Notas iniciais
Pronto,não vou digitar mais nada hoje,minha tendinite já tá atacando ;-; Gemula e Higor,gomenasai,eu sou uma bosta escrevendo romance. Gikah,te amo s2 por favor não me mata, Ronny,te amo prima, por favor não venha me linchar,e essa semana eu posto o resto,prometo!
Quando acordei, o sol estava nascendo, e eu não conseguia mais dormir. Não lembrava de nenhum detalhe do pesadelo, só sabia que havia sido horrível. Provavelmente eu havia sonhado com a Ingrid virando cantora de brega,ou funk, ou qualquer um desses gêneros submusicais,que ficariam piores ainda na voz esganiçada dela. Levantei e saí furtivamente,esperando que ninguém me notasse. Precisava caminhar um pouco,para esquecer que dali a algumas horas iria numa missão maluca,e com minha habilidade pra fazer besteira,provavelmente iria morrer da forma mais estúpida imaginável. Uma parte de mim,covarde como um rato,queria se esconder no guarda-roupa em posição fetal e chupando dedo,e esperar ser transportada para Nárnia. Outra parte de mim,queria ir nessa missão,conhecer o mundo além do orfanato onde eu vivia e quebrar a cara de quem viesse pela frente. Caminhando lentamente,eu cheguei perto da floresta e ouvi alguns murmúrios. Escondi-me atrás de um arbusto e puxei algumas folhas, de forma a poder enxergar algo. Em meio às árvores,Higor e Ana discutiam.
— Eu preciso ir,você sabe. — Higor passava a mão nos cabelos,impaciente.
— Eu sei,mas não quer dizer que eu vá aceitar. — Os olhos de Ana eram de uma frieza assustadora.
— Por que ficar tão irritada? Quem vai correr risco de vida sou eu!
— Mas quem vai ficar aqui,preocupada e ouvindo os choramingos da Gigi e as reclamações de velhinho com alzheimer do Juninho sou eu!
— Annie,eu realmente preciso ir. E eu não quero ir embora brigado com você.
— Então não vá.
— Pense racionalmente,por favor.
— Eu sei,eu sei,mas não quero ficar aqui sozinha,entende? — Ela agora parecia prestes a chorar, mas respirou fundo, virou de costas e foi andando de volta ao Acanpamento. — Vá na maldita missão e me esqueça.
— Se é o que você quer... — Higor agora parecia irritado e evitou olhá-la. Quando ela saiu, ele respirou fundo e entrou na floresta. Antes,ele parou e virou-se na direção dos meus arbustos.
— Mary,é muito feio ouvir discussão dos outros,sabia? — Na mesma hora,senti minha cara queimar de tanta vergonha. Antes que eu pudesse começar a dar desculpas esfarrapadas,ele sumiu na floresta e eu fiquei sozinha,entre os arbustos. Saí dali e continuei caminhando sem rumo, indo parar no píer, olhando para o céu e admirando o amanhecer. Estava tudo tão calmo,e o céu escuro começava a se tingir de um tênue laranja,como uma pequena chama sendo acesa. Apenas aquela visão do nascer do sol me fez ter pequeninas esperanças quanto à missão, e eu sentei na ponta do píer. Quando estava suficientemente claro para que eu voltasse sem receber reclamações, voltei ao pátio dos chalés. No centro,uma pilha de mochilas chamava a atenção de longe. Ingrid estava ali perto,abraçando o Juninho e o Romulo e dizendo algo como "A gata vai divar,se cuidem que eu volto logo". Me aproximei e fui logo falando, num tom que pingava sarcasmo:
— HAHAHA, se iludindo a essa hora da manhã,Ingrid?
— Vá cuidar da sua vida,Mary.
— Não quero, te irritar é melhor. — Respondi sorrindo. Ela ia responder,quando o Raul apareceu,com uma enorme mochila de camping. Ela atirou-a no amontoado e falou:
— Ingrid,meu amor! Carregue minhas malas pra mim,minha mochila ficou meio pesada...
— RAUL,ME POUPE! A gente vai pra uma missão,não sair de férias!
— Ah,tanto faz. Vamos pra Hollywood! — Ele levantou os braços alegremente e depois fez uma cara de desdém. — Se bem que, não tem estrela de Hollywood que se compare com o meu brilho,fazer o que né?
— Raul,se mata. — Bati a mão na testa,sem acreditar que ele havia dito algo tão idiota. Ana Paula se aproximou timidamente e me chamou. Quando me aproximei,ela me entregou um pacotão de FINI sortido. Eu quase chorei de emoção naquele momento. Abracei-a e olhei em seus olhos para agradecer, e não foi difícil perceber que ela estivera chorando,já que seus olhos estavam vermelhos e inchados e ela ainda fungava um pouco. Sorri,tentando tranquilizá-la e fui até o chalé catar minha mochila e guardar meu FINI no bolso da frente dela.
