Camp Meio Sangue x Camp Júpiter
12 Fim da Guerra.
Notas iniciais
Visão Annabeth:
Eu ainda tentava assimilar o que estava acontecendo na minha vida. Eu estava totalmente estática. Eu não sabia ao certo como reagir, com certeza minha razão estava mais fragilizada. Não conseguia discernir razão e emoção de forma correta. Tudo isso se juntando numa coisa só e estava me confundindo. Eu só precisava de uma confirmação, só de uma. Assim saberia se minha intuição estava correta. O homem ou meu pai estava em péssimas condições, mais ele estava vivo. Isso sim. Suas roupas estavam rasgas e sujas. Ele tinha um grade corte sobre a testa e suava muito. Usava roupas velhas parecendo um morador de rua. No caso um fauno.
–-- Eu tenho como provar. Eu tenho. Ele falou entre choros. Sua voz estava rouca.
Mesmo que ele não fosse meu pai eu ai garantir que ele tivesse um boa vida. Ele parecia ser um cara legal e não merecia o que tinham feito com ele. Olho para Percy lhe pedindo ajuda. Ele respira profundamente consentindo com o que o homem tinha acabado de falar.
–-- Diga. Falo tentando ser breve.
O homem coloca as mãos no bolso com certa dificuldade e quando o retira dele, percebo sair uma pequena foto. Fixo meu olhar na foto e vejo meus olhos se encherem de lágrimas. Não tinha como contestar nada agora, ele era mesmo de fato o meu pai. Ele sempre carregara uma foto nossa em seu bolso. Assim como minha mãe de dera um colar pelo meu aniversário de seis anos, meu pai disse que ficaria com uma foto nossa. Nunca me esqueci do dia em que tiramos essa foto. Nossa família nunca fora de bater muitas fotos o guardar muitas lembranças, mais essa era inesquecível. Nesse dia eu e ele tínhamos saído para tomar um sorvete. E paramos em uma cabine de fotos para celebrar esse momento. Ele estava com as mãos sobre meu cabelo fazendo uma careta boba, enquanto eu fazia uma cara emburrada.
–-- Pai, Pai. Gritei e fui correndo abraça-lo.
–-- Filha, que bom que você acredita em mim. Ele falou tentando enxugar algumas de minhas lágrimas.
–-- Bem, com essa foto é quase impossível. Digo abaixando minha cabeça.
–-- Ei filha o que foi? Ele perguntou preocupado.
–-- Eu não sei pai. Meu coração ainda dói. Eu ainda não estou certa se está tudo bem mesmo. Eu cheguei a achar que tinha te perdido para sempre.
–-- È lógico que está tudo bem minha menina. Mais é normal se sentir assim, foi tudo muito recente. Quando ele falou isso não teve como eu não corar com tais palavras. Fazia tanto tempo que meu pai não me chamava desse jeito.
–-- Pai, vamos te levar a um hospital. Precisamos ter certeza de que você está realmente bem.
–-- Tudo bem. Eu aceito essa ajudinha, acho que vocês estão certos. Só uma pergunta, que é este cara musculoso ao seu lado Annie? Ele é de Nova Roma?
Eu estava prestes a responder, quando ouço Reyna se pronunciar antes de mim.
–-- A senhor Chase, esse é o novo namorado que sua filha arrumou. Ele é um deus Grego não? Em seguida Jason dá um murro fraco na barriga de Reyna a fazendo ficar calada.
Desde que minha mãe postiça fugira de casa era sempre eu e meu pai. Eu não sabia como ele iria reagir a falsa notícia. Ele analisa Percy com seu olhar clinico. Provavelmente tentando descobrir algo sobre ele sem preguntar.
A Reyna não tinha jeito mesmo, ela ia me pagar. E bem caro mesmo. Como podia falar uma coisa dessas na frente do meu pai. Era mentira. Éramos apenas bons amigos. E para piorar a situação, Percy me abraça pela cintura indicando que estávamos juntos em seguida ele insinuou me beijar. Porém eu tive de virar o rosto, mostrando ter uma reação contrária da dele. Isso era de fato o que eu mais queria fazer, porém também não queria mentir para meu pai. Tudo agora parecia que ia ficar bem e eu não estava afim de começar mal com ele.
