Canção Vintage (Crânio & Magrí - Os Karas)
34 O Último Natal
Notas iniciais
Um erro de cálculo. Uma pequena mudança no curso da vida e das estrelas. Um pedido feito na calada da noite da véspera de Natal que foi concedido — sobre algumas condições.
A noite estava clara, fresca com uma leve brisa que levantava algumas folhas caídas ao chão; levantava alguns fios de cabelos soltos das jovens, que passavam de forma animada pelas vitrines das lojas; levantavam também o papel de jornal de alguns senhores que esperavam entediados por suas esposas em lojas abarrotadas de clientes de última hora; o vento suave de verão soprava pela janela aberta do quarto do ex melhor aluno do Colégio Elite. Ele estava na dúvida que camisa usaria naquela noite. O vento deu um leve rodopio na janela, obrigando-o a fechá-la rapidamente.
O vento em ultraje saiu farfalhando as copas das árvores do jardim, rodopiando em si mesmo para recuperar o orgulho ferido. Em seguida, ele tomou um novo rumo, passando por ruas cheias de arbustos iluminados com pisca-piscas, risadas de crianças ansiosas por presentes, alguns mendigos que vagavam pelas ruas de forma monótona, pelo doce Menino Jesus no presépio em frente à igreja, até por fim chegar em outra janela aberta. O vento entrou rolando no próprio eixo, entre risos como se fosse uma criancinha, e levantou alguns fios de cabelo impecáveis da moça que se maquiava na frente do espelho do quarto.
Magrí encarava o reflexo no espelho entre um sentimento de alegria e tristeza. Alegria porque naquela noite de Natal ela e Crânio iriam oficializar o noivado com ambas as famílias. Tristeza porquê... Por que, qual razão? Ela não conseguia explicar direito.
A moça nunca teve a famosa “tristeza natalina” como algumas pessoas. Para ela, as festas de final de ano sempre foram momentos alegres. Mas naquele ano havia algo de errado. Ela deveria estar feliz, oras! Crânio conseguiu concluir o mestrado (só faltava que o professor orientador assinasse a tese dele) ele estava de volta, após meses separados novamente e dessa vez ficaria de forma definitiva — não a deixaria de novo, ele prometeu. No entanto, quando viu o noivo pela última vez, o rapaz parecia ansioso e preocupado com alguma coisa, mas não disse o que era.
Aquilo foi o suficiente para despertar em Magrí pensamentos infelizes e a sua "tristeza natalina". Ela tinha noção do tamanho do sacrifício que Crânio estava fazendo por ela, algo que ela achava que não merecia. O futuro ainda parecia incerto. Ela deveria estar grata pelo relacionamento ter sobrevivido a mais uma prova, mas... e os seus amigos?
Onde estavam os Karas?
Magrí terminou de aplicar a sombra nas pálpebras e piscou. O reflexo a encarou de volta com a testa franzida e os lábios trêmulos. Mais um Natal sem os Karas. Mais um Natal sem Calú, Peggy, Chumbinho, Miguel...
Estaria ela sendo ingrata e descontente com tudo o que conseguiu? Talvez nada de bom que acontecesse na sua vida a satisfaria enquanto esse desejo de reunir os Karas não fosse realizado? A moça suspirou alto. Sentia-se de fato muito ingrata, como se fosse uma criança mimada que não contentava com o que conseguia dos pais.
Ela caminhou até a janela aberta deixando que o vento fizesse cócegas no seu belo rosto. Sentou-se no parapeito da janela com o cuidado de não amassar o belo vestido, de um vermelho delicado, que o noivo havia lhe dado de presente para usar naquela noite. Seria uma ceia simples e íntima, apenas para familiares e amigos próximos — nada de espalhafatoso, mas não conseguiriam evitar que o anúncio do noivado saísse em alguma coluna de jornal da cidade, pois Crânio já era conhecido por seus méritos acadêmicos e Magrí por seu trabalho como pediatra.
