Canção Vintage (Crânio & Magrí - Os Karas)
41 Impasses - Parte I
Notas iniciais
Londres, 1995
Dani tentava ao máximo manter o sorriso no lugar enquanto os visitantes da exposição passavam ora cumprimentando-a, ora fazendo perguntas sobre os seus quadros. O salão de eventos da Royal Academy of Arts estava apinhado para a primeira exposição dos trabalhos dos melhores alunos da instituição. Era uma noite muito importante para a sua vida de artista plástica, e apesar de já ter participado como expositora em outras ocasiões, aquela ocasião era ainda mais solene pela projeção que poderia ocorrer.
Tinha colocado o melhor vestido — um de corte longo na cor preta que ia até as canelas com delicados detalhes em dourado, sem mangas ou alças deixando os belos braços nus. Até mesmo tinha ido ao salão para enrolar o cabelo — que caía em cascatas vermelhas nas costas — e fazer a maquiagem, que destacava os olhos dela.
Se não estivesse tão nervosa e ansiosa, Dani teria notado que muitos olhares masculinos se viraram para observá-la com mais atenção entre os transeuntes, olhares esses que não estavam agradando um certo rapaz do outro lado do salão que a estudava com atenção.
Miguel tentava conter as carrancas e o nervosismo. Ela ainda não o tinha visto, e pensava na melhor maneira de se aproximar sem dar-lhe a oportunidade dela jogar alguma coisa nele.
Quase três semanas haviam se passado desde o derradeiro primeiro e último encontro deles. Dani pediu demissão no dia seguinte do encontro desastroso, e Miguel ouviu pelas fofoqueiras da Embaixada que a moça havia conseguido um trabalho de guia de turistas na National Gallery — coisa que dava um sorrisinho cínico de satisfação naquelas linguarudas, pois elas apenas imaginavam a razão de Dani ter largado um emprego que pagava tão bem.
Apesar disso, Miguel estava aliviado pelo bem estar dela, pois a culpa de ter sido a razão da demissão o consumia de forma amarga. Tentou ligar algumas vezes para casa de Dani, mas ela nunca atendia. Parecia que ela tinha sumido do mapa e constatou também que ela sumiu da vida dele. Bom… era merecido, sempre pensava.
Miguel mal prestava atenção na exposição e nas pessoas que o cumprimentavam, enquanto caminhava lentamente para onde ela estava parada conversando com os visitantes de forma animada. Os quadros que mostrava eram exatamente aqueles que ele imaginava que ela faria: muitas cores, paisagens e natureza morta. Dani não tinha ainda percebido a presença dele, o que deu-lhe tempo de admirá-la — ela estava mais bonita do que nunca.
Por fim, ela levantou o rosto, viu quem estava na frente dela e empalideceu. Ali em público ela não teria coragem de jogar nada nele ou grita, ou virar as costas — afinal ele tecnicamente era um visitante. Com o lábio inferior tremendo, ela apenas acenou de forma muito educada e formal.
Miguel, tomado por uma coragem que estava adormecida nele há muito tempo, aproximou-se mais se posicionando perto de um dos quadros como se o admirasse. Daquela distância ela podia ouvi-lo.
— Espero que esteja bem. Posso falar com você depois ou vai continuar me evitando como se eu fosse contagioso?
Ela fez uma careta, que se transformou num sorriso forçado quando um dos seus professores passou cumprimentando-a. O sorriso se desfez tão rápido quanto apareceu.
— Não temos nada para conversar. Não há duas pessoas no mundo que não tem nada a dizer uma a outra.
Aquelas palavras doeram em Miguel mais do que seria capaz de admitir, mas ele disfarçou bem a mágoa. Ele se aproximou mais tentando soar ao mesmo tempo carinhoso, porém firme.
— É aí que você se engana. Eu não vou sair daqui enquanto nós não conversamos como dois adultos.