Eu estava mais vermelha que o de costume e Percy percebeu isso, ele tirou proveito da situação. Então continuou me abraçando só que me virou e beijou minha bochecha, porém de uma certa posição a impressão era outra. Em seguida sussurro no seu ouvido para que somente ele possa ouvir.
–-- Você enlouqueceu?
–-- Não, estou apenas fazendo o que me dá vontade.
–-- Err...Sério? Mais isso tudo é mentira. Eu me sentia relativamente tensa com essa conversa, mais tinha fazer ele parar tudo isso.
–-- Foi mal, mais é que gosto de te ver vermelha assim. Fica ainda mais linda. Ele disse com um sorriso que cobria todo o seu rosto.
–-- Chega de brincadeiras não é? Digo desviando o olhar, já não sabia onde enfiar minha cara.
–-- Porque? Ele diz de forma quase inaudível. Em seguida guia meu resto no dele, me fazendo o olhar fixamente. Depois de alguns segundos ele percebe que não estamos sozinhos. E vai aos poucos se desvencilhando do abraço. Acaba por ele também ficar um pouco vermelho.
–-- Olha Pai, somos apenas bons amigos. A Reyna é que não tem o que falar sabe.
–-- Pelo que vimos, não foi o que pareceu filha. Meu pai fala, fingindo reprovação.
–-- Serve melhores amigos? Tentei me explicar em vão.
–-- kkkkk, a filha não tente disfarçar o que é óbvio. Melhores amigos não se beijam, mais tudo bem vou esperar você ter coragem para me contar. Meu pai se divertia com a situação descaradamente.
E cena que Jackson tinha preparado de improviso tinha surtido efeito. Meu estava achando que tinha realmente beijado ele. Eu não estava afim de gastar energias com uma situação boba como essa. Percy percebendo isso, me olhou com um sorriso vencedor no rosto e com uma das mãos apertou meu osso da cintura me fazendo pular. Ele sabia que eu detestava isso, pois já tinha feito isso antes eu mesma reclamara. Era só uma brincadeira de mal gosto do Percy versão moleque de escola. Eu sentia cócegas nessa região, e ele fazia isso só para me irritar e o pior era que funcionava.
Assim que levamos meu pai para o hospital, fomos para o centro de Nova Roma assistir a cerimônia e pronunciamento do fim da guerra. Eu não estava acreditando que tudo isso ia acabar. Parecia um sonho. Jason e Reyna como Pretores do acampamento, seguiram rumo ao palanque que ficava em frente da multidão que estava louca para ouvir o mais novo pronunciamento.
–-- Senhoras e senhores. Um minuto de sua atenção. Falou Jason tentando chamar a atenção da população.
Enquanto ele falava, eu e Percy tentávamos arrumar um lugar melhor para assistir as palavras dos pretores. A cidade tinha lotado como nunca e o sol já estava no alto marcando sua presença. Eu prestava atenção ao que Jason falava, porém olho para o lado e vejo Percy cair na gargalhada.
–-- Qual é a graça mocinho? O Jason contou alguma piada que eu não entendi? Perguntei um pouco perdida.
–-- Não é nada disso, senhora seriedade. Ele disse me abraçando por traz Até tentei me soltar mais em seguida ele acaricia meu rosto e torna a falar. Eu não estava conseguindo resistir aquele momento, mais não sabia bem o porquê. Achei que conseguia controlar isso, mais era completamente inevitável.
–-- O que foi?
–-- Annie pelo menos dessa vez relaxa e deixa eu te guiar está bem? Ele falou massageando meus ombros. Dessa vez você não vai fugir de mim.
–-- Tem certeza? O desafiei. Respiro fundo e logo tento me soltar, mais vejo que estava sem forças para fazer qualquer coisa que exigisse de mais.
–-- Está vendo? Você é minha prisioneira agora.
