Can You See Me?
1 Capítulo 1- Sozinha
Notas iniciais
Futuro. É engraçado pensar sobre ele para mim. Desde crianças somos bombardeados por uma série de informações que somos obrigados a aceita-las e processa-las o mais rápido possível para que, já quando pequenos ,estabeleçamos planos, metas, métodos para um futuro brilhante.
É uma corrida. E o ganhador é aquele que processa, entende e aceita o sistema como deve ser .
Desde crianças nos perguntam “o que você quer ser quando crescer?” e como futuras gerações brilhantes, devemos ter a resposta em nossas línguas por mais impossível que ela possa ser. A final, planos são tudo.
Nunca fui o tipo de criança ambiciosa, pensava no futuro, sim, mas sempre olhava para o futuro mais próximo de mim. O agora, o presente, sempre foram tudo. Pra mim, o “ser grande” era algo tão impossível e distante que a responsabilidade nunca pesara em meus ombros e nem mesmo chegara aos meus pensamentos que, aquele momento que me falaram desde pequena, aquele em que iria decidir minha vida toda, iria chegar tão rápido e incrivelmente desesperador.
De uma hora para outra vi todos aqueles ao meu redor decididos, firmes pelo que querem na vida enquanto eu levo um dia após outro, acanhada, amedrontada, intimidada e com certeza, ainda sem ambição nenhuma.
O futuro nunca me amedrontou tanto como agora.
Muitas vezes me questiono se a escolha é, como dizem , minha. A final minha avó e tios querem uma coisa, minha mãe outra, parece que todos têm uma visão clara e concreta do meu futuro em seus pensamentos e só eu, sou a cega idiota perdida na escuridão de mim mesma.
Eu só queria ter alguém pra conversar. Alguém. Alguém que me compreendesse, que não me julgasse e que realmente levasse essa porcaria toda a sério.
Não preciso de um terapeuta. Não preciso de um psicólogo me dizendo o que eu já sei, trabalhando o que eu já faço todo dia em minha mente. Tentando mudar o que já está enraizado em mim. Não preciso de uma amiga que diz estar do meu lado quando no fundo acha que eu sou mais do que uma louca varrida depressiva e confusa que fracassará na vida. Não preciso de um namorado, homens são um atraso tão grande que é incrível ver como ainda há gente tão desesperada e com medo de ficar sozinha. Pessoas inseguras e não satisfeitas com si mesmas, não satisfeitas com as pessoas que estão sempre ao seu lado, não satisfeitas e gratas por tudo aquilo que têm. Mas é assim que nós somos não é? De geração para geração, uma raça tão rica e estúpida que não consegue enxergar o que lhes foi dado e ser grato por tudo. Sempre queremos mais. Por que não podemos simplesmente possuir coisas até que a vida nos traga o que antes não tínhamos percebido que precisávamos? Iria ser tão mais fácil. Viver sem a necessidade de ter, e ter e ter e ter. Mais e mais. Sempre.
Todos são tão iguais e previsíveis que é até cômico.
Você provavelmente acha que eu sou a menina estranha e sozinha , que senta na última cadeira da sala, não fala mais do que o necessário, não tem amigos, não socializa, só usa preto e muito menos faz falta.
Você não está mais do que muito enganado.
Sou a menina normal.
Aquela que vive rodeada de amigos, palhaça, extremamente irônica e sarcástica, tira notas razoáveis, não se corta, não tem problemas com meninos, não tem problemas na família, não é gorda, não é loira, de beleza estonteante e olhos azuis. Não.
Apenas mais uma garota normal
De repente me vejo a 365 dias do grande dito cujo dia da escolha. Estou deitada no sofá de minha sala de estar, os livros de física estão abertos em cima da mesa, o som em volume mínimo toca uma música que me conforta, não estou prestando muita atenção. Minha mãe encontra-se em seu quarto fazendo sua leitura diária.
Começo a prestar mais atenção na música, a melodia calma. Uma lágrima finalmente desgruda-se de minha bochecha e umedece a almofada macia que apoio meu rosto. Logo sinto minha cabeça pesar, não percebi que estava contraindo tanto a testa enquanto chorava. Estou muito silenciosa. Meu rosto e minha cabeça latejam pelo longo choro e mais uma vez me sinto sozinha.
Me levanto devagar, arrumo meus livros e os levo ao meu quarto, em seguida tiro minhas roupas e entro no chuveiro, deixando-me demorar e mais lágrimas visitam meus olhos. Quando apago a luz do meu quarto permito-me um soluço.
Choro porque estou sozinha, choro porque não sei o que acontecerá amanhã , choro pela frustração, por ser mais uma entre os 7 bilhões e pelos motivos de fraqueza ao qual estou me permitindo, pelo medo e então, me deixo levar pelo cansaço.
Amanhã será um novo dia e talvez, só talvez, eu possa encontrar os motivos para que as lágrimas nunca mais me visitem. Ou até ser feliz, verdadeiramente feliz, com o que acham que eu sou.
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