Campeões Do Caos - Interativa

3 Fuck yeah, challenge accepted.


Notas iniciais
Esse ficou muitooo grande! Boa leitura!

3. Fuck yeah, challenge accepted.

Ben Clarke

O nome era Madelline Hastings Gomez. E o endereço era o do Metrô de Nova York, às seis e vinte e sete do dia onze de junho, quinta-feira. Se não me engano, aos quarenta e seis segundos.

Foi nesse exato momento que eu caí na estação de Metrô, vindo de um buraco no teto. Acontece que eu estava fugindo dessa enorme hidra que insistia em me perseguir. Não sabia como os mortais a via, mas alguns chegaram a gritar “Dragão-de-komodo? Como assim?”. Fala sério, aquela hidra era muito maior do que um dragão-de-komodo.

Eu só não morri por causa da Bênção do Estige, a mesma que a de Aquiles. Todos os cortes que eu tinha se refaziam em poucos segundos. A pele queimada se refazia instantaneamente, de acordo com o grau. Era meio embaraçoso o quanto eu dependia desse detalhe. Meu ponto fraco, entretanto, não foi tocado.

E então, quando caí no meio do metrô, encontrei essas duas garotas. Uma, até bonitinha, tinha uma cara de quem não estava entendendo nada. A outra tinha um olhar sádico que me fez ter medo dela, um olhar do tipo “Eu vou adorar matar isso lentamente, e comer depois frito no molho inglês!”. Aí descobri que ela era filha de Ares, então tudo meio que fez sentido.

Para melhorar tudo, meu melhor amigo, que simplesmente não sabe estacionar um trem, conseguiu descarrilá-lo e atravessá-lo na estação, que meio que já estava vazia por sorte. A hidra ficou do outro lado, mas a filha de Ares estava tendo um ADP – Ataque de Pelancas.

- MADRASTA É O TEU CÚ! – ela gritou com a pobre da Madelline. – TEU CÚ, TEU CÚ E TEU CÚ! Pronto, falei. Não tem trem nenhum que vai me impedir de xingar e pronto. Vem aqui que é agora que eu vou te matar. EU MESMA. HIDRA NENHUMA VAI ME TIRAR ESSE PRAZER. VEM CÁ, NÃO ADIANTA CORRER.

- TÁ DÁ! – meu melhor amigo melhorou ainda mais a gritaria, fazendo um buraco no teto do trem e saindo de lá com uma cara de, bem, de... – Observem como eu estou divando com esse trem descarrilado e a minha lança de ferro estígio.

Ele pulou do trem, andando de um jeito estiloso. Piscou para a Madelline, com um sorrisinho de lado.

- Essa não, é propriedade do deus da guerra. – eu disse, e ele engoliu em seco.

- Tá, esquece. – então virou-se para Ellie com a mesma expressão no rosto.

- Essa é a filha dele. – adverti-o. Sua expressão presunçosa transformou-se em uma careta.

- Ah, cara! Ares está em todo lugar! – olhou para mim e, notando meu olhar, endireitou-se, sério novamente. – Dracanae morta definitivamente.

- Ótimo. Não tem ninguém nesse trem?

- A dracanae expulsou todo mundo bem rapidinho. – ele apontou para Madelline. – Então é essa a garota?

- Sim. Ela que sabe como chegar na Ilha dos Djinns.

- Desculpe-me?

- Alguém vai me apresentar pro idiota com a lança legal? – Ellie deu um passo para frente, de repente esquecida de Madelline. Abriu um sorriso encantador. Bem, o mais encantador conseguiu com aqueles olhos assustadores. – Oi, Ellie Kendrick, filha de Ares. Quanto você quer pela sua lança?

- Você já tem uma.

- Algum problema em ter duas lanças? – sorriso encantador desfeito.

- Nenhum, quê isso.

- Gostaria de lembra-los que ainda tem um demônio de cinco cabeças que cospe fogo do outro lado do trem, querendo matar vocês a qualquer instante. – Madelline disse, a voz rouca e um pouco vacilante.

- Você consegue ver através da Névoa? – eu perguntei, mas no meio da frase fui abafado por um grito.

- Você falou? – Ellie voltou sua atenção para ela, e ergueu uma das mãos com um soco inglês de bronze. – FALOU?! Peraí, que eu vou aí arrancar seus dentes!

- Deixa ela. – eu segurei Ellie pelo braço, e temi que ela fosse me matar quando se virou para mim. – Por que não vamos lá dizer um oi pro seu amiguinho, matamo-lo, e depois voltamos para conversar com a humana e pronto?

- Quem diz “matamo-lo”? Ok. Mas eu ainda a matarei hoje. – soltei-a e comecei a andar em direção ao trem, mas a garota (podemos chamar isso de garota?) deu um passo para trás e gritou. – SAIA DA MINHA CABEÇA!

- Deuses, você é muito histérica. O que houve agora?

- Meu pai. Fica falando na minha cabeça. Algo sobre “Você não vai matar minha namorada, vai?”.

- Odeio quando eles fazem isso. – Tony disse, com os lábios franzidos.

- Cara, vocês são loucos! – Madelline virou-se e correu em direção à saída da estação, o mais rápido que seus saltos lhe permitiriam.

- Tony, vá atrás dela. Ellie, deixe-a. Vamos matar essa coisa logo, por favor.

- Ok. A garota tá fazendo showzinho. Vamos lá matar a coisa.

