Caminhos de Terraria

5 Um Baile de Despedida


Notas iniciais
Antes de mais, duas coisinhas, para aqueles que leram o último capítulo antes da alteração, invés de dizer jantar, eu queria dizer baile, e o nome de Mabel se pronuncia da seguinte forma - May-bell (Maio + sino em Inglês.) Aviso: Eu sou péssimo a descrever roupas, então preferi usar outro método... Essa é a melhor música para representar todo o capítulo, fala de novos caminhos, amizades e bom... tudo o que esse caminho aborda - https://www.youtube.com/watch?v=sENM2wA_FTg (Imagine Dragons - It's Time)

Mabel passou a mão sobre os seus olhos. Olhou para Robert, que estava quase a cair da cama, contudo dormia profundamente. Sentou-se verticalmente e olhou para a janela – era de noite. Rahjin dormia sobre a sua cama partida. Malcom tinha desaparecido da sua cama, possivelmente desceu para tomar qualquer coisa, e Jean estava na mesma situação que Rob. Ela levantou-se, empurrou o amigo para cima da cama e aproximou-se da janela. A lua estava bela no céu, em fase decrescente como era habitual logo após a lua cheia. Mabel abriu a janela, saindo para o exterior. O vento estava calmo, relaxante até. O espaço entre a janela e a parede permitia uma escalada fácil, e foi exatamente isso que ela fez. Deitando-se no telhado, ficou a observar as estrelas que apareciam, como se tivessem sido convidadas para um baile, uma a uma. Aquela noite era perfeita, o último perfume libertado pelas flores que se fechavam para repousarem era algo de outro mundo. Mabel sentia-se ótima. Enquanto ela brincava com os seus cabelos, Malcom subiu para o telhado, juntando-se a ele. – “Está uma noite ótima.” – Disse ele, sentando-se perto dela. – “Sim…” – A voz dela estava relaxada. –“Onde estavas?” – Perguntou-lhe. – “Desci para beber qualquer coisa. Quando voltei, a janela estava aberta e tu não estavas na cama, então deduzi.” – Mabel sorriu e acenou com a cabeça. – “O que é que as pessoas geralmente usam em bailes?” – Falou ela, tentando manter a conversa. – “Não sei. Nunca fui a um.” – Ela olhou para ele. – “E algum dos outros sabe?” – Malcom inalanou os ares noturnos. – “É possível que o Jean saiba, afinal de contas, ele veio de uma família real.” – Mabel voltou a sentar-se. –“Como assim!?” – Malcom fechou os olhos e acenou com a sua cabeça. – “Yup. Pensei que depois de um mês de treino ele já o teria mencionado… Mas suponho que dado o passado dele não seria algo muito agradável sobre o qual conversar.” – Mabel estava estupefacta. – “Como assim, família real? Tipo alto sangue de vampiros?” – Malcom levantou-se. – “Isso, terás que lhe perguntar a ele. Eu não sou a pessoa ideal para te explicar a sua história.” Desceu o telhado, entrando novamente na janela. Mabel aproximou-se da berma, observando aqueles que ainda se aventuravam nas ruas.

O festival continuava, pelo menos por mais uma semana. O seu caráter honorífico tinha tomado um rumo diferente, algumas pessoas carregavam desenhos de Júlia, outros festejavam a vitória sobre o lobo. Na rua, as típicas barraquinhas estavam cheias de pessoas, estrangeiros e locais comprava vários artigos que iam de joias a roupas. Faixas douradas e vermelhas encontravam-se penduradas nas árvores e ao longo das ruas. Algumas lanternas flutuantes tinham sido espalhadas, iluminando todo o local. Mabel observava a praça, e foi aí que reparou que, numa lojinha do lado oposto à Taverna, vendiam vestidos. –“Quanta sorte…” – Murmurou. Descendo do telhado e entrando novamente no quarto pela janela, recolheu a sua bolsa. Jean e Robert já estavam acordados e falavam alegremente, junto de Malcom. – “Pessoal, eu vi uma loja de vestidos. Vou até lá ver se tem alguma coisa que eu gosto para amanhã. Alguém quer vir?” – Os outros acenaram negativamente. – “Rapazes absolutos...” – Suspirou ela, pegando na sua mala e saindo. A taverna estava cheia de gente, como era típico durante aquelas horas noturnas. A dona cumprimentou Mabel assim que ela saiu do último degrau e esta última respondeu com um aceno. Espremendo-se por entre aqueles que lá bebiam e celebravam, alcançou a porta, saindo por ela de imediato. Olhou para cima, a janela ainda estava aberta.

