Can You Keep A Secret? - HIATUS
5 Between kisses and secrets
Notas iniciais
—Você tá aqui há três semanas e já conheceu quantos bilionários mesmo? Quer dizer, mulher, se eu fosse solteiro iria grudar em você igual chiclete pra ver se esse seu mel passava pra mim também! –Curtis parecia histérico, enquanto Paul ria baixinho.
—Não ligue pra ele, Felicity! Acho que ele ingeriu açúcar demais, ele sempre fica assim meio histérico quando a glicose dele aumenta!
Ri baixinho e concordei com um balançar de cabeça.
Eu havia vindo jantar na casa de Curtis e Paul e MEU DEUS DO CÉU, O HOMEM REALMENTE ERA UM GÊNIO NA COZINHA.
A noite toda havia sido muito divertida, Paul era uma pessoa incrível e agora estávamos terminando de saborear aquela delícia de mousse de chocolate belga que ele havia feito.
Tudo estava correndo de forma assustadoramente normal, até que eu decidi abrir a minha boca grande e contar que eu estava conversando com Ray Palmer.
Quer dizer, quando começamos a conversamos eu não sabia que ele era Ray Palmer!
FlashBack On
—Eu me chamo Felicity, é um prazer! –Ele sorriu pra mim e então deu de ombros.
—O prazer é todo meu Felicity, eu sou o Ray! –Sorri de volta e então ficamos em silêncio por alguns poucos segundos, antes dele tomar a dianteira da conversa.
—Você gosta de falafel? Tem uma barraquinha que vendo um falafel incrível há duas quadras daqui! –Ponderei aquilo por alguns minutos, quer dizer, eu sabia que não era a coisa mais prudente do mundo sair com um estranho, mas era uma distância de somente duas quadras, a rua ainda estava movimentada e eu tinha spray de pimenta na bolsa e sabia usa-lo muito bem, então...
—Eu não faço a mínima ideia do que é falafel, mas tudo bem, quero experimentar! –Ele me olhou de maneira chocada e em seguida começamos a andar.
—Sério que você não sabe o que é? É incrível, você vai ficar viciada, é um prato árabe! –Ele parecia ser um cara legal, mas mesmo assim eu continuava com a mão perto o suficiente da bolsa pra pegar o meu spray de pimenta rapidamente.
—Do que é feito?
—É um bolinho que tem como ingrediente principal o grão de bico, a gente come com húmus, tahine e salada, sério, é incrível! –Assenti com um sorriso, mas ele logo mudou de assunto. –Agora vamos parar de falar de comida por enquanto, eu quero saber o que você faz da vida, porque pra saber a constante de Planck, você só pode ser uma irmã da ciência!
Ri baixinho e dei de ombros!
—Sou Phd em TI pelo MIT e sou especialista em engenharia mecatrônica, embora eu não conte pra todo mundo sobre essa segunda parte! –Ele me olhou com os olhos arregalados por um momento e então, eu dei de ombros. –Tudo bem, não precisa parecer tão chocado!
—Me desculpe, mas eu estou do lado de um gênio, preciso estar impressionado! Você foge do estereótipo da loira burra e eu fujo do estereótipo do, como é que mesmo? Ah é, “bonitinho demais pra saber a constante de Plank”!
Fiquei vermelha no mesmo momento, mas ri baixinho, ele era divertido e tinha uma expressão totalmente nerd, a mesma expressão que eu estava acostumada a ver todas as manhãs quando me olhava no espelho.
—Tudo bem, agora que o momento de constranger a Felicity passou, me conta o que você faz!
—Eu tenho três doutorados, dois em engenharia mecânica e um em física quântica! –Tudo bem, agora era eu que estava impressionada. Ele pareceu perceber isso, pois logo riu baixinho. –Eu acho que esqueci de mencionar que tenho um QI de 140, só pra você saber!
Dei um empurrão no ombro dele e então avistei a barraquinha do tal falafel que ele tanto havia falado.
—Nossa, que exibido! Mas só pra você saber, eu tenho um QI de 146, acho que ganhei essa! –Ele gargalhou alto e concordou, mas de repente olhou pra baixo, na direção do bolso da minha camisa e suspirou baixinho.
—Eu ia até perguntar se você já tinha um emprego digno da sua inteligência, mas acabei de ver o seu crachá! Jura que você trabalha praquele pé no saco do Oliver Queen? –Aquilo me deixou confusa por alguns segundos, quer dizer, eu sabia que meu chefe podia ser um pé no saco quando queria, mas por que motivo especificamente ele não gostava dele?
