Camp Blood

8 O sátiro se junta a nós.


Assim como Lucy, Connor e Lilith estavam prontos para atacar, quando Bargho saiu de trás das árvores e revelou sua face.

A pele era num tom moreno claro, e os cabelos encaracolados e negros. Chifres medianos saiam dos cachos.

- Bargho? — Exclamou Lucy ao vê-lo ofegante.

- Eu.. não.. poderia.. ter.. deixado.. vocês.. irem.. sozinhos. — A cada pausa o sátiro respirava fundo.

- Qual o problema? — Perguntei. — Parece tão cansado.

- E estou! — Rebateu ele. — Tive que fugir. Ares está irado procurando por você, — Ele apontou para mim, e depois se virou para Lucy. — e você.

- E agora? — Perguntou Lilith.

- É bem provável que ele desconte a raiva nos outros campistas. — Explicou Bargho. — É assim que funciona para Ares: alguém tem que ser punido, não importa quem for.

- Desde que não seja os filhos dele, né. — Replicou Connor.

- Não importa quem for. — Repetiu o sátiro. — As vezes até me pergunto se o deus da guerra tem amor próprio!

- Bargho, temos que encontrar o Sr. D, e logo! — Disse. — Antes que algum campista morra nas mãos de Ares e seus filhos.

- Os deuses estão irados. — Comentou Bargho. — Em algumas horas que Ares está no acampamento, muitos semideuses já se machucaram de alguma forma.

- Então não podemos demorar! — Berrou Lucy, apressando-nos.

Concordamos e nos dirigimos mais a dentro do bosque. Os olhos de Connor e Lilith enxergavam tudo na escuridão. Meus olhos acinzentados, segundo Lucy, pareciam luzes que brilhavam no escuro a cada vez que eu piscava.

- Zeus devia interferir nisso tudo. — Reclamou Lucy. — É obrigação do Sr. D ficar aqui, com os mortais, e cuidar do acampamento.

- Acredito que Zeus e os outros deuses estejam com coisas mais importantes para se fazer.

- Nós, semideuses, somos seus filhos! — Replicou a garota. Pelo que vi, seus cabelos pareciam avermelhados. — Eles deviam se preocupar mais com nós.

- Por que você não tenta agradecer mais a eles? — Sugeri.

- Íris não tem tantos filhos. — Respondeu Lucy, franzindo a testa. — Custaria muito se ela fosse um pouco mais presente e ouvisse minhas preces?

- Não se preocupe, garota. — Disse Bargho. — Eu tenho certeza de que ela ouve.

- Já pedi sinais para ela. — Ela levou a mão a testa, aparentando estar prestes a chorar. — Sabe? Para que eu soubesse que ela estava me vendo e ouvindo. Mas ela nunca me mandou nem sequer um único sinal, então desisti..

Era um pouco comum Lucy fazer drama como nesse momento. Então ignorei e continuei andando, tirando os galhos do caminho.

Percebi que Connor e Lilith estavam mais a frente, se entreolhando e puxando as folhas que cobriam sua passagem.

Foi então que no mesmo instante Connor empunhou sua espada e nas mãos de Lilith surgiram sais. Os dois garotos afastaram a densa camada de folhas e pularam para frente.

Retirei a lanterna do bolso do meu casaco e no mesmo instante ela se transformou numa comprida e afiada lança.

Corri sem hesitar atrás dois.

- NÃO! — Gritou Lucy, logo atrás.

Ao chegar na frente das folhas, retirei-as com minha lança e olhei para frente:

Abaixo de nós, um pequeno rio se elevava, na altura do joelho de Connor e Lilith.

Olhei ao redor e percebi na hora que estávamos num pântano. Enquanto Connor e Lilith estavam preparados para enfrentar o enorme javali de Erimanto que olhava furioso para eles.