Canção da Sereia

5 Casa de vidro


Notas iniciais
Para quem tem curiosidade de saber como é o gato da Nora, tem imagem no final do capítulo.

Ps: Me avisem quando verem erros, copiei e colem nos comentários, por favor. Ajuda na hora de revisar, as vezes leio varias vezes e não vejo XD

Boa leitura!!

Willian

Admito, ela me conquistou quando estufou o peito. Foi engraçado e muito excitante. Nora é bonita, mas tem essa personalidade forte. E isso baseado em poucas horas que passamos juntos, imagino como será ficar as próximas semanas com essa garota difícil.

Pensei seriamente, enquanto estávamos na van, sobre deixá-la para trás com Megan. Não estava convencido sobre o caso ter algo a ver com sereias, era completamente fora do padrão. Não que tivesse encontrado alguma ao longo das pesquisas para poder comparar, mas a historia dizia isso. As lendas contadas. E bem, toda lenda começa com alguma coisa. E grande parte delas eram iguais, formando assim um padrão.

Menos aqui.

Mulheres desaparecidas.

Me parecia mais algum tipo de seita fazendo sacrifícios. Isso sim era perigoso, o ser humano.

Mas, o centro de pesquisas havia sido pago para fazer um estudo na ilha e não pude negar um favor a meu pai. Então acrescentei a ilha as minhas pesquisas. Não pensei que encontraria algo nesse lugar.

Então a ponte range quando Nora está sobre ela. Há tubarões na água. Conto pelo menos cinco deles. Há alguns tipos que nadam em grupos, mas esses não pareciam ser dos sociáveis.

Olho para Nora, ela me chama, está sorrindo enquanto se debruça pra ver. A ponte range de novo e eu posso ver a madeira começar a ceder. Eu corro em sua direção, mas não chego a tempo. A ponte cai. Mas apenas a parte que Nora está. Espero ela voltar, mas isso não acontece, então pulo na água atrás dela, me esquecendo por um momento dos tubarões. Se eles sentirem que somos uma ameaça, um banho de sangue vai acontecer.

Eu a vejo afundar rapidamente. Os braços desesperados balançam em volta do corpo e um rastro de sangue fica na água a medida que ela afunda. Nado tentando alcançá-la, a roupa dificulta e sinto que não a alcançarei. Então ela começa a subir e a alcanço, a enlaço pela cintura e começo a nadar para cima. Lancey e Gideon já estão a espera na ponte. Eles a pegam rapidamente. Lancey a apoia em seu corpo e Gideon me ajuda a sair da água antes que algum tubarão decida me fazer de lanchinho.

Nora tosse e seu corpo convulsiona. Seu vestido branco encharcado começa a ganhar uma coloração vermelha nas bordas.

Ergo seu vestido até o joelho e me deparo com sua canela ferida. Não deformada, como um mordida de tubarão faria. Pequenas perfurações rodeia sua canela, não são fundas e quando sarar vão deixar uma marca. Uma bem especifica para uma tubarão... Quase um simbolo.

Ela tem uma tatuagem, um tipo de alga. O desenho circula seu calcanhar, exatamente onde as marcas de mordida estão. A tatuagem continua, circula o calcanhar e sobe pelas pernas, rodeando, como se a planta estivesse crescendo em seu corpo de verdade e grudando, como uma trepadeira. Por um instante esqueço onde estamos e como estamos. Tenho vontade de erguer seu vestido e ver até onde essa adorável tatuagem irá.

– Ta cheio de tubarão. — Lancey grita – Temos que sair daqui antes que o resto da ponte caia.

Eu concordo e a pego no colo, ela é tão leve.

Andamos pela ponte, em direção a praia. Um homem maltrapilho aparece a minha frente me impedindo de passar.

– Vocês trouxeram mulheres – O homem esbraveja. Gideon entra a minha frente e o domina, o empurrando para fora ponte. — Não pode trazer mulheres aqui. Agora elas vão nos atacar. Elas vão pegá-las. Vocês vão ver. Elas estão vindo buscar. — Isso me chama a atenção. Teria sido coincidência a ponte cair com Nora? Não parecia.

A deposito na areia quando estamos fora da ponte. Mason já está a seu lado estudando sua perna. Ela está completamente apagada. O vestido branco, agora transparente, deixa sua roupa intima e corpo a mostra, quase posso ver a tatuagem rodeando alguns pontos de sua pele. Ela é bonita. Muito bonita.