Espera ai...
—Você é Ray Palmer, da Palmer Technology, é claro! –Sacudi a cabeça e perguntei a Deus o porquê disso.
Quantos bilionários eu ainda iria conhecer? Quer dizer, a coisa tava começando a ficar realmente estranha!
—Você conhece muitos bilionários? É uma boa coisa, muita gente pra pedir dinheiro emprestado! –Ele tinha um sorriso no rosto e eu tentei não me envergonhar ao perceber que havia balbuciado como sempre.
—Só três na verdade, contando com você! –Ele assentiu e então me guiou até uma mesa.
O lugar estava cheio e eu percebi que teríamos que esperar um pouco até alguém vir nos atender.
—Suponho que Tommy Merlyn seja esse terceiro bilionário, certo? Quer dizer, é meio que impossível conhecer Oliver Queen sem conhecer a alma gêmea dele! –Coloquei a mão na boca pra segurar a risada e ele pareceu feliz por me fazer rir.
—Acho que estou quebrando algum tipo de regra, quer dizer, Oliver não parece gostar muito de você, nem você dele, portanto como trabalho na QC, acho que meio que estou confraternizando com o inimigo agora!
Ele riu baixinho e então estendeu a mão pra mim.
—Prazer, eu sou Ray Palmer, dono da Palmer Tech e prometo não tentar trazer você pra minha empresa, nem tentar roubar informações da QC! –Ele me pareceu muito sincero e qual é? Ele era nerd, eu meio que tinha que apoia-lo, isso era apoiar a causa.
—Sendo assim, acho que podemos ser amigos, senhor Palmer!
FlashBack Off
—Nós somos meio que amigos, só isso! Além do mais, não nos vimos depois daquele dia, ele precisou viajar, trocamos mensagens de vez em quando e geralmente o assunto é sobre a burrice das pessoas que não sabem sobre termos matemáticos simples!
Curtis riu baixinho e Paul o acompanhou.
—Você tem namorado, Felicity! Não tem que ficar conversando com outros homens, que feio! –Revirei os olhos e só não joguei o garfo nele por respeito ao Paul.
Desde aquela historinha ridícula da Thea sobre eu namorar o Oliver, Curtis não me deixava em paz e não perdia uma oportunidade de jogar isso na minha cara.
—Eu acho que tá na minha hora, porque se você abrir a boca de novo, eu vou começar a jogar facas em você e aí o que o Paul vai pensar de mim? –Paul riu baixinho e se levantou.
—Eu pensaria que você é extremamente paciente por ter demorado tanto tempo! –Curtis mostrou a língua pra ele e Paul lhe soprou um beijo. –Querido, por que você não leva a Felicity até o carro dela enquanto eu preparo o pote com o mousse de chocolate que eu fiz pra ela?
—Espera, você fez uma vasilha de mousse só pra mim? –Ele assentiu com um sorriso e eu corri pra abraça-lo. –Curtis, eu vou roubar o seu marido!
Meu amigo riu alto e então deu de ombros.
—Se você me garantir que eu vou poder ir fazer minhas refeições na sua casa enquanto ele cozinha, pode levar! –Dessa vez fui eu quem ri alto e me separei de Paul pra poder pegar a minha bolsa.
—Sou eu quem vou começar a jogar facas em você, querido! –Depois disso Curtis soprou um beijo na direção dele e caminhamos pra fora do apartamento.
A noite estava fria e eu estava feliz por estar com um casaco grosso.
—Sabia que esse seu sapato é exatamente igual ao que a Helena estava usando naquele dia que deu a louca na empresa? –Franzi o cenho e então olhei pros meus sapatos.
Agora eu não os achava mais tão bonitos assim!
—Nem me lembre daquele dia, eu prefiro continuar fingindo que nunca aconteceu. Aliás, como foi que ela conseguiu passar pelo Roy e chegar no andar da presidência?
Aquilo era algo que havia me deixado confusa, mas com toda aquela história que havia acontecido, eu simplesmente havia me esquecido de perguntar!
