Notas iniciais
Hello! mais um capítulo aí pra vocês! espero que gostem e por favor, comentem ^^' só assim eu posso saber o que estão achando da história. Esse capítulo é um pouco dramático, e tem uma certa violência. Essa semana provavelmente postarei o próximo *-*

Eu não ousava respirar. Naquela escuridão, tudo o que eu via eram aquelas assustadoras orbes amarelas. A coisa rosnou e soltou uma enorme baforada de fogo na minha direção. Como eu era imune ao fogo, não me machuquei e aproveitei a claridade que ele produziu para observar o monstro. Era o maior dragão que eu já havia visto em toda a minha vida, com grandes asas e escamas brilhantes. Ele também estava preso por correntes, assim como eu. Quando viu que não iria me queimar, parou e ficou me observando, com a cabeça ligeiramente inclinada para o lado, de uma forma que me lembrou muito um cachorro. Eu continuava hipnotizada por aqueles olhos amarelo-dourados. Em um acesso de loucura, fui esticando devagar a mão, tentando alisar o dragão. Quando estava quase tocando-o, ele fungou, e retirei repentinamente a mão, com medo de tê-la arrancada a dentadas. Aproximei-a novamente e toquei seu focinho. Alisei-o e e dei um sorriso, fascinada com a situação, enquanto o dragão observava cada movimento meu atentamente, receoso de que eu o machucasse. Foi quando ouvi um barulho de alguma porta abrindo-se ruidosamente e passos pesados ecoando num corredor, e dei um pulo para longe do dragão. Uma porta se abriu a uns 10 metros à frente e dois caras enormes entraram. À medida em que foram se aproximando, constatei que eram ciclopes, altos e musculosos, com cara de imbecis. Ciclopes eram resistentes a fogo, o que eliminava a possibilidade de tacar fogo neles. Talvez desse certo se eu acertasse naquele olho que eles possuíam no meio da testa. Quando um deles ficou bem à minha frente, olhei para ele e o encarei, pensando em quais poderiam ser as consequências se meu plano não desse certo, e ele disse:

- Estenda as mãos. — Droga, meu plano de fuga havia acabado de entrar pelo cano. — Você me ouviu,garota?

Estendi as mãos, excessivamente frustrada, e ele prendeu meus pulsos com algemas de ferro, muito pesadas e ligadas por uma pequena corrente de ferro, limitando meus movimentos. Presa a essa corrente central, havia uma outra, muito longa que servia como uma espécie de correntinha de cachorro, que o primeiro ciclope puxou, fazendo-me desequilibrar e ir para a frente, como se fosse um poodle indo passear. O segundo destruiu com uma machadada a corrente que prendia meu pés, e me empurrou.

- Ande, garota. Em frente, não temos o dia todo. — Ele resmungou, e o outro foi puxando a corrente das algemas e me guiando como a um cachorrinho. Eu segui muito a contragosto, e quando saí daquele salão, virei para trás e olhei o dragão uma última vez. Ele bufou, duas pequenas nuvens de fumaça saíram de suas narinas.

Ainda sendo arrastada,comecei a observar o longo corredor pelo qual estava sendo levada, e haviam várias portas e galpões, alguns abertos, outros não. Em um deles, armas e mais armas estavam estocadas, e perto delas estavam minha mochila e as mochilas dos outros campistas. Arregalei os olhos e respirei fundo quando as vi. Aquilo significava que os outros também estavam por ali! Logo o corredor foi se estreitando cada vez mais, e eu percebi onde estávamos: era um estádio de futebol, e estávamos entrando pelo local de acesso ao campo para os jogadores. Na saída para o campo, haviam mais ciclopes e algumas pessoas acorrentadas. Foi quando meus captores me empurraram e eu caí ruidosamente no chão, ao lado do grupo, que se virou para me olhar. Quando olhei para eles, quase chorei de alegria.

Exceto os ciclopes, o grupo era exatamente o mesmo com o qual eu havia partido do Acampamento Meio-Sangue. Eu sorri e tentei me levantar,mas com minhas mãos presas daquela forma era uma tarefa complicada, então um dos ciclopes me puxou rudemente pelo braço, me pondo de pé.

- Ai, ai, ai, calma aí, cara! — Reclamei.

- Quieta, garota. — Ele nem sequer olhou para a minha cara, concentrado no campo à sua frente. Olhei para lá e paralisei: O campo era do tamanho de um campo de futebol americano,porém era coberto por areia,ao invés de grama. Um homem enorme lutava com um garotinho magricelo, e os dois pareciam bastante feridos. O homem grande tinha uma espada na mão, e um corte enorme do lado direito do corpo.O garoto estava numa situação bem pior, com sangue e marcas de pancada por todo o rosto,deixando-o irreconhecível. Ele segurava uma espada longa, e parecia não conseguir segurar o peso dela.

