Canção Da Morte
5 Capítulo 5 - O Exército do deus da guerra
Semanas já haviam se passado desde a última luta entre aspirantes. Aquiles estava realmente feliz por ganhar o direito de portar a Armadura de Bronze de Andrômeda. Antes dele Cleon já havia sido vitorioso nas batalhas pela Armadura de Cisne. Íllias continuava seu treinamento, mas não estava forte o suficiente para superar os outros jovens, mas pelo visto ele não era o único. Dante também não tinha ganhado nenhuma das outras batalhas; ele parecia ter desistido depois de perder a Armadura de Dragão, se lutava deveria ser por outros motivos. Ele sempre chegava à final, mas hesitava em algum momento e dava a vitória para outro.
Íllias sentia-se abandonado pelo seu mestre, que não dava as caras desde que tinha chegado ao Santuário. Sua conversa com o Grande Mestre deveria ter sido importante já que depois disso ele não saiu mais da Casa de Virgem. Durante esse tempo Íllias teve a oportunidade de conhecer alguns dos Cavaleiros de Ouro, como Ichiro, Hayato, Hikaru e Azore. Seus cosmos eram tão poderosos que podiam ser sentidos a distância; muitas vezes Íllias sabia que um deles estava chegando porque seu instinto o avisava.
Certa manhã todos estavam reunidos no Coliseu treinando. Tanto Cavaleiros de Bronze, quanto aspirantes. Até que Miro chamou-os para dar-lhes um aviso. Todos se sentaram nas arquibancadas aguardando as palavras do Cérbero.
- Atenção rapazes! Quero informar que as competições pelas Armaduras de Bronze estão encerradas. Gostaria de pedir que todos permanecessem aqui, com ou sem armadura. Todos vocês tem grande poder. E nós sabemos de histórias de guerreiros aprendizes que foram decisivos em Guerras Santas anteriores.
Íllias não acreditava que todo seu esforço tinha sido em vão. Ele não aceitava aquela situação, sabia que não podia decepcionar Ryoji, sabia que tinha um papel a cumprir, queria mostrar que também era forte.
- Não existem mais armaduras? Todas foram conquistadas? – levantou-se e perguntou a Miro.
- Existem sim, Íllias. Mas infelizmente elas se perderam. As Armaduras de Bronze são um total de quarenta e oito, porém nem todas despertam numa Guerra Santa. Nós enviamos um de nossos cavaleiros para procurar pelas armaduras perdidas. Neste momento o Zaru de Unicórnio está viajando pelo mundo tentando achar algumas destas armaduras. Só podemos esperar e desejar que ele tenha êxito. – Miro respondeu.
Dante levantou-se e caminhou para fora do Coliseu, quando estava na metade do caminho Íllias o chamou:
- Dante! Onde você está indo? Você vai deixar o Santuário? – ele perguntou ao Guerreiro sem Mestre.
- Não tenho mais o que fazer aqui Íllias. Não consegui a Armadura que desejava, — dizia ele olhando para Ryu. — e também não vou ficar aqui esperando pelo retorno do Zaru, eu não confio naquele cara, não acho que ele terá sucesso. Eu vou...
Ele foi interrompido pelo som de uma grande explosão que surpreendeu a todos. Um grande estrondo vindo da direção da entrada do Santuário.
Eles correram para lá para saber o que estava acontecendo. Mas foram impedidos pelos Cavaleiros de Ouro, eram sete guerreiros dourados que bloqueavam sua passagem: Azore de Peixes, Hikaru de Leão, Hayato de Escorpião, Magnus de Aquário, Aoshi de Câncer, Maximus de Sagitário e Ichiro de Áries.
- O que está acontecendo Mestre? – Ryu perguntou para Hayato.
- A Vila Rodório está sendo atacada, ainda não sabemos por quem, mas quem quer que seja é realmente muito poderoso. – Escorpião respondeu.
- Deixe-nos ajudar! Queremos ajudar a salvar aquelas pessoas! – Aquiles pediu em nome de todos.
- Não! Nós queremos que vocês permaneçam aqui para cuidar do Santuário. Só porque ganharam armaduras de bronze não significa que estão prontos para esse nível de batalha. – Maximus disse.
- Mas isso não é justo! Nós nos tornamos cavaleiros justamente para salvar esse mundo! – Cleon reclamou.
- Obedeçam as ordens, Cavaleiros! Guardem suas forças para os espectros de Hades. – Magnus falou.
- Não se preocupem. Nós vamos resolver isso em algumas horas! – Azore falava descontraidamente.
Os Cavaleiros de Ouro desceram a montanha e partiram para salvar a vida das pessoas daquele vilarejo logo abaixo do Santuário de Athena.
Os jovens obedeceram, mesmo relutantes com aquelas ordens permaneceram no Santuário por dois dias desde a partida dos Cavaleiros de Ouro, de lá eles podiam ouvir os sons da batalha, mas sem poder ir até o centro de todo o conflito. Até que certa noite, Íllias acordou e viu que Ryu estava saindo sorrateiramente indo em direção à saída do Santuário. Correu até lá e conseguiu alcançá-lo antes que saísse.