—Como assim? A Helena não passou pelo Roy, muito menos foi pro andar da presidência! Ela foi embora, eu fiz questão de acompanha-la de longe até o estacionamento pra garantir que ela não ia aprontar nada mesmo e vi ela saindo com o carro! –Estaquei no mesmo momento e minha cara deveria estar tão esquisita que Curtis até estalou os dedos na minha frente. –Amiga, por que você achou que a Helena tinha subido?
Eu deveria contar?
Bom, pelo menos por enquanto era melhor não!
—Nada, é só que quando eu estava saindo da sala do Oliver pensei ter visto um vislumbre de cabelos castanhos na porta da escadaria, por isso pensei que ela tinha conseguido subir! –Tentei adotar a minha melhor expressão convincente, mas dei graças a Deus quando vi que Paul se aproximava.
-Ah, deve ter sido a Thea então, ela ficou na empresa depois que eu saí! –Assenti, com um sorriso amarelo e então peguei a vasilha enorme das mãos de Paul assim que ele parou ao meu lado.
—Eu nem sei como agradecer a vocês dois pela noite incrível e por esse mousse divino, sério gente, muito obrigada mesmo por tudo! –Eu estava com um bolo na garganta e fiquei feliz por eles pensarem que isso se devia ao fato de estar emocionada.
Porque eu não estava emocionada, eu estava puta!
—Nós é que agradecemos pela companhia, volte aqui sempre quiser, as portas da nossa casa estão abertas, eu adorei você e fico feliz pelo meu marido ter arranjado uma amiga tão boa assim! –Abracei Paul e depois Curtis, então me despedi dos dois e entrei no carro.
Precisei usar cada grama do meu controle pra me concentrar nas ruas e evitar uma acidente, eu precisei cortar meus pensamentos em cada vez que eles quiseram viajar pra rumos que não deviam.
Somente quando cheguei no meu apartamento e estacionei o meu carro na minha vaga da garagem é que parei pra assimilar tudo o que estava acontecendo.
Se Helena não havia aparecido ali, por que Oliver havia me beijado?
Por que ele havia mentido?
...
—Você tá nervosa! Por que você parece tão nervosa, Felicity? –Levantei os olhos do meu prato e então olhei na direção da Kara. –Tá tudo bem?
—É claro, me desculpe! Eu acho que só estou um pouco aérea hoje! –Ela assentiu com um sorriso compreensivo e eu praguejei em silêncio por não estar conseguindo disfarçar as minhas emoções.
—Não se espanta Kara, ela tá assim há dois dias e me dá essa mesma resposta quando eu pergunto o porquê! –Curtis parecia uma velhinha fofoqueira e eu senti vontade de mata-lo.
Não, na verdade não era dele que eu estava com raiva, era?
—Você tá naqueles dias, Felicity? Porque quando chega esse período do mês, a Kara...-Minha amiga lançou um olhar assassino na direção do namorado e Mon-el pareceu engolir a comida com dificuldade. –Fica um doce de pessoa como sempre, ela não é afetada por esse tipo de coisa!
Ela revirou os olhos, mas então abriu um sorrisinho e voltou a comer e somente aí meu amigo respirou aliviado.
A verdade é que fazia dois dias que eu estava remoendo aquela história, quer dizer, eu simplesmente não sabia como agir.
Oliver havia me beijado e em seguida havia mentido, por que? Por que sentiu pena? Por que se arrependeu do que fez? Ou por que só queria beijar a novata e não dar explicações depois?
Eram perguntas demais e nenhuma resposta, eu só sabia que a situação estava me consumindo de tal forma que eu não estava nem mais conseguindo disfarçar.
Ontem, Oliver havia pedido pra me chamarem, pra que eu pudesse mostrar o protótipo do meu sistema de segurança que estava começando a implantar na empresa, mas eu acabei mandando Curtis no meu lugar com a desculpa de que não estava me sentindo bem.
—Felicity? –Dessa vez havia sido Mon-el quem havia me chamado e eu me arrependi por estar sendo uma péssima companhia.
Estávamos em horário de almoço e havíamos decidido vir para um restaurante italiano para variar um pouco o cardápio (que consistia em Big Belly Burger e marmitas do restaurante da esquina), bom, eles haviam decidido. Eu só estava concordando com tudo o que falavam pra mim.
Mas essa história tinha que acabar agora!