Iniciou o percurso em direção à loja que tinha previamente visto. Quando chegou, antes de entrar explorou a montra que estava exposta. Tinha vestidos belíssimos, para qualquer dama. Decidiu entrar, e logo que o fez, uma moça um pouco mais velha que atendeu-a, sorrindo. – “Olá! Bem-vinda ao Tecidos Angelicais! Eu sou uma funcionária cá. O dono saiu por alguns minutos, mas eu posso ajudá-la em tudo o que precisar.” – Mabel retribuiu o sorriso e dispensou a ajuda. – “Obrigada, eu prefiro explorar sozinha.” – A auxiliar sorriu novamente e afastou-se, aproximando-se de outros clientes. A loja era relativamente grande, parecia mais pequena no exterior. À medida que observava os vestidos, Mabel reparou que eles estavam categorizados. Rapidamente encontrou uma placa que dizia ‘Vestidos de Baile’, entrando nessa secção. Os seus olhos iluminaram-se de imediato. Os vestidos que lá estavam eram lindíssimos, e incorporavam todas as cores. Existiam vestidos longos e azuis, curtos e amarelos, cinzentos e decorados com pedras preciosas. A coleção era um verdadeiro mimo para qualquer rapariga que gostasse de vestidos. Mabel não estava sozinha, outra rapariga encontrava-se entre os vestidos, sorridente tal como ela, a testar vestidos. Aproximando-se de alguns vestidos, Mabel começou a procurar, enterrando-se, tal como a outra rapariga, numa variedade de cores, estilos e pedras preciosas.

(…)

Entretanto, de volta à taverna, os rapazes estavam a conversar novamente sobre uma variedade de assuntos, que incluíam principalmente os seus passados. Rahjin ainda dormia profundamente, e merecia depois de toda a luta que tinha feito; felizmente, ele não ressonava, o que tornava as conversas mais fáceis. – “Já estou um pouco farto desta cidade, afinal estamos cá já faz um mês.” – Disse Malcom num tom aborrecido. – “Concordo… Depois da festa, podíamos ir… Eu a Mabel continuaríamos o nosso caminho e vocês podiam vir connosco…” – Jean sorriu. – “Isso parece ótimo!” – Malcom concordou, acenando com a cabeça. –“Direi à Mabel assim que conseguir!” – Ele atirou os braços para o ar, de modo a celebrar. – “Então, Jean… O Malcom já me contou de onde vinha, só restas tu.” – Jean suspirou, revirando os olhos. – “Acredito que se começa a tornar um tema emergente, então, porque não?” – Jean endireitou a sua postura e começou a relatar. – “Eu venho da uma cidade chamada Venitat. Aquele lugar é… diferente. Imagina as catacumbas… Mais escuras… E cheias de vampiros, lobisomens, espíritos… É horrível. Realmente desesperante viver lá. Ainda é pior se pertenceres à família real.” – Robert estava novamente surpreso por aquele pequeno grupo. – “Eu pertenço à família Cruor. Durante séculos que os meus parentes governam aquele lugar. Quase todos nos odeiam, não pela forma como governam ou como agem, mas porque está escrito nos seus códigos genéticos. Nunca ninguém gosta das famílias reais, apenas sentem medo suficiente para não se oporem.” – Ele suspirou. – “Aquilo é um mercado negro de troca de humanos.” – Jean parecia desconfortável ao falar sobre o assunto, mas continuou. – “Quando chegas a um certa ponto na tua vida, escolhes. Ou começas a matar humanos ou és deserdado. E acho que a minha escolha está bastante explícita.” – Jean parou de falar completamente. – “Pelo menos não és um monstro como eles.” – Disse Malcom, tentando reconfortar o amigo. –“É verdade, Jean. Tu não és como eles, e a prova disso é que estás aqui entre nós.” – Jean libertou um pequeno sorriso.

