Camp Blood

10 Acampamento de Sangue.


O sol já estava nascendo, e não paramos. Conforme ele subia mais, andávamos mais rápido.

– Bargho? — Chamei.

O sátiro virou-se para mim e me fitou.

– Algum problema? — Perguntou ele.

– Você.. você consegue sentir algum cheiro? — Perguntei. — É que vocês, sátiros, sentem cheiro de monstros e semideuses então..

– Sim, eu posso sentir o cheiro de um deus.

– E então? — Eu estava impaciente.

– Sinto muito dizer mas, Sr. D não está por perto. — Bargho olhou para os cascos, deprimido.

Tudo bem. Uma hora teríamos de achá-lo.

Prossegui o caminho arrastando os pés submersos, e olhando para a água esverdeada.

– Finalmente. — Disse Connor.

Olhei para a frente e ví Connor ajudar Lilith a sair da água. Eles subiam um trajeto de folhas, aparentemente úmidas. Pude notar que era o começo de uma colina.

A subida de uma colina no meio de um pântano.

Tudo bem, não era hora de questionar. Então apenas apressei o passo e continuei a ir até eles.

Lucy e Bargho vinham logo atrás.

Após o sátiro subir, pegou a mochila de Lucy e eu a ajudei a subir.

Connor e Lilith já caminhavam no ponto mais alto da colina e começavam a descer, desaparecendo abaixo do sol da manhã.

– Esperem! — Disse Lucy.

– Qual o problema? — Perguntei.

Lucy retirou do menor bolso da mochila alguns dracmas.

Como uma legítima filha de Íris eu já sabia bem o que ela ia fazer.

Se afastou um pouco e tirou algumas folhagens que haviam ao redor, deixando o sol acima da colina atravessar.

No mesmo instante, um arco-íris surgiu sobre a pouca água do pântano.

A garota jogou um dracma que havia em sua mão, e rapidamente a moeda de ouro afundou.

– Deusa Íris, — Disse ela. — Mostre-me Klaus.

O arco-íris tremeluziu e começou a se transformar numa espécie de névoa, que não demorou a mostrar a imagem de Klaus e Heather.

Os dois conversavam, fazendo gestos com as mãos. Estavam próximos aos campos de morangos, e franziam a testa.

– Ei! — Chamou Lucy.

Klaus, que estava de costas para a névoa, a principio não se mexeu.

Heather notou que estávamos a chamá-los e cutucou Klaus. Os dois se aproximaram.

– Lucy, graças aos deuses! — Disse o filho de Ares.

– O pai desse idiota aqui está acabando com o acampamento. — Exclamou Heather.

– Oh, não fale assim! — Questionou Klaus. — Por mais que ele não seja um dos melhores, ainda sim é o meu pai!

– Escutem. — Disse Lucy. — Não estamos nem perto de encontrar o Sr. D, por isso, vocês precisam manter o controle. Cuidem para que nenhum campista se machuque.

– Nenhum campista se machuque? — Berrou Heather. — Em poucas horas Ares já mandou mais de 20 semideuses para a enfermaria! Sem contar que conseguiu matar dois cavalos e fez atividade durante a madrugada.

Bargho tremeu por um instante, preocupado.

– Ei, sátiro. — Chamou Klaus. — É melhor você encontrar Dioniso ou se considere um sátiro morto.

– Vocês não podem demorar! — Disse Heather. — O Acampamento Meio-Sangue está deixando de lado o título ''meio'' e se transformando num verdadeiro Acampamento de Sangue.

– Voltem com Dioniso sem demora! — Completou Klaus. — Antes que fique tarde demais..

E então a névoa se desfez.