O longo cabelo, meio preso no topo da cabeça com um moicano, no estilo das atrizes de Hollywood dos anos 50, esvoaçou e bateu um pouco nas bochechas de Magrí. Estava uma noite linda. As estrelas estavam reluziam, o que era raro considerando a poluição de São Paulo que não permitia ver o céu com tanta clareza.
Como a Julieta de Shakespeare, Magrí fitava as estrelas ouvindo o coraçãozinho da mesma menina que dez anos antes subia pelo forro do vestiário do Colégio Elite, se pendurava nas saliências de prédios para ajudar uma professora, corria no meio da noite junto com aqueles amigos que ela tanto amava — sendo eles os irmãos que ela nunca teve.
“Se ao menos eu pudesse reuni-los... Uma única vez. Apenas uma vez, um último Natal antes de não ser mais possível nos ver”, pensava ela “Eu poderia fazer qualquer coisa por isso...”
A noite de Natal não é uma noite qualquer. É a noite que a terra e os céus estão mais perto um do outro; é uma das mais longas, pois já passou o solstício de verão, que estica o brilho das estrelas e deixa o sol descansar mais tempo no firmamento. O vento daquela noite era risonho e brincalhão, e não deixou de ouvir os pensamentos da bela Julieta.
Magrí abriu e fechou os olhos várias vezes como se fosse dormir. Quando saiu do parapeito, tudo continuava quase o mesmo. Quase.
Algo mudou no curso da vento, na posição de algumas estrelas acima dela e nas folhas caídas ao chão no jardim.
Era noite de Natal.
***
— Filha querida, pode dar uma mãozinha aqui com a mesa?
Com um belo sorriso, Magrí ajudou a mãe a colocar os talheres na mesa, enquanto as empregadas cuidavam dos pratos e do chester. A moça franziu a testa.
— Mãe, porque temos pratos e talheres a mais?
— Como assim, meu bem? Os seus amigos do ensino médio não vem para a ceia? Você confirmou ontem que eles viriam, principalmente pelo anúncio do seu noivado.
Magrí arregalou os olhos e quase deixou os talheres que segurava caírem com estrondo no chão. Ela ouviu direito?
— O-o quê? Meus amigos?
A mãe piscou e depois riu balançando a cabeça, e continuando a pôr a mesa.
— Ora filha, já está tão esquecida assim? E olha que você nem começou os preparativos para o casamento e já está esquecendo das pessoas que convidou? Imagine na última semana antes da cerimônia!
A mãe continuava rindo de forma cristalina, enquanto que Magrí não conseguia rir da piada de tão atônita que estava. Não, talvez sua mãe tenha se enganado e ela estivesse falando dos amigos da universidade e não dos Karas. Não era possível, de jeito nenhum!
As duas continuaram caladas até terminarem de arrumar a gigante mesa de jantar para a ceia. Alguns amigos dos pais dos noivos já haviam chegado e estavam na sala comendo alguns aperitivos. Por fim, Crânio chegou junto com os pais, mas para surpresa de Magrí que esperava apenas os três, Dani veio logo atrás. Ela também não estava sozinha, pois ao seu lado, de mãos dadas com ela, estava...
Não. Não era possível. Era mesmo ele?
Magrí não conseguiu articular palavra, pois Crânio a abraçou com carinho e beijou-lhe a mão esquerda.
— Você está mais linda do que nunca, meu amor.
Ela sorriu atordoada e sentindo a cabeça girar. Crânio deu espaço para a irmã e futura cunhada se aproximar para cumprimentá-la. Magrí sorriu de orelha a orelha pelo abraço carinhoso de Dani, um abraço que uma irmã mais nova daria em uma irmã mais velha.
Em seguida, ele veio. Continuava o mesmo, um pouco mais alto, com barba (como assim ele deixou um pouco de barba?!) e com mesma postura serena e confiante.
— Magrí, querida! Que saudades!
