Can You See Me?

2 Capítulo 2- Another day in Haven


Notas iniciais
aaah o cotidiano

Olho-me no espelho e a palavra vem automaticamente à minha cabeça. Comum. Olhos nem tão grandes, nem tão pequenos, um nariz reto, rosto oval, cabelos castanhos , quase pretos e levemente ondulados. Samantha Lewis. Nada exuberante, nada especial, só mais uma, em milhares que foi abençoada com o gene dominante.

Suspiro. Outro dia no paraíso.

Pego minha mochila com meus livros da escola e suspiro novamente preparando para mudar minha expressão neutra de sempre, para um sorriso contagiante. Rever meus amigos era sempre uma ocasião para sorrisos. Entro na sala de aula e todos eles viram-se para mim

– AAAAAAAAAAAAAAAAHHHH – pulos, abraços, beijos , sorrisos e gritos são trocados com minhas amigas enquanto rodamos gritando umas para as outras

– Quanto tempo – Trudy finge estar secando uma lágrima- nos abandonou as férias todas sua estúpida rica

– Own, também te amo, próximo ano vamos todas nós juntas tudo bem?

Ela abriu um sorriso

Trudy é minha melhor amiga, acho que parte da minha falsa personalidade é baseada nela, conheço-a desde os 12 anos, crescemos juntas, aprendemos juntas, rimos juntas. Amo –a muito e agradeço todos os dias por ela estar sempre ali. Ela tem o cabelo castanho curto e repicado, tem os olhos castanhos também, e a acho incrivelmente bonita. Uma pena que tenha tantas desilusões amorosas. Um dos grandes problemas de Trudy é sua incapacidade de se resguardar, a primeira pessoa que ela conhece e toda a sua história de vida triste é divulgada.

– Uia – Gabi, que estava do meu outro lado começa a rir – vou cobrar

Gabi, a sem sal, me dá vontade de sacudir seus ombros e mandar ela arrumar uma personalidade que valha a pena, ela tem luzes no cabelo já loiro e cheio de luzes. Basicamente ela colocou luzes em cima de luzes em cima de luzes, um negocio bem tosco. Tem olhos castanhos. Uma de minhas melhores amigas

– Ah, com certeza iremos cobrar – Lilly disse nos apertando ainda mais em um abraço

– Fechado – e sorri novamente para elas

Lilly era uma menina com cabelos quase ruivos, olhos claros e sardas para todos os cantos, era sempre animada, engraçada e gostava muito, muuuito do seu namorado, chegava a ser ridículo, já estavam fazendo 3 anos de namoro, se conhecem desde sempre e não demorou muito para que nós, amigos inconvenientes, déssemos uma forcinha. Gosto muito dela, ou pelo menos pareço gostar, conversamos bastante sobre o cotidiano.

Estávamos nos olhando felizes até que a porta da sala se abre novamente e mais uma onda de gritos, Bryan e Dylan, os irmãos gêmeos, estavam entrando e corremos para abraça-los.

– Quanto amor, meu Deus – Bryan disse rindo

– E felicidade pra um primeiro dia de aula- Dylan disse nos envolvendo

– Estamos apenas compensando a falta, já que todo mundo deu na telha pra sair viajando nas férias — Lilly disse ficando na ponta dos pés para dar um beijo em seu namorado, Dylan.

Os gêmeos não eram muito parecidos, reconhecíamos facilmente quem era quem, tanto pela altura dos dois quando pelas diferenças, que não eram tão gritantes, mas perceptivas. Os dois tinham cabelos castanhos, olhos acinzentados, corpos malhados e um nariz retíssimo, mas o formato de suas maçãs do rosto e alguns outros sinais eram diferentes. Suas personalidades eram parecidas, eles falavam com o mesmo tom de voz, porém, Bryan era mais intelectual e recluso que Dylan. Gostava muito dos dois, mas não conseguia entender como esse processo todo de gêmeos amigos e não tão diferentes funcionava. Parecia tudo muito... harmonioso.

O resto de nossos amigos foram chegando com o tempo, Alexia , Bailey, Gabriel, Thiago, Violet...

Acho incrível como consigo achar todas as pessoas que conheço incrivelmente irritantes, por mais próximo que possa ser delas. Todos ao meu redor, é incrível como cada uma delas tem uma coisa que ativa meu lado venenoso, até mesmo minha família. São os chamados defeitos. Todos nós temos, é por isso que é tão importante e necessário o autoconhecimento. O suficiente para se aceitar em primeiro lugar e convencer-se de que você é de fato, imperfeito.

Só assim, para podermos aceitar os defeitos do outro e vivermos em harmonia.

Bem, nem tanto.

– Argh, olha lá quem chegou – Trudy sussurrou em me ouvido olhando para o corredor.

Sigo seu olhar e faço uma cara de nojo

– Ela não ia sair da escola ou reprovar, ou alguma coisa do gênero?

– Parece que não

– Só espero que ela tenha deixado de ser escrota nessas férias – disse fazendo uma careta

Estávamos falando de Dakota, o símbolo e conjunto de todas as pessoas com problemas psicológicos suficientes para formar uma pessoa com uma mentalidade baixa e medíocre, mal resolvida consigo mesma e com a capacidade intelectual de um dos animais que não foram espertos suficientes para fugir da extinção. Ou seja, ela não vai durar muito nessa vida.

– Acho quase impossível, mas quem sabe – ela disse quando seus olhos brilharam e segui seu olhar, ela lambeu os beiços – hmmm, carne nova no pedaço

– Primeiramente, eca. Segundo, eca. Terceira, para de ser uma tarada escrota

Estávamos olhando para o novo aluno que terminava de subir as escadas, sua postura era meio curvada e ele usava óculos de um jeito que na concepção da Trudy, eram sexy e legais. Ele meio andava, meio desfilava. O suficiente para eu já acha-lo irritante, como todos os outros.

– Olá- Trudy ficou na minha frente- Meu nome é Trudy, quer ajuda pra achar a sala ou algo do tipo?

Ele sorriu para ela e olhou para o papel em sua mão, provavelmente com o mapa e número da sala que iria ficar

– Oi, meu nome é Ivan, não precisa, já achei, é essa aqui mesmo.

Trudy sorriu, ficou na ponta dos pés e voltou

– então seremos colegas de classe

Ele sorriu também

– Parece que sim

– Vamos, Trudy, já vai começar a aula – eu disse puxando sua blusa- vem com seu novo amiguinho e senta perto dele pra vocês conversarem melhor- revirei os olhos

Ela olhou pra mim ainda sorrindo e me seguiu dando um aceno com a cabeça pra Ivan, o cara que anda estranho

– Ele é bonitinho, você tem que admitir

– Sedutor. Vem, senta, me diz, o que houve com o Gustavo?

Ela olhou para o lado e ficou séria. Suspirei.

– É, essas são as coisas que eu perdi quando não fiquei aqui nas férias. Foi muito ruim?

Ela fez um carinha triste

– Mais ou menos, dessa vez ele só disse que não ia dar certo, porque “ele é o homem livre e o homem livre gosta de experimentar coisas

– Um babaca.

– Um babaca – ela disse confirmando

E assim, começo mais um dia falando coisas e pensando outras em mais um dia, nesse mundo super maneiro, legal, feliz, não corrupto, não controlador, não lixoso e com certeza, muito perfeito..

Notas finais
Quem será o carinha que ela vai se apaixonar hueheueheu