Canção do Eclipse

2 Colisão: Palpitações


Notas iniciais
Música do cap: Barlow Girl "Our Worlds Collide" -> http://www.youtube.com/watch?v=DuYi_Ps522Y
Solos de bateria (Começa quando algum deles tocar, está em sequência)
Ichigo -> http://www.youtube.com/watch?v=xKnFzT49Wqs
Rukia -> http://www.youtube.com/watch?v=74aftc3fKuk&feature=related

“Eu sou o que canto em minha música, e os sentimentos expressos em minha melodia, mostram do que meu coração é feito”.

Daiane Andrade


Os corações palpitam ao som da música tocada com sentimento, são batidas incontroláveis que restauram a juventude da alma...



– Você?


Pensei ter visto chamas brotando de seus olhos, seria esse o motivo de tanto calor? Inconscientemente, ela levantou a mão para retribuir meu cumprimento, acredito ser um ato de costume programado, pois, quando sentiu meu toque, retirou a mão rapidamente.


– Sim, eu sou eu, e você é você. – As chamas de seus olhos refletiram em suas bochechas.


Um estrondo! Fomos interrompidos por um maluco, de cabelos vermelhos e tatuagens pelo corpo todo, que chutou, arrombando a porta.


– E aí! – Berrou o ser peculiar que adentrou a sala.


– Renji seu imbecil, ta pensando que aqui é a sua casa! Seu pé de barro! – A baixinha invocada o recebeu “educadamente”.


– Você vai precisar varrer muito pra pagar essa porta. – Finalmente o cara de chapéu e sandálias se manifestou, o que pareceu baixar a bola do cabeça de abacaxi. Só um minuto! Por que um produtor musical usaria um chapéu verde e sandálias de madeira?


– Ok, me desculpe. – Assentiu cabisbaixo, tentei segurar a risada.


– Esse é o Kurosaki? – E mais uma voz se juntou, meio estridente, para variar. – Ele é fofo. – A ruiva sussurrou, com uma mão no peito, e outra no rosto em vermelhidão.


– Ele é um delinquente, isso sim! – Nada que eu já não esperasse.


– Ele parece meio gay. – O tal de Renji me analisou, trinquei os dentes para ele, de forma que minhas palavras saíram como um rugido.


– É você quem está me secando! Seu tarado! – Agarrei a gola da camiseta dele, na intenção de suspendê-lo no ar.


– Como é? – Renji se enfureceu, me empurrando para que soltasse sua gola, juntos começamos uma batalha de “quem consegue matar com o olhar primeiro”.


– Kya! O Kurosaki é realmente fofo! – A menina, que parecia uma criança, estacionou seus olhos reluzentes em mim... Constrangedor.


– O que isso tem de fofo? – A frieza da baixinha quase me congelou.


Enquanto me perguntava como vim parar nesse manicômio, uma sombra cobriu o rosto de Renji, senti o suor frio descendo pela nuca, me virei para ver o que era, e dei de cara com um armário, subi os olhos... Aquele armário tinha uma cabeça?


– Esse muro de concreto é Yasutora Sado. – Urahara se envolveu, apertando a orelha do ruivo das tatuagens, o afastando de mim. – O rebelde sem causa aqui é Renji Abarai. – Na sequência apontou para a garota que batia os dedos. – A ruiva com exagerada comissão de frente é Orihime Inoue. – Por fim, se aproximou da que restou, afagando seus cabelos. – E essa baixinha cabeçuda é Rukia Kuchiki.


Rukia? Hum... Acho que me esqueci dos outros nomes.


– Isso é jeito de nos apresentar? Seu produtor de meia tigela. – Rukia dispensou um soco sobre a cintura do produtor musical, esse tentou disfarçar a dor, escondendo a careta com o chapéu.


– Não seja rude, Rukia! – Com a mesma mão que acariciava, Urahara empurrou a cabeça de Rukia para baixo, quase a achatando. – Enfim, a cenoura ambulante ai...


– Ei! – Apertei os punhos na direção do velho que não tem amor a vida.


– Ele é Ichigo Kurosaki, o novo baterista. – Completou com um sorriso sem graça.


– Pera lá! E minha opinião não conta? – Rukia protestou, me encarando com um olhar fulminante.


– Na verdade, não. – Renji provocou, desviando de uma caneta que voou com a ponta fina na direção de seu olho esquerdo... Ou melhor, ele tentou desviar.


– Primeiro quero ouvi-lo... A sós. – Uma aura negra baixou sobre ela.


– Fuja Ichigo! – Gritou Renji, pedindo forças a Thor para se soltar da caneta, que prendeu sua camiseta a parede.


Admito que senti um frio subindo pela espinha, mas ela mal me deu tempo para tremer de medo. Entrou no estúdio de ensaio, me puxando com violência pela gola da camisa, me lançou porta adentro, e a trancou em seguida.


– Aqui ninguém pode nos ouvir.


O que ela pretendia? Não foi um bom momento para deixar meus pensamentos pervertidos dominarem.


– Toque! – Ordenou, jogando umas baquetas pra mim.