Contendo um soluço, ela deixou que Miguel a abraçasse. Todos estavam cientes da emoção daquele momento, pois de repente as conversas paralelas quase cessaram por completo, enquanto os dois permaneceram abraçados com afeição por alguns instantes no hall de entrada da casa.
— Eu espero que um dia você me perdoe — ele sussurrou para os cabelos de Magrí — Eu achei que você ia me bater quando me visse.
Magrí riu de forma estrangulada entre as lágrimas que não pode deixar de derramar. Miguel lhe deu um beijo fraternal na testa. A moça secou as lágrimas antes dela borrarem a maquiagem, e não conseguia parar de rir como uma boba enquanto fitava Miguel e Dani.
— Então, vejo que vocês dois finalmente se entenderam! Já era hora! Nunca vi duas pessoas tão teimosas para admitirem que gostavam uma da outra...
Crânio pigarreou e sorriu de forma irônica para a noiva.
— Olha quem fala... Como se nós dois tivéssemos nos entendido de forma fácil, né meu bem?
Ela mal teve tempo de responder, pois Calú e Peggy entraram logo em seguida fazendo todo o estardalhaço necessário para avisar que chegaram — claro que a maior parte vindo de Calú, enquanto que Peggy sorria de orelha a orelha para os noivos e os amigos presentes.
— Olha só para você! — Calú se aproximou para abraçar Magrí — Tá uma gatona! Não é à toa que o Crânio foi esperto e te pediu tua mão logo!
Magrí riu alto, se sentindo um pouco sem graça, enquanto se deixava ser abraçada pelo amigo. Que saudades daquele amigo! Quanta falta ela sentiu do bom humor, da alegria e da disposição daquele garoto — que não era mais um garoto, teve que se lembrar a si mesma, mas já um homem bem crescidinho.
Todo mundo já estava bem acostumado com o jeito do ex ator dos Karas, principalmente Peggy, que riu tanto quanto Magrí pelo comentário atrevido. Crânio não escondeu uma careta, porém ele sabia que era mais pela força do hábito de reprovar os comentários de Calú do que ciúmes. Algumas coisas pareciam que jamais iriam mudar.
Peggy a abraçou bem apertado logo em seguida, e Magrí teve que segurar de novo as lágrimas para não sujar a si mesma e nem a bela amiga.
— Oh my dear Magrí, how much I miss you! You look lovely!
— You too, dear Peggy! I’m so happy, I don’t know what to say…!
Enquanto conversava com Peggy, Magrí pode ouvir a conversa que se desenrolava entre Crânio, Calú e Miguel, com as risadas e os comentários de Dani ao fundo:
— Mas olha só para o chefinho! Até que enfim desencalhou. Tá vendo, Crânio? Milagres são possíveis mesmo.
Miguel respondeu alguma coisa que soou como ofensa a Calú, que gargalhou quase derrubando a taça de vinho que tomava. Magrí viu Crânio balançar a cabeça entre um sorriso, e quando a viu piscou para ela.
Calú deu um tapa no ombro de Crânio.
— Ei, nada de flertes! Vocês vão ter o resto da vida para isso. Como eu dizia, eu não vou voltar para os Estados Unidos sem antes marcamos para encher a cara, como um prévia da despedida de solteiro. Que nem da outra vez.
— Não acho que a Magrí vai aprovar, nem a Peggy — Magrí reconheceu a voz de Miguel.
— Nem eu! — Dani se meteu na conversa — Miguel encher a cara? É mais fácil eu fazer isso do que ele.
— Não acredito que vocês vão tirar a noite para torrar a minha paciência — Miguel bufou — É Natal!
— Verdade, é do Crânio que a gente precisa encher o saco, Dani — Calú sorriu de forma maliciosa para a moça — Vai ser o primeiro cabeça de ferro da história que se deu bem na vida amorosa.
Crânio fez uma carranca para Calú.
— Que coisa mais estereotipada, Calú. Eu sou bem normal para os padrões de gênios.
