Ela perdeu o controle

E se agarra ao transeunte mais próximo

Ela perdeu o controle

E revelou os segredos de seu passado

E disse "perdi o controle de novo" - She Lost Control — Joy Divison

Capítulo 2 — Flash Back's

~Katy

Droga... tinha esquecido totalmente que era ''final de semana'' acordei que nem louca pra ir pra escola em dia de sábado, a vida anda tão rotineira que faço tudo automaticamente, mas há vantagens, não vou precisar enfrentar o mundo lá fora.

Tudo o que eu precisava, me enfiar dentro do quarto e organizar meus pensamentos e deixar essa pose robótica que eu tenho assumido, tanto no trabalho como na escola.

Estava tudo normal de mais pra ser verdade, passei o dia bancando a conceitual, lendo livros e tomando centenas de canecas de café, mas o que eu não esperava mesmo, era um visita da Ísis, ainda mais naquela hora da noite, ao chegar da noite fui pega de surpresa.

– Kaaaaty! — Soltou um grito, ela nunca foi discreta — Ah não! Não acredito que você não vai? Miga, por favor.

Eu estava totalmente vestida casualmente e não havia planejado nada, mas eu sabia que Ísis iria dispensar qualquer tipo de desculpa.

–Ir pra onde? Não pera, você aqui em casa? HAHA — Isso realmente era raro.

– Eu te mandei inúmeras mensagens, já que não respondia, eu vim, aqui estou e vamos.

– Espera, só vamos as duas?

– Vamos chamar o seu amigo super hétero pra ir conosco. — Aquela risadinha da Ísis que me dava arrepios.

– Tá falando do Simon? E porque não né? Espera, tenho que me arrumar.

Enquanto eu procurava algo decente pra vestir, Ísis trocava mensagens com alguém.

– Miga, o Dennis, tá chamando a gente pra ir lá pra baixo...

– Mas a gente num vai? Qual o problema?

Ela fez aquela cara de quem não estava gostando do rumo da conversa.

– O Myles.

– Hahahaha, é por isso que não quer ir? Ah para né, porque não se entrega de vez, vocês se gostam, para de fugir do garoto, isso só vai complicar a sua vida.

– Eu sei, eu sei. Mas me diz, vai enrolar aí até quando?

– Ai tá. Já to quase pronta.

Depois que terminei de me arrumar eu e Ísis fomos a casa do Simon, que morava mais o menos uma rua da minha casa, um amigo meu de infância e que hoje é totalmente diferente do que eu esperava que ele fosse. Mas a qualidades boas permaneceram, sempre divertido e suas conversas loucas que todo aquele seu amigo gay tem.

O lugar a irmos não era novidade, sempre que saíamos terminávamos ali. Um lugar não muito pacífico mas que já levaram muitas lembranças e momentos, sejam boas ou ruins, era bonito até. Andamos por um tempo até que nos fixamos nas grama do ''Coliseu'' mas não demorou muito para querermos animar as coisas, e é claro, animar significava encher a cara, nem que fosse com a pinga mais barata e o cigarro mais vagabundo.

Não demorou muito para chegarem as demais galeras que frequentavam ali, galera da hora até, era bom curtir com eles até certo ponto, e eu e Isis sabíamos muito bem disso. Se enturmar era fácil, Simon que o diga, logo nos deu um perdido.

De repente eu avisto.

– Miga, aquele não é o...

– Me esconde! — Isis com suas atitudes repentinas, mas era o melhor a se fazer, considerando que já estava sob efeito das drogas e da ''sinceridade pós cachaça''.

Era Myles.

Não estava sozinho, claro.

– Er... me faz um favor, me traz essa jagunça bebada que tá escondida atrás de você.

Olhei pra trás e percebi que ele estava falando comigo.

– E se ela não quiser papo com você? — Perguntei

– Ela vai querer sim, acredite. — Aquela pausa. — Ísis, por favor.

Impossível não notar a cara de frustração de Ísis indo ao encontro de Myles. Não demorou muito para estarem do outro lado do lago, e eu em um total vazio, olhei para o nada e depois para um pequeno espaço.

Era estranho, estar rodeada de pessoas e se sentir só.