– Estamos perdidos. — O homem continua gritando. — Elas estão vindo.

Gideon segura o cara com força. Mason enrola uma faixa no calcanhar de Nora e Meg chora assustada nos braços de Kall. George nos assiste horrorizado, de longe.

George é o real motivo por começar essa pesquisa maluca. Ele acredita, desesperadamente, em seres meio humanos meio peixes, confesso que sua crença me contagia grande parte das vezes.

– Ela vai ficar bem. — Anuncia Mason no momento que uma picape estaciona e um homem baixinho e rechonchudo saí.

É Steve, meu contato na ilha. Ficaremos em sua casa nas próximas semanas. Ou não, com esse acidente as coisas ficam complicadas.

Steve me leva com as garotas e Mason para casa dele e depois volta buscar os outros e as coisas.

Gideon tenta contatar o barco, mas até o momento que deixei a praia, ele não havia conseguido.

A casa é grande. Há paredes de vidro e fica de frente para praia. Essa casa não é dele realmente, é do dono da ilha.

Steve e eu estudamos juntos, eu preferi sair em campo e ele virou um caçador de mitos.

Ele nos leva pela casa imensa e cheia de cômodos, me lembra de um labirinto submerso que achei na Indonésia. Ele abre a porta de um quarto grande. Tem uma cama de casal no centro. Eu deito Nora ali. Ela está acordando. Os olhos verdes, cansados, se fixam em mim.

Fui mordida... – Ela diz em voz fraca.

– Parece que o mar estava cheio de tubarões. — Digo na falta de explicação.

Isso é carma? Ou era você me dando o troco por causa da reclamação de ontem? — Ela sorri.

– Se fosse assim, era você quem deveria me dar o troco, não é? Eu atrapalhei seu sono.

– E ele ainda virá, Dr. Me aguarde.

– Ei.. — É Mason quem chama.

– O que eu faço? — Pergunto a ele.

– Você pode sair, a Megan fica e me ajuda.

Concordo. Dou uma ultima olhada na garota bonita deitada no centro da cama. Ela parece melhor, sorri para mim. Saio do quarto.

Me concentro em receber o resto da equipe e apresentar Steve para eles, mas o acidente estranho, e Nora sendo arrastada para o fundo do mar, não saí da minha cabeça.

Steve vive na ilha atrás desse mesmo mito que viemos investigar.

Já é noite quando acabamos de carregar tudo para dentro. Gideon não consegue contatar o barco. Nos reunimos na sala. As paredes são de vidro e há longas cortinas que vêm do teto até chão. Elas estão abertas e é possível ver os coqueiros balançando de um lado a outro lá fora.

Os sofás são negros e espaçosos, nos acomodamos, os seis, em três sofás negros. Lancey senta ao lado de George, de frente para mim e Gideon. Steve e Kall estão em um terceiro.

– Nos atualize sobre a ilha e aquele doido na ponte. — Peço.

– A ilha é de uma família muito rica – Steve começa — eles não vêm aqui há mais de 15 anos, desde que a mãe do dono desapareceu, Marry Wible. — Ele acende um cigarro – Tem uma pequena vila, onde os empregados alguns familiares viviam, mas está abandonada desde que foi proibida a entrada de mulheres. Os policias não acharam nada, e quase não há turistas. Mas, eventualmente, aparece alguns curiosos. Sem desaparecimentos recentes. E o cara de antes... Ele se chama Mellow. Ele vivia com a esposa e as duas filhas, então elas sumiram e ele ficou maluco. Ele gosta de contar historias sobre como elas sumiram. Primeiro a esposa dele. Dias depois ela volta e leva a filha mais velha. Meses depois a filha mais velha volta e leva a mais nova. Ele diz que foi arremessado por vários metros no ar, quando tentou impedir que levasse a mais nova. De fato, ele foi encontrado inconsciente com algumas costelas quebradas, mas nunca foi confirmado nada do que ele disse. Depois que elas sumiram, nenhuma foi vista de novo. Agora ele anda pela ilha contanto historias e amaldiçoando qualquer mulher que ele veja. É só um louco.

Silêncio toma conta do ambiente.

– Eu sou a favor de enviar as garotas de volta. — Lancey diz de repente.

