Canção do Destino #comente

1 Prólogo - Ecos da Montanha


Notas iniciais
Um rascunho de um livro que comecei a escrever. Vou postar para receber opiniões e sugestões e aprimorar minha obra enquanto ela está no processo de desenvolvimento. Por favor, colabore e opine.

À luz de prata do luar, o ancião subia a montanha. Seguia pelos degraus de pedra, com o uivo do vento ao seu redor, lamentando sofrimentos do passado. O caminho era antigo, talhado na montanha e revestido de tijolos milenares. Em sua mão, uma vela, com uma pequena chama ardente que dançava com a brisa, criando sombras fantasmagóricas para todos os lados, acompanhando as bordas do campo de luz que iluminava ao redor, como que brigando por espaço, centímetro a centímetro. Mas não estava só. Sua fera o escoltava, seguia ao seu lado por todo o trajeto, protegendo-o e fornecendo-lhe a melhor companhia que um dia poderia desejar. Dois corpos, uma só alma, lembrou, palavras do mais remoto canto de sua memória. Degrau após degrau, passo após passo, a subida se tornava menor a cada segundo.
Quando chegou ao topo a lua estava acima de sua cabeça, no grande azul-escuro celestial. O céu era tão límpido como nunca, parecia que as nuvens tinham pena de estragar a bela paisagem noturna. Sua longa e alva barba refletia a iluminação pura que tocava seu rosto pardo, enrugado e sábio. Apagou a chama, pois ali a própria lua era uma grande lamparina, clara o suficiente para permití-lo enxergar com perfeição. À sua frente estava um aglomerado de mármore e entulho, que um dia fora um importante templo. Mesmo após a violação pelo homem e pela natureza, o local ainda permanecia sagrado. Farejou o ar e inspirou profundamente. Sentia o doce aroma de flores e terra úmida, e a felicidade invadiu seu coração. Ao longe ouviu um murmúrio musical.
- Vamos menina, estão nos esperando — disse calmamente, acariciando a grande tigresa acima da cabeça e atrás das orelhas. A fera retribuiu esfregando o rosto no amigo, ronronando.
Seguiram para dentro das ruínas. Cada passo ecoava profundamente, como se os sons viessem do além, e para ele voltassem logo em seguida. Quanto mais para dentro das ruínas, mais alto e nítido o murmúrio se tornava, até que foi possível distinguí-lo como um canto, composto por várias vozes femininas. O harmonioso som vinha de todos os lados, refletido pelas brancas e velhas paredes, cheias de trepadeiras e ferimentos causados pelo tempo. No centro do sagrado local, havia um círculo de mármore, que era como uma lagoa artificial, cheio de uma água cristalina e pura que emitia um tênue brilho azul. Era tão profundo que não se podia ver onde acabava, mesmo a água sendo transparente. Sentou-se à margem e esperou por alguns instantes, até que ela apareceu.
Uma mulher emergiu da água, uma náiade. Seu corpo parecia ser feito da própria água, e sua voz parecia vir direto do paraíso. Cantava em uma língua antiga e desconhecida, com vocalidades que pareciam ser impossíveis de um ser humano reproduzir. Ela flutuava no ar, presa ao lago por apenas um minúsculo fio de água. Mais duas formas vieram à superfície e se juntaram à primeira, em seu cântigo divino. O ancião desfrutava de olhos fechados, e o grande felino se deitou atrás dele para descansar. Após alguns minutos, o canto cessou, e as três mulheres se curvaram.
- Agradecemos sua ilustre presença — exclamaram as três náiades simultâneamente.
- O prazer é meu, em ouví-las cantar — respondeu. As ninfas pareciam mesmo honradas em recebê-lo — Recebi o recado de vocês, as dríades me chamaram. Disseram-me que tinham sonhado com uma profecia.
- Sim, senhor. Fomos iluminadas com uma bênção do futuro...de um dos possíveis futuros — uma respondeu — E achamos que deveríamos lhe avisar.
O velho coçou a barba por um instante, pensativo. Seus olhos se voltaram para nada em especial no chão, e por um momento pareceu divagar, mas logo sorriu e cruzou as pernas.
- Ora, profecias são sempre bem-vindas. Boas ou ruins, profecias são profecias, e estar preparado para o futuro é bom — disse em seu modo sereno e suspirou profundamente — Quando estiverem prontas, ficarei feliz em ouví-las.
Aos rodopios e às gargalhadas, começaram a dançar no ar e soltaram suas lindas vozes. Uma pequena porção de água se elevou, manipulada por uma das moças, e tomou a forma de um navio e acompanhar a canção.

"Do mar em tormenta, chegará
A chave do nosso grilhão,
O filhote do aço, da chuva e do mar
A grande salvação"

A massa de água mostrava um barco quebrado, tombado em uma praia. Dele saía uma grande tripulação.

"O sofrimento chegará ao fim,
A guerra do milênio acontecerá,
Mas mundo unido estará enfim
Quando O Prometido chegar"

Dois grandes exércitos batalhavam, com estandartes ondulando ao vento. Sangue, morte e destruição banhavam a terra, mas algo na cena indicava esperança. As formas indicavam proporções imensas.

"Laranja de fogo e branco profundo
Por raios negros cortado,
A união das tribos e do mundo
Marcarão o seu reinado..."

A água, após se modificar a cada verso, voltou para o lago no fim da música. O ancião tinha uma expressão impossível de se interpretar, mas parecia perplexo. Finalmente, aplaudiu enérgicamente sorrindo .
- Bravo! — ele exclamou. As três fizeram uma reverência, alegres.
Teremos guerra pela frente, refletiu, uma grande guerra. Mas a notícia não é inteiramente ruim. Ele se levantou apressado e se dirigiu para o caminho da saída, com a tigresa seguindo logo atrás.
- Para onde vai, senhor? O que houve? — uma delas perguntou, indignada.
- Uma profecia nem sempre é certeira, o futuro é a cada momento modificado por todos. A todo segundo, novos destinos são criados, e outros são eliminados das possibilidades. Preciso fazer a minha parte! — disse caminhando apressadamente.
- E para onde vai?
- Vou fazer os preparativos, minha cara, o mundo está prestes a mudar para sempre, de modo nunca visto antes. Guardem esse segredo não contem a ninguém — Olhou para trás e acenou em despedida, ao longe — Temos uma profecia para cumprir.

Notas finais
Espero seus comentários e sugestões ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.