Caminhos sem Volta
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Amanda morreu uma semana depois da emergência. Quando a minha tia me ligou, chorando e gaguejando, soube na hora o que era. Fui buscá-la no hospital e choramos juntas, com olhares ao nosso redor.
Eu queria ficar sozinha no meu quarto, chorando. Era como se uma onda tivesse me acertado em cheio. Cada lágrima era uma dor. Eu não acreditava. Eu perdi todos, minha mãe, meu pai e Amanda. Ela só tinha oito anos! Por quê!?
Ouvi a porta do meu quarto se abrir mas não tirei a cara do travesseiro. Se fosse um ladrão eu não me importava, eu não tinha nada.
—Clem? — A voz de Andrew ecoou pela minha cabeça como um eco no vazio. Meu coração acelerou e minhas mãos ficaram suadas. — Eu soube o que aconteceu.
—Como entrou aqui? — Perguntei, sem tirar a cara do travesseiro.
—Sua tia me contou e disse para vir tentar te consolar. — Respondeu ele. — Sinto muito.
—Obrigada por vir. — Agradeci. Andrew segurou a minha mão e eu dei espaço para ele se deitar ao meu lado. Ele se deitou e eu me recostei no seu peito. Ele estava sem camisa. Andrew ficou acariciando os meus cabelos enquanto eu acariciava o seu peitoral. Ele era magro.
—Estou ficando arrepiado com você fazendo carinho no meu peito. — Disse ele depois de um tempo. Andrew estava mesmo arrepiado.
—Quer que eu pare?
—Não, eu estou começando a gostar. — Aquilo me fez soltar uma risadinha. Somente Andrew me fazia rir nessas horas. — Como está se sentindo?
—Como se tivesse sido esmagada por um piano. — Respondi me aconchegando nele.
Andrew ficou em silêncio por um tempo deixando eu chorar mais um pouco.
—Isso dói. — Disse ele.
—O quê? — Perguntei.
—Te ver chorando. É como se meu coração estivesse sendo apertado com força. — Ele suspirou. — Eu acho que eu te amo mais do que eu pensava.
Olhei nos olhos de Andrew. Seu olhar sincero fez o meu coração doer mais. Eu amava Andrew e tinha completamente certeza disso. Toquei o seu rosto devagar e ele se acariciou na minha mão.
—Eu te amo Andrew.
—Eu também te amo Clem.
Nossos rostos estavam bem próximos. Andrew havia descido a sua mão até as minhas costas e eu segurava o seu braço. Não aguentei e o beijei. Sentir seus lábios nos meus era uma sensação ótima, mesmo com toda a dor. Meu corpo parecia pegar fogo e meu coração pular para fora do meu peito. Andrew mordeu o meu lábio e eu fiz a mesma coisa com ele. A única diferença foi que ele gemeu.
—Você beija bem. — Falei.
—Você também. — Ele sorriu e me deu um selinho. — Eu esperei tanto por esse momento.
—Eu também. — Beijei Andrew com vontade. Aquele beijo durou por um longo tempo.
Fale com o autor