Camp Half-Blood ~ Fic Interativa
13 Capítulo XII — Anna
Notas iniciais
“A manhã é pálida e o passado deve morrer, você vai abraçar a solidão mais uma vez” — Ali Project.
— Temos que sair daqui — Falei impaciente não me deixando abalar pela morte e desaparecimento do corpo de Nicoly.
Bem lá no fundo eu estava triste, mas a escolha de morrer tinha sido da própria garota, ela tinha escolhido morrer para salvar Nico, aquele que obviamente a garota amava cegamente. Ninguém tinha notado o momento em que Nicoly salvou Nico por um fio a não ser eu e ele mesmo, com um olhar dele entendi que não era para falar nada do que tinha visto. Eu não achava aquilo justo, mas resolvi ficar quieta e me manter impassível, como eu sempre fazia para me proteger dos meus próprios sentimentos ou dos outros.
No final quem tinha salvado a nossa vida era Jhonny, um filho de Atena que curiosamente possuía um escudo com o rosto de uma medusa entalhado na frente, ele disse que não se lembrava de como tinha conseguido o escudo, mas no momento em que decidiu proteger aqueles que tinham tirado ele daquele cassino horrível, o rosto da medusa entalhada no escudo tratou de transformar a Hidra em pedra.
Ninguém tinha entendido muito bem o que tinha acontecido com o corpo de Nicoly, mas eu podia até adivinhar. Nicoly era filha de Zeus e Zeus costumava tratar seus filhos mortos com um carinho esquisito, era mais plausível que ele desse atenção aos seus filhos quando os mesmos estivessem vivos, não? Mas parecia que Zeus tinha a necessidade de sempre fazer com que o “enterro” de seus filhos fosse algo grandioso, como quando Thalia morreu, ele a transformou num pinheiro. Eu não duvidava nada que Nicoly tivesse virado algo do tipo.
Os outros pareceram despertar de repente e começaram a discutir como poderíamos voltar ao acampamento uma vez que a missão estava terminada. Arianne e Hunter começaram a gritar um com o outro do nada, sorri maliciosamente com a cena, era até engraçado de ver a menina baixinha gritando com aquele garoto enorme e magrelo.
— NÓS NÃO TEMOS DRACMAS, IDIOTA! — Arianne gritou furiosa.
— PODEMOS ARRANJAR, POR QUE VOCÊ ESTÁ TÃO ESTRESSADA? — Hunter gritou de volta.
Arianne o olhou como se ele tivesse algum problema mental e depois soltou um suspiro enquanto massageava as têmporas.
— Se você não percebeu, Nicoly morreu e ela era uma das pessoas mais próximas que eu tinha, eu não estou estressada, estou magoada — Arianne cuspiu as palavras fazendo Hunter se calar.
Ela disse aquilo com tanta frieza que quase poderia ser facilmente confundida com uma filha de Quione, quase. Olhei para Alan, ele estava quieto demais, isso não era muito normal. Alguns dias antes, eu implorava para aquele garoto calar a boca, mas aos poucos tinha me acostumado com a tagarelice dele e tinha até aprendido a gostar.
Olhei por alguns minutos para ele e não precisou de muito para que eu entendesse o que ele estava sentindo. Alan estava com medo, tinha me sentido mal por não lembrar que meu mais novo melhor amigo se assustava facilmente, devia ser difícil para ele fazer parte dessa vida cheia de coisas mortais.
Observei os outros e vi que o garoto que era filho de Niké também estava muito quieto, sua testa estava franzida, podia notar nos olhos dele a confusão e as perguntas, era como se ele estivesse tentando resolver uma difícil equação de matemática. Soltei um suspiro pesado e resolvi me pronunciar pela primeira vez.
— Pra quê vocês querem dracmas? — Perguntei, eu tinha dracmas em minha bolsa, mas a menos que eles quisessem os dracmas para uma coisa muito importante, eu não iria dar eles tão facilmente.
— Para chamar o táxi das irmãs cinzentas, seria mais rápido, seguro e fácil chegar ao acampamento se pegássemos o táxi — Arianne murmurou sem muita animação.