—Quer saber, vocês estão certos, as coisas não estão muito bem, na verdade! Mas eu preciso ir, vou tentar resolver isso agora! –Percebi que todos me olhavam de maneira esquisita, mas me levantei mesmo assim e coloquei a minha parte do dinheiro em cima da mesa. Vi que Curtis se preparou pra argumentar, provavelmente querendo ir comigo pra me ajudar, mas coloquei a mão no ombro dele e sorri. –Eu preciso resolver isso sozinha, mas prometo que mais tarde vou contar tudo pra vocês três, ok?
Não esperei por uma confirmação, simplesmente saí de lá, peguei meu carro e rumei em direção a QC, ainda faltava muito pro horário do almoço acabar, então a empresa deveria estar bem tranquila e eu sabia que Oliver estava lá, pois Kara havia comentado que ele estava tão cheio de relatórios pra assinar que havia decidido almoçar na empresa mesmo e ela havia ligado no restaurante favorito dele e pedido pra entregarem.
Tentei caminhar o mais depressa possível pela empresa sem chamar atenção, mas quando estava feliz por estar quase no elevador, percebi que havia comemorado cedo demais.
—Felicity? -Me virei pra trás e dei de cara com Roy sorrindo de leve pra mim.
—Oi Roy, tudo bem? –Minha vontade era de sair correndo pro elevador, mas eu sabia que não podia fazer isso porque o pobre coitado do rapaz não tinha ideia de que eu estava no meio de uma crise.
—Tá tudo bem sim, na verdade, eu só queria agradecer! –Aquilo conseguiu me desacelerar por alguns segundos e eu o encarei, confusa. Ele pareceu ler a dúvida no meu olhar. –A Thea me contou que te pediu pra guardar segredo sobre nós dois e que você fez isso! Eu sinceramente nem tenho como agradecer, quer dizer, eu não sei como resolver essa situação porque eu preciso muito desse emprego pra cuidar da minha mãe e ao mesmo tempo, eu quero ser homem o suficiente pra falar com o irmão da Thea e os pais dela, mas tenho medo que eles não aceitem e isso prejudique a nós dois!
Roy Harper era um homem honrado, eu havia acabado de descobrir isso!
—Não precisa me agradecer, esse é um segredo que eu fico feliz de guardar. Mas posso te dar um conselho? –Ele assentiu levemente e eu segurei a mão dele, com um sorriso no rosto. –Espere as coisas se firmarem melhor com a Thea, então conte a verdade, conte ao Oliver primeiro, eu acho que ele ama a irmã acima de tudo e assim que ver o quanto vocês estão realmente apaixonados e que você não está tentando tirar vantagem dela, ele vai aceitar, eu sei que vai!
Roy me encarou por alguns segundos, mas então eu vi algo em seus olhos, algo que não estava lá antes...
Esperança!
—Obrigada, Felicity! –Abracei ele de leve e então me afastei e entrei dentro do elevador.
—Não por isso! –Lancei uma piscadinha antes das portas se fecharem e somente quando já estava na metade do caminho é que me dei conta de que eu estava indo confrontar o meu chefe e isso com certeza não seria uma boa coisa, mas eu simplesmente não conseguia deixar as coisas pra lá.
Minhas mente não sabia fazer isso!
Respirei fundo assim que entrei no saguão da presidência, vi pelas paredes de vidro que ele não estava sozinho, me preparei pra voltar pra dentro do elevador na mesma hora, mas ele me viu e acenou pra mim efusivamente.
Quer dizer, o cara realmente parecia feliz em me ver, quase desesperado!
Ainda sem entender nada, caminhei até a sala dele e entrei na mesma um pouco acanhada diante da mulher que me olhava feio.
—Como você pode ver Isabel, eu tenho uma reunião com a minha chefe de TI agora, portanto, se você quiser falar sobre mais algum assunto referente à empresa, pode marcar com a minha secretária! –Percebi quando ele deu ênfase na palavra empresa.
Era como se ele estivesse dando um fora bem dado na mulher e me usando pra isso!
Tudo bem, eu não havia ido com a cara dela mesmo...
—Me trocando por uma reunião com uma simples funcionária? É bem a sua cara mesmo! –Depois disso ela saiu sem dizer nem mais uma palavra e eu assobiei baixinho enquanto ele deixava a cabeça cair contra a mesa.
Esperei as portas do elevador se fecharem atrás da mulher e somente então me permiti abrir a boca.
—Deixa eu adivinhar, você dormiu com ela também? –Ele levantou o rosto e me encarou, mas a sua expressão não mentia.
Ele havia dormido com a mulher!
