Camp Half-Blood ~ Fic Interativa
4 Capítulo III — Elizabeth
Notas iniciais
"Porque boas garotas vão para o paraíso, garotas más vão pra todo lugar; Boas garotas não brincam com fogo, garotas más fazem isso porque nós não ligamos" — The Pretty Reckless.
Encarei a mistura nojenta do que eu tinha comido no vaso e fiz uma careta enquanto apertava o botão da descarga.
— Droga, Elizabeth, se continuar assim vai acabar morrendo — Murmurei para mim mesma.
Eu sabia dos riscos do que estava sofrendo, sabia que tinha que procurar tratamento, mas se nem a minha QUERIDA mãe se importava com isso porque eu deveria me importar? Saí do banheiro porque as minhas irmãs batiam na porta como loucas e aquilo já estava começando a me irritar. Eu me sentia deslocada naquele lugar, ninguém ali me tratava bem a não ser a Piper, mas eu não retribuía o bom tratamento, não conseguia. Fui até a minha cama e peguei o maço de cigarros e o isqueiro que estavam em baixo do meu travesseiro, logo depois saí do chalé, não sabia para onde ir, mas tinha que encontrar um lugar bom para alimentar meu vício pelo cigarro. Resolvi então ir para o punho de Zeus, quase ninguém ia lá e eu não fazia ideia do por que, o lugar era lindo.
Não demorou muito para que eu chegasse ao local e logo estava sentada em meio as rochas observando o sol que estava quase se pondo, tirei um cigarro do maço e coloquei na boca enquanto acendia a ponta, dei uma tragada profunda e senti um misto de alívio com admiração ao senti o ar chegar aos meus pulmões, soltei a fumaça e um pequeno sorriso se formou em meus lábios.
— O que você está fazendo consigo mesma, minha filha? — Escutei uma voz suave falar atrás de mim.
Automaticamente me virei. A mulher que encontrei ali era linda, possuía longos cabelos castanhos escuros caindo em cascata até a sua cintura, seus olhos eram extremamente azuis e o corpo curvilíneo deixaria qualquer homem aos pés dela, seu vestido vermelho era um tanto chamativo, mas Afrodite era assim mesmo, ela gostava de chamar atenção e por vários momentos naquele ano me perguntei se eu era realmente filha dela, tratei de jogar meu cigarro fora antes de respondê-la.
— Como se você se importasse — Resmunguei.
Por que ela estava ali? Ela nunca tinha se manifestado, pelo menos não diretamente, ela só tinha me guiado uma vez até o acampamento, depois me reclamou e depois nunca mais apareceu em minha mente.
— Eu me importo, você sabe que sim, se não me importasse não estaria aqui — Ela falou enquanto se aproximava e eu me virei, voltando a fitar o sol a minha frente, as cores que tomavam conta do céu estavam tão lindas...
— Por que resolveu aparecer depois de anos me ignorando? — Perguntei, Afrodite fez uma careta.
Era incrível como as pessoas não gostavam de ouvir a verdade... Mas também não suportavam a mentira, os humanos eram mais confusos do que eu podia suportar.
— Vim te ajudar, tenho te observado a muito tempo e vi que se você não parar com o que está fazendo vai acabar se matando — Ela disse e um sorriso sarcástico se formou em meus lábios, como se eu não soubesse daquilo. — Faz muito tempo desde que uma das minhas filhas nasceu sem conhecer o amor e isso é muito difícil para mim.
Revirei os olhos ao ouvir suas palavras, difícil para ela? Ela era uma deusa, tinha tudo o que queria aos seus pés e ainda vinha com esse papinho de que era difícil para ela.
— Ta bom, se já terminou com seu discurso de boa mãe, já pode ir embora — Falei com a expressão fria, eu ainda não sabia como conseguia esconder minhas emoções tão bem.
— Só tenho mais um aviso: Tome cuidado, as coisas estão começando a ficar... —Ela relutou em falar e eu soube que tinha alguma coisa errada. — Difíceis para os deuses e semideuses, uma guerra está para chegar e eu quero que se prepare.
Me virei para dar uma boa resposta a ela e até mesmo perguntar do que diabos ela estava falando, mas ela já tinha sumido.
— Depois quer vir dar uma de boa mãe — Revirei os olhos.
— Falando sozinha, Effy? — Me virei para ver quem era e engoli em seco ao encontrar Leo ali.
— Ahn... É, estava, acho que a loucura está tomando conta de mim — Respondi sem graça.
Meu comportamento mudava totalmente quando ele estava por perto e mesmo assim eu ainda sentia a necessidade de quebrar o coraçãozinho dele.
— Você não é louca — Ele falou com o costumeiro sorriso nos lábios, a bom humor dele costumava me irritar. — Eu acho que só é carente de atenção.
Ele foi se aproximando de mim e eu soltei um suspiro, pelo jeito ele não tinha medo do perigo.
— Eu até brigaria com você, mas não estou afim de perder meu tempo — Falei pegando outro cigarro e colocando entre os lábios, acendi ele e vi que Leo me olhava com reprovação.
— Seus pulmões não devem estar gostando disso — Falou em tom brincalhão e eu ri.
— Eu não me importo com meus pulmões — Dei de ombros e cruzei minhas pernas enquanto dava uma tragada no cigarro, aquilo me deixava mais relaxada.
— Mas um dia irá se importar — Ouvi ele soltar um suspiro. — Você acha que não, mas tem pessoas que se importam com você nesse mundo — Murmurou.
Quando me virei para respondê-lo, ele já estava longe. As pessoas tinham que parar de fazer isso.
[...]
Encarei a comida em meu prato com um misto de nojo e fome, se é que isso é possível. Eu estava morrendo de fome, mas não queria comer ou iria ganhar uns quilinhos a mais.
— Come logo essa comida, Effy — Escutei Maddie falar.
Levantei o rosto para encará-la, ela que estava na minha frente. Maddie era uma das poucas pessoas com a qual eu não tinha problemas, ela não era tão fresca quanto as outras filhas de Afrodite e só esse fato já me fazia gostar mais dela.
— Eu estou sem fome — Falei e ela revirou os olhos.
— Não está não, sua barriga está fazendo barulhos esquisitos tão altos que dá pra escutar daqui — Um sorriso irônico se formou em seus lábios. — Você está com aquele problema de novo? — Perguntou dessa vez baixinho.
Acho que ela não queria que meus outros irmãos não ouvissem, o que eu duvidava que ia acontecer, aquelas pragas eram tão alienadas que eram capazes de estar pensando de cor pintariam a unha mais tarde ou quando seriam liberados do acampamento para ir malhar.
— Não é da sua conta, maninha — Falei irônica e me levantei com a bandeja intocada, talvez eu precisasse mesmo de ajuda.
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