Camp Meio Sangue x Camp Júpiter
7 Discussão Jeyna.
Notas iniciais
Visão Jason:
Eu tinha acabado de sair do hospital. Na verdade eu não tinha nada grave, era só um problema de pressão baixa. Tinha revirado o hospital inteiro e não tinha encontrado a Chase em lugar algum. Talvez não fosse para eu acha-la. Pode ser que eu esteja fazendo a coisa errada, mais meu consciente diz que eu só estou seguindo ordens. O problema é que agora nem o apoio da Reyna eu tenho mais. Não entendo o que aconteceu com minha amiga. É como se perdêssemos toda aquela intimidade que rolava entre nós e do nada somos completos desconhecidos um para o outro. A imagem dela saindo às presas do hospital não sai da minha cabeça e agora é como se eu não pudesse pensar em outra coisa.
Eu nunca me importei muito com o que as outras pessoas pensavam sobre mim, então porque agora isso está me atingindo. É como se eu levasse em consideração o que Reyna tinha falado. Não que eu sempre a ignorasse, mais eu sempre dava a palavra final e isso parecia pouco me importar agora. A única coisa que me preocupava era saber onde ela podia estar. Eu já briguei várias vezes com Reyna. Só que acredito que agora foi pra valer. Nunca a vi com esse olhar de ódio de angustia antes. Ela tinha sido fria comigo, talvez pela primeira vez. Foi um tremendo de um balde de água fria.
Parei para pensar alguns segundos em minha vida e percebo que ela era minha única amiga de verdade. Ela sempre esteve comigo em todos os momentos e eu só a jogava para escanteio como se sua opinião não importasse. Nem vou falar da Chase minha ex- melhor amiga, porque depois de tudo o que fiz pra ela duvido muito que vá me perdoar. Eu mesmo tinha destruído toda a família que construí anos atrás, porque estou cego e não consigo ver o que mais me faz bem. Porque eu sou um torrão e resisto muito às mudanças. A única pessoa de que eu ainda desconfiava um pouco era esse tal de Jackson. Ele era todo metido a bonitão e esperto e agora estava com Annabeth deus sabe aonde. Annabeth pode não ser mais minha amiga, porém tenho um grande apresso por ela. Sem a sua ajuda jamais teria chegado onde estou hoje. Confesso que tenho medo do que esse maluco pode vir a fazer com ela. Bem... A Chase é esperta, mais quando tocam em seu ponto fraco que no caso é família é como se ela perdesse todo seu senso e a razão. E ficasse mais fraca e frágil e suscetível a ser enganada por malandros feito esse. Nem o conhecia, mais o fato dele ser Grego me passava uma visão desordeira sobre sua pessoa.
Continuo andar de forma tranquila, eu já não estava mais com pressa. Queria mesmo era colocar a cabeça no lugar. Eu sentia muitas saudades do tempo em que andava pra cima e pra baixo com Reyna e Annabeth sendo minhas amigas. Quando era mais jovem cansei de ouvir pessoas me chamando de Gay só porque andava com duas gatas e não ficava com nenhuma. Mais esse era nosso código de ética, de amizade. Íamos ser grandes amigos, porém nada de benefícios ou relacionamentos. Isso funcionou até o dia em que eu e Reyna fomos nomeados pretores do acampamento. De inicio o trabalho foi nos afastando. Annabeth vivia na faculdade estudando, já eu a Reyna tínhamos várias missões para nos preocupar. Com isso fomos ganhando destaque e mais responsabilidades até que surgiu a possibilidade de fazer história pelo acampamento. Aceitamos sem pensar duas vezes, e isso foi o que pôs fim nessa amizade que parecia indestrutível. Eu sinto muito por isso. Boa parte dos problemas não existiria se eu tivesse negado esse trabalho.
Agora eu me encontro sozinho. Até a Reyna que ficou do meu lado por mais tempo desistiu de mim, como se não valesse a pena lutar pela nossa antiga amizade. Eu estava perdido e desorientado, mais não ia jogar a toalha pra cima e desistir sem tentar. Ando mais um pouco até encontrar uma pessoa sentada, encostada em uma árvore. Era uma moça morena com tranças no cabelo que perecia estar com os pensamentos bem longe da li. Chego mais perto e percebo que se tratava de Reyna. Eu não sabia como aborda-la, mais sabia que isso seria preciso. Ela não podia ficar andando por ai sozinha em plena guerra, era muito perigoso. Apesar dela saber lutar muito bem. Eu me preocupava muito com Reyna e não queria que nada machucasse minha ex-amiga no caso.
Chego de mansinho e me sento ao seu lado, mais percebo ela se afastar discretamente de mim e sentar um pouco mais longe. Resolvo não acompanhá-la, pois sabia que era possível que começasse um jogo de gato e rato interminável e eu não queria pressioná-la a nada. Respiro fundo e resolvo iniciar minha conversa suicida:
–-- Como você está Reyna?
Ela demora a responder. Me olha com reprovação, mais sede a pergunta. Parecia não querer conversar, mais eu a conhecia muito bem ela gostava das coisas bem resolvidas e esclarecidas.
–-- O que você acha? Ela fala cinicamente. E com razão.