Dani controlou uma careta de desgosto. Ela era teimosa, mas Miguel conseguia ser pior do que ela e no final das contas, em questão de teimosia, ele sempre vencia, pois era mais paciente.
Por fim, suspirou e deixou os ombros caírem.
— Mais tarde, quando evento acabar.
Miguel a fitou pelo rabo de olho tentando conter um sorriso.
A exposição não passou rápido o suficiente, e o rapaz esteve a ponto de pegar a mão de Dani e levá-la dali sem se importar com mais nada. Não podia fazer isso, é claro — ela o mataria mais tarde. Por fim, o evento acabou e os dois se viram livres andando pela calçada tranquila do quarteirão da faculdade.
Dani olhava tudo ao redor, mas evitava encarar Miguel que andava silenciosamente ao lado dela. Ainda corava pelo o que aconteceu da última vez que se viram, pelas palavras dele, pelo dia em que ela pediu demissão e gritou com ele… Por tudo. O que era ainda mais desconcertante era ele vir atrás dela.
Haviam mil perguntas que Miguel desejava fazer, mas sabia que teria de ser cauteloso. Ele parou num canto da calçada onde tinha menos pessoas e disse numa voz apressada:
— Olha Dani, eu não quero brigar e sei que eu agi de forma muito precipitada… — ele parou e respirou fundo — Podemos ao menos ser amigos? Ter uma trégua?
A moça piscou encarando Miguel de volta com um ar de incerteza. Deveria dizer e dizer de forma firme que ele a deixasse em paz de uma vez por todas. Contudo, ela vacilou.
Ele estava tão perto… era só ela dar um passo, colocar os braços em volta do pescoço dele e…balançou a cabeça. Estava ficando doida? Ela não tinha jurado que iria odiá-lo?
Mas tinha ciência que estava sendo ridícula. Ela jamais conseguiria odiá-lo, por mais estúpido, arrogante e sem coração que ele possa ter sido no passado e agora… Ainda assim, ela tinha medo do que aquela aproximação poderia causar na vida deles.
Pensou e pensou enquanto Miguel a encarava com um pouco de aflição. Poderiam ser amigos? Poderiam ter uma trégua? Mais uma?
***
São Paulo, 1986
2 dias para a eleição do Grêmio Estudantil do Colégio Elite
A manhã de terça-feira viu o Colégio Elite em polvorosa pelas próximas eleições da presidência do Grêmio Estudantil. Crânio atravessou os corredores tentando ignorar as conversas dos grupos partidários de Miguel e do rival Iago, o único que teve coragem de se candidatar ao cargo e enfrentar o atual presidente. Porém, o que Iago tinha de corajoso, ele também tinha de ardiloso e gostava de jogar sujo. Ao que parecia, Miguel ainda não havia percebido a maldade do adversário, ao passo que Crânio, nas poucas vezes que ouviu Iago discursar para os estudantes, percebeu que o garoto estava disposto a qualquer coisa para derrubar Miguel.
Eram com esses pensamentos animadores que se sentou numa mesa afastada da biblioteca esperando por Magrí. Tinham que fazer o trabalho de Literatura, e a ideia de vê-la à sós deixava-o nervoso e desconcertado. Não sabia o que ela estava pensando, não tinha noção do estado da mente e do coração dela em relação a tudo… inclusive eles.
Eram nesses momentos que Crânio vacilava na decisão que os dois tomaram de romper o namoro. Talvez Calú tivesse razão… era tudo inútil. Juntos ou não, os Karas não iam voltar a se reunirem.
Mas quando lembrava da raiva de Miguel, Crânio balançava a cabeça. Não, não haviam condições e nem clima para manter um relacionamento que causou tantos danos. Porém, sentia muito a falta dela e um aperto no peito sempre o acompanhava.
Viu Magrí adentrar a biblioteca e ir para onde ele estava de forma tímida, apertando os livros e cadernos contra o peito. Crânio se levantou para puxar a cadeira para ela sentar, um gesto que era muito comum entre eles. Magrí corou:
— Obrigada.