- Você vai pra luta, não vai? Vai desobedecer a ordem dos Cavaleiros de Ouro? – Ele questionou o amigo.
- Sim, eu vou. Ouça Íllias, eu acho que você não entende como eu me sinto. Eu tenho que provar para os outros e pra mim mesmo que sou um bom guerreiro, quero mostrar que sou merecedor dessa armadura que eu visto. Quero mostrar meu valor. – Ryu declarou.
- Você está enganado. Eu entendo como se sente e é por me sentir da mesma maneira que eu vou com você.
- Não! Você não pode ir! Você não tem uma armadura. É perigoso para você. – Dragão disse ao amigo.
- É exatamente por isso que eu vou! Quero mostrar que com ou sem armadura, sou importante nessa batalha. E se eles podem ir, acho que também posso. – disse apontando para Aquiles e Cleon que já estavam descendo a montanha.
- Já vi que não vou te convencer. Então, vamos lá! – Ryu falava enquanto eles corriam para se juntarem aos amigos.
Os quatro corriam montanha abaixo numa grande velocidade, sabendo que qualquer atraso poderia significar a perda de vidas e a destruição da Vila Rodório.
Ao chegarem, se depararam com um cenário de completa destruição. Casas derrubadas, ruas com grandes rachaduras, corpos de pessoas soterradas debaixo dos escombros. O que será que tinha o poder para causar aquela destruição toda em tão pouco tempo?
Caminharam durante algumas horas, conseguindo resgatar algumas pessoas que conseguiram se manter vivas de algum modo, levaram-nas para fora da cidade para que não se machucassem. Ao voltarem para dentro da Vila, correram por algumas ruas em direção a parte central da cidade, para o centro da batalha. Em uma das ruas em que entraram, viram um arqueiro, ele vestia uma armadura vermelha, seu arco era feito de metal e sua aljava estava repleta de flechas vermelhas, flechas que voavam rapidamente na direção de um rapaz de cabelos azuis escuros, que estava se esforçando para desviar delas. Embora fosse bastante rápido, Dante teve que recorrer a suas chamas de fogo para queimar as flechas que se aproximavam cada vez mais.
Em dado momento, aquele arqueiro resolveu mudar de posição para conseguir acertar Dante, nesse momento um círculo de fogo surgiu em torno dele, Íllias reconheceu aquela técnica de luta. O círculo começou a aumentar até que se fechou numa cúpula de fogo, os gritos do inimigo de Dante podiam ser ouvidos a distância, até que o fogo começou a abaixar e o círculo se desfez, revelando que já não existia mais nada em seu interior além de cinzas no chão.
- Era isso que você ia fazer comigo no Santuário? – Ryu perguntou ao vencedor daquela luta.
- Não, com você eu iria fazer pior. – Dante respondeu com raiva nos olhos.
- E me diga uma coisa Dante, quando você chegou aqui? Nós estamos aqui há horas e não vimos quando você chegou. – Cleon quis saber.
- È claro que vocês não viram, idiotas! Vocês crianças ainda estavam dormindo ontem quando eu cheguei. – Ele disse.
Íllias não acreditava que Dante tinha pensado em desobedecer aos cavaleiros de ouro e partir para batalhar contra inimigos desconhecidos.
Dante contou a eles que estava ali há um dia e que já havia lutado contra quatro inimigos diferentes, incluindo esse último com arco e flechas. Eles se intitulavam os Guerreiros Rubros, servos de Ares, o deus da guerra. Contou também que durante todo o tempo em que esteve ali não viu nenhum dos sete cavaleiros de ouro.
- Não temos tempo a perder! Vamos procurar por eles! – Aquiles incentivou-os.
Continuaram correndo até que chegaram ao centro da cidade, lá encontraram seus amigos e mestres de armadura dourada lutando contra dezenas de Guerreiros Rubros. Os servos de Ares eram os mais variados tipos de combatentes, lutavam com todo tipo de arma. Espadas, arcos, machados, clavas e várias outras armas faziam parte do arsenal daquele exército vermelho. Embora tivessem muitas armas não estavam tendo sucesso em derrotar os cavaleiros de Athena, que mostraram parte de seu grande poder.
Maximus voava alto com seu arco nas mãos, cuidando para que nenhum arqueiro atingisse algum de seus companheiros. Hikaru deu socos no chão e abriu fendas que engoliram seus adversários. Aoshi e Hayato lutavam juntos contra seis espadachins muito habilidosos, mas que felizmente não puderam superar os finos raios de luz que eram lançados pelo Cavaleiro de Câncer, fazendo-os caírem no chão. O mestre de Ryu também mostrou seus poderes ao usar suas longas unhas de cor escarlate para injetar um poderoso veneno em seus oponentes.
Alguns dos guerreiros rubros tentaram fugir, mas foram impedidos por Magnus, que os congelou em blocos de gelo, tornando-os verdadeiras estátuas humanas que foram quebradas com apenas um golpe de Ichiro de Áries. Azore corria por todo aquele cenário de guerra espalhando suas rosas envenenadas, fazendo com que todo aquele que as tocasse morresse quase que instantaneamente, exigindo atenção redobrada dos Cavaleiros de Ouro.