***

Pulei no trem logo atrás de Ellie. A garota era alta e fluida em seus movimentos, como se estivesse debaixo d’água o tempo todo. Segurou a lança com as duas mãos, parada observando a hidra. O monstro de cinco cabeças fitou-a com os olhos reptilianos e gritou, abrindo a boca e preparando-se para soltar fogo.

Ellie foi mais rápida do que o bicho e pulou. Fiquei de olhos arregalados enquanto via-a dar um giro em pleno ar e cair no dorso da hidra, perfurando sua pele pegajosa com a lança. Pensei: Ok, o bicho morreu, não há mais nada para eu fazer aqui. Ele começou a correr pelo salão, virando as cabeças para tentar atingi-la, mas ela desviava dos jatos de fogo, fazendo com que o animal se queimasse. Ellie riu e murmurou:

- Burro. – então ergueu os olhos para mim e abriu um sorriso de escárnio. – Ben 10, não vai fazer nada não?

Depois ela me chama de diva.

Bati em meu pulso repetidamente, e fingi uma cara de surpresa.

- Não tá funcionando, não tá funcionando! O Omnitrix deu pau!

Vi quando a hidra fez uma curva repentina e fez com que a pele se rasgasse ainda mais, jogando Ellie em direção a uma das pilastras de ladrilhos cinzentos. Alguns ladrilhos caíram ao seu redor, arranhando-a no rosto e nos braços. Eu franzi o cenho, irritado.

Pulei do trem, sério e atento mais uma vez.

Quando a hidra caminhou (Eu juro que aquilo rebolava enquanto andava) para ataca-la, ignorante da minha presença, corri em sua direção e tentei dar um salto como o que Ellie tinha dado. Mas eu era mais alto que ela, e mais corpulento, então acabei caindo em sua cauda mesmo. Quando o bicho notou que eu estava ali, virou três de suas cinco cabeças, inclusive a que soltava fogo. Seus olhos eram amarelo-claros, profundos e reptilianos, hipnóticos. Fiquei observando-os. Eles se enrugaram quando a boca do centro abriu e mostrou sua garganta, onde o fogo começava a aparecer.

- Use a espada, seu idiota! – por um segundo pensei que fosse a voz da minha consciência, um grilo minúsculo em meu ombro ou até mesmo Pepper gritando de sua torre no meio do Mar Mediterrâneo. Mas então notei que era apenas a voz de Ellie, caída no chão. – A espada bem grande de titânio que você está segurando. Não dá para você não acha-la. Isso, isso mesmo!

A última parte ela exclamou quando eu segurei a espada e lembrei-me que estava me segurando no rabo de uma hidra. Bati no rabo com o lado plano na espada, deixando o animal mais irritado e fazendo com que aproximasse sua cabeça mais lentamente de mim.

- Use sua espada como uma espada! Como uma espada! Tipo, cortando coisas, seu babaca! – Ellie gritou.

- Não me diga o que fazer! Não fique mandando em mim! – repliquei, concentrado e suando. O calor da boca da coisa era irritante, fazendo com que o suor salgado pingasse em meus olhos.

Quando estava prestes a soltar o jato de fogo, eu pulei e ergui a espada, cortando seu rabo de um só golpe. Abençoei Pepper por ter me dado aquela bendita espada. Não consegui desviar-me do fogo, entretanto, e aquilo queimou metade do meu corpo. Doeu, mas eu ignorei a sensação. Sabia que dali a pouco a pele se reconstruiria.

Andei em direção a Ellie enquanto a hidra se contorcia de dor e se afastava um pouco, desnorteada. Ofereci um braço para ela, mas a garota me empurrou e levantou-se.

- Quando eu digo para usar uma espada, quer dizer cortar. – ela riu.

- Eu sei o que estou fazendo, Diva. Estava checando se conseguiria cortar o rabo com um só golpe ou se precisaria de mais de um.

-– O que esperava conseguir com isso? Vai querer dividi-la em sete partes como os Três Grandes fizeram com Cronos ou vai simplesmente cortá-la para colocar no espeto depois? — ela apontou para a pele queimada. — Isso deve estar doendo.

- Sim, está. – enquanto ela falava, senti o último pedaço de pele em meu ombro se reconstruir. Mas metade da minha camisa tinha ido embora. – Bênção de Aquiles. Dei uma nadadinha no rio Estige.

Ellie me ignorou e olhou para a hidra, irritada.

- Isso já está durando tempo demais. Vai ser na mão mesmo. – ela segurou a lança a sua frente, esticada, e observei estupefato enquanto a arma se alongava e tornava uma das pontas chata. – O clássico.

- Você ainda está segurando a lança. – eu apontei para a arma. Ela limitou-se a bufar.

Correu bem em direção à hidra, e usou a lança como impulso para pular em a sua frente. Ergueu o punho e desferiu um soco bem na segunda cara da hidra. O soco inglês de bronze celestial fez uma queimadura no monstro, o que deixou-o ainda mais irritado.

Ellie caiu então no chão e rodou para o lado agilmente, para não ficar na frente da hidra. Fez algo muito esquisito: abriu o casaco militar que usava. Por baixo usava uma blusa vermelha do Black Sabbath, o que combinava perfeitamente com sua expressão sanguinária. O lado de dentro do casaco era forrado de tecido bege, e cheio de bolsos. De dentro de um deles ela pegou duas pequenas bolas de algo verde. Esperou. Ficou imóvel.