Crânio sorriu e sentou-se novamente na cadeira ao mesmo tempo que sentia a dor no peito de novo. Em outras ocasiões, ela a teria cumprimentado com um beijo e um carinho na bochecha.... Colocou esses pensamentos de lado o quanto antes.
— Eu estava relendo alguns capítulos para termos algumas ideias de como vamos desenvolver o tema do trabalho — começou ela abrindo o exemplar usado de David Copperfield na mesa — O tema que a professora pediu é… err, bem interessante.
Crânio pegou a folha de papel que Magrí colocou na frente dele e leu as instruções. Ele segurou um suspiro alto.
A professora não tinha outra ideia melhor não, de tudo o que poderiam analisar na obra de Dickens? Sobre os processos judiciais, as prisões por dívidas ou o problema dos órfãos no século XIX… Crânio mordeu a língua enquanto lia:
Os Amores de David Copperfield
O amor e o romance não são temas centrais na obra clássica de Charles Dickens, mas ambos possuem um papel crucial na vida do protagonista, principalmente nos últimos capítulos.
David ao longo de sua vida tem dois grandes amores, a ingênua Dora Spenlow e a sensata Agnes Wickfield. Na dissertação, a dupla analisará até que ponto o relacionamento com ambas influenciou e mudou o protagonista, e como isso se reflete na conclusão da obra.
Texto dissertativo
Mínimo 1.200 palavras
Perca de nota em casos de:
Erros de pontuação: — 0,2 ponto a menos cada
Erros gramaticais : — 0,5 ponto a menos cada
Erros de conclusões de ideias e períodos: — 1,0 a menos cada.
Erros de paragrafação: — 0,3 a menos cada
Texto não condiz com o tema proposto: — 5,0 pontos a menos na nota e a dupla terá 1h para refazer o trabalho a ser entregue no mesmo dia. A nota final será a média das duas notas.
Data de entrega: 12/09/86 — próxima aula.
“Que ótimo”, ironizou Crânio “eu poderia ficar 0 e não me faria falta. Mas não posso fazer isso com Magrí”.
Ele forçou um sorriso e gaguejou.
— É um tema err interessante mesmo…
Magrí acenou pegando um lápis e uma folha de caderno. Sorriu com malícia.
— Eu escrevo o rascunho e passo a limpo, porque a minha letra é legível.
Crânio fez uma careta, mas sorriu fracamente
— Minha letra não é tão horrível assim, Magrí.
— Desculpe querido, mas é horrível sim — ela riu.
Crânio se remexeu na cadeira e Magrí corou mais ainda. Velhos hábitos eram difíceis de quebrar… como chamá-lo de querido, por exemplo. Pelo menos ele sorriu pelo canto da boca enquanto lia de novo as instruções do trabalho. Magrí recomeçou:
— Eu tenho uma teoria sobre as duas personagens… a Dora e a Agnes.
— Diga.
— Bem… fui uma coisa que eu pensei quando li pela primeira vez, mas pode soar estranho — Magrí riu e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha enquanto remexia nas anotações — Dora é infantil, despreocupada e às vezes boba. Ela é a personificação perfeita de uma garotinha, uma jovem adolescente que qualquer cara se apaixonaria pelo jeito inocente. Seria “a mulher no Jardim do Éden”, entende a analogia? A mulher antes da Queda e toda a história seguinte. Ela é incapaz de maldade, assim como também não é capaz de levar a vida muito à sério…
Crânio franziu a testa seguindo o raciocínio de Magrí. Ele sabia que a menina dificilmente compartilharia os seus pensamentos mais profundos se estivesse com outra pessoa como dupla. Um sentimento terno subiu-lhe no peito pela confiança ter sobrevivido (aparentemente) entre eles.
