Can you feel me?

4 Death in paradise Incompleto


Notas iniciais
Olá caros(as) fictioners. Antes de tudo gostaria de falar na demora da postagem de capítulos. Escrevo em meu ritmo, pois escrever talvez seja meu passatempo favorito, eu amo escrever e não quero tornar isso uma grande obrigação. Escrever em meu próprio ritmo me permite revisar as palavras e os contextos da história além de pesquisar mais sobre o assunto. Também não estive em estado de espírito(nem com tempo) para escrever, pois na situação atual sei que não conseguiria, mas já estou bem. Também digo que não sou o tipo de pessoa que põe fé na própria escrita, mas se eu recebo elogios de pessoas e se alguém está lendo isso é por que de alguma forma eu consigo agradar, e é por isso que continuo. Can you feel me tem uma proposta de história ótima, porém eu não sei se conseguirei aproveitar bem a base criada. Espero que sim. Eu também sei que fics originais raramente são lidas. Mas se você é uma das pouquíssimas pessoas que acompanha minha fic, ou que por ventura acaba de conhecer. Gostaria de dizer que você é muito importante para mim e para me motivar a escrever, saber que alguém está lendo. Você não sabe a alegria que sinto quando chega uma nova notificação para mim. Então desculpe-me a demora, espero postar com mais frequência e responsabilidade PS. Este capitulo está pela metade pois meu computador e tudo mais resolveu dar defeito agora, e eu consegui salvar essa parte do texto, e não quero prolongar mais a espera de todos Agora vamos ao capítulo:

Cidade militar de Sylou 1
1º de Janeiro de 2070.
Bunker 4.

As portas do bunker fecharam com um estrondo.

O escuro invadiu minha visão, até que meus olhos se acostumassem com a escuridão do subsolo. As pessoas se amontoavam em cantos e recebiam suprimentos, pois não sabíamos quanto tempo permaneceríamos ali. Os soldados tentavam controlar a multidão grosseiramente, perdi a garota de vista, porém isso não importava, pois sabia que ela estava por ali, já que ainda sentia sua tristeza.

Recostei-me em uma parede para tentar avaliar a situação. Famílias se reuniam, pessoas praguejavam de ódio contra as outras nações e outras simplesmente choravam em silêncio almejando o dia em que tudo chegasse ao fim, talvez a morte fosse uma escapatória melhor de todo esse terror que conheciam como vida.

Apesar de ter estado outras vezes em outros bunkers, essa é uma experiência aterrorizante ou no mínimo desconfortável para qualquer um. É tudo tão repentino que nunca sabemos exatamente o que fazer ou o que está acontecendo lá fora, mesmo que superficialmente saibamos que é apenas a guerra, a simples guerra que não nos diz respeito, mas nos atinge, e não sabemos o motivo.

Andei por algum tempo em meio á multidão, aos poucos os ânimos se acalmavam e as pessoas de certa forma se conformavam com a situação, sempre que isso acontecia era de praxe que aparecessem alguns avisos nos telões instalados nas paredes envelhecidas do bunker, hoje elas estavam escuras e em silêncio. Será que até o governo perdeu as esperanças de nos confortar?

O engraçado de tudo isso é que em meio de tanto desespero e insegurança eu vejo o pior lado do ser humano, porém, em consequência eu vejo o melhor. O que eu vejo são pessoas se ajudando mesmo que não se conheçam, vejo pessoas dando um pouco do suprimento que tem direito para as famílias mais numerosas. Mesmo que nenhuma dessas ajudas chegue até mim, isso me conforta por que talvez ainda não seja hora de perder toda a fé na humanidade.

Quando eu ouço gritos.

Eles vêm do outro lado do Bunker e estão abafados pela ruidosa multidão, não sei o que poderia causar tanto desespero, mas rapidamente me dirijo até a origem do som por meio de todas as pessoas confusas. Quanto mais me aproximo a multidão parece ficar mais densa, e eu passo a me questionar por que de estar fazendo isso, e todas essas coisas tiram minha concentração na garota que busco. Mas algo me diz que meus movimentos aqui são decisivos para encontrá-la.

