Caminhos sem Volta
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Depois de Andrew ir embora para casa, arrumei minhas coisas e fui visitar Amanda. Minha tia havia ficado no hospital a noite inteira no caso de Amanda ter outra emergência. Felizmente, ela não teve e aquilo me deixou aliviada. Perder Amanda é o que eu menos quero e no momento. Ela não vai morrer, ela vai conseguir vencer isso.
—Obrigada Clem. — Agradeceu a minha tia depois que eu entreguei um copo de café a ela. — Como foi a sua noite com Andrew?
—Nada de mais. — Respondi. Não havíamos feito nada na noite anterior. — Apenas conversamos.
Pela cara que a minha tia fez, pareceu não acreditar muito.
—Amanda queria falar com você. Ela está curiosa para saber como foi o encontro.
Uma enfermeira ruiva saiu do quarto de Amanda e veio em nossa direção.
—A paciente quer falar com alguém chamada Clem. — Disse ela com um sorriso.
—Sou eu. — Falei.
—Ela está te esperando.
Eu estava indo até o quarto de Amanda quando esbarrei em um garoto maior que eu.
—Desculpa, eu não te vi. — Eu conheceria aquela voz de qualquer lugar.
Olhei nos olhos castanhos dele. Ele ainda estava do mesmo jeito. Era estranho tocar na pele morena dele depois de tudo o que eu senti por ele. Era mais estranho ainda olhar para ele e não pensar que aquele garoto foi o meu primeiro amor.
—John? — Perguntei com um sorriso no rosto.
—Clem? É você mesmo? — Assenti com a cabeça e ele deu um sorriso. Ele não estava mais usando aparelho, o sorriso dele estava lindo.
—Sou eu mesma. — Falei. John era da minha turma na sétima série. Ele era três anos mais velho e era repetente. Erámos grandes amigos até a escola nos afastar. Meu primeiro beijo foi com John na casa dele, no meio da cozinha. Não nos falávamos há uns quatro.
—Você está tão linda. Nem parece a mesma Clementine Evert que gritou para mim "Eu que mando aqui!" no meio da sala inteira com um óculos escuro e o cabelo amarrado de um jeito horrível depois que a professora saiu. — Senti minha bochechas corarem. — Não fica com vergonha não.
—Não precisava me lembrar disso. — Falei. — O que você está fazendo aqui?
—Meu irmão está tendo um pequeno problema com a saúde. — Respondeu ele. — E você? O que faz aqui?
—Amanda teve uma emergência ontem. Ela tem leucemia.
—Diga que eu mandei lembranças. — Ele deu um sorriso. — E seus pais? Como eles estão?
Abaixei a cabeça evitando encará-lo.
—Estão mortos.
John me puxou para perto dele e me abraçou.
—Sinto muito. — Disse ele.
Durante o abraço, percebi o quanto eu sentia falta dele. Isso me fez lembrar um pequeno, porém ao mesmo tempo grande, detalhe em nossas vidas...
"Era o primeiro dia de verão. O dia estava, finalmente, quente do jeito que eu e John gostávamos. Naquela tarde, John me convidou para ir ao parque com ele. Combinamos de nos encontrar no lago às nove horas da noite.
—Não acha um pouco tarde? — Perguntei olhando em seus olhos. Eu era tão pequena perto dele que eu parecia uma formiga.
—Não para mim. — Disse ele. — Vamos vai ser legal!
—E meus pais?
—Eles não vão se importar se você sair comigo. Eles me conhecem e sabem que eu não faria nada com você. — Ele acariciou os meus cabelos e deu um beijo em minha testa.
—Tudo bem, eu vou perguntar para eles. — Falei. John abriu um enorme sorriso e beijou a minha bochecha.
—Nos vemos às nove. — Ele beijou as costas da minha mão e saiu andando com um sorriso no rosto.
Quando cheguei em casa com o maior sorriso de ansiedade do mundo, minha mãe perguntou:
—Por que esse sorriso? — Ela estava linda naquele dia. Seus cabelos escuros estavam amarrados em um lindo coque, ela usava sua blusa branca sem manga e uma saia que ia até os joelhos azul.
—Mãe, posso ir com o John no parque mais tarde?
—Que horas?
—Umas nove horas...
—Claro que não! — Disse me pai aparecendo na porta. — Eu não vou deixar você sair com um garoto só para ir no parque.
—Mas pai, vocês conhecem muito bem o John. Sabem que ele não vai fazer nada comigo. — Falei.
Meus pais se entreolharam.
—Clem, nos dê um minuto. — Pediu minha mãe. Sai da cozinha e a porta se fechou atrás de mim. Não resisti e fiquei atrás da porta escutando a conversa. — Raphael deixa ela se divertir um pouco. Eles só vão até o parque se divertir.
—Mas vai que esse garoto tenha segundas intenções Joanna? Eu não quero minha filha grávida com treze anos!
—Eles são apenas amigos, John é uma boa pessoa. — Falou minha mãe calmamente. — Ela precisa sair de casa. Não podemos aprisioná-la e deixar a vida dela passar.
Houve um momento de silêncio.
—Tudo bem. Ela pode ir. — Cedeu meu pai.
Ouvi passos chegando perto da porta. Corri e me joguei no sofá da sala e agi como se nada tivesse acontecido.
—Clem, seu pai deixou você ir. — Disse mamãe.
—Quero você de volta meia noite. Entendeu? — Perguntou meu pai.
Levantei do sofá e o abracei.
—Ok, entendi. Obrigada pai. — Agradeci.
Subi as escadas e procurei uma roupa "apropriada" para sair com John. Nada muito formal já que íamos só até o parque. Por fim, optei por um short jeans não muito curto e uma regata da banda Nirvana.