Logo,chegou a hora da partida. Teríamos que ir na van do Acampamento até a rodoviária e de lá pegar um ônibus até a Califórnia,já que se fôssemos de avião,estaríamos suscetíveis à inconstância do humor de Zeus (lê-se recalque de Zeusa). Junto ao pinheiro, todos os campistas observavam nossa partida. De repente,me veio um pensamento obscuro: E se eu nunca mais voltasse para lá? Afinal de contas,depois de tanto passar por tantos orfanatos e escolas, aquele Acampamento havia se tornado minha casa. Tentei não chorar,mas foi em vão. Abracei cada um dos meus amigos: Ana, Gigi, Juninho, Samara, Romulo, Evellyn, Giullia, Deborah, e prometi a mim mesma que traria souvenirs pra todo mundo,se eu voltasse viva. Quíron se despediu de nós e nós descemos a colina meio-sangue, até a van (que estava estacionada no final da colina). Quando estávamos na metade do caminho, Ana gritou:
— HIGOOOOOOOOR! — Ele se virou e olhou para cima(assim como o resto do grupo). Ana respirou fundo e parecia estar nervosa.
— O que é? — Ele parecia ainda estar um pouco estressado com ela.
— EU TE AMO! — Ela gritou com uma careta,como se fosse um palavrão. Higor arregalou os olhos e piscou um pouco,surpreso. Sorriu um pouco aliviado e olhou diretamente para ela.
— EU TAMBÉM TE AMO! Se cuida, e quando eu voltar,teremos algumas questões pendentes a resolver... — Ele respondeu com cara de quem definitivamente não estava pensando em coisas boas.
— Isso se resolve lá no meu chalé! — Ela respondeu,rindo.
— Tá bom,já chega,seus dois queijudos! — Ingrid arrastou Higor e todos a seguimos. — Que pouca vergonha! Que povo desbocado!
Higor parecia excessivamente feliz e não ligava para os xingamentos da Ingrid (que o chamava de queijudo a cada 30 segundos) e nem para o Carlos (que dizia para ele não engravidar a garota). Quando chegamos à van,veio a grande questão: quem iria dirigir? Como pelas leis americanas,só se podia dirigir após os 16 aos, Joy e eu já estávamos automaticamente cortadas da lista de possibilidades. Ingrid logo se voluntariou:
— EU! EU DIRIJO!
— Não miúda,você vai no banco de trás,onde tem cadeirinha infantil e cinto de segurança. — Raul retrucou.
— EU VOU! Eu sei dirigir! — Higor se voluntariou.
— NOOOOOOO! Esse maluco é pior que a irmã,ele vai apostar um racha e matar a gente na primeira curva! — Reclamei.
— Eu é que vou dirigir,seus imbecis anencéfalos. — Exclamou uma vozinha irritada atrás de nós. Todo o grupo se virou e lá estava a Gikah,de braços cruzados e com a chave da van na mão. — O que foi? Nunca me viram não? As princesas querem um convite pra entrar na van ou eu preciso chutar o traseiro de cada um pra vocês se acomodarem lá dentro?
— Partiu entrar na van. — Falou Raul,abrindo a porta, e todos entraram. Me aconcheguei perto da janela e me pus a olhar para fora. Quando Gikah deu a partida,olhei para cada um dos campistas lá dentro e sorri. A algazarra e a bagunça eram tão grandes,que parecia que estávamos em um passeio escolar,indo fazer um piquenique em algum lugar. Involutariamente me peguei pensando no quão doloroso seria perder algum deles, que apesar do pouco tempo que eu conhecia,haviam se tornado tão estimados para mim. Carlos com seu jeito mandão e nerd,se achando o dono do mundo; Joy com seu jeito espevitado e maluco,que vivia sempre dando gritinhos; Raul sendo grosso,dando fora em tudo e todos e se achando o centro do universo; Rebeca sendo a pessoa doce,amável e carinhosa de sempre,sendo sempre prestativa e inteligente;Higor sendo chato,insuportável, retardado e ainda assim,um grande amigo; e Ingrid, com seu jeito exagerado, sempre fazendo estardalhaço e se juntando a mim nos duetos de risadas estranhas. Era insuportável a ideia de vê-los morrer naquela missão,por isso eu prometi a mim mesma que daria o meu melhor, e meus pensamentos heroicos foram esmagados pela voz assustadoramente desafinada da Ingrid nos meus tímpanos, cantando o tema principal de Titanic, "My heart will go on". Eu sorri e me juntei a ela,berrando a letra da música,até a Joy mandar calarmos a boca, Rebeca tapar os ouvidos,Higor chamar as duas de queijudas e Gikah dizer que se não calássemos a boca,iríamos o resto do caminho a pé. Virei para a janela e sorri. Estávamos entre amigos, éramos completamente malucos e não fazíamos noção do que estava ocorrendo. É claro que nos daríamos bem.
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