A cabeça estava com um dos olhos cegos devido ao soco. A do meio, que soltava fogo, aproximou-se lentamente, a boca aberta com o fogo formando em sua garganta. Corri para socorrê-la, mas antes que eu pudesse fazer algo, Ellie jogou as bolinhas dentro das cabeças da ponta e jogou-se ao chão então. Algo me disse para fazer o mesmo, e eu fiz.

Coloquei o rosto contra o chão, mas pude ouvir o som de fogo crepitando e um som nojento de algo úmido sendo cortado. Um “Splac!” nojento. Quando finalmente ousei levantar a cabeça um pouco, Ellie estava correndo em minha direção com uma hidra furiosa e com duas cabeças a menos, uma de cada canto, sibilando em suas costas.

- Eu pensei que, cortando a cabeça de uma hidra, duas nascessem no lugar.

- É, mas jogando as bombinhas de fogo grego, eu corto e cauterizo as feridas ao mesmo tempo. Elas não nascem de novo. – ela me puxou e empurrou-me para trás de uma pilastra. – Não tenho tempo para explicar. Teremos que trabalhar juntos agora.

Abriu o casaco e tirou mais duas bolinhas de fogo grego de dentro dos bolsos. Entregou-me as duas. Olhou bem dentro dos meus olhos.

- Jogue nas duas dos cantos. Não na do meio.

- Por que não na do meio?

- Essa é imortal. Só podemos mata-la de vez de um jeito, e é o que eu vou fazer. Mas preciso atrai-la para perto de mim.

- E como vai fazer isso?

- Eu não vou fazer isso. Você vai. – ela pegou a espada da minha mão e segurou meus ombros.

- Como farei isso?

- Já ouviu falar na palavra “isca”? – então empurrou-me para o outro lado da pilastra, de cara com uma hidra de dois metros de corpo e mais uns três de pescoço e cabeça.

Segurei as bombinhas de fogo grego com cautela. Aquelas coisas, se manuseadas com descuido, perdem o controle e queimam tudo pela frente. Continuei imóvel e esperei o momento certo. A coisa se aproximou, burra como só ela. Não notara que era uma armadilha. Abriu bem a boca do meio, os dois pescoços dos cantos pendendo sem nada na ponta além de grandes buracos cauterizados. O cheiro de carne queimada enfezava o ambiente.

Apolo, Ártemis e quem mais estiver ouvindo, pai, me ajude nessa merda agora. Guiem as bombinhas.

Fechei os olhos como vi os jogadores de basebol fazendo. Ergui a perna e em um único movimento, fluido e ágil, joguei as duas bolas ao mesmo tempo. As duas cabeças engoliram-na sem querer, e a terceira pareceu engasgar-se com seu fogo.

Nesse momento, Ellie apareceu montada na hidra repentinamente, como se ela fosse um cavalo, e logo atrás da cabeça do meio. Segurou o pescoço e abriu um corte bem no meio daquilo, fazendo com que jorrasse um líquido roxo e viscoso. Ela pulou de lá ao mesmo tempo e jogou-se no chão do outro lado da estação.

A hidra desfez-se em pó dourado, deixando apenas a cabeça do meio intacta. Ficou um monte deles no centro da estação, como se fosse um montezinho de areia. Ouvi um som que estranhei: o de duas pedrinhas caindo em cima daquele monte, e ao erguer o rosto, eu vi Ellie agachando-se sobre o montinho e pegando aquelas duas pedras.

Pareciam serem granadas, ovaladas e médias, cabendo perfeitamente nas palmas das mãos da garota. Olhou-as com prazer, e sorriu para a cabeça remanescente.

Raspou uma pedrinha na outra, mirando na cabeça. O fogo foi o mais belo que eu já vi – espirais de vermelho, laranja, amarelo e azul ergueram-se até o alto e voltaram sobre a cabeça, reduzindo-a a pó como o resto do monstro.

- Essas duas pedras ficam no meio do pescoço da cabeça imortal de uma hidra. Quando as duas raspam uma na outra, o fogo mais quente e poderoso é criado. Pode tornar mortal o que é imortal, e vice-versa. Há uma história triste por trás disso. – Ellie contou a me ver observando-a com um olhar indagador.

- Qual história?

- Longa história.

- Eu espero.

- Longa história quer dizer que eu não quero te contar tudo.

- Espera, a hidra me queimou com isso. Quer dizer que eu vou virar um deus?

- Dentro de uma hidra não funciona, né, orelhudo. Só depois de um longo processo feito pelas mãos de imortais pode tornar algo imortal. E apenas nas mãos de um mortal que pode tornar algo mortal. Quem faz o fogo e quem é atingido pelo fogo estão conectados.

- Sinistro. – foi minha brilhante resposta. Levantei-me do chão e comecei a andar em direção a onde eu vira Madelline e Tony correndo. – Vamos lá atrás deles.

***

No final, Madelline não correra muito longe. Tony puxara-a até o café onde estivera antes e deu a ela um chá para se acalmar, enquanto NOS deixou cuidando da hidra. A garota quase o socara quando ouviu essa explicação, mas consegui acalmá-la.

- COMO ASSIM vocês vieram tomar um chá enquanto eu cuidava de uma hidra de dois metros?! – Ellie gritou. Algumas pessoas encararam-na, assustadas, mas ela limitou-se a erguer o queixo para essas pessoas. – O quê que é, algum problema?

Eles também me encararam, e foi quando eu notei que estava usando os frangalhos das minhas roupas. Puxei a camisa para analisa-la melhor.

