Camp Blood
6 Meu adeus ao acampamento.
Ao terminar de arrumar minhas coisas, peguei minha mochila e sai do chalé, dando adeus a minha irmã e meus meio-irmãos.
Tudo a minha volta parecia silencioso.
Já era quase dez horas da noite e Ares possivelmente já havia encerrado a atividade com os filhos de Hermes.
Encontrei-me com Lucy próximo ao estábulo. Tinha sido o local combinado para estarmos quando tivéssemos terminado de arrumar as coisas.
- Lilith e Connor já estão vindo. — Lucy estava loira e agitada. Sua mochila com brilhos azuis e roxos estava aparentemente com poucas coisas.
- A essa hora Ares deve estar te procurando. — Comentei. — Vim para cá com o maior cuidado para não ser notado por nada nem ninguém.
- Espero que Connor e Lilith façam o mesmo. — Diz Lucy.
Alguns minutos depois de um silêncio profundo percebemos que Lilith já estava próximo a nós apenas observando.
- Que susto, garota! — Exclamou Lucy quando notou a presença dela.
- Desculpe-me. — Disse Lilith. — Não foi minha intenção assusta-los.
- Você não me assustou. — Digo. — Sou Adam, filho de Atena. — Estendi a mão para ela, que apertou rapidamente e sorriu.
Suas mãos eram frias. Ao notar que eu havia franzido a testa ela recuou.
Os cabelos de Lilith eram compridos e ruivos bem escuros. Ela usava uma jaqueta preta, calça jeans e uma bota de cano alto.
No mesmo instante, Connor Henz apareceu. Usava uma touca escura sobre os cabelos castanhos. Os olhos estavam num tom azul escuro e brilhante, que atrairia a atenção de qualquer um.
- Alguém percebeu vocês vindo? — Perguntei. — Que dizer, alguém percebeu você vindo? — Corrigi, referindo-me a Connor.
Ele balançou a cabeça em negativa.
- Então acho que já podemos ir. — Disse Lucy. Seus cabelos ainda estavam loiros e os olhos azulados.
- Fica calma, Lucy. — Falei. — Se colocar uma roupa rosa vai parecer uma filha de Afrodite.
Connor verificou ao redor do estábulo se havia alguém por perto, e então, graças aos deuses, não havia nada.
Lilith, que tinha facilidade em enxergar durante a noite, nos guiou silenciosamente. Desviamos dos campos de morango e da floresta para não atrair a atenção das dríades, e em pouco tempo já estávamos ao lado do pinheiro.
- Vocês tem dracmas? — Perguntou Lucy.
Connor e eu assentimos.
- Dólares?
Novamente, Connor e eu assentimos.
- Acha que devíamos avisar a Quíron que já estamos saindo?
- Você está doida? — Exclamei. — Isso seria muito arriscado.
- Deveríamos ter consultado o oráculo. — Murmurou Lilith.
- É verdade. — Concordei. — Pena que não tivemos tempo.
- Vocês vão ficar conversando ou vão para uma missão? — Perguntou Connor, que até então tinha permanecido em silêncio.
Ninguém respondeu. Apenas caminhamos em frente.
Por um instante olhei para trás e visualizei o pinheiro. Tive medo de que essa fosse a última vez que eu o veria.
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