Espera, Isabel? De Isabel Rochev? Uma das acionistas da empresa?
Meu Deus do céu, esse homem dormiu com todas as mulheres da cidade? Provavelmente as únicas que ainda não estão na lista dele são a mãe, a irmã e eu... mas tem a Kara, meu Deus, será que ele dormiu com a Kara também?
—Não Felicity, eu não dormi com todas as mulheres da cidade e eu com certeza não dormi com a Kara, pelo amor de Deus! –Corei ao perceber que falado aquilo em voz alta e torci os lábios.
Será que adiantava me desculpar? Mesmo sabendo que daqui a pouco eu provavelmente faria de novo?
—Enfim, eu vou te poupar de todo o constrangimento de dizer que a sua boca não tem filtro, ok? O que você veio fazer aqui? Está precisando de alguma coisa ou decidiu falar comigo agora? –Percebi um certo tom de hostilidade na voz dele e me perguntei se ele havia realmente ficado tão chateado sobre o meu comentário em relação a Isabel.
—Eu preciso falar com você sobre uma coisa importante, quer dizer, eu já queria ter falado há uns dias, mas não tive a oportunidade de te ver antes porque...
—Porque você estava me evitando, é, eu percebi isso! –Se antes ele estava no modo passivo-agressivo, agora havia passado só pro modo agressivo mesmo!
E havia me interrompido, o que foi muito grosseiro também!
—Desculpe, como? –Eu não estava entendendo nada, achei que nós dois estávamos meio que nos evitando depois daquele beijo, não entendia porque ele parecia tão nervoso.
—Então você não entendeu? Eu estou me referindo a ontem quando eu marquei uma reunião com você e recebi o seu amigo no lugar. Eu queria falar com a minha chefe do setor de TI e não com outro funcionário! O pior de tudo é que eu me preocupei quando ele disse que você não estava se sentindo bem, então fui até a sua sala, mas te vi bem feliz cantando uma música qualquer dos Backstreet Boys! –Tudo bem, se ele não parecesse tão irritado e eu não estivesse tão nervosa, teria ficado totalmente envergonhada por ele ter me visto em um momento como esse. –Eu não gosto que mintam pra mim, Felicity!
Oi?
Aquilo foi a gota d’agua, ele estava mesmo parado na minha frente, me tratando como se eu fosse uma criança, me dando sermão e bancando o traído depois da mentira que ELE HAVIA ME CONTADO?
—Como você ousa?
Agora era ele que estava assustado com o meu tom de voz, mas como todo homem, quis bancar o machão mesmo assim.
—Eu não sei o que voc...
—ESCUTA AQUI VOCÊ SEU CRETINO DE MARCA MAIOR, QUEM VOCÊ PENSA QUE É PRA VIR FALAR ASSIM COMIGO? –Eu percebi que estava gritando e mesmo apesar de todo o nervosismo, eu não queria causar uma cena, então baixei o meu tom de voz. –Como você pode ter essa cara de pau de dizer que não gosta de mentiras depois de ter mentido pra mim? Você me beijou e logo em seguida disse que havia feito aquilo porque a Helena estava aqui, mas eu sei que é mentira, a Helena não chegou nem perto do elevador naquele dia!
Oliver estava branco como um fantasma e de repente começou a corar, o homem ficou tão vermelho que se alguém chegasse agora, pensaria que ele estava doente.
Não que eu estivesse me importando com isso no momento, é claro!
—Felicity, eu...
—Eu não quero ouvir, sinceramente não quero! Eu só vim até aqui pra saber de uma coisa, Oliver! Por que? Por que você me beijou? Por que mentiu?
Eu não queria deixar transparecer, eu não queria admitir nem pra mim mesma, mas a verdade é que eu já tinha sentimentos conflitantes em relação ao homem à minha frente e tudo só havia se intensificado desde o beijo.
Mas agora eu nem sequer sabia o que sentir!
Oliver me olhou por vários minutos, em silêncio! Eu estava quase dando as costas a ele e indo embora, quando percebi o seu olhar mudar e vi algo cru ali, algo realmente sincero e eu sabia que as palavras que saíssem da boca dele nesse momento seriam verdadeiras, eu gostando delas ou não!
—Eu não sei, Felicity! –Assenti levemente e levei alguns segundos pra conseguir falar, porque nesse momento minha voz estava embargada.
—Da próxima vez que decidir beijar alguém, ao menos saiba o porquê quer fazer isso antes! Passar bem, senhor Queen!