–-- Acredito que você esteja com raiva de mim.
–-- Olha Jason se eu estivesse com raiva de você ainda sim estaria ao seu lado. A raiva é passageira pode demorar, mais passa. Estou mesmo é magoada. O jeito como você me tratou me fez pensar o quanto eu fui burra nesses últimos anos em acreditar em você e que mudaria. Jason você continua carrancudo, insensível e mandão. Se as pessoas que trabalham ao seu redor não te contentam você da um jeito de se impor e mostrar quem é que manda. E se for seus amigos você da um jeito de trazer eles para o lado ruim da força. Foi o que você fez comigo, só que eu cai na real. Quando invadimos a casa da Annabeth senti que algo estava errado. Eu vi o medo em seus olhos, vi o quanto ela estava sofrendo com toda essa guerra e que existem outras formas de resolver nossas desavenças com os outros.
Realmente tudo o que ela falou fazia todo o sentido, porém não era assim que o acampamento pensava. Ir contra os superiores era desafiar toda uma cultura de gerações e isso não era muito aceitável. Eu não sabia o que dizer a ela, eu tinha errado. Só que agora eu entendia como Reyna e Annabeth se sentiam com tudo isso.
–-- Eu errei, mais queria saber se você está disposta a acolher um ex-amigo de volta. Tentei ser o mais sincero possível.
–-- Olha Jason cai na real. Você só está aqui me pedindo ajuda porque esta na lama. Não conseguiu encontrar a Chase e o Octavian vai te matar. Sempre seus interesses estão acima de tudo até da nossa amizade. Como posso confiar que você está sendo sincero e não está fazendo um de seus joguinhos.
Nesse momento Reyna já segurava algumas lágrimas. Ela podia perecer durona, mais tinha um coração enorme e depois da morte dos irmãos de Annabeth elas se aproximaram ainda mais. Era como se as duas fossem irmãs de pais diferentes. Reyna a ajudou a superar esse desafio em sua vida e vice e versa. Por traz dessa guerreira fria e forte tinha uma linda e sensível mulher que também, se preocupava com os outros. Reyna era independente, mais às vezes precisava de ajuda como ninguém. Esse era um desses momentos, porém ia ser bem difícil convence-la a ir com ela para o centro de Roma.
–-- Reyna você mais do que ninguém sabe que eu detesto pedir ajuda. Eu estou aqui me abrindo para você. Expondo o que estou sentindo e ainda me despreza dessa maneira?
–-- Jason.... Olha eu perdi todo o respeito e admiração que eu tinha sobre você. Não da mais. Não confio mais em você. Nossa amizade estava enfraquecida há muito tempo. Era eu quem insistia em deixá-la viva.
–-- Como assim?? Você vai ignorar todo nosso passado?
–-- Jason nos últimos anos só eu que tenho feito essa amizade funcionar. Eu cansei. Estou sempre ai do seu lado e só recebo pedrada. Você nunca mais parou para me ouvir desabafar, nunca mais saiu comigo para um passeio e muitas outras coisas. Só fica ai pensando em trabalho. A vida é muito mais que esse quadrado que você vive.
–-- Bem eu posso pelo menos te acompanhar?
–-- Jason acho que você não ouviu direito. Eu não confio mais em você. Não quero piorar ainda mais nosso relacionamento. Se é que ainda existe algo. Eu não quero sofrer mais, não mesmo... Ela fala esse final de forma quase inaudível.
–-- E como eu faço para que tudo volte ao normal? Eu faço o que for preciso. Reyna eu não quero que você vá embora. Falo desesperado.
–-- Eu não sei Jason, mais uma coisa é certa. Confiança se conquista e vem com o tempo. E com certeza não se compra.
–-- Posso ir com você? Nesse caso a esperança é a ultima que morre.
–-- Faça o que quiser, mais mantenha um metro de distância de mim e não se dirija a palavra à em momento algum. A não ser que esteja morrendo. Entendeu?
–-- Sim, mais já vai ser um alivio saber que está bem e vai chegar segura. Falo preocupado.
–-- Cala boca Jason você está me enchendo com suas asneiras. Você é um egocêntrico isso sim.
Essa conversa com Reyna foi de cortar o coração. Eu não sabia que ela sentia tanto rancor assim por mim. E tinha que arrumar um jeito de me aproximar dela, sendo o mais sutil possível. Não ia tentar nada agora. Ela estava de cabeça quente e com o modo defensivo ao máximo, que ela usava quando estava mal. Era uma barreira quase impenetrável, mais uma hora isso ia enfraquecendo e ai eu podia entrar em ação. Me segurava ao máximo para não puxar papo, mais estava sendo uma tarefa ultra difícil. Eu queria mesmo era ter uma conversa fraca e verdadeira com ela, sem ressentimentos de nenhuma das partes. Eu tinha jogado fora a pessoa que mais acreditou em mim nessa vida.
Minha amizade com Reyna valia ouro e agora não valia nenhum denário. Eu mesmo tinha jogado tudo fora. E estava sentindo como era ficar sem ninguém para confiar nessa vida. Continuamos a andar em direção ao centro de Roma. Ela na frente e eu atrás apenas dando cobertura caso algo acontecesse.
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