Campainha
1 Campainha
Notas iniciais
... Não, pessoal, ainda não é a RM2. Desculpem :( quem sabe um dia, num momento mais oportuno...
É one-shot, é curtinho, e é a primeira vez que posto algo abaixo dos 18 anos. Como era pro Dia Nacional do Yaoi, queria que mais pessoas lessem e decidi não fazer algo muito restritivo :3 Como o tema foi "Temas Recorrentes em BL", decidi fazer conto colegial, porque COLEGIAIS SÃO ÉPICOS E FIM DE PAPO.
Desculpem se tiver algum erro de ortografia/gramática, fiquei meio sem tempo pra revisar porque tive bloqueio pra fazer justamente o final x_x mesmo assim, enjoy!
É one-shot, é curtinho, e é a primeira vez que posto algo abaixo dos 18 anos. Como era pro Dia Nacional do Yaoi, queria que mais pessoas lessem e decidi não fazer algo muito restritivo :3 Como o tema foi "Temas Recorrentes em BL", decidi fazer conto colegial, porque COLEGIAIS SÃO ÉPICOS E FIM DE PAPO.
Desculpem se tiver algum erro de ortografia/gramática, fiquei meio sem tempo pra revisar porque tive bloqueio pra fazer justamente o final x_x mesmo assim, enjoy!
– Muito bem, vocês estão dispensados!
A classe inteira comemorou, enquanto os alunos iam levantando das carteiras e pegando as mochilas. Se tem uma coisa que sempre alegra qualquer aluno, é sair mais cedo numa sexta feira. E como a professora Sophia, que na minha humilde opinião é a melhor da escola, sempre terminava o conteúdo cedo, os trinta minutos extra que ela deu antes do final de semana colocaram um sorriso no rosto de todos os alunos do Segundo-2.Todos, menos eu.Na verdade, desde a volta do intervalo eu tentava ignorar aquele sentimento de aperto que se instalou no meu coração. Nem mesmo a aula da professora sobre o dadaísmo, o estilo literário mais estúpido de todos (na minha opinião), me animou. E pra ser sincero, acho que eu não me alegraria nem se o Chaplin em pessoa resolvesse dançar pelado na minha frente.– Ei Tiago, que cara é essa?Virei pro lado e encarei meu amigo, Guilherme. Ele já estava com a mochila nos ombros, e me olhava com um ar curioso.– Ah, Gui, só tô meio cansado... — espreguicei. — Essas aulas daqui são de matar qualquer um, né?– Cara, você tá doido? A aula da Sophia é a melhor de todas! — ele me encarou dessa vez como se eu tivesse dito que o sol gira em torno da terra. — Ela é a melhor professora que tem, e ainda por cima é uma gata! Aquele Hitori tem uma sorte, vou te contar...Fomos os últimos a sair da sala, e tomamos um susto: do lado de fora, chovia até o que eu não sabia que existia. Imediatamente pensei no pessoal da turma 3, que estava tendo treino de futebol na quadra do lado de fora do ginásio. E meu coração voltou a apertar, pensando nos alunos da turma — ou melhor, em um aluno só.– Ah, já entendi tudo. — Gui fez uma carinha desconfiada, olhando pra baixo pela sacada do prédio e encarando o pátio vazio. — O Super Xel aprontou de novo?Michel Coelho de Castro. Para todos os outros da escola, Xel, o incrível, o super artilheiro do time de futebol, o galã das marias-chuteira, a estrela do Clube Silvério Franco de Futebol Júnior e aluno de conduta exemplar e notas razoáveis. Para mim, Mick, o cara que eu amava desde o primeiro ano, que graças ao ex-professor de português Saffron virou meu aluno de monitoria, que foi se aproximando devagar enquanto eu ainda me sentia extasiado por tê-lo perto de mim, que me deu meu segundo beijo, e o terceiro, e o vigésimo, e o milésimo, e tirou minha virgindade numa tarde de quarta feira quase tão chuvosa quanto essa, e que há mais ou menos três horas atrás eu vi agarrando a Bárbara do Terceiro-3.Ok, agarrar é um termo relativo. Mas ainda assim, a cena... Só de lembrar tive vontade de pular daquela sacada, e claro que minha cara transpareceu isso. Senti Gui se aproximar de mim e me dar o famoso tapinha nas costas dele.– Você deve me achar um idiota, né? — falo baixinho, ganhando um abraço dele. — Dando confiança a ele mesmo depois de tudo...