- Ah, cara! Eu amava essa do Luigi... – choraminguei.

- Não se preocupe, compro outra pra você em Onde Quer que os Nerds Vão. – Ellie mordeu os lábios e jogou-se em uma cadeira.

- Sério?

- É óbvio que não.

Concentrei-me no anel e me transformei em um garoto mais alto, com cabelos escuros e uma blusa e calça inteiras.

— Como... V... Você fez isso? – Madelline engasgara com o chá e tossia compulsivamente.

- Alguém anda por aí com djinns. – Ellie comentou, observando com um sorriso sádico o engasgo de Madelline. Provavelmente estava pensando “Morre, morre, morre!”.

Sentei-me na mesa. O café até que era bem legalzinho, com alguns croissants no meio da mesa. Peguei um desses e deu uma mordida bem grande. Madelline encarou-me com os grandes olhos azuis.

- Então, deuses existem? Semideuses também? O que eu tenho a ver com isso?

Pedi um segundo, erguendo a mão. Estava de boca cheia. Estranhei que Madelline não perguntara o que é um djinn. Ellie não aguentou esperar, entretanto. Ela estava largada na cadeira, irritada e tirando a franja do rosto o tempo todo.

- Sim, sim, sim. Deuses gregos existem: Zeus, Afrodite e Ares. Eu existo, assim como a Madonna aqui e o Homem de Ferro ali. Somos semideuses, fodásticos, que matamos monstros que tentam nos matar, porque temos cheiro de comida.

- Vocês cheiram a comida?

- Sim. Digamos que semideuses são o pato ao molho rosé para os monstros.

- Nem sei se isso é bom... – Tony comentou.

- Cale-se, Homem de Ferro. Estou explicando tudo pra uma mundana aqui. – ela bufou para Tony. – E você se inclui nisso porque é namorada de um deus, o meu pai, que me mandou cuidar de você. O deus da guerra, bom pra caramba, mas com péssimo gosto pras mulheres. Menos quando escolheu a minha mãe.

- O Ian é Ares?

- Ian? Que nome ridículo.

- Meu primo se chama Ian. – comentei.

- Olha bem pra minha cara de que me importo. Enfim, eu estou aqui porque meu pai me mandou ficar de olho em você, e olha que eu estou de férias, hein. FÉRIAS. Agora o que eu não entendo é porque os dois PALERMAS aqui estão atrás de você, e sinceramente não ligo, a não ser que você esteja segura e ainda brincando de Polly na sua casa.

- Eu não brinco de Polly na minha casa.

- Não discuta comigo. – Elie respondeu e virou-se para mim. Então estava sim, interessada no que eu e Tony queríamos com Madelline. Eu ainda estava mastigando. Ergui a mão mais uma vez. – Dá pra parar de comer, pelos deuses? Para de respirar e mastiga. Isso. Não, não respira! Mastiga só. Isso.

- Na verdade, nós não sabemos ao certo por que estamos atrás da Madelline. Apenas nos foi dito o nome, o endereço e o horário: Madelline Hastings Gomez, Metrô de Nova York, às seis horas, vinte e sete minutos e quarenta e três segundos do dia onze de junho, quinta-feira. – Tony cansou de me ver sendo torturado e me deu um descanso. Graças aos deuses, aquela menina era mandona.

- Sério, eu jurava que era quarenta e seis segundos. – falei de boca cheia.

- Pra isso você abre a boca, né? – Ellie gritou comigo.

- E quem disse isso pra vocês? Foi Ian? – Madelline não estava surtando como eu esperava. Concedeu a Ellie um olhar desconfortável. – Quer dizer, Ares?

- Não. Foi... Outra pessoa. – Tony olhou para mim, e discutimos entre olhares. Contamos a Madelline na frente de Ellie sobre a Pepper? Assenti. Ela tinha salvado minha vida, o mínimo que eu podia fazer era confiar na garota.

- Você sabe o que são djinns?

- Sim. – surpreendi-me com a resposta. Ela notou, e pigarreou. – Na verdade, eu tenho uma ideia. Li sobre isso em um livro. Mas não sei o quanto realmente é verdade. Conte-me sobre eles.

- Djinns são misteriosos, sinistros e poderosos feiticeiros que vivem reclusos em um arquipélago amaldiçoado no Mar de Monstros. Obcecados por pedras preciosas, os maiores djinns podem transformar a própria pele em pedras. Criam uns animais gigantescos e considerados indomáveis pela maioria das pessoas, tipo o Leão de Nemeia, Hidras de Lorna, Cervos prateados, Dragões e outras coisas. Também são chamados de Domadores. Praticam Magia Negra, e são seguidores de Hécate e de alguns deuses ctônicos. Moraram por um tempo aqui no mundo real, fora do Mar de Monstros. Já ouviu falar de Atlantis? Pois é, terrível destino. Já estive lá nessas ruínas. São sinistros, perigosos, não chegue perto deles. – Ellie fez a explicação por mim. Ela falou isso tudo em um jato, quase sem respirar. No final, ficou olhando para suas unhas.

- Isso. – Tony continuou. – Mas existem alguns que são legalzinho. Tipo a Pepper.

- O nome dela mesmo não é Pepper.

- Deve ser alguma coisa tipo, sei lá, Skulvlacas Veen! – Ellie chutou.

- Isso é um feitiço de Eragon. – eu a corrigi.

- Seu nerd.

