Notas iniciais
Aqui estou eu, depois de quase um mês sem postar. Desculpem-me pelo horário é que eu estava ansiosa para esse capítulo vir ao site. Antes de você começar a ler, eu queria agradecer à você que está acompanhando, que favoritou e que dá a sua opinião mesmo não expondo-a (acredite, eu faço muito isso). Muito obrigada mesmo! Acho que é só isso...então, apreciem esse capítulo!

Depois de Andrew ir embora para casa, arrumei minhas coisas e fui visitar Amanda. Minha tia havia ficado no hospital a noite inteira no caso de Amanda ter outra emergência. Felizmente, ela não teve e aquilo me deixou aliviada. Perder Amanda é o que eu menos quero e no momento. Ela não vai morrer, ela vai conseguir vencer isso.

—Obrigada Clem. — Agradeceu a minha tia depois que eu entreguei um copo de café a ela. — Como foi a sua noite com Andrew?

—Nada de mais. — Respondi. Não havíamos feito nada na noite anterior. — Apenas conversamos.

Pela cara que a minha tia fez, pareceu não acreditar muito.

—Amanda queria falar com você. Ela está curiosa para saber como foi o encontro.

Uma enfermeira ruiva saiu do quarto de Amanda e veio em nossa direção.

—A paciente quer falar com alguém chamada Clem. — Disse ela com um sorriso.

—Sou eu. — Falei.

—Ela está te esperando.

Eu estava indo até o quarto de Amanda quando esbarrei em um garoto maior que eu.

—Desculpa, eu não te vi. — Eu conheceria aquela voz de qualquer lugar.

Olhei nos olhos castanhos dele. Ele ainda estava do mesmo jeito. Era estranho tocar na pele morena dele depois de tudo o que eu senti por ele. Era mais estranho ainda olhar para ele e não pensar que aquele garoto foi o meu primeiro amor.

—John? — Perguntei com um sorriso no rosto.

—Clem? É você mesmo? — Assenti com a cabeça e ele deu um sorriso. Ele não estava mais usando aparelho, o sorriso dele estava lindo.

—Sou eu mesma. — Falei. John era da minha turma na sétima série. Ele era três anos mais velho e era repetente. Erámos grandes amigos até a escola nos afastar. Meu primeiro beijo foi com John na casa dele, no meio da cozinha. Não nos falávamos há uns quatro.

—Você está tão linda. Nem parece a mesma Clementine Evert que gritou para mim "Eu que mando aqui!" no meio da sala inteira com um óculos escuro e o cabelo amarrado de um jeito horrível depois que a professora saiu. — Senti minha bochechas corarem. — Não fica com vergonha não.

—Não precisava me lembrar disso. — Falei. — O que você está fazendo aqui?

—Meu irmão está tendo um pequeno problema com a saúde. — Respondeu ele. — E você? O que faz aqui?

—Amanda teve uma emergência ontem. Ela tem leucemia.

—Diga que eu mandei lembranças. — Ele deu um sorriso. — E seus pais? Como eles estão?

Abaixei a cabeça evitando encará-lo.

—Estão mortos.

John me puxou para perto dele e me abraçou.

—Sinto muito. — Disse ele.

Durante o abraço, percebi o quanto eu sentia falta dele. Isso me fez lembrar um pequeno, porém ao mesmo tempo grande, detalhe em nossas vidas...

"Era o primeiro dia de verão. O dia estava, finalmente, quente do jeito que eu e John gostávamos. Naquela tarde, John me convidou para ir ao parque com ele. Combinamos de nos encontrar no lago às nove horas da noite.

—Não acha um pouco tarde? — Perguntei olhando em seus olhos. Eu era tão pequena perto dele que eu parecia uma formiga.

—Não para mim. — Disse ele. — Vamos vai ser legal!

—E meus pais?

—Eles não vão se importar se você sair comigo. Eles me conhecem e sabem que eu não faria nada com você. — Ele acariciou os meus cabelos e deu um beijo em minha testa.