— Mas admite que é gênio — Dani riu — Nunca deixou de ser vaidoso por isso.
O irmão deu de ombros ao som das risadas dos amigos. Magrí e Peggy logo se juntaram a eles, mas antes mesmo delas serem alvos das brincadeiras de Calú, a campainha tocou e um sorridente Chumbinho entrou ao lado da namorada — a querida e bela Natália. Magrí já tinha visto o casal em outras ocasiões, mas os outros Karas não tiveram a oportunidade.
— Eu não acredito, é o Chumbinho! Olá, Natália, como vai? O que deu em você para namorar com ele?
— Ei, cala a boca Calú — uma risada.
— Quanto tempo Chumbinho, parece que foi ontem que você foi no aeroporto se despedir! Como vai Natália?
— My dear Chhuumbinho, how you’re growing up! It’s not a little boy anymore! You have a lovely girlfriend!
— Ai que saudades, Chumbinho! Eu fui embora para a Inglaterra sem conseguir me despedir de você!
— Chumbinho, quanto tempo! — um tapinha no ombro de Chumbinho que admirava o amigo e líder — Fiquei sabendo pelos os seus pais do seu ótimo desempenho na faculdade. Meus parabéns!
Passados os cumprimentos, as brincadeiras e provocações, Magrí não pode deixar de apreciar o quadro a sua frente como uma mãe orgulhosa quando os filhos fazem a coisa certa. Contudo, ela não pode deixar de perceber que faltava uma pessoa, alguém que foi muito importante para eles quando os Karas ainda estavam no Elite.
Quando todos foram para a sala de jantar, os pais dos novos noivos já iam puxar um brinde pela união dos filhos, quando a empregada entrou correndo para avisar que havia um convidado de última hora que tinha chegado.
Os outros se entreolharam e se interrogaram ponderando quem poderia ser àquela hora, quase meia-noite. Magrí e Crânio seguiram a empregada até a outra sala, pedindo para os outros continuarem nos seus lugares. O casal trocou alguns olhares com os Karas, e pela expressão tinham em mente a mesma pessoa.
Ao adentrarem a sala de visitas, o casal estacou no lugar. Sentado, ainda apoiado numa bengala com as duas mãos cruzadas, estava um senhor com idade o suficiente para ser avô dos Karas. O rosto estava enrugado, com pálpebras caídas com um longo pomo de Adão na papa mais saliente do pescoço. O corpo ainda era robusto e pesado, enquanto que a careca brilhava à luz da lâmpada.
Magrí sentiu a garganta se fechar quando ele levantou os olhos cansados de velhice, deixando os lábios se curvarem em um cálido sorriso atrás da barba por fazer.
— Minha menina! Meu menino!
Sem se conter, Magrí quase correu para o abraço que a esperava daquele homem tão querido, quase um segundo pai para ela. Crânio veio logo atrás e se juntou aos dois, recebendo os meus beijos na testa e apertões nas bochechas.
Os três riam e falavam coisas incoerentes tomados pela emoção do momento. Logo foram ouvidos pelos outros convidados, e não demorou para que os outros Karas viessem confirmar as próprias suspeitas. Ao ver aqueles garotos que tanto amava, depois de tantos anos, o velho detetive Andrade deixou finalmente cair uma lágrima, que estava segurando bravamente:
— Meus meninos!
Não há palavras para descrever aquele momento. Magrí e Crânio deram espaço para os amigos abraçarem e cumprimentarem Andrade. Observando a cena de um canto da sala, entre o riso e o choro, Magrí se virou para Crânio. Esperava encontrar um sorriso de felicidade, mas ele estava com a expressão muito séria:
— Você sabe, minha querida, que os sonhos não duram para sempre, não é mesmo?
Magrí piscou atônita sem saber o que responder. O rapaz continuou tomando uma das mãos da noiva, enquanto que a outra acariciava o rosto dela.
