Camp Blood
4 A preocupação de Quíron.
- Que tal começarmos com as damas? — Sugeriu Ares, olhando para Courtney, uma filha de Deméter.
A garota olhou para os lados, procurando auxílio.
- Ande garota, tem outros atrás de você esperando para atirar nesses bobocas.
Courtney hesitou, porém, pegou o arco e preparou a flecha.
Com cuidado mirou em Matt, um garoto alto e moreno. Subitamente puxou a corda do arco e flecha disparou, acertando próximo ao pé de Heather.
- Que pena, não acertou ninguém. — Disse Ares se dirigindo até os garotos. — Veremos se os homens terão mais sorte.
Connor Henz, filho de Nêmesis, pegou seu arco e sem demora disparou-o.
A flecha acertou o braço de Joseph, que soltou um grito agudo e começou a tremer ligeiramente.
- Ótimo, ótimo! — Exclamou Ares.
Connor seguiu para o final da fila com a cabeça abaixada, aparentemente envergonhado por ter atirado em alguém.
- Sua vez, garota. — Ares estava se referindo a Lucy, que neste momento tinha o cabelo cinza.
- O cabelo dela tá cinza. — Sussurrei para Jason que estava na minha frente. — Significa que está com medo ou preocupada.
- E quem não estaria? — Retrucou ele.
- Não. — Respondeu Lucy, com autoridade.
- Para de brincadeira, criança. — Disse o deus. — Pega a merda do arco e atira em qualquer um desses idiotas!
Joseph vez ou outra soltava seus gritos.
- Não, eu não vou atirar em ninguém! — Berrou Lucy.
- Quer que eu mesmo atire em você? — Perguntou Ares fechando o punho e colocando-o em frente a garota.
Lucy permaneceu em silêncio.
O deus segurou no braço de Lucy e a arrastou até a grade da quadra.
- Escuta aqui, — Começou Ares. — ou você atira neles ou eu atirarei em você.
Os cabelos de Lucy foram escurecendo aos poucos até atingirem a cor preta.
- Vá em frente.
- Klaus, leve-a até a casa grande. — Ordenou o deus. — Resolverei meus problemas com ela mais tarde. — Ele respirou fundo. — Se mais alguém aqui tiver a intenção de não atirar nesses garotos e quiser ter uma conversinha comigo mais tarde, diga logo.
Quando me dei conta já estava parado em frente a Ares franzindo a testa.
- Leve este junto com você, Klaus. — Exclamou Ares, também franzindo a testa a mim.
Dei-lhe as costas e fui até Lucy e Klaus. O garoto fechou a portinha da quadra e nós caminhamos em direção a casa grande.
- Vocês não deviam ter feito aquilo. — Disse Klaus. — Não tem ideia do que estão fazendo. Arranjar briga com um deus já é encrenca. Com o deus da guerra as coisas só ficam piores!
- Relaxa, Klaus. — Disse Lucy. Seus cabelos agora voltavam a tonalidade normal: castanho.
Entramos na casa grande e vemos Quíron, galopando de um lado para o outro enquanto ouve uma música calma.
- Oh, crianças. — Diz ele ao notar nossa presença.
- Qual o problema? — Pergunto, aproximando-me dele. — Parece preocupado.
- E com motivos, criança de Atena.
- Ora, então nos fale. — Apressou-se a dizer Lucy.
- Hoje mais cedo Ares afirmou que Dioniso havia sofrido um pequeno acidente, certo? — Perguntou Quíron.
Nós assentimos.
- Mas, na verdade, eles tiveram uma briga. Tudo começou por que Ares disse ter recebido muitas reclamações de seus filhos por eles não serem um destaque no acampamento.. — Quíron nos olhou com as sobrancelhas arqueadas. — Vocês sabem como é Dioniso, não sabem? Apesar de parecer calmo, é um pouco briguento.
- Sim, sabemos. — Klaus parecia impaciente. — Agora prossiga.
- Ares perdeu a paciência e sumiu com Dioniso. Simplesmente desapareceu e alguns minutos depois voltou sozinho. Disse que deixaria Dioniso em paz longe de tudo para que pensasse enquanto ele mesmo cuidava das coisas por aqui.
- E qual é o problema? — Perguntou Lucy que ainda não havia entendido.
- Lucy, ele é Ares! — Digo. — Acha mesmo que deixou Dioniso em paz longe de tudo? Certamente deve estar preso sabe lá aonde.
- Adam tem razão, Lu. — Concordou Klaus.
- Podemos fazer alguma coisa para mudar isso? — Perguntou Lucy a Quíron.
- Sim, existe uma coisa que vocês podem fazer. — Respondeu Quíron um pouco desconfiado. — Mas tenho certeza de que não será algo fácil.
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