Depois de um chute, o garoto caiu para trás, mas logo pôs-se de pé, numa pose heroica. Ele brandiu a espada acima da cabeça, e eu(que por algum motivo torcia mentalmente por ele) achei que iria dar uma reviravolta. Porém, o homem alto foi mais rápido, e deu-lhe um golpe certeiro no pescoço, arrancando a cabeça do garoto fora. O corpo magrelo e frágil caiu, jorrando sangue por toda a areia, e a cabeça rolou até bem perto de onde eu estava. Tentei desviar a vista, mas o rosto do cadáver parecia ter me aprisionado, completamente desfigurado e ensopado de sangue. Ele parecia bem mais frágil depois de morto, e ninguém parecia se importar se ele havia lutado com um oponente à sua altura ou não. Uma trombeta soou, e a multidão nas arquibancadas urrou. O vencedor gritava de entusiasmo, abrindo os braços e sorrindo para o público, numa pose de "macho alfa". Apertei os olhos e olhei melhor para a plateia. Não pareciam monstros, mas também não eram totalmente humanos, eram meio que fantasmagóricos... Arregalei ainda mais os olhos,quando percebi. O público era totalmente composto por fantasmas!

- Que horror... — Ouvi Joy comentar.

- Vocês logo estarão lá também, não se preocupem. — Um dos ciclopes respondeu,com um sorriso sarcástico.

- Me poupe, até parece que vamos querer brigar para a diversão dos mortos! — Ingrid gritou

- Vocês podem não querer lutar, mas seus oponentes vão querer, certamente. — Carlos falou, quase como se falasse sozinho, enquanto encarava o guerreiro vencedor cair na arena e sucumbir aos ferimentos, sob as vaias da multidão. — Se quiserem liberdade, terão que lutar por ela.

- Isso soa como frase de filme oriental, Carlos. — Dessa vez, não pude conter o meu sarcasmo. — Ou como frase de quem parece estar colaborando com o inimigo... — O que eu disse pareceu atingi-lo como um soco, e ele se virou para mim, com fúria no olhar.

- Está tentando dizer que eu estou colaborando com o inimigo? Que fui eu que nos trouxe pra cá?

- Não, estou apenas perguntando, perdão se você é sensível, jamais quis duvidar de sua lealdade ao Olimpo, Sr. Honra. — Minha voz pingava sarcasmo, e ele estava vermelho de raiva. Antes que pudesse me responder, um dos ciclopes(que parecia ser o líder) mandou calarmos a boca, ou ele nos jogava na arena para resolvermos nossas briguinhas. Seguiu-se um longo minuto de silêncio, e uma mulher apareceu. Era alta, forte, estava vestida com uma armadura grega e carregava uma espada na mão. Os longos cabelos negros estavam presos em uma trança raiz que lhe chegava à cintura. Seu olhar era frio e assassino, e eu soube imediatamente o que ela era: Amazona. Ela encarou-nos a todos e virou-se para o ciclope líder:

- Escolha dois deles, arme-os e os prepare para a próxima luta. — O ciclope murmurou um "sim, senhora" e começou a nos olhar. Ingrid continuava encarando a Amazona, e por fim falou:

- É a Xena? — Nesse momento, eu desejei estar sem aquelas correntes, para pôr minhas mãos naquele pescoço branco e miudinho, gritando com a Ingrid até ela parar de meter todo mundo em confusão. A Amazona estreitou os olhos com raiva para Ingrid, e por um minuto parecia querer cortar a cabeça dela fora, mas apenas bufou e saiu dali.

- Ingrid, para de fazer besteira, pelo amor dos deuses! — Sussurrei para ela, que apenas deu de ombros e ficou rindo. O ciclope parou e puxou a corrente de Rebeca. Olhei para ela, preocupada e vi sua cara de desespero. Um outro puxou a corrente de Higor, que apenas seguiu, tentando manter uma pose tranquila. Eu o conhecia o suficiente para saber que ele não estava tranquilo. Que por dentro, ele estava desesperado, e principalmente pensando na Ana Paula, que estava no Acampamento(provavelmente enlouquecendo depois de ver nosso sequestro pela mensagem de Íris). Ele teria que lutar até a morte com Rebeca, e um dos dois iria morrer. Eu não conseguia pensar em qual seria pior, os dois eram muito estimados para mim. Sem que percebesse, falei:

- Me deixe ir no lugar dela. — O ciclope-líder me olhou e sorriu maleficamente.

- Acho digno de sua parte que queira ocupar o lugar de sua amiguinha, porém nós escolhemos ela, e não você. Se ela lutar bem, poderá voltar pra você, ou seu amiguinho volta.

- Do que tem medo? Que eu vença e esfregue isso na sua cara? Se quer uma luta de verdade, ponha-me no lugar dela!

- Não, você não irá. Veja seus amigos lutarem, e logo chegará sua vez de brigar também. — Meu plano de deixar que Higor me matasse foi frustrado.

Observei, quase chorando, enquanto os dois eram tirados de perto de mim, e 15 minutos depois, voltaram. Haviam sido vestidos com armaduras e espadas, e Rebeca chorava muito. Higor permanecia impassível e eu comecei a chorar. Não consegui dizer nada, o que se falar quando dois amigos partem para uma luta e apenas um vai voltar? Ele acenou levemente com a cabeça e falou um "se cuida". Rebeca sorriu forçosamente e deu um passo adiante, em direção à arena. O ciclope quebrou as correntes dela e do Higor, e a multidão gritou freneticamente quando eles entraram. Uma ideia começou a brotar em minha cabeça, e quando ela veio à mente, eu fechei os olhos e rezei aos deuses para que o que eu estava tentando planejar desse certo.