— Pensando na história da Dora faz sentido, Magrí… — Crânio sorriu — Então a Agnes seria o quê? A “mulher depois da Redenção?”
— Sim — Magrí sorriu animada — Agnes é uma mulher de grande nobreza de espírito. Às vezes eu cheguei a pensar que o David a achava boa demais para ele, por isso se contentou com a Dora durante tanto tempo.
Crânio pensou um pouco mais. Por fim, falou:
— Então você concorda comigo que o David não tinha uma opinião muito alta de si mesmo, e não era um arrogante como o Uriah Heep?
— Não, ele não tinha. Não de forma aparente, pelo menos… — ela mordeu a ponta da caneta — Há muitos garotos assim, que não se enxergam como eles realmente são. David era tão nobre quanto a Agnes, mas como ele não foi amado o suficiente por ter sido órfão e por ter passado por tantas privações, ele se achava inferior a ela.
Magrí tinha aquele olhar que era capaz de enxergar até a alma. Aquilo sempre dava alguns arrepios em Crânio. Engoliu em seco.
— É muito ruim, não acha? — disse ela suavemente — Porque ela o amou por anos, enquanto ele não tinha coragem de ver que a merecia.
Crânio encarou aqueles grandes olhos com temor. De repente não era mais de Agnes e David que Magrí estava querendo falar…
— Eu entendo o David… — Crânio quase falava para si mesmo tão baixo — Agnes era boa demais para ser verdade. Ele realmente queria ser digno dela, mas como se casou com a Dora primeiro…
— Dora era praticamente a encarnação da mãe falecida dele — Magrí riu enquanto escrevia no caderno — Como eu falei, se ele tivesse sido amado quando criança e tivesse crescido com a mãe, ele teria se casado com a Agnes muito anos antes. Talvez ela tinha ciência desses medos do David, por isso nunca desistiu dele, nem mesmo quando ele casou. Eu sei como ela se sente.
De repente, o ar ficou sufocante na biblioteca. Aquele olhar, aquelas palavras… Crânio sentiu calafrios. Ela estava dizendo algo nas entrelinhas, mas o garoto tinha receio de acreditar que ela se sacrificaria tanto por ele. Não merecia, nunca mereceu, dizia a si mesmo.
— Você se vê no David, Crânio?
O rapazinho engoliu em seco.
***
Miguel massageou as têmporas e suspirou profundamente. Sentia um peso nas costas que o fazia se arrastar pelos corredores do Elite. Aproveitou o refeitório vazio para deixar tudo pesar, deixar a fachada centrada e séria cair, deixando o garoto cansado e abatido aparecer, o que era algo raro de acontecer.
As eleições estavam desgastantes e já não aguentava mais escrever discursos e se preparar para debates. Queria jogar tudo para o alto. Sabia que estaria menos sobrecarregado se os Karas… bem, suspirou e balançou a cabeça. Seria ridículo pedir ajuda a eles depois do comportamento que teve. Ele se afastou e estava sozinho — teria de lidar com isso.
O silêncio do refeitório foi interrompido com a chegada de um vulto vermelho e uma bandeja com lanche. Miguel piscou e deu de cara com… a irmã de Crânio.
— Você não se importa de eu sentar aqui, né? Você está sentado na minha cadeira favorita, a única que não é tão torta.
Miguel piscou de novo e deixou uma risada tímida ecoar pelo refeitório.
— Tudo bem, fique à vontade.
Dani acenou e se concentrou em terminar o sanduíche e o refrigerante, ao mesmo tempo que os olhos às vezes pousavam rapidamente na papelada na mesa que Miguel olhava com desolação.
— Eu posso ajudar.
Miguel levantou a cabeça num estalo e encarou a garota a sua frente. Franziu a testa.
— O quê?
— A sua campanha de reeleição — Dani mastigou rapidamente — Inclusive sei escrever discursos, talvez até melhor do que esses que você anda escrevendo.