Numa de suas corridas, ele parou próximo aos jovens cavaleiros e lhes fez o convite pelo qual estavam esperando:
- Vocês vão apenas olhar ou vão se juntar a nós? Vocês vieram para lutar não é? O que estão esperando? – Ele falava como se entendesse a ansiedade que estava dentro do coração de cada um daqueles rapazes.
Felizes por serem incluídos naquele combate eles correram para a batalha, ajudando seus companheiros a lutar contra aquele exército.
Até que dois jovens de aproximadamente vinte e três anos juntaram-se a eles na batalha. Um deles possuía olhos e cabelos castanhos, era magro e rápido, pelo que se via tinha um grande domínio sobre seu cosmo, pois conseguia criar armas semelhantes as dos seus inimigos, só que estas eram feitas de pura energia.
O outro era alto e forte, seus olhos eram verdes e seus cabelos negros e longos. Seu cosmo era forte e ele controlava-o muito bem, usando seu poder para se teletransportar de um ponto para outro, atacando seus adversários de surpresa, sem que eles o vissem surgindo.
Íllias procurava combater com todas as suas forças, mas sabia que seus esforços não eram suficientes para que se igualasse aos seus amigos.
Cleon estava junto com Magnus criando verdadeiras barreiras de gelo que impediam os soldados vermelhos de fugir. Ryu fazia grandes dragões verdes atacarem seus oponentes, de seus braços saíam grandes répteis alados feitos com o poder de seu cosmo. Aquiles havia prendido vários inimigos nas correntes da armadura de Andrômeda e Dante aproveitando a oportunidade queimou a todos eles antes que se libertassem.
Em dado momento, Íllias ouviu gritos de socorro vindo de algum lugar não muito longe dali, pensou em chamar seus amigos, mas estavam ocupados demais guerreando. Decidiu que teria que resolver sozinho; mesmo levando horas para levar os sobreviventes para um lugar seguro, ainda existiam pessoas que precisavam de ajuda. Deu as costas para o combate e correu de encontro aquele som. No meio de sua corida viu dois feixes de luz fortíssimos saindo do alto da montanha que estava atrás da Vila Rodório, alguma coisa estava acontecendo no Santuário. O que quer que fosse ele não poderia resolver, teria que confiar que seus amigos que ficaram lá em cima dariam conta do problema.
No campo de batalha, Ryu também viu aquelas fortes luzes saindo do Santuário e temeu por seus amigos.
- Algo está acontecendo no Santuário! Temos que voltar para lá! – Disse para seus companheiros de batalha.
- Não! Fiquem aqui! Seja o que for, temos que continuar aqui! Ryoji e os outros resolverão! – Ichiro ordenou a todos que sem questionar obedeceram.
Porém aqueles feixes de luz não significavam perigo para os Cavaleiros de Athena, eles se deram conta disso assim que o último dos Guerreiros Rubros caiu na armadilha gelada de Magnus.
Logo que baixaram a guarda, voltaram-se para aqueles dois jovens que tinham lutado ao seu lado sem medo e com o poder de verdadeiros cavaleiros. Os cavaleiros de ouro perceberam que aqueles dois amigos iriam passar por uma experiência que todos os sete já tinham passado.
Diante dos dois jovens repousavam duas armaduras de ouro, uma diante de cada um, como se já tivessem escolhido seus possuidores.
A frente do rapaz de cabelos castanhos estava uma balança, com uma haste que atravessava seu topo e dois pratos que pendiam nas extremidades. A vestimenta do cavaleiro da sexta casa. A armadura de Libra.
O outro rapaz encarava uma armadura dourada que tinha quatro braços e dois rostos. A terceira casa acabava de ganhar um morador. Aquele era o mais novo Cavaleiro de Gêmeos.
Após vestirem as armaduras eles se apresentaram já como Cavaleiros de Athena.
- Olá, eu sou Nero. O Cavaleiro de Ouro de Libra. – Disse o rapaz mais magro, de cabelos castanhos.
- E eu me chamo Leônidas. Sou o Cavaleiro de Ouro de Gêmeos. – falou o segundo rapaz.
- Muito bem! Vocês se mostraram dignos dessas armaduras, por isso elas os escolheram. Espero que assim como nós vocês jurem defender esse mundo e as pessoas que nele vivem, servindo a Athena. – Maximus alertou os mais novos companheiros.
Sua felicidade pela vitória era imensa, tinham derrotado o exército de Ares, tinham salvado várias vidas, mas infelizmente a guerra não havia acabado pelo menos não ainda.
Um tremor abalou o chão abaixo deles, surpreendendo a todos. No céu, duas fendas foram abertas e delas saíram duas figuras bem parecidas. Seu cosmo era impressionantemente poderoso. Eles voavam se aproximando cada vez mais do chão, até que um deles falou:
- Curvem-se mortais! Diante de Fobos, deus do medo.
- Ajoelhem-se perante Deimos, deus do pânico. – completou o segundo, com um olhar de superioridade sobre os Cavaleiros de Athena.
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