—Senhores! — O professor gritou, mais irritado do que nunca. — Será que precisarei retirá-los da sala?

— Não, senhor. — Carolina respondeu.

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Três horas. Três horas de daquela matéria chata. Carolina dormiu o resto do tempo. E eu? Eu saí da sala parecendo um morto vivo. Parei no meio do campus. O lugar era a única área pública da faculdade, os grupos se dividiam na área gramada ou em mesinhas. Sempre odiei panelinhas de escola e achei que isso ia terminar, mas pelo visto não. E que lugar estranho, parecia que eu estava dentro de um filme. Eu não conseguia acreditar. Tinha saído do interior de Minas Gerais para vir até o Rio de Janeiro e descobrir que era tudo a mesma coisa, só que aqui tinha mais bebidas.

Senti alguém me empurrar. Um garoto moreno claro com cabelo curto estilo militar me encarava em tom de desafio. Devolvi a encarada.

— Quê que tu qué aqui, rapa? — Que português bonito. Como esse cara entrou na faculdade mesmo?

— Será que você pode repetir essa pergunta falando como uma pessoa educada?! — Ele riu e me deu um tapa de leve no braço.

— Calma Math. É só brincadeira. — Ao ver que eu não sorria, ele riu ainda mais. — Ai meu Deus! Você não se lembra de mim, né?! Você tava meio louco já. Eu devia ter imaginado que isso iria acontecer. Eu sou o Caio. — Ele apertou minha mão.

— Foi mal, não me lembro de nada da noite passada.

— Tudo bem. Vem, então, re-conhecer os amigos.

Andamos até uma mesa com várias pessoas. Eles eram o típico grupo dos populares. Uma garota loira olhou pra mim de um modo malicioso.

— Galera, o Math não de nada de ontem. Vamos nos reapresentar.

Eles foram falando os nomes: Raquel, Valentina (que raio de nome é esse?!), Lucas, Joana, Bernardo, Elizabeth, Nicolas e Anne (a loira). Sorri para eles e me sentei ao lado de Anne.

— Você não se lembra de mim? — Ela sussurrou.

— Não. — Pela cara dela eu já sabia o por quê dela querer que eu lembrasse dela. — Por acaso eu transei com você ontem?

— Sim. — Sabia! Olhei para ela de cima a baixo. Não era de se jogar fora.

O nome Candy voltou a minha cabeça. Não era ela. Eu tinha certeza. Meus olhos voltaram-se para o gramado. Procurei um cabelo laranja até encontrar Carolina ao lado de algumas garotas. Elas riam e conversavam animadamente. Pareciam góticas. Até Carolina se encaixava no rótulo perto delas.

Não gostei do jeito que ela me olhou quando me sentei ao lado dela. Parecia que já me conhecia. Algo me dizia que tinha a ver com a tal Candy, mas tampouco achava que esta era ela.

Devia ser uma garota incrível e, pela sensação que estava causando em mim, tinha que ser o melhor sexo da minha vida. E a certeza veio meio segundo depois, ela era. Eu precisava encontrar essa garota. Eu ia encontrar Candy.

Notas finais
Hey, o que vocês estão achando me deixem saber. Beijinhos, até a próxima.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.