- Enfim. A Pepper está em apuros.

- Não me diga que ela foi sequestrada, presa em uma torre de prata, ouro, mármore e bronze, e que no dia 24 de junho eles vão dá-la para um Kraken gigantesco. – Madelline riu. Eu e Tony a encaramos com os olhos arregalados.

- Na verdade, não sabíamos sobre a parte da torre, nem a parte do dia 24 de junho. – reconheci a data. É o dia do Festival de Fortuna, mas não disse nada. E hoje é o dia que os romanos dedicam a deusa Fortuna. Também não disse nada. Ellie era grega.

- Oráculo? – Tony perguntou.

- Oráculo. – eu estava estupefato.

- Espera aí, a garota acertou? – Ellie endireitou-se na cadeira, esquecendo-se de disfarçar o interesse como estivera fazendo antes.

- Eu acertei? – o sorriso de Madelline esvaiu-se de seu rosto.

- Como você sabe disso?

- Eu... Li em um livro... Bem, não é exatamente um livro, é um manuscrito. Bem, era pra ser um livro, mas a minha editora não quis. Minha chefe não aceitou, disse que era muito mal escrito e a história era muito fantasiosa e aleatório. Particularmente, eu gostei, e a garota disse que continuaria me enviando exemplares, então... Acho que sou a única fã da série.

- Qual o nome?

- Campeões do Caos.

- Oh, deuses. – Tony pôs as mãos na cabeça. – Por todos os deuses do Olimpo, uma Oráculo! Qual o nome dessa garota?

- Não lembro direito, ela mora em Salisbury!

- Aposto que isso fica no Mississipi. – Ellie chutou mais uma vez.

- Não, fica na Inglaterra.

- Britânica! – Tony deu o sorrisinho galanteador de sempre. – Eu adoro um sotaque.

- Cala a boca. – eu disse. – Madelline, onde está esse livro? Você já leu inteiro, sabe a história?

- Sim, eu sei, mas...

- Mostre-me onde isso está. Agora.

***

O edifício era alto pra caramba. Imagine janelas de vidro escuro, uns trocentos mil andares, no topo uma antena gigantesca, e um saguão do tamanho da sala do trono do Olimpo.

Tá, o saguão não era tão grande assim, mas pra mim, era tão imponente quanto.

Vi umas modelos magrelas saindo do elevador, e elas ficaram me encarando de um jeito esquisito. Corei até a raiz do cabelo, e apressei-me mais um pouco atrás de Madelline. Ela andava até uma moça ruiva no balcão do saguão, que sorria para nós.

- Oi, Macy. Você pode me emprestar o cartão de segurança do décimo oitavo andar? Sei que estou fora do horário de trabalho, mas esqueci meu celular lá em cima.

- Eles também vão subir? – Macy nos analisou com um olhar indagador. Tony, com um sorrisinho idiota no rosto; Ellie encarando-a como se imaginasse a melhor maneira de matá-la; e eu parecendo assustado como um garoto de interior visitando a cidade.

- Sim. É rapidinho, e são os meus primos e a minha... Irmã. São menores de idade, não posso deixa-los sozinhos aqui, e eles estão sob a minha responsabilidade... Também são de Newark, e não nunca tinham vindo a NY. – Madelline explicou, e senti Ellie abrir a boca para protestar. Já estava imaginando o barraco: “QUEM É SUA IRMÃ AQUI, SUA TENTATIVA DE BARBIE? DEVE SER O TONY.”. Segurei sua mão, então, e ela ficou me encarando com raiva demais para pensar em discutir com Madelline.

- Tudo bem. Mantenha-os longe de problemas. – Macy respondeu depois de ficar nos encarando por algum tempo. Entregou a Madelline um cartão, e a garota respondeu com um sorriso. Já estávamos nos afastando em direção ao elevador quando Macy gritou para nós: – Aproveitem sua estadia em Nova York!

- Obrigado. – eu virei-me e sorri. A garota sorriu de volta para mim, do mesmo jeito esquisito que as modelos tinham feito.

- Se pegar na minha mão de novo, eu juro que arranjo um jeito de te matar, Ben 10. – ela pisou no meu pé e andou na minha frente. – Omnitrix nenhum vai te salvar.

Aquilo doeu pra caramba! Deuses, alguém pisar no seu pé é alguma coisa. Mas uma filha de Ares consegue fazer até um peteleco fraco doer como um corte de adaga.

Entramos no elevador, e Madelline apertou no botão 18 após passar o cartão de segurança. Tony pressionou o corpo contra a parede, fechou os olhos, e começou a cantarolar a musiquinha de sempre. Ele morre de medo de elevadores, lugares fechados e qualquer coisa que se movimente para cima. Filho do oceano, não gosta de alturas. Além de tudo, ainda é claustrofóbico.

- Isso é “Somewhere Over the Rainbow”? – Ellie reconheceu.

- É sim. Uhum. – Tony assentiu com os olhos fechados, e continuou a cantarolar.

- Olhem, o prédio é todo da Editora Olympus. Tem o canal de televisão nos últimos dez andares, três revistas (duas de moda, uma de economia) e os andares da editora de livros. É lá onde eu trabalho já faz algum tempo como estagiária. Por favor, não estraguem nem explodam nada.

- Pode deixar. – eu assenti.

- Quem explodiria alguma coisa? – Ellie deu um sorriso falso para a madrasta.