Rukia havia conseguido me deixar sem reação. Já posicionado e com as baquetas firmes, simplesmente, minhas mãos pareciam estar em greve, os comandos do meu cérebro chegavam até elas, e paravam. A barreira chamada receio impedia a passagem, seguida por um tremor incômodo nas minhas pernas.


Ela me encarava, um olhar perfurante, passei a sentir pontadas. Busquei mais fundo naquele olhar, tentando entender o motivo daquele bloqueio. Era apenas uma pequena garota, uma única garota... Então por que a opinião dela sobre mim pareceu importar tanto... Repentinamente?


Fitar aqueles olhos grandes e azuis só me travava mais ainda. Desviei num ato de sobrevivência, e meu foco foi tomado pela lua, absurdamente brilhante, que iluminava a sala através daquele vidro espesso. A consistência do vidro não impedia a lua de brilhar, não bloqueava o motivo da sua existência.


Senti os músculos relaxados, e minhas mãos começaram a se mover, assim como meus pés. Aquelas batidas são a minha música, som inspirado em uma noite que me parecia mais clara que o próprio dia... A lua estava realmente linda...



“E cada som ecoa ao ritmo do seu coração

Enquanto eu começo a desaparecer
Nesta noite encantadora
Eu estou vivo”.

**********

E pensar que a lua pudesse iluminar tanto... Tanto quanto o sol... Grandes estrelas que em suas diferenças governam a noite... E o dia... Respectivamente... Elas se completam, e ao mesmo tempo se dividem em turnos, para nos salvar da mórbida escuridão... E se um dia uma delas deixar de existir? Poderá a outra continuar a iluminar nossos dias... Sozinha? Seria como um quebra-cabeça sem suas peças juntadas... Não faria sentido...



“Hoje à noite as estrelas estão dançando
Para as canções que os anjos cantam
Eu ouço você sussurrar no vento”.


A lua estava linda, reluzente. Por muito pouco não a teria notado, não fosse o rapaz de cabelos laranja que a admirava, como sendo uma jóia inestimável. E poderia culpá-lo? Diante tal poder de sedução? Diante uma figura, que em suma delicadeza, nos fazia viajar por nossos mais profundos pensamentos? Quem sou eu, afinal?


E parece que tamanho poder devolveu a coragem daquele rapaz, que até então se demonstrava extremamente ameaçado. Qual a razão de tanto medo? É o que você ama, certo? Então ninguém pode tirar isso de você!


As mãos dele começaram a se mover, como se não houvesse ligação com seu corpo, elas estavam repelindo todo, e qualquer sentimento ruim, que pudesse bloquear aquele som. Cortando o silêncio, que me fez, por um instante, distinguir a melodia do vento, ao qual poucas vezes parei para dar minha atenção. Movia-se rápido, quase impedindo meus olhos de acompanhar. Mas, quem se importa com a visão? Se aquele som cheio de vida estava invadindo meus ouvidos? Se meu pés tremiam a ponto de dificultar o meu equilíbrio? Não sabia mais se havia chão abaixo de mim.



“Porque os nossos mundos colidem
Estou perdida no tempo
O céu me beija esta noite”.


Fiquei estática, sem entender o que ele fazia agora. Ichigo apenas queria se aparecer? Precisava de ajuda melódica para contar o tempo? Ou estava simplesmente à vontade? Só o que sei, foi que ele começou a cantarolar, preenchendo suas batidas com uma melodia suave. E que voz linda... Mais uma vez eu não sabia, se aquela era verdadeiramente a voz dele, rouca e impecável. Ou se meus ouvidos extasiados a estava recebendo com beleza exagerada. A beleza está nos ouvidos de quem ouve. Todavia, aquela noite estava confusa, aquela semana, aquele mês... Eu não tinha mais certeza de nada. E meu novo baterista só conseguiu piorar as coisas.



“Cante para mim e deixe-me ouvir as palavras que
Você escreveu para mim
Sussurre as palavras e liberte o meu espírito
Oh, cante para mim”.


Poderia permanecer ali, poderia pegar no sono e desabar ali, com certeza, viveria belos sonhos... Estalo! Os olhos dele se encontraram com os meus, e sua cantarola tornou-se em sussurros quase inaudíveis... Uma pena. Me aproximei, ele parou de tocar e se levantou, por algum motivo que desconheço, entregou as baquetas na minha mão. Não pude me conter. Em um impulso me sentei atrás daquele instrumento deveras intenso, como uma droga em que já está viciada, era uma necessidade:


– Essas batidas têm um poder incrível de controlar vibrações, você pode alcançar o coração das pessoas facilmente, mas primeiro... – Enquanto tocava o fitei, a face serena, apenas uma amiga que lhe dá um conselho. – Você precisa deixar que as batidas controlem o seu próprio coração.


Ele pareceu dar certo crédito as minhas palavras, mas surgiu com um comentário irrelevante:


– Não imaginei que você também tocasse bateria.


Isso não vinha ao caso, mas já que ele pretendia mudar de assunto, parei de tocar para atentar ao rapaz:


– Eu estudei pra ser maestrina. Sei, ao menos, o básico de quase todos os instrumentos. – Ichigo pareceu empolgado.


