Notas iniciais
Little Kat's aqui está mais um capítulo para vocês. Se estiverem gostando, comentem e recomendem. Estou agradecida desde já.

Enquanto andávamos até a sorveteria, conversávamos sobre a família do Andrew. Foi ai que eu descobri que Andrew e sua irmã Kate não eram os únicos. A Sra. James tinha três filhos: O mais velho chamado Matheus, o do meio que é o Andrew e a caçula Kate.

—Faz muito tempo que eu não o vejo. — Disse Andrew sobre Matheus. — Desde quando ele foi para uma faculdade em Nova Jersey há mais ou menos três anos. Não tenho muito contato com ele.

Quando eu tinha dez anos, meu pai quis me botar em uma escola de horário integral. Se eu tivesse concordado com ele, não teria conhecido metade das pessoas que eu conheço hoje, principalmente Amy e Lara.

—Eu não pretendo fazer faculdade. — Falei.

—Muito menos eu. — Concordou Andrew. — Deve ser horrível.

Eu nunca havia pensado em fazer faculdade. Minha mãe sempre me dizia que eu precisava fazer uma para eu ter um futuro melhor, mas eu nem sabia direito o que eu quero ser em um futuro tão próximo.

—Você já sabe o que quer ser depois do colégio? — Perguntei.

—Quando eu era pequeno, queria ser um jogador de futebol. Agora quero ser um arquiteto. — Respondeu ele.

—Gostei da escolha. Mas por quê?

—Gosto de projetar coisas. Mas, e você? O que quer ser?

—Eu ainda não sei muito bem. Mas, eu queria fazer uma coisa para deixar a minha marca. Ser lembrada. — Desde pequena, eu era indecisa sobre o que ser quando crescesse. Algumas vezes eu queria ser veterinária, outras professora. Mas foi aos treze anos que eu decidi que iria fazer alguma coisa para ser lembrada.

—Já pensou em como deixar sua marca? — Perguntou Andrew.

—Eu já pensei várias vezes em me candidatar para presidente quando ficasse mais velha. — Respondi. — Ou ser escritora. Seria legal saber que algumas pessoas apreciam sua obra, seu trabalho.

—Bem, se você continuar com essa ideia de ser escritora, eu serei seu fã número 1. — Disse ele com um sorriso.

Eu ri. Andrew James era o único que arrancava o meu sorriso mesmo sofrendo por dentro.

Quando chegamos na sorveteria (uma loja colorida com janelas do chão ao teto), nos sentamos em uma das mesas de madeira perto da janela.

Uma garçonete, de cabelos ruivos amarrados em um coque e aparência de vinte e poucos anos, perguntou o que iriamos querer. Eu pedi um sorvete de baunilha com calda de chocolate e Andrew pediu um de chocolate.

Conversamos mais um pouco sobre nossos planos futuros. Andrew disse que não planejava ter filhos, mas se tivesse queria ter uma menina. Eu também não planejava ter filhos. Já ouvi isso várias vezes de pessoas que, hoje em dia, tem filhos.

Quando os sorvetes chegaram, a garçonete nos avisou que eles eram por conta da casa. Tomamos nossos sorvetes e saímos.

No caminho para casa, passamos por um prédio de tijolos de concreto e tábuas de madeira nas janelas.

—O que era aqui? — Perguntou Andrew.

—Eu não lembro direito mas acho que era uma casa de uma família de doidos. — Respondi. — Um dia, um deles cometeu suicídio. Não aguentando a dor do parente perdido, eles mataram um aos outros. Ninguém nunca atreveu-se a entrar na casa depois das mortes. Eles acham que pode ocorrer alguma maldição ou coisa parecida.

—Na rua em que eu morava tinha uma casa assombrada. Só que ela era mais assustadora, mas só por fora.

—Você entrou nela? — Perguntei curiosa.

—Uma vez. Eu e mais dois amigos. — Respondeu ele. — Saímos de lá sem nenhum arranhão.

—E qual era a história da casa?

—Era de uma mulher que, antes de se matar, gravou um vídeo jurando que iria voltar para se vingar de seus "colegas" de turma da época do colégio. Quando entramos na casa, eram altas horas da noite. Fugimos sem nossos pais saberem.

Olhei para ele com cara de surpresa.

—Você não tem cara de sair no meio da noite para criar confusão. — Falei.

—Bom, eu tinha quinze anos e estava passando por dificuldades, tanto em casa quanto na escola.

—Você era muito Vida Loka naquela época, por assim dizer.

—Pode-se dizer que sim. — E começamos a rir.

—Mas, o que havia mesmo na casa? — Perguntei sendo persistente.

—Coisas de bruxaria e livros.- Respondeu ele. — Muitos livros.

—Eu adoro livros. — Falei.

—Eu gostava de ler até há um ano atrás quando eu simplesmente enjoei. — Retrucou Andrew. — Qual é o seu livro favorito?