—Tudo bem, eu vou perguntar para eles. — Falei. John abriu um enorme sorriso e beijou a minha bochecha.

—Nos vemos às nove. — Ele beijou as costas da minha mão e saiu andando com um sorriso no rosto.

Quando cheguei em casa com o maior sorriso de ansiedade do mundo, minha mãe perguntou:

—Por que esse sorriso? — Ela estava linda naquele dia. Seus cabelos escuros estavam amarrados em um lindo coque, ela usava sua blusa branca sem manga e uma saia que ia até os joelhos azul.

—Mãe, posso ir com o John no parque mais tarde?

—Que horas?

—Umas nove horas...

—Claro que não! — Disse me pai aparecendo na porta. — Eu não vou deixar você sair com um garoto só para ir no parque.

—Mas pai, vocês conhecem muito bem o John. Sabem que ele não vai fazer nada comigo. — Falei.

Meus pais se entreolharam.

—Clem, nos dê um minuto. — Pediu minha mãe. Sai da cozinha e a porta se fechou atrás de mim. Não resisti e fiquei atrás da porta escutando a conversa. — Raphael deixa ela se divertir um pouco. Eles só vão até o parque se divertir.

—Mas vai que esse garoto tenha segundas intenções Joanna? Eu não quero minha filha grávida com treze anos!

—Eles são apenas amigos, John é uma boa pessoa. — Falou minha mãe calmamente. — Ela precisa sair de casa. Não podemos aprisioná-la e deixar a vida dela passar.

Houve um momento de silêncio.

—Tudo bem. Ela pode ir. — Cedeu meu pai.

Ouvi passos chegando perto da porta. Corri e me joguei no sofá da sala e agi como se nada tivesse acontecido.

—Clem, seu pai deixou você ir. — Disse mamãe.

—Quero você de volta meia noite. Entendeu? — Perguntou meu pai.

Levantei do sofá e o abracei.

—Ok, entendi. Obrigada pai. — Agradeci.

Subi as escadas e procurei uma roupa "apropriada" para sair com John. Nada muito formal já que íamos só até o parque. Por fim, optei por um short jeans não muito curto e uma regata da banda Nirvana.

Quando deu 21:00 no relógio, me despedi dos meus pais e sai pela porta da frente. Quando a fechei e me virei, lá estava John. Ele usava uma bermuda jeans e uma camiseta do Nirvana igual a minha.

—Eu acho que gostamos da mesma banda. — Disse ele pegando a minha mãe e me levando para longe da minha casa.

—A gente não ia no parque? — Perguntei.

—Vamos, depois que fizermos uma coisa. — Respondeu ele.

—Que coisa? — Perguntei com um sorriso.

Ele se virou para mim e me pegou o colo como se eu fosse um bebê. Nossos rostos estavam tão perto que dava para sentir as nossas respirações.

—Isso. — Ele me beijou pela segunda vez. Aquele beijo não tinha sido igual o primeiro, mas foi muito bom. — Eu não consegui aguentar por muito tempo Clem, eu tinha que fazer isso de novo.

Desta vez eu o beijei. John me colocou no chão e se afastou me levando ao parque. Sentamos no banco mais próximo do lago e ficamos olhando-o.

—John, eu beijo bem? — Perguntei sem tirar os olhos do lago.

—Por que a pergunta?

—Porque eu quero saber!

—Posso ser sincero? — Perguntou ele.

—Pode. — Respondi com um sorrisinho.

—Clementine Evert, você beija melhor do que a minha última namorada.

Senti meu rosto corar. Segurei o braço de John e encostei a minha cabeça no ombro dele. O parque estava vazio, só tinha eu e John.

—Tá calor. — Falei me afastando de John.

—Quer se refrescar? — Perguntou ele olhando para o lago.

—Tá brincando né? Eu não vim com roupa de banho.

