Notas iniciais
Boa leitura '-'

Willian

Megan está na caverna, como Lancey viu na visão. Mas Nora não.

Kall passa por todos nós e ergue Megan. Ela está viva, mas respira com dificuldade.

– Temos que tirá-la daqui. — Ele diz a aninhando nos braços.

Há vários cortes em minha amiga. Rosto, braços, pernas.

– Não dá pra descer o rochedo com ela assim. — Digo.

O primeiros raios de sol já apareceram, a maré tá baixando, mas ainda é possível ir para o mar com Megan. Teremos q tirá-la assim. Mas, o mar representa grande perigo.

– Tem mais uma aqui. — Gideon grita de dentro da caverna. Eu sei que não é Nora pelo fato de Lancey não se importar. Ele não sai da boca da caverna. Olha fixamente pro mar.

Quando vinhamos para cá, eu o confrontei sobre Helena. Precisava saber o que estava havendo com ele.

“Eu estava morrendo e ela tentou levar minha alma. Então vocês interromperam o processo. Alguma coisa aconteceu depois desse dia. Eu vejo coisas que não são lembranças minhas, ouço coisas que não ditas pra mim.”

– Essa tá morta. — Gideon anuncia. Ele traz o corpo que boia até a entrada, para que possamos ver.

– É a mulher que Steve está procurando.

O corpo tomado...– Lancey diz, me chamando a atenção.

– O que quer dizer? — Me levanto, o encarando.

– Isaac precisava de um sacrifício para o feitiço. Temos um corpo aqui. Um que serviu de hospedeiro. O feitiço de Helena foi quebrado. — Ele diz essas palavras tão serenamente que chega a parecer algo bem comum. Tipo...

Hey, o monstro do lago ness acabou de apontar ali. Você quer tomar uma cerveja?

Olha, um lobisomem comeu toda sua família. Vamos ao shopping?

Lancey parece mais que conectado com Helena, é como se ele fosse ela, algumas vezes. Como se não tivesse mais humanidade nele.

– Onde está Nora?

Ele me encara como se estivesse com dor.

– No mar. Ela está bem, melhor que nós. Segura por agora.

Isso não ajuda muito.

– Esta ferida?

Ele fica em silêncio por um momento.

– Não.

Preciso pensar. Merda merda. Maldita hora que fui aceitar essa expedição ao inferno.

– É seguro sair com Megan pelo mar?

Ele me olha, os olhos tão vazios quanto os de Helena.

– Lancey, você está bem?

Ele leva alguns minutos pra responder.

– Dá pra nadar até o pier. Mas eu não aconselho entrar no mar. É melhor descer ela pelo paredão. Talvez usar cordas.

– O barco. — Kall diz – Vocês podem ir encontrar George e Steve e então vir nos pegar. Eu vou ficar com ela.

Kall está sentado no chão, na entrada da caverna, com Megan em seu colo, aninhada a seu peito. Seu olhar é tão desesperado que temo em deixar meus amigos, mas, essa talvez seja a única chance que temos de salvar Megan.

– Vamos voltar por vocês. — Lhe digo e ele concorda em um aceno. Me ajoelho ao lado deles e os envolvo em um abraço. Essa é minha família e eu não vou sair desse inferno sem eles. — Eu juro que vou voltar. Fica inteiro até lá.

Gideon e eu vamos para a beira do rochedo e começamos nossa escalada. Alcanço o chão antes de Gideon, depois vem ele. Então esperamos Lancey, que nunca vem.

– Lancey? — Eu o chamo.

A cabeleira loira aponta lá de cima e nos olha.

– Eu ficarei aqui. Esperando, não posso continuar com toda essa confusão na minha mente. Mal posso me concentrar.

Eu até ia xingá-lo. Mas ele tem razão. Ter aquelas lembranças de Isaac foi difícil. Lembranças que não eram minhas embaralhando minha mente. Agora não me incomoda tanto, mas fizeram o inferno na minha cabeça quando estava fresco. Mas Lancey... ele ainda tem. Ao vivo.

– Esta bem, Lancey. Fique com Kall. Nós vamos voltar por vocês. — Lhe digo. — E então vamos achar Nora. — Ela não sai da minha mente. Em nenhum minuto.

Ele concorda e se afasta.

Gideon toca meu braço.

– Temos que ir.

Concordo e começamos a correr. O sol já está forte a cima de nossas cabeças e facilita achar o caminho até o pier.

Nora

O cenário começa a se dissolver e estamos de volta ao mar. Dessa vez mais próximas de Isaac.

O que houve nessa ilha?

Silêncio por um instante, então ela começa a falar.