—Eu não tenho um livro favorito. Todos são ótimos. Mas, se fosse para escolher somente um, eu escolheria "Aline e Sarah".

—Eu não conheço esse livro.

—Não conhece porque ele não foi lançado.

—Como assim? — Perguntou ele parecendo confuso.

—O livro é meu. Eu o criei.

—O livro fala sobre o quê? — Perguntou Andrew.

—Duas amigas que decidem criar uma banda com seus colegas de turma. — Respondi. — Mas quando a banda estava prestes a conseguir o que queria, Aline e Sarah brigaram. Os outros membros tentaram convence-las a fazerem as pazes e conseguiram. No final, elas entram em turnê com uma outra banda famosa e viram um sucesso.

—Parece ser interessante, na minha opinião. — Disse Andrew. — Se você quiser, pode me empresta-lo.

—Sério? — Eu nunca havia contado sobre o meu livro para ninguém. Nem mesmo para a minha mãe.

—Sério. Vamos ver se eu me vicio em livros de novo.

Quando chegamos na nossa rua, combinamos que Andrew ia até a minha casa para pegar o livro (que era somente um monte de folhas dobradas e coladas com cola, mas mesmo assim em bom estado) e ir embora. Nada mais, nada menos.

Quando abri a porta da minha casa, ela estava vazia. Amanda ainda não havia chagado ou devia estar na casa da nossa tia.

Pedi para Andrew me seguir até o meu quarto. Chegando lá, disse para ele não reparar na bagunça e se sentar na minha cama desarrumada enquanto eu procurava o livro.

Lembro-me de ter colocado o livro dentro de uma pasta cheia de papéis. Só tinha que me lembrar de onde estava a pasta.

Procurei a pasta no guarda roupa inteiro mas não a encontrei. Foi quando eu lembrei que eu a havia deixado dentro do quarto dos meus pais.

—Espere aqui. — Pedi à Andrew.

—Tudo bem. — Disse ele.

Sai do meu quarto e fui até o quarto dos meus pais no final do corredor.

Parei em frente a porta do quarto e comecei a chorar. Eu não tinha coragem de entrar no quarto deles depois de tudo o que tinha acontecido. Me sentei no chão com as mãos em meu rosto.

Parece que Andrew ouviu eu chorando porque veio correndo me ver.

—Clem, o que houve? — Perguntou ele se ajoelhando ao meu lado.

—Eu... — As palavras não queriam sair da minha boca. — Eu não tenho coragem de entrar lá...não consigo...

—Calma, calma. Venha, vamos entrar juntos. Ok?

Era isso o que eu gostava em Andrew. Ele era calmo e me comovia com sua generosidade.

—Ok. — Ele me ajudou a levantar e abriu a porta do quarto dos meus pais.

O quarto continuava do mesmo jeito desde a última vez em que entrei nele. A cama estava arrumada, havia uma pilha de papéis em cima da escrivaninha ao lado do guarda roupa.

Do lado da pilha de papéis estava a minha pasta.

—Aquela é a minha pasta. — Falei. Eu ia até ela mas Andrew me puxou de volta.

—Deixa que eu pego. — Disse ele.

Ele pegou a pasta e a entregou a mim.

—Obrigada. — Agradeci.

—De nada. — Disse ele piscando um olho para mim, o que me fez rir.

—Você fica ridículo fazendo isso sabia?

—Já me falaram isso uma vez. — Ele riu.

Voltamos para o meu quarto para eu poder me sentar.

O livro estava no meio de outros papéis. Ele não era lá grande coisa. Eu até havia esquecido como era o desenho da capa: uma cartola representando a Sarah e rosas com espinhos ao redor da cartola representando Aline.

Quando eu entreguei o livro à Andrew ele disse:

—Você desenha bem.

—Obrigada mas faz muito tempo que eu não desenho.

Ele riu, o que me fez rir também.

Sem querer, derrubo os papéis da pasta no chão. Me agacho para pega-los e Andrew também. Quando íamos pegar o último papel, nossas mãos se tocaram. Olhei para ele e ele para mim. De repente, eu senti alguma coisa dentro de mim. Meu coração estava acelerado. Eu estava pegando fogo ou era o quarto que estava quente?

Tiramos nossas mãos. Andrew me entregou os papéis e eu os coloquei dentro da pasta.

—Acho que está na hora de eu ir embora. — Disse Andrew.

—É, está sim. — Concordei.

Acompanhei Andrew até a porta.

—A gente se vê amanhã? — Perguntou ele.

—Com certeza. — Respondi.

Depois que Andrew foi embora, tranquei a porta. O que será que deve ter acontecido comigo depois de tocar a mão de Andrew? Aquele era o meu único pensamento. Eu já estava começando a sentir falta dele. Estava ansiosa para falar com ele novamente.