Quando deu 21:00 no relógio, me despedi dos meus pais e sai pela porta da frente. Quando a fechei e me virei, lá estava John. Ele usava uma bermuda jeans e uma camiseta do Nirvana igual a minha.
—Eu acho que gostamos da mesma banda. — Disse ele pegando a minha mãe e me levando para longe da minha casa.
—A gente não ia no parque? — Perguntei.
—Vamos, depois que fizermos uma coisa. — Respondeu ele.
—Que coisa? — Perguntei com um sorriso.
Ele se virou para mim e me pegou o colo como se eu fosse um bebê. Nossos rostos estavam tão perto que dava para sentir as nossas respirações.
—Isso. — Ele me beijou pela segunda vez. Aquele beijo não tinha sido igual o primeiro, mas foi muito bom. — Eu não consegui aguentar por muito tempo Clem, eu tinha que fazer isso de novo.
Desta vez eu o beijei. John me colocou no chão e se afastou me levando ao parque. Sentamos no banco mais próximo do lago e ficamos olhando-o.
—John, eu beijo bem? — Perguntei sem tirar os olhos do lago.
—Por que a pergunta?
—Porque eu quero saber!
—Posso ser sincero? — Perguntou ele.
—Pode. — Respondi com um sorrisinho.
—Clementine Evert, você beija melhor do que a minha última namorada.
Senti meu rosto corar. Segurei o braço de John e encostei a minha cabeça no ombro dele. O parque estava vazio, só tinha eu e John.
—Tá calor. — Falei me afastando de John.
—Quer se refrescar? — Perguntou ele olhando para o lago.
—Tá brincando né? Eu não vim com roupa de banho.
—Não precisamos de roupa de banho. — Ele se levantou, foi até o lago, tirou a camisa e mergulhou. Fiquei esperando ele subir mas ele não apareceu. Fiquei um pouco preocupada.
Fui até a beira do lago.
—John? — Chamei. Me aproximei mais um pouco. John subiu e olhou para mim com um sorriso.
—Vem. — Ele fez sinal para eu me aproximar.
—É muito fundo? — Perguntei. Eu não sabia nadar. Nunca aprendi.
—Não. — Ele pegou a minha mão e me puxou para o lago. A água estava morna.
—Sem graça. — Falei. John riu e começou a jogar água em mim. — Para John!
—Se você mergulhar eu paro. — Disse ele.
Suspirei e mergulhei. Quando voltei, John estava com o maior sorriso do mundo.
—Por que você tá sorrindo assim? — Perguntei.
Ele se aproximou e afastou algumas mechas, do meu cabelo, molhadas do meu rosto.
—Você fica linda com esse cabelo molhado e a luz do luar refletindo em seus olhos. — Respondeu ele.
John me puxou para perto e me beijou. Desta vez o beijo foi mais intenso. John parou de me beijar e me olhou nos olhos. Aqueles olhos castanhos eram lindos.
—Acho melhor irmos. Meus pais vão me matar. — Falei.
—Vamos ficar só mais um pouquinho. — Pediu John fazendo cara de cachorro abandonado. Eu não conseguia resistir quando ele fazia aquela cara e ele sabia muito bem disso.
—Não faz essa cara...
—Por favor. — Ele fez biquinho.
Suspirei.
—Tá bom seu idiota. — Cedi.
John sorriu e me deu um selinho.
—Eu te amo. — Disse ele. Meu coração acelerou e senti meu corpo esquentar.
—Eu também te amo.
John pegou a minha mão e a colocou em seu rosto.
—Sua mão é tão macia. — Disse ele.
—Obrigada John. — Agradeci. — Podemos sair da água? Tá meio frio agora.
—Quando você sair da água vai ficar com mais frio ainda. — Disse ele passando a mão pelos meus cabelos.
—Mas eu vou ter você pra me esquentar. — Falei rindo.
—Eu acho que não vai adiantar muito.
—Mas vai adiantar o suficiente porque eu vou estar mais perto de você.
John riu e me abraçou enquanto saiamos da água."
Quem diria que cinco anos depois eu o estaria abraçando novamente?
Quando John me soltou, ele deu um sorrisinho.
—Não fica assim não, vai passar. — Disse ele.
—Eu sei. — Falei. — Tenho que ir, Amanda está me esperando.
John deu um beijo na minha cabeça.
—Se cuida baixinha. — Ele sorriu e saiu andando. É a primeira vez que o John me beijava na cabeça e eu não me sentia bem. Deve ser por causa dos acontecimentos, eu acho.
—Oi Clem. — Disse Amanda assim que entrei no quarto.
—Oi. — Me sentei em uma cadeira ao lado da cama. — Como você está?
—Não muito bem. — Respondeu ela dando um sorrisinho forçado. — Como foi o seu encontro com Andrew?
Meus lábios se abriram em um sorriso só de ouvir o nome de Andrew.
—Foi...maravilhoso. — Respondi. Amanda sorriu.
—Que bom que você gostou...Clem, você o beijou?
Senti meu rosto corar.
—Não, ainda não. — Respondi com vergonha.
—Já está na hora você não acha? — Pergunta ela com sarcasmo. Ela podia ter puxado o meu pai, mas o jeito dela era como o da mamãe.
—Não, não acho. — Respondo rindo. Ela ri também.
Ficamos em silêncio por um segundo. E esse um segundo era tudo o que eu queria. Queria poder ficar ali com minha irmãzinha para sempre, fazendo-a rir e acariciar os seus cabelos loiros enquanto tomamos sorvete. Queria que tudo fosse diferente disso tudo que estamos passando.
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