Meu celular não parava de vibrar um minuto e eu só fora perceber agora, incomodada fui olhar ao menos para saber as horas. ''OH MERDA JÁ SÃO 3 DA MANHÃ'' pensei primeiro e segundo, vi minha caixa de mensagens flodadas por mensagens, foi quando pensei pela terceira vez ''OH MERDA SÃO MENSAGENS DESSE ENCOSTO'' Era Denny, um namoradinho que eu tinha arrumado a mais o menos 4 meses, me perguntava o porque de namorar um cara que eu considerava um encosto. Eram mensagens de preocupação, por eu não estar em casa uma hora daquelas, na verdade nem eu saberia.

No mesmo momento meu celular tocou, já sabia que era ele.

– Katy! Precisamos conversar, te procurei e você não estava em casa, a onde foi?

A boca estava dormente e o cigarro queimava as pontas de meus dedos, com dificuldade de responder adequadamente, me deitei sobre a grama.

– Estou no Coliseu com algumas amigas, algum problema?

– Está bebada?

– E se eu estiver? Já não disse que estou bem.

– Estou indo te buscar, me espere.

– Claro pai, serei uma boa filha e esperarei você vir buscar essa garota mal criada.

– Não começa. Já estou indo.

Desliguei o celular e não pensei duas vezes antes de taca-lo no chão. Aquela era uma péssima hora e um péssimo dia para conversar com Denny, estava em dias difíceis e para colocar tudo a perder era fácil.

~~~~~~~~ Ísis ~~~~~~~~

– Não coloque a mãos em mim! Posso andar sozinha. — Sobre Myles querer apoia la nos braços.

– Você mal se aguenta em pé. — A garota se treme de frio-

Myles rapidamente tira a jaqueta e o joga na face de Ísis.

– Até disso eu tenho que cuidar?

Ela joga de volta.

– Ninguém te pediu nada. Enfim, diz logo o que quer, deixei Katy sozinha.

– Denny virá busca-la, então ao menos uma vez, pense em nós como prioridade, se é que você consegue fazer isso.

– Uh, to vendo que quer conversar seriamente mesmo.

–Ísis me responde seriamente, o que eu sou e fui pra você todo esse tempo?

– Pergunta difícil.

– Difícil? Pois pra mim não. Quer que eu responda?

– Manda a ver.

– Eu sou apenas um passatempo, sou o cara que tem idade suficiente para está em outras situações mas estou aqui, tentando colocar na cabeça de uma garota de 17 anos que eu a amo e a quero bem, mas ela dificulta sempre, não importa como.

– Tenta colocar suas idealizações de garota perfeita para o namorinho perfeito em outra, tipo a Grazy, ela é perfeita.

– Chega! Eu não posso mais com isso Ísis, eu nunca falei daquela garota pra você, nunca te comparei com ela, ao contrario de você né, que sempre deposita seus fracassos em cima de mim, quando é comigo sempre tem que haver algum imprevisto, seu tempo nunca é o suficiente pra mim, para de usar a Grazy como uma desculpa para que você não assume uma postura diante do que a gente chama de ''relacionamento''.

– Como vamos construir algo, eu e você, eu sinceramente não vejo como.

– Está vendo? Eu odeio isso, odeio gostar de alguém que ao menos se importa em como eu me sinto.

– Procure alguém que se importe então.

– Sabia que falaria isso, mas acontece que eu sempre ignoro, mas uma hora cansa sabia? E se eu saísse da sua vida e não voltasse mais Ísis, ao menos sentiria minha falta? Claro que não né. Você é uma garota completa.

– Somos diferentes, sempre fomos, nunca te iludi ou disse que isso aqui teria um final feliz, você depositou expectativas em vão, Myles.

– Sei disso melhor do que você. Mas eu fui o único a tentar.

– Ísis.

A garota olha com estranheza.

– Estou indo embora na noite de amanhã. Tenho certeza que já conversamos sobre isso.

O susto.

– Mas não era programação pra sei lá... 3 meses?

– Faria diferença pra você? Eu apenas antecipei. — O olhar baixo-

– Eu preciso ir.

Myles deixa Ísis e se surpreende quando a mesma segura seu pulso, ofegante ela diz:

– Ainda podemos conversar, amanhã quando eu estiver totalmente sóbria, então por favor...

Ele solta solta da mão da moça.