— Isso é só um sonho e logo você vai acordar. Você sabe tão bem quanto eu.
— Não quero acordar! Eu quero ficar aqui, por favor — Magrí se jogou nos braços de Crânio deixando as lágrimas caírem — Eu não quero acordar.
— É só um sonho, meu amor. Sinto muito. É hora de acordar.
As imagens em volta de Magrí ficaram opacas, os rostos, a mobília, tudo em sua volta foi se dissolvendo como açúcar na água...
***
Magrí acordou sentindo que alguém acariciava seu rosto e cabelos sem parar. Abriu os olhos e olhou em volta. Como ela foi parar no sofá da sala de visitas? Ela jurava que ainda estava no próprio quarto na casa dos pais! Sentiu que alguém se mexeu perto dela. Levantou o rosto e deu de cara com Crânio, que sorria carinhosamente.
— Bons sonhos, Bela Adormecida?
Crânio esperava qualquer reação de Magrí, menos vê-la chorar. Aflito, o rapaz a puxou para si e a embalou como se ela fosse uma criança machucada, perguntando o tempo inteiro o que aconteceu. Quando ela se acalmou e conseguiu levantar o rosto marcado de lágrimas, Crânio segurou as bochechas e acariciou as maçãs do rosto dela com os polegares.
— O que houve? — ele sussurrou.
Entre alguns soluços, Magrí tentou narrar o sonho com detalhes para o noivo. Crânio escutava atentamente e não disse nada até ela terminar a narrativa. Ele ficou pensativo por alguns instantes antes de quebrar o silêncio:
— Faltam alguns meses ainda para o Natal, meu amor — ele tentou fazê-la rir, o que funcionou, pois ela riu fracamente.
O rapaz prosseguiu:
— Acredite em mim, eu quero tanto ver todos os Karas reunidos quanto você, você sabe disso. Posso ter dito besteiras antes, porém eu desejo mesmo ver meus velhos amigos de novo. Nós vamos vê-los, eu tenho certeza.
— Quando? O ano está chegando ao fim — Magrí se abraçou mais ainda a ele — E parece que quanto mais o tempo passa, mais difícil fica o reencontro dos Karas, meu querido.
— Nós não podemos perder as esperanças — ele beijou os cabelos de Magrí — Você é a pessoa mais esperançosa que eu conheço. Não é agora que você tem que desistir, e eu sei que o Chumbinho pensa o mesmo.
Com carinho, alguns beijos e abraços, Magrí foi aos poucos se acalmando e voltando a si. O sonho, porém, continuava vivo na memória. Ao se recordar da última figura que apareceu, a moça arfou:
— Meu amor, nós não podemos ver todos os Karas agora, mas podemos procurar alguém que não vemos há anos, antes de você voltar para os Estados Unidos!
— Quem?
— O Andrade! Quanto tempo não vemos o Andrade?
Crânio refletiu um pouco.
— Acho que desde a formatura...
Magrí sorria de orelha a orelha com a própria ideia, que renovou mais ainda o ânimo dela.
— Não custa nada tentarmos, não é? Diz que sim!
Ela abraçou de forma manhosa o noivo, que a abraçou de volta com um risinho suave. Crânio nunca dizia não quando ela pediu com aquele jeitinho especial. Mas no fundo ele se preocupava, pois se não desse certo? Magrí ficaria muito decepcionada, e ele não queria que ela sofresse mais do que ela já sofria quando o assunto era os Karas.
E ainda tinha o seu iminente retorno para os Estados Unidos... O rapaz, no entanto, já fazia planos para concluir o mestrado antes das férias de inverno em solo americano, para que Magrí não sofresse tanto com sua ausência. Pensar naquilo já o deixava aflito.
Pelo menos ela não estava mais triste, e sorria e tagarelava como de costume. Crânio apenas assentia, e apenas pensava silenciosamente:
“Eu faria qualquer coisa por você, Magrí. Qualquer coisa”.
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