Após isso eu saí da sala dele rapidamente, o ouvi chamar o meu nome mais de uma vez, mas fiquei feliz ao perceber que ele não havia vindo atrás de mim.
Por que eu estava chorando?
Eu me fazia essa pergunta, mas a verdade é que eu já sabia da resposta, eu estava chorando porque queria que ele tivesse dito que havia me beijado porque gostava de mim ou ao menos porque me achava interessante!
A verdade inevitável é que quando você se permite criar expectativas, a vida sempre dá um jeito de cuspir na sua cara!
Caminhei até o setor do TI em silêncio e me tranquei na minha sala, rapidamente sequei as lágrimas dos meus olhos e então liguei o computador.
Talvez me concentrar no trabalho me ajudasse a aliviar tudo.
—Tudo bem, o que o idiota fez? –Ergui o olhar e vi que Laurel me encarava com um sorriso carinhoso no rosto, ela rapidamente caminhou até mim e eu não sei o porquê, mas voltei a chorar assim que ela me abraçou. –Tá tudo bem, não tem problema ficar triste!
Ela me abraçou pelo tempo que eu precisei e quando eu comecei a me acalmar, ela me estendeu um lenço e então se sentou na cadeira à minha frente.
—Você quer me contar o que aconteceu entre vocês dois? –Funguei baixinho e comecei a brincar com a minha caneta.
—Como você sabe que aconteceu alguma coisa entre o Oliver e eu? –Ela deu de ombros e então deixou a bolsa no chão antes de segurar a minha mão por cima da mesa.
—Porque eu estava indo pra sala dele, levar umas fotos que o Tommy me pediu pra entregar e vi você saindo do elevador, chorando! Não foi difícil relacionar uma coisa com a outra. –Sorri de leve e então dei de ombros.
—Ele me beijou, há uns dias atrás! Disse que havia feito isso porque a Helena estava olhando, mas a verdade é que ela não estava lá, ele mentiu. Hoje eu o confrontei sobre isso, perguntei o motivo real de ele ter me beijado e ele simplesmente disse “Eu não sei, Felicity”. –Dei de ombros, tentando mostrar que não era nada demais, mas eu não estava conseguindo enganar nem a mim mesma. –Quer dizer, eu nem sei porque eu tô assim! Isso daqui não é uma comédia romântica, eu não estou apaixonada por ele, não estou o amando desde a primeira vez que o vi nem nada disso, na verdade, ele ter me beijado foi bem inapropriado já que eu sou a funcionária dele, mas...
—Mas você sentiu uma coisa diferente perto dele, uma faísca, algo forte que você soube que talvez pudesse se tornar algo mais! –Olhei pra ela, espantada por suas palavras terem sido tão certeiras, mas no fim, tudo o que pude fazer foi assentir levemente em concordância. –Eu sei como você está se sentindo Felicity, foi exatamente assim que eu me senti quando comecei a notar o Tommy com outros olhos.
—O que você fez quando isso aconteceu! –Ela riu baixinho e deu de ombros.
—Eu corri pro outro lado, tentei fugir disso, dele! Quer dizer, eu havia namorado o Oliver e não queria namorar uma outra versão dele, não me entenda mal, eu amo o Ollie, ele tem esse jeito confuso e as vezes até um pouco imaturo, mas ele é uma pessoa incrível, só que, eu queria mais, sabe? Então eu recusei o Tommy de todas as maneiras, me afastei dele e dessa faísca porque eu não queria deixar que aquilo evoluísse pra algo mais, só que quando é de verdade, não dá pra fugir por muito tempo. Tommy aos poucos foi me mostrando que era exatamente o que eu precisava e eu fui me permitindo sentir aquilo, até que aquela faísca virou paixão e a paixão virou um amor enorme!
—Isso é realmente lindo, mas eu não acho que a minha situação vai ter a mesma conclusão que a sua! –Ela segurou a minha mão com um pouco mais de força e então me olhou bem nos olhos.
—Será? Dê um tempo ao Oliver, ele sempre foi uma bagunça quando se trata dos sentimentos dele, quer dizer, ele não sabe lidar bem com isso, eu acho que no fundo ele morre de medo de se entregar realmente a alguém, por isso ele nunca fez isso antes, nem comigo! Ele se fecha e se confunde quando sente algo que não sabe colocar em uma das emoções perfeitamente organizadas dele!