Eu nunca tinha ouvido falar daquele táxi, talvez porque tivesse passado pouco tempo no acampamento antes de vir parar no cassino sem explicação alguma.
— E quanto custaria esse táxi? — Perguntei novamente meio receosa, Las Vegas ficava muito longe de Long Island, eram mais ou menos 38 horas de carro e sem trânsito. Um táxi até lá deveria custar uma boa fortuna.
— Não sei, teríamos que perguntar as irmãs — Hunter respondeu por Arianne.
Abri minha bolsa e de lá tirei um saquinho vermelho de veludo, fui até Arianne e o coloquei na sua mão junto com um cartão que eu tinha conseguido no Cassino, o Cassino fornecia cartões para que pudéssemos jogar a vontade, alguma coisa me dizia que ele deveria servir para alguma coisa.
— Eu acho que teve ter uns 5 dracmas aí e o cartão eu consegui no Cassino, se as irmãs aceitarem cartão podemos tentar usá-lo — Eu falei.
Alan se moveu ao meu lado e colocou 10 dracmas na mão de Arianne.
— Isso é tudo o que eu tenho — Um sorriso se formou em seus lábios, como se tivesse se lembrando de uma piada que só ele sabia. — E não me pergunte onde consegui — Ele cantarolou enquanto se afastava.
Admirava Alan por ele sempre estar feliz, mesmo que o interior dele dissesse o contrário, ele estava sempre brincando, sempre com um sorriso nos lábios, sempre fazendo os outros rirem. Arianne deu de ombros, como se não se importasse com a atitude de Alan.
— Stêthi, ô hárma diabolês! — Arianne gritou em grego antigo e jogou a moeda na rua.
A moeda de ouro afundou no chão e bem no lugar onde a moeda tinha desaparecido, o asfalto ficou escuro. Logo um táxi esquisito apareceu na rua, não era amarelo como os outros, era cinza escuro. Uma velha esquisita colocou a cabeça para fora do carro. Ela era horrorosamente nojenta e feia, seus cabelos se limitavam num único tufo na cabeça que cobriam seus olhos. A velha parecia impaciente.
— Passagem? — Ela perguntou, Arianne se moveu desconfortavelmente.
— Será que cabe oito pessoas nesse carro? — Arianne perguntou a velha, a velha pensou por um momento.
— Para onde vão e quanto vão pagar? — Perguntou.
— Acampamento meio-sangue, temos 15 dracmas e... Vocês aceitam cartão? — Arianne conversou com a velha que deu um sorriso desdentado e abriu a porta traseira do táxi, logo acenando para que nós entrássemos.
Oito pessoas se esmagando na parte de trás daquele maldito táxi foi o que aconteceu.
Eu fui no colo de Alan, Arianne se acomodou no colo de Hunter – que tinha um sorriso malicioso nojento nos lábios, quase senti vontade de vomitar –, Amber tinha sentado no colo do Jhonny filho de Niké, e Jhonny e Nico tinham se espremido no espaço restante.
Arianne entregou 5 dracmas a velha que tinha falado conosco e disse que daria o resto quando estivéssemos no acampamento. Para a minha surpresa havia mais duas velhas no táxi, tão feias quanto a primeira. O táxi disparou pela rua tão rapidamente que eu senti que minha alma ia se deslocar do meu corpo, soltei um suspiro para me acalmar e fechei os olhos enquanto escutava as velhas brigando por causa de um olho idiota nos bancos da frente.
[...]
As velhas nos deixaram ao pé da colina meio-sangue, Arianne entregou o resto do pagamento e elas sumiram junto com seu táxi. Decidi que nunca mais andaria naquele táxi maldito, eu tinha quase morrido umas quinhentas vezes.
Subimos a colina com calma e quando estávamos quase no topo, pude perceber uma movimentação perto do pinheiro onde se encontrava o dragão e o velocino de ouro.
Atravessamos as barreiras sem que nenhum monstro nos atacasse e isso pareceu uma surpresa para o monte de semideuses que montava guarda nas barreiras.
Pela segunda vez na minha vida, senti que estava em casa.
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