Canção da Sereia
38 Nosso momento - RS
Notas iniciais
Willian
– Não posso falar sobre isso agora. Por favor, Nora.
Minha cabeça dói tanto. Acho que cheguei ao esgotamento.
– Eu preciso saber o que você viu, Willian. — Ela está desesperada, mas eu não posso. Estou com tanta dor e tão cansado.
Me deixo cair outra vez na cama.
– Só preciso de um momento, Nora.
Ela está ansiosa, mas concorda. Me estuda por um momento mais e então vai pro banheiro.
Me sinto destruído. E toda essa merda está me deixando louco. Não aguento criar teorias sobre tudo isso e em seguida as ter desfeitas por fatos novos. Me levando a criar mais e mais e sempre tê-las a baixo por todas essas bizarrices. Nem mesmo pensei sobre como vou contar aos outros sobre isso. Porque terei que contar. Fato.
Eu apago logo depois de ouvir o chuveiro sendo ligado.
***
Acordo com movimentos a meu lado. É Nora. Ela está em um sono agitado. Se move e diz coisas estranhas. Tipo, bem estranhas. Não consigo entender nada. parece outra língua.
Está escuro, ainda é noite. Acendo o abajur. Tem um copo de água e comprimidos do meu lado. Ela deve tê-los colocado ali antes de dormir.
Os tomo e então me apoio em minha mão e a fito.
– Nora... — A chamo. Ela começa a se debater com mais força e os sons que diz são mais altos. — Nora!
Dessa vez não a chamo apenas, a cutuco. Ela continua a falar coisas estranhas.
– Nora. – A chacoalho. Ela abre os olhos, a respiração rápida. Pisca várias vezes até me enxergar.
Um pesadelo!
– Você está bem? — Acaricio seu rosto. Ela parece tão frágil. Claro que, só parece. Tenho aprendido nessa última semana que as aparências enganam quando se trata de Nora.
– Nós... — Ela senta.– Precisamos conversar, Willian. Descobrir o que está acontecendo.
– Você acabou de acordar e já está com isso!
Mulheres! Bem que dizem que elas nunca esquecem nada...
– Com o que você estava sonhando? Parecia algo ruim. — Pergunto curioso.
Ela desvia o olhar por um momento.
– Não tenho certeza. Não está tão claro... o que você viu, Willian?
Todo esse desespero dela está começando a me irritar. Por que é tão importante saber sobre isso? Quer dizer, por que nesse exato momento?
– Antes de começarmos esse assunto, eu quero saber porque se machucou hoje.
Mais uma vez ela desvia o olhar.
Eu fiquei nervoso mais cedo, quando ela se machucou com a faca. Realmente furioso. Mas agora, voltando para aquele momento, não acho que Nora faria isso gratuitamente. Acho que ela sabe mais do que está contando.
– Você sabe o que está havendo com você, não é?
– Podemos falar sobre isso pela manhã? Estou cansada.
– Não podemos. Quero saber agora por qual motivo você fez algo tão estúpido mais cedo.
Silêncio de novo. Mas não dura muito.
– Não quero morrer nesse lugar... — Ela diz triste.
Eu também não quero morrer nesse lugar e passei bem próximo disso.
– Você não vai morrer, Noralys. — Ela me olha ao escutar seu nome – Nós vamos sair daqui e então vamos ter um encontro de verdade.
Os lábios dela se comprimem e ela desvia o olhar.
– Não quer um encontro de verdade?
– Willian, não me sinto confortável falando sobre isso...
Me sento na cama e a faço deitar.
– O que foi, Nora?
– Não é... bem... perspectiva de futuro em meio a todo esse caos, me assusta um pouco...
– Perspectiva de futuro ou...
– Podemos falar sobre o que você viu?
Não é como se eu estivesse planejando um casamento com Nora depois daqui. Quer dizer, precisamos sair vivos antes de começar a planejar qualquer coisa. Precisamos nos conhecer. Mas, esse medo todo... ela continua escondendo coisas, é o que eu penso.
– Você quer conversar? — Ofereço.
Ela nega.
– Não sobre isso, Willian. Preciso saber o que viu!
Desespero esta estampado em seu rosto.
– Nora... você tem algo pra me contar? — Eu sei que ela esconde algo. Ela, Lancey, Megan. Eles estão escondendo alguma coisa. Eu sinto isso e não entendo o porque dela não me contar. — Você pode confiar em mim...
– E você em mim, Willian. O que você viu?
– O que tem contra um encontro decente?
Ela desvia o olhar.
Bem, se ela não vai me contar nada, então eu farei o mesmo.
– Só um café, quem sabe?
Nora suspira, relaxa e finalmente me dá um sorriso.
– Bem, eu gosto de ir em lugares caros! — Ela me avisa, me empurrando.
– Claro que gosta, é uma mulher! — Volto a deitar e a puxo pra cima de mim. Dói, mas é agradável tê-la tão perto. É tão estranho sentir todas essas coisas perto dela. Nós mal nos conhecemos, mas me sinto como se fomos amigos há anos. – Felizmente eu ganho muito bem.
– Que adorável, acabei de me tornar uma aproveitadora!
Sua pele é tão clara, e os olhos tão verdes. É encantador olhar para ela. Dá vontade de nunca mais tirar os olhos de cima.
Afundo meus dedos em seu cabelo e a puxo para mais perto.
– O que você viu? — Ela insiste.
– O que está escondendo? — Pergunto.
Parecemos estar travando um cabo de guerra. Em cada ponta um de nós tentando puxar os segredos do outro enquanto protegemos os nossos próprios.
– Não estou escondendo nada... — Tenho certeza que é mentira.
Puxo mais seu rosto e encosto nossos lábios. Eu a desejo desde que a vi em minha porta com George. Ela me conquistou naquela tarde.
