Candis
7 Salva-me
Notas iniciais
"Salva-me do esquecimento, salva-me da escuridão
salva-me do vazio, não me deixe cair jamais…”
Sálvame
—2012-
O loiro bateu na porta do apartamento do mais velho. Há dias não conseguia contato com Aoi, nem as mensagens dos outros ele respondia, e mesmo que houvessem brigado, ainda se preocupava genuinamente com ele.
Estava com medo de que algo tivesse dado errado, que ele tivesse passando mal ou tomado alguma decisão drástica, já que antes mesmo de brigarem, o mais velho não parecia muito bem, emocionalmente falando.
Esperou por longos minutos, mas não foi atendido. Respirou fundo, tocou na maçaneta, percebendo que a porta não estava trancada. Sem pensar duas vezes, girou a maçaneta, abrindo a porta, e já tendo a visão do mais velho deitado no sofá, com o seu cabelo agora num tom cor de rosa chamativo despenteado, o rosto pálido contrastando com os lábios arroxeados.
Preocupado, correu apartamento à dentro, tocando o rosto do moreno, notando que ele respirava normalmente, mas estava extremamente gelado.
— Aoi-san… — murmurou, o vendo abrir os olhos minimamente, mas não responder. — O que houve? Você está muito gelado… precisa se aquecer… — observou ao redor, todas as janelas abertas em pleno inverno, o vento frio entrando sem restrição por todo local, o outro ali, apenas com uma camiseta fina e uma calça jeans, provavelmente passou a noite inteira ali, e a manhã também.
— U-san… — se moveu lentamente, o abraçando. Uruha não o afastou, e demonstrando sua real preocupação, o abraçou de volta, tentando assim aumentar sua temperatura.
— Você precisa se aquecer… — insistiu — Passou a noite toda aqui?
O moreno, visivelmente, havia bebido muito, e seus murmúrios, no momento, eram incompreensíveis, mas o loiro tentou ignorar esse fato, e o ajeitou no sofá.
— Vou fechar as janelas, e trazer um cobertor para você… — Uruha tentou se afastar, mas, mais uma vez, Aoi não permitiu, o segurando como se fosse perdê-lo se deixasse ir. — Shiro… — chamou pelo apelido carinhoso, vendo os olhos escuros voltarem aos seus, o encarando fixamente. — Eu vou voltar… Preciso cuidar de você, certo? — falou tentando manter o olhar na direção do moreno, mesmo que estivesse envergonhado com o olhar.
Yuu sabia que isso o deixava desconcertado, mas provavelmente era um movimento involuntário, devido à visível embriaguez.
Depois de longos segundos, Aoi finalmente o soltou, e o loiro seguiu fechando as janelas apressadamente, ligando o aquecedor, e sumindo no corredor, não demorando a voltar trazendo um casaco e um grande cobertor.
Aoi ainda o olhava atentamente, quando ele se aproximou lhe entregando o casaco, do qual o moreno se atrapalhou um pouco para vestir, e assim o cobrindo com o cobertor.
O moreno segurou sua mão, mostrando o quão ainda estava gelado.
— Logo você estará aquecido… — disse se ajeitando para sentar ao lado dele, e logo o sentindo quase deitar-se em seu colo.
— Me perdoa por ser um imbecil… — Aoi sussurrou. — Eu só queria largar tudo, sumir… parar de ser um empecilho.
— Desistir agora não é a escolha certa. Eu não aceitaria que você desistisse. Sabe que mesmo com nossas desavenças, você é importante para mim, sempre foi…
O moreno o olhou por alguns segundos, os olhos cansados cheios de lágrimas, mesmo que as tentativas de ficarem juntos sempre rendessem brigas, ainda sentia tanto por ele. E para o loiro, mesmo que não estivessem num relacionamento, estar perto dele ainda era reconfortante. Eles se completavam, mesmo sendo totalmente opostos, soando como uma piada da vida.
Ficaram em silêncio, por alguns segundos, quando o mais novo segurou a mão do moreno, verificando se ele já estava menos gelado.
— Logo você estará melhor… — disse. — Não seja descuidado assim… — tentou soar gentil, mesmo que no fundo, estava bravo com ele, por essa escolha.
O silêncio logo os cercou novamente, enquanto uma tempestade de neve iniciava lá fora.
Uruha imaginou o pior cenário, se não tivesse encontrado o mais velho e aquilo perturbou, voltando o olhar para Aoi, que havia adormecido, agora deitado em seu colo.
— Não me deixe sozinho… — o loiro segurou a mão do mais velho mais uma vez, e beijou sua testa.
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