Fiquei refletindo por muito tempo sobre aquilo e me perguntei se eu realmente deveria dar uma segunda chance, quer dizer, a coisa toda havia acontecido a menos de trinta minutos atrás!
—Ei, não se preocupe com nada, apenas deixa rolar, pode ser? –Assenti e ela sorriu na minha direção. –Bom, eu preciso ir agora, tenho um sermão pra dar, mas vamos sair amanhã, o que você acha? Chame as suas amigas, vamos fazer uma noite das garotas!
—Eu adoraria!
Ela piscou, parecendo feliz e então saiu da minha sala, me deixando ali com os meus pensamentos!
Fiquei feliz ao perceber que ainda faltava um pouco pra hora do almoço acabar, esse era o tempo que eu tinha pra me recuperar de tudo, pois eu sabia que havia prometido contar tudo aos meus amigos hoje, mas acho que deixaria isso pra amanhã.
Porque hoje eu precisava realmente pensar em tudo, quer dizer, a coisa toda tava muito estranha e complicada e eu simplesmente não sabia o que fazer com isso!
...
—Você tem certeza de que não quer conversar hoje? Eu realmente tô preocupado com você, amiga! –Curtis parecia um gravador quebrado atrás de mim durante toda a tarde, mas eu sabia que ele só queria o meu bem.
—Eu tenho sim! Prometo que amanhã vamos almoçar todos juntos e eu vou contar tudo pra vocês, ok? Eu acho que só preciso ir pra casa, tomar chocolate quente e assimilar o dia de hoje, foram muitas emoções!
Eu conseguia perceber a pulguinha atrás da orelha dele louca pra me perguntar do que diabos eu estava falando, mas o amei ainda mais quando vi o quanto ele estava se segurando pra poder respeitar o meu espaço.
—Mas eu tenho uma novidade pra te contar, pra você e pra Kara na verdade! –Ele logo parou de arrumar as coisas dele e me olhou ansioso. –Laurel Lance veio aqui hoje e me convidou pra uma noite das garotas no sábado, que no caso é amanha, ela me disse pra levar alguns amigos e eu pensei em você e na Kara, o que você acha?
—Querida, passar uma noite com Laurel Lance e ter a dádiva de talvez descobrir algum babado sobre Thomas Gostoso Merlyn? Eu com certeza quero ir! –Ri alto com aquilo e me senti melhor ao perceber que agora ele também estava animado.
—Ótimo, então me faz um favor, conta pra Kara, ok? E pode ir também, tá liberado, eu só vou terminar de fechar tudo aqui e já vou pra casa também! -Ele assentiu com um sorriso, mas me lançou um último olhar antes de ir embora!
Eu realmente era um livro aberto assim? Caramba, eu não conseguia esconder nada das pessoas!
Me lembrei de todos os segredos que eu vinha guardando e percebi que talvez isso não fosse 100% verdade.
Balancei a cabeça com força, tentando tirar aqueles pensamentos da minha menta e então caminhei até o estacionamento, totalmente distraída.
—Olá? Terra chamando Felicity? –Ergui os olhos rapidamente e me deparei com Ray na minha frente.
—Oi? –O que ele estava fazendo ali? Quer dizer, ele estava literalmente em território inimigo.
—Eu vim te buscar pra gente ir na empresa...-Olhei pra ele e só então minha mente deu um estalo de compreensão. –E você tinha esquecido totalmente né?
Coloquei a mão na testa e tive vontade de me estapear!
Eu não podia deixar a droga de uma discussão com Oliver me tirar do eixo!
—Então você discutiu com o babaca? Eu sabia que ia acontecer em algum momento! –Ri baixinho da provocação dele e então o empurrei com o ombro. –Sabe, se você não estiver se sentindo bem, podemos marcar pra outro dia!
—É claro que não, eu disse que ia te ajudar e é o que eu vou fazer, sem discussão! –Ele me lançou um sorriso bem meigo, me estendeu a mão e eu entrelacei nossos braços rapidamente.
—Sim senhora, não vou discutir!
Nos separamos e então olhei pra trás assim que escutei passos pesados se aproximando! Oliver vinha na nossa direção como um trem bala e parecia nervoso de uma maneira que eu nunca havia visto antes.
—Eu posso saber que porra você está fazendo com Ray Palmer?
Minha santa das Felicitys encrencadas,eu ia precisar de um milagre agora...
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