Isaac chegou a ilha, tomou um corpo para si e se misturou entre os humanos. Ele me procurou, por dias e dias e nunca me encontrou. Eu estive sempre na floresta e quase ninguém podia acertar o caminho até lá. – Conforme ela falava, algumas imagens poluíam minha mente – Mas teve uma, Joanna. Ela me encontrou e pediu ajuda. Eu sempre gostei de conviver entre humanos, mas aprendi que isso não era possível, com os passares dos anos. Então eu tentei negar, mas ela me contou algo interessante. Sobre peixes que viravam mulheres e acasalavam com seus maridos. Eu tive que me meter. Fui até o mar na lua cheia e vi com meus próprios olhos. Eu as transformei naquilo para que não incomodassem mais ninguém. Mas elas descobriram um jeito de burlar minhas regras, então as mandei para o mar. Mas sempre se repetia. Quando eu não usava o corpo de Serena, ela ficava livre e foi nesses momentos de liberdade que Joanna, influenciada por Isaac, começou a plantar ideias em sua cabeça. No dia em que as sereias morrerem, era apenas para ser um ritual para quebrar as transformação na lua cheia, elas perderiam o direito de ter pernas novamente. Era um feitiço simples. Mas, Isaac o modificou com Joana, assim como o ritual. Serena deveria obrigar a sereia a se transformar e então a prender naquela forma, ela estava ligada as outras. Mas o plano de Isaac sempre foi me destruir. Ele sabia que eu precisava de um corpo para lançar certos tipos de feitiços. Então, ele planejou minuciosamente o momento. Ele orquestrou o assassinato em massa. Mas, não era as minhas sereias que ele queria. Eram as mulheres. Ele mexeu com a cabeça de Joanna, ela convenceu as outras a matar sua irmã naquela noite, Joanna só não sabia que ao fazer isso, todas as mulheres da ilha morreriam. Assim eu não poderia possuir e não poderia fazer nada contra ele. Eu descobri o plano, quando possui Serena e impedi que Pearl fosse para o ritual. Mas, não esperava que elas matassem a sereia. Isso fez com todas morressem e eu não pude fazê-las seguir adiante.

Seguir adiante?– As cenas continuavam girando em minha mente. E as peças a se encaixar. — Quando você as suga, como fez quando possuiu Pearl? Quando roubou a alma das mulheres?

Não roubei. Libertei. Ou segue em frente, ou fica presa nesse mundo. Se torna um espirito vingativo. Claro que aquelas mulheres na vila foram um pouco antes. Mas veja bem, elas mataram. Por que deveriam ter um destino diferente?

Palavras cruéis que gelam minha alma. Como a vida pode ser tão desrespeitada dessa forma? Não há valor algum para os mais fortes?

Mas se você está presa nessa ilha, existe muitos espíritos a solta...– A ideia morre. Eu acho que finalmente entendo. - Existem outros como você?

Muitos... Estamos aqui desde o principio.

Não digo mais nada. Mas sei que ela conhece meus pensamentos. Sabe sobre todas as coisas que penso sobre ela e o caso. Nós viemos a essa ilha atrás de sereias, encontramos a morte, literalmente. E ninguém nunca saberá...

Estamos nos aproximando de Isaac. Pela primeira vez desde que estamos no água, só agora percebo que não estou respirando. Oh merda. E se eu morro aqui? Ah, deixa pra lá. Vou morrer de qualquer jeito mesmo. Não vejo como sair dessa situação.

Você não conhece o futuro. Não deveria desistir tão facilmente.– A voz fantasmagórica diz em minha mente.

Helena, me deixar sair dessa ilha se passou por sua cabeça em algum momento? – Pergunto.

Esta passando agora. — Uma centelha de esperança nasce em meu peito.

E com isso somos entregues ao silêncio, enquanto nossas mentes, conectadas, estudam a forma de atacar Isaac.

Sua voz. – Helena sussurra e em seguida vejo minha boca ser aberta e água a inundar, mas não engulo. Grito. Não que embaixo da água isso preste... mas eu grito. E vejo círculos se formarem a minha frente e seguir numa velocidade surpreendente até Isaac que se afasta um pouco mais, mas acaba parando, desnorteado. Minha cauda mexe a toda velocidade, nos empurrando até a criatura negra.

Isaac para, com sua causa negra se movendo ritmicamente. Os olhos estão azuis, como se houvesse lanternas por trás deles. Ele tem os dentes pontudos a mostra. Apenas nos olhamos por um instante. Então seu rosto monstruoso se dobra num sorriso diabólico. Subitamente sou puxada para baixo, por mãos ossudas. Como as criaturas de antes. Há várias aqui. Elas me puxam para o fundo. Sacudo minha cauda, mas elas não soltam. Fecho meus olhos, mas não sou eu quem os fecho realmente. É Helena. Então sinto arrepios por todo meu corpo. Forço meus olhos a se abrirem. Sombras deixam as criaturas e se acomodam em meu corpo. Isso é assustador. É como nas visões. Helena está sugando a alma das bruxas que habitam as criaturas. Me vejo livre enquanto os ossos são amontoados no fundo do mar. Nos viramos para procurar Isaac e nos deparamos com ele a centímetros de nós. Ele sorri, então enfia algo em minha barriga. Eu grito. Mas não é um grito. Mais uma rajada de ondas sonoras que o atingem e o manda pra longe. Olho pra cima. Vejo luz. A superfície. Preciso tanto de ar de repente. Nado em direção a luz, sentindo uma dor torturante em minha barriga. E a falta de ar está me sufocando. É como se o ar não pudesse chegar em meus pulmões. Estou morrendo.

Notas finais
A galera que queria Nora morta começa a vibrar agora XD Mas, será? Se a imagem não pegar, é essa aqui: http://www.blogdepobre.com/wp-content/uploads/2013/06/9006852928_8d660ab36c_o.jpg Bj bjs