Finalmente chego á uma roda de pessoas em frente a um dos portões do abrigo, elas parecem observar algo que para mim é quase impossível de distinguir. Tento abrir caminho para enxergar melhor quando me deparo com a origem dos gritos.

Uma mulher está discutindo com alguns guardas, é difícil dizer sua idade, parece ter uns bons anos de vida, e pelas suas roupas posso dizer que ela pertence a uma das regiões pobres da cidade.

–Vocês não podem deixar ele lá fora! –Falou ela pro guarda

–Senhora, são regras, uma vez fechada a porta do Bunker não pode ser aberta, ninguém entra e ninguém sai.

–Mas meu filho ficou lá fora! Ele é só uma criança, me deixe buscá-lo! –Ela tentou ultrapassar o guarda, mas foi segurada por outros dois- Me deixem buscar meu filho!

–Não nos obrigue a usar a força senhora, só nos resta torcer que ele tenha seguido a multidão para dentro dos abrigos. Sentimos muito.

A discussão pareceu continuar por muito tempo quando finalmente algumas pessoas resolveram confortar aquela mulher e levá-la para algum outro lugar. Com o tempo a multidão se dispersou e eu segui as pessoas que levaram a mulher sem saber novamente porque estou fazendo isso.

Sentaram-na em um banco perto do centro do bunker. Esses abrigos são enormes e adaptados para as pessoas passarem quanto tempo for necessário, portanto encontramos de quase tudo por aqui, desde bancos até lojas (Sim, lojas, e viva o capitalismo) que vendem tudo o que possamos precisar.

–Tenho certeza que seu filho está bem, podemos nos organizar e procurá-lo aqui dentro. – Disse um dos homens gentilmente.

–Estávamos muito longe para que ele achasse o caminho – disse a mulher, baixinho- eu não me importaria de ir procurá-lo, mesmo sob as bombas.

–Qual o nome dele? Como ele é?

–Era Eric. Ele tinha cabelos pretos e tinha por volta de seis anos, estava há um tempo sem cortá-los e por isso estavam muito compridos, ele estava com um casaco azul e uma calça jeans desbotada.

–É Eric, ainda não perca as esperanças, iremos procurá-lo.

Um tempo depois o grupo se separou para buscar o garoto, uma jovem mulher e um homem ficaram a cuidar da mãe desesperada. Quando a primeira bomba sacudiu o chão. Fios de poeira caíram do teto sobre nossas cabeças. A mãe do garoto afundou o rosto no braço do homem e começou a choramingar.

–Meu bebê. Meu bebê.

Qual o sentido de tudo isso? Perguntei-me após observar a cena, nós vemos pessoas morrendo todo dia, mas esquecemos do que as pessoas deixam para trás. Familiares, amigos e tantas outras coisas. Vemos pessoas perdendo a vida pela guerra, mas vemos pessoas morrendo aos poucos de várias maneiras, eu vejo pessoas perdendo parte de si.

Foi quando uma garota colocou a mão sobre as costas da mulher.

–Qual seu nome?

–Ariana – Disse levantando o rosto para encarar a nova figura com seus olhos vermelhos de tanto chorar.

A garota se sentou do lado de Ariana e falou:

–Meu nome é Rey.

Até então eu observava a cena ao longe, foi quando vi o rosto da garota que acabara de chegar, eu reconheci seus cabelos negros e pude ver seus olhos, de um verde profundo, nos quais eu me perdi a observar. Não consegui entender por que não a senti antes, talvez eu estivesse muito concentrado na história da mulher que me perdi de meu real objetivo.

Não percebi, mas já estava muito perto de Rey e Ariana. Porém, tentei não chamar atenção para mim mesmo, o que iam achar ao ver um garoto maltrapilho se aproximando sorrateiramente? Certamente, não coisa boa. Poderia fazer uma lista de coisas que este fato as levaria a pensar. Quando me dou conta de que estou paralisado por meus pensamentos bem em frente delas, que agora olham para mim confusas, praguejo em silêncio.

Encaramos-nos por alguns segundos até que resolvi quebrar o gelo constrangedor. Arrependi-me amargamente segundos depois.

–O-oi. – Gaguejei

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.