– Eu te entendo, Tiago. — depois de dar uma olhada ao redor e comprovar que estávamos sozinho, ele continuou: — Essas coisas de namoro são complicadas... Só não posso dizer que gostaria de estar no seu lugar... Dei um passinho pra trás e ele soltou um suspiro. Em seguida, ajeitou a mochila nas costas e foi andando na direção das escadas, tagarelando sobre todas as maravilhas da internet que ele descobriu na noite anterior.– Ah, eu baixei o novo episódio daquela série de múmias assassinas comedoras de vacas, quer dar um pulo lá em casa pra assistir?– Até quero, mas hoje não... — respondi. — Pra ser bem sincero, prefiro ficar sozinho.Meu melhor amigo franziu a testa, preocupado.– Vai curtir a fossa, por acaso? Se anima, mano, ficar nessa deprê não tá com nada... — parei na frente do banheiro masculino e ele virou-se pra me esperar. — Tem certeza que não quer dar um pulo lá? Pelo menos liga o pc de tarde pra gente matar uns noobs no LoL...[N/A: noob = jogador iniciante ou pouco experiente em um jogo. LoL = League of Legends, jogo estilo online que eu não sei porque tantas pessoas amam e nem vou jogar pra descobrir.]– De noite eu fico on, relaxa. — concordei, mesmo não tendo certeza se ia fazer isso mesmo. — Vou dar uma mijada ainda, se quiser pode ir na frente...– Beleza. — ele me deu um soquinho no ombro e foi andando, enquanto eu entrei no banheiro mesmo sem vontade de fazer nada lá. O Gui não ia ficar chateado, e eu precisava ficar um pouco sozinho.Encarei meu rosto no espelho, simplesmente pelo tédio. Do lado de fora, tive a impressão de ouvir uma turma subindo, com certeza era o Segundo-3 vindo do futebol. Ótimo. Esperaria todo mundo subir e depois iria pra casa, sem precisar cruzar com mais ninguém. Senti o celular vibrar no bolso, já imaginando quem era, mas não me dei ao trabalho de confirmar as suspeitas.Pra ser sincero, sei que não deveria me sentir assim. No fundo meu relacionamento com o Mick nunca foi sério, não é como se eu tivesse pedido ele em namoro ou algo do tipo. Não tenho direito de reclamar, mas ainda assim sei que o amo demais, e qualquer coisa que ameaça me afastar dele me deixa mal. Muito mal. Além disso, a única pessoa que sabe da gente é o Gui. Ele é meu único amigo, e conhecendo como ele me conhece sacou na hora que a amizade entre o Super Xel do time de futebol e eu, o ultra nerd do fundão, não era só uma jogada de interesse pra passar de ano mais fácil.
Bom, poderia até ser. E o fato dele não contar que tinha alguém pros amigos dele, dando margem a ataques como o daquela piranha da Bárbara, era forte indício disso, mas eu não me importava. Eu era feliz, mesmo que aquilo fosse uma ilusão. E se ele ia me pénabundear depois das provas, isso era algo que eu não queria pensar até que a hora chegasse.O corredor parecia vazio lá fora, então arrisquei minha fuga covarde e triunfal. Enquanto andava, pensava nas palavras do Guilherme, alguns meses atrás, sobre como eu devia me divertir com o Mick enquanto pudesse e depois dar um chute nele antes que o próprio o fizesse, mas eu não tinha coragem. Primeiro, porque não sabia brincar com os sentimentos dos outros daquele jeito. E segundo, eu me apaixonei por ele de um jeito tão rep...– Ai!Meu corpo deu de encontro com alguém subindo a rampa, e fui ao chão quase imediatamente. A sorte é que isso aconteceu entre o segundo e o terceiro andar, no intervalo da ladeira, senão eu provavelmente teria mandado a pessoa de volta ao térreo rolando.– Ah, desculpa... — me adiantei pra ajudar o pobre coitado, mas me arrependi ao ver que ele usava o uniforme do time de futebol com a braçadeira de capitão.Mick.– Ei... — ele abriu um sorriso ao me ver, e depois de olhar ao redor, me deu um beijo na bochecha. — Tava mesmo te procurando, acabei de te mandar uma mensagem, você viu?Então a mensagem era mesmo dele. Apesar de estar completamente encharcado, ele me olhava com um ar de expectativa, como criança esperando o Papai Noel, e eu sabia que não sairíamos de lá enquanto eu não mostrasse o celular a ele. Tirei o aparelho do bolso e desbloqueei o ecrã, deixando ele ver o ícone da mensagem nova.