Camp Blood
18 Nos encontramos com uma criatura familiar.
Logo após a névoa se desfazer, o sol foi embora, levando consigo o arco-íris.
Lucy fechou os olhos e respirou fundo.
– Não podemos demorar. — Disse ela.
Apressamos o passo e caminhamos sem hesitar até as caçadoras.
– Lady Ártemis, você tem razão. — Avisou Lucy. — As coisas no acampamento não estão boas. Temos de ir rápido.
– Há um jeito fácil para vocês irem. — Replicou a deusa. — Mas teremos de nos separar.
Nós assentimos.
Ártemis disse que há uma cidade próximo a nós, e que poderíamos cortar caminho por lá. Bastava nós olharmos para um edifício que tinha em seu topo uma estátua com o caduceu de Hermes, e quando chegássemos lá, saberíamos para onde ir.
– Nos encontraremos em breve. — Disse Mia.
As caçadoras se despediram de Lucy e continuaram seu caminho.
Nós tomamos o caminho contrário, e caminhamos até acharmos um bosque.
Nem Lucy, Connor e muito menos Bargho disseram algo. Após atravessarmos o bosque, saímos em uma estrada pouco movimentada. Alguns carros passavam por lá.
Andamos até o centro da cidade, quando Connor avistou o edifício e apontou, chamando nossa atenção.
– Parece que é aquele. — Falou.
Olhamos para cima e uma estátua mediana estava fincada no topo do edifício. No começo, parecia haver apenas uma cobra de pedra, mas então, subitamente, outra surgiu, se enroscando no bastão.
– Uau.
– Vamos. — Disse Lucy, andando mais rápido.
Nós ainda estávamos um pouco longe do edifício. Haviam lojas ao nosso redor e alguns humanos passeavam calmamente, tomando sorvete e brincando com seus filhos.
Foi então que Bargho parou, assustado.
– Qual o problema? — Perguntou Connor.
O sátiro estava franzindo a testa e seu nariz empinado.
– Sinto cheiro de.. — Ele estreitou os olhos, olhando ao redor. — Sinto cheiro de algo.. algo tão familiar..
– Monstro? — Sugeriu Connor.
– Bargho, é melhor irmos andando, antes que..
E fui interrompido.
Ouvimos algo como um grito esganiçado de uma ave.
Olhamos para cima e avistamos a grande harpia avançar contra nós, com suas enormes garras de pássaro.
– Se separem! — Gritei.
Lucy se jogou para o lado, já apunhalando sua espada.
– Ares deve ter mandando-a para cá! — Berrou Lucy, cerrando os dentes.
Os mortais a nossa volta começaram a olhar assustados.
– Eu odeio monstros com asas. — Exclamei, tentando acertar a harpia com a lança, sempre que ela descia em minha direção.
– Covarde! — Provocou Connor. — Desça até aqui e lute conosco!
– Grrr, criaturinha desprezável.. — Disse a harpia.
Ela avançou contra Lucy e cravou as garras no ombro da garota, arrancando um pedaço da sua manga e jogando-a para o chão.
Corri até Lucy e Connor ficou a nossa frente, impedindo que a harpia se aproximasse de nós.
– E-estou bem. — Disse Lucy, com dificuldade.
Seu ombro tinha um profundo corte. E foi então que reparei que havia um pequeno arco-íris desenhado no mesmo lugar.
– Você tem uma tatuagem de arco-íris?! — Exclamei boquiaberto.
– Não é uma tatuagem. — Replicou ela. — Eu sempre tive isso.. Pelo menos desde que me lembro de ter chegado no acampamento.
Arranquei meu casaco azul e rasguei ao meio. Estava prestes a por um pedaço sobre a ferida de Lucy quando ela me impediu.
– Não precisa. — Disse. — Olhe.
A garota olhou para o céu e as nuvens cinzentas começaram a se afastar lentamente. O sol surgiu e iluminou o ombro da garota.
O arco-íris começou a brilhar, as luzes se acendiam uma por uma. O sangue de Lucy parecia voltar para dentro da pele, e as feridas iam sumindo.
Quando me dei conta, apenas sobraram cicatrizes.
– Deuses! — Disse. — Você consegue fazer isso sempre?
– Não. — Ela se levantou. — Só se tiver feridas na região do braço e se houver iluminação.
– Você é incrível.
– Incrível é aquilo! — Exclamou Lucy, sorrindo.
Olhei para trás e vi Connor montado nas costas da harpia. Ele pressionava a espada contra a cabeça da criatura, que gritava e voava se debatendo.
A harpia deu um último grito e caiu. Connor, que estava sobre ela, despencou junto e teve impacto com o asfalto. O garoto bateu a cabeça e desmaiou.
Imediatamente meu sorriso sumiu.
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