– Legal! Desde quando estuda música? – Começou o interrogatório.


– Na verdade, sequer me lembro de uma época em que não estudei música, foi como respirar, se tornou essencial.


Conversa nostálgica, era estranho parar para pensar quando tudo começou, e mais estranho era não saber quando tudo começou.


– E por que, dentre tantos instrumentos, você escolheu o vocal? – Aquela era uma pergunta para me fazer pensar, apesar de que a resposta já estava cravada na minha alma.


– Porque minha voz foi o único instrumento do qual consegui produzir sons tão sinceros e pessoais. Todo meu corpo, minha condição física e mental, é o que dá forma a minha voz. E eu sei que não há outra Rukia Kuchiki no mundo, não igual a mim. Minha voz é o que mais amo, meu presente dos céus, ela é só minha, e ninguém pode copiar.


Não pude decifrar aquela expressão, seu olhar tão profundo estava me deixando envergonhada. De repente, ele coçou a cabeça, e fechou os olhos:


– Foi uma boa resposta, me convenceu. Mas ainda há algo que quero perguntar... – Ele se aproximou, e se apoiou na caixa, ficando perigosamente perto. – Hoje mais cedo... No avião... Você estava sonhando?


– Não sei. Não me lembro. – Eu sabia me fazer de sonsa.


– Você estava sorrindo, mas logo antes de acordar, sua expressão mudou completamente... Para dor, angústia. Eu sei que não tenho o direito de saber, mal nos conhecemos, mas há alguém aqui, caso queira conversar.


Meu coração disparou, não havia mais um som de bateria para controlá-lo. Os olhos dele me prenderam, com uma força capaz de puxar para fora todos os meus segredos. Eu precisava me conter, mas o que me proporcionou certo alívio foi o som de palpitações, tão descontroladas quanto as minhas... Seria ele?



“O seu coração com o meu
Ele bate no compasso
Agora eu sei por que estou viva”.


– A questão não é você ter o direito ou não de saber, a questão é que você não precisa saber. – Tentei ser fria, cobrir as frestas.


– Tudo bem... – Antes que ele pudesse continuar com o interrogatório, eu me levantei e segui até a porta. – Rukia. – Ele chamou por meu nome, interrompi a caminhada, mas não me voltei para ele. – Espero que minhas batidas possam te alcançar um dia.



“Porque os nossos mundos colidem
Estou perdida no tempo
O céu me beija esta noite”.


Aquelas palavras me tocaram profundamente, como uma poesia sincera, de algum modo, ele já havia me alcançado... Mas ele nunca descobriria isso.


– Você ainda tem muito que aprender, se isso é o que você realmente ama, estude até suas mãos sangrarem, porque pra mim, agora, você não passa de um amador... – E mais uma vez meus estranhos pensamentos saíram pela boca. — Apesar de ficar uma graça enquanto toca.


– Como é? Qual foi a última coisa que você disse? – Senti a incredulidade na sua voz. Ainda de costas para ele, poderia mentir de forma mais convincente.


– Que você não passa de um amador, apenas isso, qualquer outra coisa foi delírio seu. – Retomei a caminhada até a saída.


– Que saco! Ia ser um final perfeito, eu disse algo tão legal, e você teve que estragar. – Reclamou me acompanhando.


– Cala a boca idiota! Não vi nada de legal nisso tudo.


– Para de me mandar calar a boca! Sua tampinha.


Já do lado de fora, os demais nos esperavam, mas tiveram que correr para separar, se não Ichigo iria estrear com um olho roxo, talvez combinasse com o cabelo... Ou não.


– Não briguem! – Urahara advertiu. – Bom, acho que agora já está tudo certo, nem mais um empecilho, Ok? – Todos assentiram.


– Só uma coisa. – E o alaranjado que não consegue calar a boca, começou a tagarelar novamente. – Qual é mesmo o nome dessa banda?


– Bleach! – Respondeu Urahara com um brilho nos olhos.


– Hum... Esse nome me parece estranhamente familiar. – Absorto, Ichigo colocou uma mão no queixo.


– Para de sonhar acordado! Nosso ônibus está esperando! Vamos logo! Chega de conversa fiada!


Finalmente, hora de cair na estrada...



“Agora que eu encontrei você
Eu nunca poderia deixar você ir
Você nunca mais deixou a minha vida ser a mesma”.

Notas finais
Hehe' Me empolguei de novo, sorry pela demora, mas pra compensar ele ficou grandinho néh?? ^^' Espero que tenham curtido. Coloquei alguns solos de bateria para vcs poderem se envolver melhor com a estória, espero que gostem da idéia... Apesar de que a parte do Ichigo cantarolando vai ter q ir da imaginação de vcs mesmo hehe' Eu imaginei perfeitamente *-* Ichigo fofo!!
Bom, é isso pessoal, tentarei ser rápida com o Capítulo III, mas tenham paciência comigo Ok's?? ^.^
E eu ameeei todos os reviews do 1ºCap, mas como viram estou meio sem tempo para responder... Mas vou responder todos, com muito carinho... BjUsSsS
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.