—Não precisamos de roupa de banho. — Ele se levantou, foi até o lago, tirou a camisa e mergulhou. Fiquei esperando ele subir mas ele não apareceu. Fiquei um pouco preocupada.

Fui até a beira do lago.

—John? — Chamei. Me aproximei mais um pouco. John subiu e olhou para mim com um sorriso.

—Vem. — Ele fez sinal para eu me aproximar.

—É muito fundo? — Perguntei. Eu não sabia nadar. Nunca aprendi.

—Não. — Ele pegou a minha mão e me puxou para o lago. A água estava morna.

—Sem graça. — Falei. John riu e começou a jogar água em mim. — Para John!

—Se você mergulhar eu paro. — Disse ele.

Suspirei e mergulhei. Quando voltei, John estava com o maior sorriso do mundo.

—Por que você tá sorrindo assim? — Perguntei.

Ele se aproximou e afastou algumas mechas, do meu cabelo, molhadas do meu rosto.

—Você fica linda com esse cabelo molhado e a luz do luar refletindo em seus olhos. — Respondeu ele.

John me puxou para perto e me beijou. Desta vez o beijo foi mais intenso. John parou de me beijar e me olhou nos olhos. Aqueles olhos castanhos eram lindos.

—Acho melhor irmos. Meus pais vão me matar. — Falei.

—Vamos ficar só mais um pouquinho. — Pediu John fazendo cara de cachorro abandonado. Eu não conseguia resistir quando ele fazia aquela cara e ele sabia muito bem disso.

—Não faz essa cara...

—Por favor. — Ele fez biquinho.

Suspirei.

—Tá bom seu idiota. — Cedi.

John sorriu e me deu um selinho.

—Eu te amo. — Disse ele. Meu coração acelerou e senti meu corpo esquentar.

—Eu também te amo.

John pegou a minha mão e a colocou em seu rosto.

—Sua mão é tão macia. — Disse ele.

—Obrigada John. — Agradeci. — Podemos sair da água? Tá meio frio agora.

—Quando você sair da água vai ficar com mais frio ainda. — Disse ele passando a mão pelos meus cabelos.

—Mas eu vou ter você pra me esquentar. — Falei rindo.

—Eu acho que não vai adiantar muito.

—Mas vai adiantar o suficiente porque eu vou estar mais perto de você.

John riu e me abraçou enquanto saiamos da água."

Quem diria que cinco anos depois eu o estaria abraçando novamente?

Quando John me soltou, ele deu um sorrisinho.

—Não fica assim não, vai passar. — Disse ele.

—Eu sei. — Falei. — Tenho que ir, Amanda está me esperando.

John deu um beijo na minha cabeça.

—Se cuida baixinha. — Ele sorriu e saiu andando. É a primeira vez que o John me beijava na cabeça e eu não me sentia bem. Deve ser por causa dos acontecimentos, eu acho.

—Oi Clem. — Disse Amanda assim que entrei no quarto.

—Oi. — Me sentei em uma cadeira ao lado da cama. — Como você está?

—Não muito bem. — Respondeu ela dando um sorrisinho forçado. — Como foi o seu encontro com Andrew?

Meus lábios se abriram em um sorriso só de ouvir o nome de Andrew.

—Foi...maravilhoso. — Respondi. Amanda sorriu.

—Que bom que você gostou...Clem, você o beijou?

Senti meu rosto corar.

—Não, ainda não. — Respondi com vergonha.

—Já está na hora você não acha? — Pergunta ela com sarcasmo. Ela podia ter puxado o meu pai, mas o jeito dela era como o da mamãe.

—Não, não acho. — Respondo rindo. Ela ri também.

Ficamos em silêncio por um segundo. E esse um segundo era tudo o que eu queria. Queria poder ficar ali com minha irmãzinha para sempre, fazendo-a rir e acariciar os seus cabelos loiros enquanto tomamos sorvete. Queria que tudo fosse diferente disso tudo que estamos passando.