Quando as portas do elevador abriu, Tony foi o primeiro a se jogar para frente, empurrando Ellie e Madelline. Jogou-se no chão e beijou-o.

- Eu sei, chão, também senti sua falta! Eu juro que nunca mais tirarei os pés de você, nunca mais!

- Fica quieto. – Ellie caminhou com olhos críticos, analisando todo o andar. As paredes eram feitas de vidro, dando uma vista de tirar o fôlego da cidade de Nova York. A maior parte do andar era feita de cubículos pequenos separados por divisórias opacas. A maior parte deles tinha computadores ou notebooks em sua frente, perto de pastas e papéis. No canto direito do andar era um corredor cheio de salas com paredes de madeira. – Onde está o seu computador?

Madelline correu até um dos guichês, com um computador e uma pasta da Hello Kitty. Começou a liga-lo e sentou na cadeira, agitando os pés sem parar.

- Tenho o documento salvo aqui em algum lugar. Posso imprimi-lo para vocês. Quantas cópias?

- Acho que umas três, por precaução. – respondi.

- Três é o meu número da sorte. – Ellie comentou, jogando-se em outra cadeira e segurando a lança, só para se senti bem. Ficou rodando-a entre os dedos. Parecia ansiosa por um alvo.

Madelline procurou um documento no computador e encontrou-o. Levantou-se da cadeira e correu até o último guichê da fileira. Era uma impressora enorme, daquelas de filmes. Ligou-a e apertou botões furiosamente.

- Ei, que horas são? – lembrei-me de repente.

- Olha no seu relógio. – Ellie comentou, então riu secamente. – Ah, é, o Omnitrix é tão inútil que nem dá as horas.

- Oito e trinta e dois. – Madelline viu o horário no celular, um iPhone, com uma capa ilustrada com pugs. Ellie bufou quando viu isso.

- Está quase na hora. – Tony estava sentado de pernas cruzadas no chão. – Maddy, há algum lugar por aqui onde eu posso fazer uma fogueira?

- Não. – ela pareceu bem surpresa com Tony tê-la chamado com um apelido.

- Nem no fogão? – perguntei.

- O fogão é minúsculo e elétrico. Não há chama de fato.

- Beleza. Bora juntar um tantão de folhas. – Ellie levantou-se e começou a pegar as pastas dos guichês.

- O QUÊ? Você não pode queimar nada por aqui! É onde eu trabalho! E se alguém aparecer?! Macy sabe que eu estive aqui, eles vão me demitir! Podem até me prender!

- Acho que vai ter que encontrar outro emprego. – Ellie deu de ombros. Sorriu secamente mais uma vez. – Aposto que laranja é a sua cor.

- Ah, ela fica bem em qualquer cor. –Tony comentou. As duas o encararam com olhos arregalados. Eu ri para ele.

- Ótimo comentário, cara. Ótimo comentário.

- Ele está certo. Ela fica bem em qualquer cor. – uma voz áspera disse vinda de algum lugar atrás de mim, e eu virei-me repentinamente. Saquei a espada no mesmo momento e apontei-a para a origem da voz. Então engoli em seco.

Era Ares.

O Ares. Ares, deus das carnificinas e tals.

O rosto de Tony endureceu e ele levantou-se rígido. Odiava Ares com todas as forças. Ellie revirou os olhos.

- Ells Bells. Tony. Justin Bieber Loiro. – (o meu apelido era o pior, me magoava fundo na alma, cara. Justin Bieber?) Ares olhou dentro dos olhos de cada um de nós, e por fim fitou Madelline. Suspirou. – Mandy.

Ele estava diferente de como eu me lembrava... Continuava alto, corpulento, e tinha a mesma expressão de Ellie (tipo, “Vou matar alguém a qualquer instante. Reze para que seja o primeiro”). Os cabelos eram negros e espetados, ele usava óculos escuros Ray-Ban (deuses da guerra em depressão pós-Guerra dos Titãs ficam vaidosos e entediados), mas tirou-os e revelou olhos azuis intensos. Eu estava esperando aquelas orbes vazias de fogo. Ah, não, espera, o fogo ainda estava ali. Discreto, mas estava. As feições também eram mais suaves... Angulosas, agressivas e afiadas, sim, mas mais suaves...

- Não me chame assim, babaca. Eu descobri que você é um deus. DEUS. – ela gritou, e meio que ganhou meu respeito. Eu sabia que Tony estava segurando a risada pois seu olho esquerdo estava ligeiramente mais apertado, quase semicerrado, quando sempre acontece quando ele está segurando a risada. Não é natural para ele.

- Ares Fétidos, por favor, arranja uma fogueira que não queime pro Justin Bieber Loiro/Ben 10/Madonna e pro Tony/Homem de Ferro? Ah, e pra Vaca-Que-Não-Vi-Mugir-Ainda.

- Dê-me as pedras. – ele pediu, ignorando os apelidos ofensivos que Ellie criou para todos nós. Acho que ele deve se orgulhar da filha criar apelidos quase tão bons quanto ele.

Ellie jogou as pedras para Ares, que raspou uma na outra, forte e rápido o suficiente para produzir um som agudo que ecoou por todo o andar. Levou um segundo, mas o fogo apareceu, mais belo do que nunca, e parou no chão. Estava azul na ponta, entre as espirais e as faíscas, e soube que não queimaria nada onde estava daquela cor.

Ares devolveu as pedrinhas para mim, e não para Ellie, e sorriu.

- Sempre que ele fizer o fogo, ela vai aparecer.