– Ahá, você é muito pateta, Ti. Bota esse celular no silencioso e nem sente ele vibrando...Abri a notificação de nova mensagem e li o texto."Ei gatinho, qro t falar 1 coisa. Vc jah saiu? Toh subindo p ir pegr minha mochila. Bj..."Suspirei. "Regojiza-te, Tiago, pois chegou a hora do teu pé na bunda...", pensei.– Fala. — guardei o celular de volta no bolso e o encarei.– Ei, que cara é essa? — ele virou o rosto pro lado, preocupado, e eu quase tive vontade de chorar. — Tá tudo bem?– Se você vai falar que prefere ficar com a Bárbara, não precisa perder tempo. — disparei, já meio cansado. — Eu já percebi isso.Por um segundo se fez silêncio, e até o barulho da chuva parecia irrelevante. Mas pra mim, aquele segundo foi quase uma eternidade. Ele ficou me olhando, confuso, e de repente soltou um logo suspiro também, como se estivesse com preguiça de pensar.– ... Ah. — sua cara assumiu um ar de entendimento. — Então você viu...– E quem não viu, né? Todo mundo do ginásio percebeu o que tava rolando.– Tiago, eu só tava abraçando ela... Eu não acredito que você vai ficar com raiva de mim o final de semana inteiro por causa disso!Dei as costas pra ele, ainda irritado, e ele me abraçou por trás, suspirando de um jeito cansado. Tive vontade de empurrá-lo, mas meu coração não deixou.– Aquele anel que você mostrou pra ela também não tem nada a ver com o assunto, né?Ele me largou de repente, surpreso, e a vontade de chorar piorou. Sim, eu vi ele mostrando o anel numa caixinha pra ela, e ela agarrando ele toda feliz em seguida. Eu avisei que a parte do agarrar era relativa.– Você... — ele falava baixinho, o rosto tomado pela vergonha. — Você viu eu dando a aliança pra ela?Aliança. Então aquilo era sério mesmo. Pensei que ele fosse dizer que era só um presente de amizade, um agradecimento pelo que ela tem feito pelo time, até mesmo inventar uma desculpa esfarrapada pra eu deixar tudo de lado e voltarmos a ficar de bem. Mas... aliança?Eu mal conseguia me mexer, mas tentei manter o ar de superioridade. Poderia morrer de tanto chorar, mas não ali, não na frente dele. E de mais ninguém, diga-se de passagem.– Então eu estive enganado todo esse tempo, né? Tudo bem, eu já imaginava que o que tava rolando entre a gente era só um casinho sem importância.Ele permaneceu calado, os olhos agora ficando com aquele lampejo de raiva que eu sempre via quando brigávamos.– Bom, não posso negar que tenha sido só um caso, mesmo. — as palavras dele entravam no meu coração como se fossem veneno. Eu sabia que era só uma ilusão, mas não achei que aquilo fosse doer tanto. — Aliás, também não nego que estava conversando com a Babi, e que fico muito feliz com o que ela me disse ao ver o anel. Ah, tá aqui comigo, por sinal...Ele tirou a pequena aliança do bolso da bermuda ensopada, já sem a caixinha, e eu vi pequenas letrinhas gravadas na parte de dentro do aro de prata preso nas pontas dos dedos dele. E foi aquilo que quase me fez morrer.Mick & Ti — Até o fim.Até o fim... Era a frase que ele mais dizia em qualquer situação. Era a frase que ele me dizia olhando nos olhos, que me dava calafrios até na medula, que me fazia querer confiar nele sem um pingo de incerteza.Antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, ele me empurrou, me prendendo na parede do corredor e me fazendo ter que olhar pra cima pra ver seu rosto.– Eu ia te dar esse anel, Ti... Na verdade ainda vou, mas eu quero te dizer uma coisa antes. — seus olhos faiscavam, como se ele fosse bater o pênalti da final do campeonato estadual. E olha que eu vi ele fazendo isso. — Você acha mesmo que eu sou só o playboyzinho que pintam por aí? Eu não sou aquele cara dos filmes que se finge de amiguinho e depois te passa a perna. Não sou aquele atleta bonzão que pisa em todo mundo. E não sou moleque que brinca com os sentimentos dos outros e depois joga no lixo como se fosse papel.– E-eu... Mick, eu...