– Não Ísis, não temos mais nada pra conversar. Por você eu já não posso esperar.

Ele se foi.

xxxxxxxxxxx Katy xxxxxxxxxxxx

Não demorou muito e Denny havia chegado, irritado por me ver naquele estado.

– Primeiro não me avisa que vai sair e agora te encontro sozinha e bebada?

– Por favor, não enche, só quero ir pra casa, Ísis me deixou, deve estar ótima á essa altura.

– Ísis, essa maquiagem borrada... Estava chorando?

Droga, rapidamente passei a mangá da camisa no rosto e realmente eu estava horrível.

– Claro que não estou chorando, jamais choraria na sua frente.

– E porque não? Vai colocar a culpa no orgulho de novo? — Aquilo soava como uma provocação-

– Pois ainda bem que sabe.

– Você nunca me diz nada, nunca sei o que está pensando, como podemos resolver as coisas, Katy?

– Agradeça por não saber, eu te machucaria muito se você soubesse, eu apenas não quero fazer que seja mais difícil do que já é.

– Pois já está muito difícil pra mim. Não me importo mais, quero que fale, seja sincera comigo! O porquê de nunca ter retribuído o meu ''Eu te amo'', por não ter me impedido de ir embora inúmeras vezes, por não me mostrar seu lado frágil, por bancar a durona, eu percebo que está feliz Katy, mas isso só acontece quando eu não estou por perto. Quando eu não to contigo, estou fazendo besteiras e me enchendo de pensamentos em o quanto eu poderia ter sido um cara melhor com você. Você está sempre distante, mesmo tão perto.

Eu sabia que tudo aquilo era verdade, mas acontece que eu não tive qualquer remorso em relação a isso.

– Se eu te faço tão mal assim, porque está aqui?

– Porque o trouxa aqui ainda gosta de você.

– Denny, você sabia não é? Tu me conheceu, sabia que eu era orgulhosa, sabia dos meus defeitos, exigiu pra caralho de mim, pedi para que não desistisse mesmo com as minhas babaquices, sabia da minha irritabilidade constante e mesmo assim...

– Porque eu passei a gostar até mesmo desses seus lados, você não é só um poço de defeitos. Mas o teu silêncio, ele me machuca.

– Eu só não consigo mais manter essa farsa, me odeie. Me odeie por ter te mantido do meu lado e não ter te amado, por sempre ter outra pessoa em meus pensamentos, por sempre colocar o passado acima de tudo.

– O que...? Droga Katy! Como você pode ainda pensar nisso agora? Eu não acredito, ele era assim tão especial pra você? Eu não quero mais ouvir isso, ELE NÃO ESTÁ MAIS AQUI, EU ESTOU.

– Infelizmente as coisas são assim.

– Eu juro que tentei — As lágrimas escorreram- Tentei te manter por perto, mas porra, isso é de mais pra mim. Vou te dar a liberdade que precisa, só não quero mais te obrigar a nada. Eu fiz o que pude.

– Não Denny. No final você é só mais um que não quis medir esforços pra desvendar o meu mundo. — Eu chorei-

Eu corri.

Mesmo ouvindo os gritos de Denny para que voltasse, eu continuei, queria estar longe dali, longe dele, daquele lugar, estava sufocada, irritada por não consegui aguentar, tudo pesou, o corpo, a consciência, eu perdi o cara que mais aguento meus caprichos, que me amou de verdade, o que eu fiz?

Eu não estava sozinha, enquanto andava sozinha pela rua, avistei Ísis, estava com as mesmas expressões tristes, foi um alívio saber que eu não estava só.

Caminhei até ela e me posicionei ao seu lado, estava tão perdida em seus pensamentos que mal percebeu que eu havia chegado.

– Dia difícil não?

– Acho que não poderia ter sido pior — Ísis chorou-

Claro que eu não perguntei o que havia acontecido, eu a conhecia o suficiente para saber que queria ficar em silêncio enquanto organizava seus pensamentos, apenas acendi um cigarro e ofereci a ela. Apoiei minha cabeça em seu ombro e ficamos paradas um bom tempo, soluçando baixo, tudo tão solitário.

Levantei, ergui minha mão para Ísis e disse.

– Vamos, Ísis. Vamos pra casa.

Notas finais
(*o*)/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.