– E por quê? — George se mete – Não houve nada. Apenas uma ponte velha.

– E tubarões. — O jovem acrescenta.

– Biólogo marinho que se preze tem marcas para contar histórias. — O velho sorri.

– Não houve nada, realmente grave, para envia-las de volta. — Eu digo.

– Nora foi mordida por um tubarão, isso não é algo grave? — Ele se inclina para frente, nervoso.

– Mas ela está bem, não foi fundo nem nada.

– O médico quem disse isso? — O garoto parece decidido.

– Bem... ainda não. — Ele disse que ela ficaria bem e eu dei uma boa olhada em seu machucado. Parecia bom para mim... — Mas tudo indica que sim...

– Seu doutorado não é em medicina, McLan!

– Calma pessoal. — Kall entra na conversa. — Steve, você que está aqui a tanto tempo, acha que elas correm algum risco?

O homem gorducho apaga seu cigarro no cinzeiro e encosta no sofá.

– Bem, vi algumas mulheres pela ilha, apesar de ser proibido, e não faz muito tempo. Nenhum desaparecimento foi registrado. Acho que, o que quer que tenha sido responsável pelos desaparecimentos, não está mais aqui.

– Vamos esperar o médico – Lancey anuncia – e então decidimos o que fazer com a Nora.

– E eu preciso de alguém pra decidir algo por mim?

Nora entra mancando na sala, Megan caminha logo atrás com Mason. Todos olhamos para a jovem que usa uma bermuda e uma camiseta preta, muito maior que ela. Noto sua tatuagem rodeando a perna desde a canela, onde é uma faixa presa.

Lancey vai a seu encontro e oferece o braço como apoio. Ela lança um olhar reprovador, mas aceita seu braço. Ele a acompanha para o sofá, onde estava sentado antes. Ela relaxa ao sentar.

Megan senta ao lado de Kall, seu marido. Mason senta ao lado de George. E com todos acomodados, toda a tensão volta.

– Como está a perna? — Pergunto olhando para Mason.

– Ela está bem, foi apenas superficial. — O médico diz, antes que Nora possa falar qualquer coisa — Em dois dias estará nova em folha.

– Há mais barcos na ilha, Steve? — Lancey é quem pergunta. O garoto começa a me irritar.

– Sim, o meu.

– Ótimo.

– Vocês devem estar com fome. — Steve muda de assunto. — Vamos pra cozinha, tenho algo preparado.

– Ai droga! — Nora levanta num pulo e os olhares voltam para ela. — Cadê meu gato?

Sorrio, aquilo não parecia um gato, era uma bola de pelo com olhar assassino que estava sempre dormindo ou estava miando. Pelo menos têm sido assim desde que entramos na van.

– Coloquei ele no meu quarto. Vem. — Me levanto e estendo minha mão.

– Eu a levo. — Lancey diz, ficando em pé.

– Não, obrigado. — Eu digo. — Preciso ter uma palavrinha com ela.

Ele me olha desconfiado, então concorda.

A mão delicada de Nora toca a minha. A ajudo a levantar e ofereço o braço, como Lancey fez antes. Ela passa o braço em volta do meu e saímos lentamente da sala. Quando chegamos a escada ela tem dificuldade.

– Com licença. — Digo e pegando no colo e conseguindo alguns risos desengonçados e engraçados. Subo com ela e empurro a porta já aberta do meu novo quarto. Fica ao lado do dela. A luz está acessa, fiquei em duvida se o gato sentiria diferença nisso. A deposito na cama com cuidado ao lado da caixa de viagem. O gato está enrolado em uma bola e parece dormir.

Nora se arruma na cama e abre a grade, enfia a mão dentro começa a acaricia o pelo do animal. Ele abre os olhos e sai da caixa, indo direto para colo dela. Espreguiça e deita em suas pernas.

– Obrigada por cuidar dele. — Ela me diz. Parece mais dócil agora. Os dois. — E por me deixar trazê-lo.

Ela acaricia a cabeça do animal, me causando arrepios pelo corpo.

Notas finais
O que acharam do Sardinha? XD

Caso a imagem não apareça, esse é o link http://cdn.mundodastribos.com/497735-fotos-de-gatos-da-ra%C3%A7a-persa-12.jpg

Bj bjs ♥