- Ela? Quem é ela? – Ellie perguntou.

- A Pimentinha.

- Skulvlacas Veen?

- Pepper. Sim. – Tony corrigiu-a. Ellie deu uma resposta bem madura a ele (mostrou a língua) e voltou-se para a coluna de fogo. Por algum motivo, aquilo não emitia um calor que queimava, mas sim o típico calor que me lembrava casa, e paz.

- Eu não vejo nada. – Ellie comentou, e só por causa disso, o topo da coluna de fogo tomou forma.

Pareceu o início de espirais, que eu reconheci como sendo o topo da cabeça de Pepper. O fogo começou a brilhar mais e a tomar uma cor mais clara, e não tão concisa. Como se fosse um desenho pontilhado. Foi tomando gradualmente a forma dela, até mostrar seu corpo inteiro. Ela estava segurando um garfo e uma faca, mastigando-os de olhos fechados, como sempre fazia. Era uma mania estranha dela. Suas mãos estavam revestidas de algum tecido primitivo, como se luvas, e os pulsos presos por algemas brilhantes que uniam ambas as mãos. Os pés também tinham aquilo. Ela não usava mais os trapos de antes, mas sim um vestido de tecido leve que a realeza Djinn costuma usar. Os cabelos também estavam penteados, os cachos domados em uma trança longa, com fios de metais preciosos no meio e uma pena na ponta.

Ela abriu os olhos, e deixou a comida que estava no garfo cair no chão. Praguejou em sua língua natal, e olhou ao redor.

- Deuses, onde estou? Ben? Tony? – ela nos reconheceu. – Quem são essas? Assombração, é você?

- Essa é a Pimentinha. – Ares era a Assombração, no caso.

- Oi, Pepper. Tá bonitona, hein. – Tony tinha que fazer um comentário do tipo. Ele permitiu-se sorrir, mesmo estando na presença de Ares.

Sobre a relação dele com o deus da guerra, bem... Digamos que a cicatriz enorme que ele tem atravessando as costas é culpa de Ares. Pois é.

- Não me diga. Recebo visitas regulares por aqui. – ela revirou os olhos. — Hoje me fizeram ir a Arena, lutar contra alguns monstros. Temem que, se não me deixarem ocupada, planejarei alguma coisa.

- Quantos matou?

- Uns oito.

- Hoje foi um dia fraco, então. – comentei.

- Não, pera, nove. Vocês podiam ter esperado um pouquinho, né? Eu estou no meio do jantar. Ben, você sabe que eu adoro a comida Djinn. Veado ao molho de néctar, ambrosia com toranjas ressecadas.

- Não está mais doente? – perguntei.

- Recebo visitas de vez em quando. – ela deu um olhar cúmplice a Ares, e ele assentiu minimamente. – Apolo me visitou. Afrodite também. Ela sabe que eu odeio esses panos que mal cabem em mim... Me deixam constrangida! E alguns outros...

Ela não quis me contar quem mais a visitou? Estranho.

- De qualquer jeito, até que eu estou bem. Descobri que dia vão me sacrificar. – ela falou com uma tranquilidade sobre essa parte... Mas eu pude ver o que estava por trás de seus olhos. Era medo. – Dia...

- 24 de junho, já estamos sabendo. – Ellie interrompeu-a.

- Quem é essa?

- Ellie... Kendrick. Minha filha. – Ares respondeu, Ellie com a boca já aberta. Fechou-a então, encarando o chão.

- Como ficaram sabendo? – Pepper fixou os olhos em Madelline.

- Imagino que saiba a resposta. – eu respondi. Eu, Pepper e Ares trocamos olhares.

Silêncio.

- Eu disse que ela seria útil. – Ares quebrou o gelo por fim.

- Espero que ela seja mais útil do que só isso.

Foi aí que a impressora soltou um bip agudo. Madelline ajoelhou-se e pegou a primeira cópia do livro. Eram várias folhas, soltas, e a garota deixou-as cair. Estava tremendo e parecia assustada. Quando as folhas tocaram o chão, entretanto, tornaram-se pó.

Ares materializou-se ao seu lado para ajuda-la. Segurou suas mãos e ergueu-a com um sorriso no rosto.

- Por que não me pediu de uma vez? – agitou uma mão no ar e fez um único volume, grosso, de capa dura aparecer. Havia desenhos na capa, feitos de vermelho-escuro sobre a capa preta, e por isso não consegui distingui-los muito bem a distância. Ele entregou o livro a Madelline, que pegou-o e se afastou como uma criança afastada. – Apenas você e a Oráculo podem ler esse livro.

- Ei, ei, ei. Por que isso, Ares Fétidos? – Ellie perguntou.

- Parece até que não sabe, Ells. – ele olhou para a filha, e acho que reconheci algo ali... Afeto? Não. Ares não tem isso.

- Se soubermos do futuro, tentaremos muda-lo. – Pepper pareceu muito assustadora quando disse isso, formada apenas das faíscas do fogo. Hesitou, mas tentou dar um passo para frente. Sorriu, um pouco surpresa por conseguir mover-se. – Mudando o futuro, mudamos o Destino, e isso não é natural.

- E o que aconteceu com “O destino é a gente quem faz” e blá-blá-blá? – Madelline murmurou. Ellie olhou para ela como se tivesse dito que Hades gostava de dançar balé usando tutu.

- Está louca? O nosso Destino é quem somos. Não podemos muda-lo. Está dentro de nós.