– O que eu sinto por você é real, Tiago. Eu não vou te largar por uma gostosa a qualquer hora, porque tudo que aconteceu entre a gente esse ano pra mim foi real, e a única razão pra eu não ter dito isso antes é que eu não tinha a coragem de te dizer isso olhando nos olhos como eu tô fazendo agora. E a pessoa que me deu essa coragem foi a Bárbara, da qual você tem tanto ciúme e nem tem motivo pra isso.Fiquei ali atônito, sem saber o que dizer. Quando percebi as lágrimas rolavam pelo meu rosto de um jeito que nunca imaginei que aconteceria, principalmente na escola. Mick me abraçou devagar, e senti meu peito mais leve só de sentir o cheiro dele ali comigo.– Me perdoa, amor... — falei baixinho. — Você sabe que a única razão de eu agir assim é porque te amo de verdade...– Eu acho bom, porque eu não vou mais deixar você sair de perto de mim, tá me ouvindo?Apenas abri um sorriso e concordei com a cabeça. Senti o rosto dele ir descendo aos poucos, roçando os lábios dele nos meus e fechando os olhos bem no exato momento que a campainha do final da aula tocava. Tentei me mexer dali, mas ele agarrou minha cintura e me prendeu mais ainda na parede, o beijo se intensificando. Aos poucos fui ouvindo os passos das outras turmas descendo pela rampa, com conversas eufóricas e alunos ansiosos pelo final de semana.Finalmente entendi o que ele queria fazer. Resolvi deixar rolar, abraçando a cintura dele com força e beijando de volta com vontade, sem me preocupar com os comentários, olhares e até risinhos dos alunos que desviam. Lentamente, parecia que o mundo ao nosso redor sumia, e tudo que realmente importava estava em meus braços — e ia continuar ali por um bom tempo.Pareceram horas até que ele finalmente me soltou. O corredor estava novamente vazio, e a chuva parecia ter diminuído. Tive vontade de ficar ali mais um pouco, mas um espirro dele me fez lembrar que ele continuava ensopado — e agora eu por tabela.– E aí? — o sorriso dele se abriu de novo, com aquele ar de criança ansiosa, e ele colocou o anel na ponta dos meus dedos. — Quer transformar nosso "casinho sem importância" em algo sério de uma vez por todas?Pensei em dar a resposta que me veio na cabeça — um SIM grande, gordo e histérico como garotinhas olhando bonecas — mas fiquei calado por uns segundos, o que o fez gargalhar de um jeito esquisito. Aquela era a reação dele sempre que se sentia nervoso.– Eu não sei, Mick... como vou saber se você não está fazendo isso só pra eu te ajudar a passar nas provas finais?– Você tá doido? — dessa vez ele riu de puro divertimento. — Não preciso mais de você me ensinando, eu consegui o título do maior torneio de juniores do ESTADO, a professora Lenna e o treinador Elber não vão deixar eu reprovar.
– Sei... — foi minha vez de rir, passando a mão livre nos cabelos empapados dele. — Nesse caso acho que vou ter que aceitar...Mais um beijo devagar, e ele colocou os anéis — o meu e o dele — nos respectivos dedos. O sorriso infantil dele continuava em seu rosto. Eu sabia que teríamos milhares de problemas pra resolver na segunda-feira com toda aquela gente que desceu a rampa na hora certa, mas no momento errado, mas nada poderia tirar minha felicidade naquele momento.– E aí, quer dar um pulo lá em casa agora? — ele subitamente interrompeu toda minha linha de pensamento. Isso era bem frequente até quando ele era a própria linha de pensamento. — O pessoal do Terceiro me passou uns episódios daquela série das múmias come-vacas que você gosta.Decidi mandar todos à merda e esquecer isso. Pelo menos por enquanto.– Claro.Até o fim.
Notas finais
Yay, espero que tenham gostado! /o/~
Como eu disse antes, escrevi essa história especialmente pro Dia Nacional do Yaoi, no Blyme, então não queria fazer algo muito longo, mesmo porque já achei isso curto e mesmo assim quase não entreguei a tempo do concurso x_x~
Ah, estou betando algumas fics, o link de cada uma está no meu perfil, espero que gostem :3
Até a próxima~ o/
Como eu disse antes, escrevi essa história especialmente pro Dia Nacional do Yaoi, no Blyme, então não queria fazer algo muito longo, mesmo porque já achei isso curto e mesmo assim quase não entreguei a tempo do concurso x_x~
Ah, estou betando algumas fics, o link de cada uma está no meu perfil, espero que gostem :3
Até a próxima~ o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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