–-- Ok você venceu. Mais qual é o motivo de tanta risada?
–-- Estava rindo de hoje mais cedo, sabe com o seu pai? Ele não acreditou que somos penas amigos. Olha que eu também não acredito nisso.
–-- Pois é você e a Reyna me deixaram na maior saia justa. Vocês me pagam. Disse dando um soco fraco em seu ombro.
–-- Foi muito divertido ver você toda desconcertada. Ele falou rindo da minha cara e apertando novamente meu osso da cintura.
–-- Você sabe que não deveria fazer isso não é?
–-- O que? Ele se faz de desentendido.
–-- As duas coisas. Me envergonhar na frente do meu pai e ficar pegando no meu ponto fraco, isso não vale. Eu também vou fazer cocegas em você. To avisando. Disse provocando ele.
–-- Ok agora chega de conversa, e vamos ao que interessa. Ele falou se aproximando mais ainda de mim. Eu sabia o que estava prestes acontecer. Não sabia se era uma boa ideia, mais estava disposta a pagar para ver. Nesse momento eu estava com meu corpo colado com o dele. Para variar estava um pouco travada. Mais, nesse caso Percy sempre dava um empurrãozinho. Ele puxou meu rosto para perto do seu, estávamos prestes a nos beijar quando ouvimos algumas palavras de Jason lá do palco.
–--- Quero chamar aqui no palco o líder do Exército Grego. O senhor Jackson. Palmas para ele. Nós do acampamento Romano vamos lhe presentear com essa medalha de Honra. Assim você terá como se lembrar de sua estadia por aqui.
Nesse momento todos olharam para nós, era como se eu tivesse ficado famosa da noite para o dia. Tentei fingir que não era comigo e Percy foi logo se direcionando para o palco.
–-- È uma honra ser convidado a pronunciar algumas palavras a todos vocês. Eu era um cara frio e sem piedade alguma, até conhecer essa loirinha li que vocês viram comigo. Ela fez eu mudar minha forma de ver o mundo e meu pensamento. Sem ela a guerra nunca teria acabado. Sinto que meu dever por aqui acabou, mais jamais vou esquecer do tempo em que passei por aqui. Eu aprendi muitas coisas e vou levar isso comigo e passar para meu lar de origem o Acampamento Meio Sangue. Quem sabe eu não volto aqui algum dia com mais Gregos para que eles conheçam esse lado também.
Tinha sido um grande discurso, as pessoas estavam emocionadas e algumas até choravam. A guerra tinha definitivamente mexido com a vida de cada um que estava ali. Cada uma carregava uma lembrança da guerra seja ela boa ou ruim. E com certeza tinha deixado marcas na vida de cada um.
Logo em seguida ele desce e vem em minha direção. Levanta o meu braço e torna a falar.
–-- Vamos dar um viva ao fim da guerra. Viva! Com isso todos gritaram a um som. Assim a cerimônia foi dada como encerada.
Andamos alguns minutos pela cidade, vendo o movimento e a repercussão da nova noticia pela mesma. Sentamos em uma cafeteria para tomar um café até que a temida conversa vem à tona. Percy perecia mais nervoso que o normal, ele estava com um olhar triste e suas piadinhas tinham sumido. Eu já imaginava o que estava por vir e esse era meu grande medo.
–-- Bem Annie acredito que você saiba o motivo dessa conversa.
–-- Sim, vou confessar que não estou pronta para ela. Mais vamos nessa.
–-- Eu tenho que ir. Minha missão aqui acabou. E melhor do que esperava. Eu jamais vou me esquecer de todos que conheci aqui e das experiências que vivi. E principalmente de você. Ele disse segurando minhas mãos.
Eu já estava com os olhos embargados, porém me segurava para não chorar na frente dele. Queria mostrar que apoiava sua decisão, mesmo que dentro de mim eu estivesse sentindo um vazio enorme.
–-- Agora você me entende não é?
–-- Sim, estou sentindo isso agora. Digamos que você me alertou sobre os riscos de tentarmos algo juntos e eu apenas te pressionei. Isso não foi legal e agora estou me sentindo mal por ter de partir.