Miguel fechou um pouco a cara. Estava cansado, não dormia direito há semanas e não sabia o que era chegar em casa antes do jantar. Ainda por cima tinha que ouvir daquela pirralha que os seus discursos não eram tão bons.
— Os meus discursos são legais — retrucou — Os alunos gostam.
Dani deu um gole na latinha de refrigerante e revirou os olhos.
— Eles gostam de você, não necessariamente do que você fala. Dãã. Você deveria explorar mais a sua imagem e fazer discursos mais sinceros. Quem sabe assim o pé no saco do Iago não se toca…
— Ele tem partidários…
Dani riu de forma irônica.
— Alguns gatos pingados que não dão uma sala de aula cheia. Mas ele sabe explorar a própria imagem, por isso está conseguindo mais votos.
Miguel esfregou o pescoço.
— E o que você sugere? E o que você entende de campanha, Dani? Não me leve a mal, mas…
— Eu sou mais cara de pau do que você, isso não conta? Você precisa de uma assessora de campanha linguaruda para colocar o Smilinguido no lugar dele.
O garoto cerrou os olhos e a encarou como se ela fosse um alienígena. De repente caiu na risada.
— Smilinguido? É assim que você chama o Iago?
— E ele não parece com um? Igualzinho.
Miguel riu de novo e balançou a cabeça.
— Bem, err eu não sei se isso de ser cara de pau e colocar apelidos no adversário é uma qualidade.
Dani terminou de comer o sanduíche. Limpou a boca com o guardanapo e sorriu maliciosa.
— Mas você bem que poderia chamar ele de Smilinguido no próximo debate. Iam falar de você pelo resto da semana.
Miguel massageou as têmporas rindo e tentando não imaginar a reação de Iago pelo apelido. Talvez ter Dani como sua “assessora” não seria tão ruim.
A garota continuou:
— Mas não é só para os discursos que ofereço ajuda. Iago é do tipo que joga sujo, Miguel. Ele não tem escrúpulos e vai usar qualquer podre seu contra você, desde sei lá, ele pode inventar coisas sobre você, coisas do tipo você dorme com cueca box de coelhinho até você ter se agarrado com a namorada de um amigo. Ele não presta.
Miguel cerrou os dentes. É claro que tinha percebido aquilo sobre Iago, mas esperava que a sua seriedade vencesse, como sempre venceu na primeira eleição. Ninguém ia querer um palhaço como presidente do Grêmio…
Pensou na oferta da Dani. Precisava de ajuda para dar conta de tudo sem pirar, isso era fato. Mas tinha receio de admitir quais eram as motivações dela.
Não foi somente uma vez que ele a pegou encarando-o quando ia na casa de Crânio… E quando ele encarava de volta, ela corava e desviava o rosto. Quando os dois conversavam, a menina sempre mantinha uma linha defensiva como se temesse dizer ou fazer alguma coisa imprudente. Ele conhecia bem aqueles sintomas, pois era assim que se comportava perto de Magrí. Mas havia uma camaradagem entre eles depois da briga no estacionamento.
Porém, precisava dar o braço a torcer. Talvez ficar mais próximo de Dani naqueles dias que antecipavam as eleições e aceitar a ajuda fizesse bem a ele. Miguel a olhou do outro lado da mesa e acenou:
— Tudo bem. Você pode me ajudar.
— Ótimo! — ela sorriu animada e tirou um papel do bolso da calça — Já escrevi o seu próximo discurso. Aqui.
Miguel abriu e fechou a boca, mas pegou o papel mesmo assim. Ergueu as sobrancelhas enquanto lia.
— Você não está falando sério, está? — disse ele — Eu não posso dizer isso.
— Pode e deve.
Dani sorriu maliciosa batendo os longos cílios. Continuou de forma brincalhona
— A partir de agora você vendeu a sua alma para mim, Miguel. Eu sou a sua assessora e você vai dizer o que eu mandar.
Continua
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