- Tenho quase certeza que você roubou isso da Princesa Merida em Valente. – Tony comentou.

- Diga mais uma palavra, e arranco a sua língua antes que possa pensar “Fodeu”.

- É a filinha do papai. – Ares brincou.

Pensei: “Pelos deuses, Ares & filhos sempre querem acabar com o Tony. Azarado.”.

- Eu tenho que ir agora. Já fiz minha parte. – Ares afastou-se de Madelline e começou a andar em direção às paredes de vidro. — Mas vou dar uma dica: visitem o Acampamento Meio-Sangue. Talvez a Oráculo deles tenha algo a dizer para vocês.

E então desapareceu em pleno ar. Graças aos deuses Pepper continuou ali.

- Então... O que é o Acampamento Meio-Sangue? – Madelline estava completamente perdida.

- Um chiqueiro onde semideuses remelentos aprendem a lutar. – Ellie disse. – Não têm nem a metade da qualidade do Acampamento Atlantis.

- É um lugar seguro para semideuses. Você vai ficar segura lá enquanto eu, Ben e Ellie vamos salvar Pepper. – Tony explicou.

- Eu vou com vocês?! – Ellie gritou.

- Eu não vou com vocês?! – Madelline gritou.

- As duas vão com vocês. – Pepper aproximou-se de mim. Sua voz soou baixa e surpreendentemente autoritária quando disse. – Ellie é a sereia que caminha, e Madelline é quem sabe o caminho.

- Mas e a Oráculo? – perguntei.

- A Oráculo está em Salisbury, mas não devem encontra-la sem a minha presença. Ela está em um Equilíbrio frágil, que não pode ser quebrado ainda. – deu um passo para perto de mim. – Eu quero tentar uma coisa. Não se mexa. Se doer, perdoe-me.

Moveu a mão vagarosamente, e tocou um único dedo em meu ombro. Não queimou. A pele onde tocou formigou um pouco, mas definitivamente senti sua pele. Macia e quente.

- Consegui! Eu fui invocada! Rá-rá! – ela socou o ar. – Se precisarem da minha ajuda, podem me chamar. Posso interferir onde vocês estão, embora muito fracamente e isso exija bastante de mim. Sugiro que não me invoquem levianamente, e poucas vezes, por favor.

- Você se cansa muito com isso? – Ellie perguntou.

- Não. Quer dizer, sim, mas não é um problema. – É um problema sim, pensei. – Não sei se enquanto estou aqui desapareci da torre, e dependendo da hora em que me chamarem, posso estar na presença de Djinns e eles se prevenirem contra isso. Prefiram a noite, se forem me chamar.

- Madelline. –Apontei para o livro. – Guarde isso em um lugar seguro, e não comente nada sobre a história conosco. Mantenha o que quer que aconteça aí em sigilo. Você sabe os segredos de todos nós, e por isso mantenha-os como segredos. Passaremos rapidamente em seu apartamento, apenas para pegar suas coisas. Então partiremos para o Acampamento Meio-Sangue.

- Sejam rápidos. Têm treze dias para me encontrar e me salvar. – Pepper desandou a falar quando notou que o fogo estava começando a dissipar-se em suas pernas. – Três chances de me invocar. Chamem-me apenas quando não encontrarem mais uma saída. O Mar de Monstros é traiçoeiro. Prestem atenção no que o Oráculo diz. Ele é sábio. Quer dizer, ela. E prometam-me que nem mesmo pisarão na Inglaterra.

-Tá, eu prometo. – Tony grunhiu. – Eu adoro um sotaque... Mas nem gosto mesmo daqueles imperialistas almofadinhas.

- Tony, você é espanhol. É colonialista. – eu comentei. Ele limitou-se a bufar.

- Certo. Ben, prometa.

- Eu prometo.

- Ótimo. – ela sorriu para mim, apenas seu rosto visível. Foi desfazendo-se e piscou o olho direito quando apenas eles restavam. Então desvaneceu de vez em uma fumaça brilhante e azulada.

No último segundo, ouvi sua voz em minha mente:

Salve-me, herói.

Imaginei seu sorriso me desafiando.

Fuck yeah, challenge accepted, respondi.

- O que é que foi isso? – Ellie perguntou, rindo. – Ela pode virar fogo, cara!

- Ela é... Intensa, né? – Madelline comentou.

- É... – eu respondi. Estava revigorado, e um bocado mais animado. Virei-me para os três. – Vamos para o Acampamento Meio-Sangue.

Desafio aceito.

Notas finais
Então. Culpo minha demora a postar por causa da falta de ficha de personagens romanos... Daí pensei em fazer uma lista de fichas que quero, pra vocês terem uma ideia na hora de enviar uma, né? Vou colocá-las nas notas da autora na Página Principal da fic, ok? Que aí eu dou umas sugestões de aparência, pais etc. Se você ler o capítulo e ainda não estiver lá, de uma olhada de novo depois de algum tempo que eu já devo ter colocado.
Devido a falta de personagens MASCULINOS ROMANOS, tive que trocar a ordem dos capítulos. Por isso, aquele do Harlem Shake está sem previsão para ser postado. No máximo, daqui a três capítulos.
Enfim, digam-me o que acharam! O que será que está rolando entre Pepper e Ben? O Tony se acha! E agora, o que vai acontecer?
Ah, e a Ellie foi diva como sempre, até pra fazer o trabalho sujo e matar hidras.
Comentem!