–-- Ei Percy, já sabíamos que isso ia acontecer, você só queria aproveitar melhor o seu tempo. Eu é que fui medrosa demais e não me permiti sentir e viver esse momento.
–-- Cada um teve seu erro Annie, mais eu vou embora e espero que você não se esqueça de mim. Eu juro para você que assim que puder vou voltar. E quem sabe posso fazer a minha tão sonhada faculdade aqui.
–-- Verdade, minha casa estará sempre de portas abertas para você comandante.
–-- O que eu te disse sobre formalidades Annie.
–-- Só queria te sacanear um pouquinho. Disse entre risos.
–-- Annie eu queria te dar uma coisa. Ele disse pegando a medalha que Jason o dera.
–-- Mais o mérito foi seu. Você não deveria...
–-- Shiii, as vezes você fala demais mis seriedade. Ele disse tapando minha boca com um de seus dedos. Logo ele torna a falar.
–-- O mérito é nosso, mais eu quero que você fique com ela como lembrança de nossos breves e nobres momentos.
Era uma medalha pequenina e delicada, era um pingente com uma corrente brilhante. Era lindo e reluzente devia valer uma fortuna.
–-- Se não quiser, não precisa tirar o colar que já usa.
–-- Realmente ele significa muito para mim, mais acho que chegou a hora de aposenta-lo.
–-- Então, se me permita a honra.
Ele afasta meu cabelo dos ombros para que possa colocar a medalha sobre meu pescoço. A medalha não era longa, fica na mesma medida do colar que eu usava antes. Balançava com o passar o vento mudando de posição frequentemente. Em seguida ele enlaça seus braços em volta do meu pescoço e abriu a medalha. Quando vejo o que está dentro dele, não consigo me conter e algumas lágrimas saem dos meus olhos.
–-- Percy isso é lindo. Eu nem sei como te agradecer. Digo olhando para nossa foto que se encontrava dentro da medalha. Na parte de traz dela estava escrito “Honra ao mérito”. Para uma pessoa corajosa e batalhadora”. Era uma foto que tinha tirado do evento no centro de Roma. Eu nem havia percebido, mais tinha ficado ótima.
–-- Pode parecer idiota, mais agora você vai dormir todas as noites comigo.
–--- Eu não preparei nada para você. Isso foi incrível.
–-- Também não tinha pensado em nada até ganhar essa medalha que dedico a você.
Ele se levantou e foi caminhado até em direção aos limites de Nova Roma, onde teria uma longa caminhada até seu acampamento.
–-- Adeus Annie, foi um prazer te conhecer.
–-- Isso não pode ser um adeus. Não pode. Disse alterando um pouco no tom de voz.
–-- Hum? Como assim?
–-- As pessoas só dizem isso se vão sumir pela eternidade. O adeus é uma palavra muito forte. È isso que você quer dizer?
–-- Não Annie, não é. Ele disse me dando um forte abraço.
–-- Eu odeio despedidas e não sei o que dizer.
–-- Não tem problemas Percy, deixa comigo. Até o próximo verão então.
–-- Isso mesmo até o próximo verão. Ele disse.
–-- Você não está se esquecendo de nada não mocinho? Falei o reprovando de forma irônica.
–-- Achei que não ia perguntar.
Quando dou por mim estou em louco e apaixonado beijo de despedida. Dava para sentir a saudade e toda tristeza invadir o momento. Mais eu precisava de uma última dose de Percy em minha vida. Aos poucos vamos nos separando e com isso vejo ele seguir o seu caminho de casa. Reyna e Jason se aproximam de mim com a mesma cara de tristeza. Eu tinha chegado perto de construir minha família, minha própria história. Mais não ia desistir jamais e não dessa vez. Eu pressentia que ainda ia rever muito esse homem a se ia.
Ele foi sumindo na paisagem parecendo apenas um pontinho no meio do nada. Enquanto isso eu via o por do sol e relembrava cada momento nosso. Com isso fui voltando para minha realidade sem Percy e sem vida perigosa.
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