Seus lábios quentes se abrem pra mim. Beijar em meio a toda essa eletricidade que há entre nós é algo incrível. Nossa atração é inegável.
Sua língua quente na minha... não quero só isso. Quero mais, quero tudo que ela possa me oferecer.
Guardo minhas preocupações sobre o que ela me esconde e me concentro apenas nela.
Deslizo minhas mãos sobre seu corpo, enfiando por baixo da coberta. Ela usa regata e... calcinha. Deixo um gemido rouco escapar e o sorriso que ela dá não passa despercebido. Acaricio sua coxa. Sua pele é tão lisa e agradável. A apalpo com um pouco mais de força. Ela desliza as mãos pra baixo da minha camiseta. Dói pra caramba, mas, contradizendo toda a razão... é delicioso.
A giro, a deixando cair na cama e vou pra cima dela. Meu corpo dói como se eu acabasse de ser espancado. Mas, que se foda. Eu não vou parar dessa vez, já esperei demais.
Encontro a borda de sua regata e a puxo pra cima, ela me impede de tirá-la.
– Já chega... — Ela diz entre beijos. Mas não, de jeito algum vai acabar assim.
Puxo com mais força a regata pra cima e ela cede, me dando espaço para tirá-la. A luz do abajur me dá uma visão privilegiada e inesquecível. Os olhos verdes brilham ainda mais com o reflexo da pequena luz acessa. Os cabelos ondulados nas pontas, estão ao redor de seu rosto e os seios nus... Ah, os seios nus... é o paraíso.
Seguro seu seio e lambo devagar o mamilo, seu corpo vibra abaixo de mim.
– Willian... ah... já chega.
Não, não chega!
Subo para seu pescoço, depositando beijos e chupões. Ela se mexe tanto que tenho certeza que encontrei seu ponto fraco. Então vou pra sua orelha, ela finca as unhas em minhas costas, mas quase não sinto dor. Não com costelas quebradas me incomodando.
– Preciso de você...– Sussurro em seu ouvido, voltando a beijar seu pescoço.
Nora finalmente relaxa abaixo de mim. Ela começa a aproveitar e me tocar.
Estar tão perto dela é fantástico. É diferente. As sensações são intensas e contagiantes.
Nós estamos agarrados um ao outro, tocando e sentindo. Tenho de empurrá-la três vezes antes de conseguir que se afaste. Olhos brilhantes, lábios inchados, pescoço vermelho por meus beijos.
Ela permanece deitada, enquanto a estudo. Seu corpo bonito e quente se contorce, pedindo mais.
Deslizo minhas mãos por suas costelas, até a barriga plana e desço lentamente até suas coxas. Pego as bordas da calcinha negra e a puxo. Nora levanta um pouco a cintura, para que a calcinha passe. Ergo seu joelho, depositando beijos por toda a sua perna, então passo pela calcinha, deixando a peça apenas em uma das pernas. Não consigo acabar de tirar, ela levanta e passa os braços em meu pescoço, voltando a explorar minha boca com a dela.
Nora está animada demais para quem dizia não minutos atrás. Minhas roupas começam a sair. A camisa primeiro. Depois a calça e então a cueca. Tudo arrancado na pressa e com desespero. Tenho certeza que minha camisa rasgou no processo. Não que eu ligue pra isso, estou bem feliz com o resultado no momento.
Estamos de joelhos, um de frente para o outro. Ambos famintos.
Ela desliza a mão sobre a faixa que envolve minhas costelas, pressionando um pouco forte demais. Sinto dor, mas a deixo no fundo da consciência e deslizo minha mão pela sua cintura, chegando a sua coxa e deslizando para o centro de suas pernas. Quente. Essa é a palavra pra descrever Nora agora.
Ela está molhada e pronta, mas não quero ser rápido. Infelizmente, ou felizmente, ela discorda de mim. Senta na cama e enlaça as pernas em volta da minha cintura, me puxando para ela. Sinto falta de algo... Algo importante... Mas não tenho tempo de lembrar, entro nela com o puxão que recebo de suas pernas. A sensação é prazerosa. É como beber um copo de água gelada depois de caminhar o dia inteiro por um deserto com sol escaldante.
Ela está quente e molhada e eu apenas preciso estar com ela. Estar dentro dela.
Os pelos da minha nuca estão em pé. Meu corpo todo está arrepiado. As sensações que sinto ao tocá-la... não chegam nem aos pés disso. Me sinto drogado, alucinado.
Me movo dentro dela e a onda de prazer explode pelo meu corpo todo. Me sinto sem chão, com borboletas no estomago, ansioso... tudo que um adolescente sentiria. Mas desde o começo prometia ser assim. Nora me faz perder toda a racionalidade, eu me transformo em um garoto de 15 anos ao seu lado.
Nos movemos juntos, em um dança sincronizada. Nós giramos em algum momento. Não sei qual. A coisa toda é surreal. Quando dou por mim ela está em cima, com os cabelos soltos emoldurando seu rosto, olhos fechados e os lábios comprimidos. A sua pele brilha de suor. Eu devo estar igual.
Os gemidos roucos que ela solta são hipnotizantes, assim como os seios fartos balançando. Estico minhas mãos para segurá-los. Grandes, firmes e deliciosos.
A cada cavalgada que ela dá, nos empurra mais para a borda de algo incrível. Me concentro em seu rosto bonito, com formato delicado e lábios carnudos. Seus olhos se abrem e todo o encanto é desfeito.
Luz. É o que tem em seus olhos, como a criatura diabólica, de cabelos prateados, que nos observou na praia, quando Nora quase matou Lancey. Essa não é Nora!
Com o choque, a empurro, a fazendo cair no chão.
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