“E tu, Robert?” – Perguntou ele. – “Quem és tu?” – Robert sorriu, e começou a contar a sua história, mencionou a tia e a cidade de onde vinha. – “E como é que conheces-te a Mabel?” – Continuou Jean. – “Foi num episódio em pouco engraçado…” – Ele riu-se. – “Perto do local onde vivíamos, existe uma ponte. Eu era muito mais novo… Tinha seis anos.” – Ele repetia a gargalhada, à medida que se recordava do acontecimento. – “Desde pequeno sempre fui extremamente aventureiro, só que às vezes faltava-me um pouco a coragem… Um dia uns miúdos estavam a troçar de mim, a dizer que eu tinha uma imaginação grande de mais. Eu era uma criança, não tinha qualquer noção daquilo que era coragem… Para lhes provar que eu era intrépido, atravessei a ponte em cima corrimão. Aquilo estava extremamente escorregadio e eu caí. Nenhum deles pensou em ajudar-me, todos fugiram com medo.” – Robert parou um pouco. Jean olhava-o com compaixão, e Malcom, por sua vez, segurava o seu típico olhar assertivo e forte. – “Eu tentei segurar-me, mas a ponte estava igualmente escorregadia. Eu não estava a aguentar, até que apareceu Mabel. Ela impediu-me de cair ao rio e levou-me para casa dela. A mãe dela chamou a minha tia… E bom, foi assim que tudo começou entre nós.” – Os outros dois trocaram um olhar. – “Essa é uma excelente história.” – Disse Jean. – “Quando dizes, ‘entre nós’, referes-te à vossa relação amorosa ou à vossa amizade?” – Tipicamente, este tipo de perguntas nunca eram vistas a escapar da boca de Malcom, o que despertou algum interesse, tanto em Robert como em Jean. – “Eu e a Mabel?! Nunca! Somos praticamente irmãos!” – Jean riu-se um pouco. – “Na minha família isso significa casamento garantido.” – Os três riram-se. – “Jean, porque é que aquele lobisomem estava atrás de ti?” – Jean engoliu em seco. – “Bom… Suponho que ele cheirou o sangue real e tomou por partida que os meus pais estivessem cá.” – Jean suspirou. – “A minha família raramente sai de Venitat, então não percebi a sua estupidez.” – Robert assumiu novamente uma posição de questionador. – “A tua família é perseguida?” – Jean negou a afirmação. – “Lá as coisas funcionam de uma forma diferente. A sucessão de liderança é através de sangue, mas se alguém assassinar o regente, ele pode tomar o seu lugar. É claro que a maior parte das pessoas nem sonha fazê-lo, mas alguns tentam a sua sorte…” – Robert perplexo. – “Conversas com vocês deixam-me sempre pasmado… Existe tanto que eu ainda não sei.” – Malcom interrompeu-o. –“Já falas-te com a Mabel?” – A surpresa de Rob não lhe saia da cara. Porque diria ele aquilo à frente de Jean? – “Obviamente eu já contei ao Jean. Ele e o Rahjin são as duas pessoas em quem eu mais confio.” – O rapaz acenou com a cabeça em sinal de compreensão. – “Estava a pensar em contar-lhe agora, mas ela parecia entusiasmada em ir ver os vestidos e não lhe quis arruinar isso.” – Malcom parecia ligeiramente desiludido. –“Quanto mais cedo lhe contares, mais cedo a preparamos para o que está para vir.”

Os três continuaram as suas conversas e eventualmente Rahjin acordou. Ele não contribuía muito, sem ser com a sua notável presença no quarto. Duas horas depois, chegava Mabel. A expressão na cara dela era inacreditável. Apresentava um sorriso de orelha a orelha. Com ela, vinham cinco caixas diferentes, quatro quadradas e uma redonda. Ela colocou-as gentilmente no chão. Recolheu a redonda, pousando-a na sua cama, e depois separou as quadradas, uma a uma foi entregando-as aos outros, que as abriram de imediato. – “Como vocês não quiseram vir comigo, eu tomei a liberdade de vos arranjar alguma coisa decente para usarem amanhã.” – Jean e Malcom suspiraram em desacordo. – “Mabel, preciso de me desculpar, mas deves entender que pessoas como nós não estão especialmente alegres por irem a um baile.” – Disse Jean, e em resposta Mabel acenou com a cabeça negativamente. –“Robert?” – Chamou ela, esperando algum apoio. – “Eu nunca fui a um baile. Estou realmente ansioso por ir.” – Os outros dois suspiraram novamente. – “Vá lá pessoal, é uma oportunidade única… E têm comida de graça!”- Disse ela, tentando motivar o grupo. –“Não posso dizer que não irei tentar.” – Disse Malcom. – “Sim!” – Disse Rahj, com a sua voz grossa. Ele era, junto a Robert, os que estavam de acordo em ir ao baile. – “Vamos lá, experimentem as roupas. Eu já testei a minha. Vou até lá baixo, e quando regressar espero que estejam vestidos. Ela saiu do quarto. Os outros abriram as suas caixas. Para cada um deles, Mabel tinha escolhido uma roupa diferente. Rapidamente se trocaram. Rahjin foi o que teve maior dificuldade, pois mesmo a roupa alargada que Mabel havia escolhido para ele tinha algum atrapalho a servir. Finalmente, todos se vestiram, e gritaram por Mabel. O barulho no bar já tinha diminuído, o festival também já tinha acalmado, ela ouviu-os facilmente e subiu. – “Uau! Vocês estão ótimos. Eu sinto que tenho mesmo habilidade para isto!” – Gritou ela, surpresa. – “De facto, sinto-me mais adulto a vestir isto.” – Disse Jean. – “Rahjin… ser… homem!” – Disse ele, a par de um riso desamparado. Todos se riram. –“Bem, tirem lá isso. Amanhã é o grande dia e precisamos de descansar um pouco mais. Robert bocejou. –“Concordo plenamente. Nunca dormimos o suficiente.” – Mabel saiu novamente, desta vez foi até ao bar recolher alguma comida. Encomendou uma travessa de vegetais, frango e pão. Breves minutos depois, bateu à porta e entrou no quarto com ela. Os restantes, que já se tinham trocado para as suas roupas habituais, ficaram radiantes, atacando de imediato a comida.

Passou uma hora até que eles completaram a refeição. O exterior já estava vazio, tal como a primeira noite naquela cidade. Rahjin já tinha voltado a dormir, Jean e Malcom também. Mabel tinha voltado ao telhado, e Robert seguiu-a. – “Hey Mabel, estive a falar com os outros e achamos que esta cidade já está a ficar velha, afinal, o festival está quase a acabar e já não existem muitas coisas interessantes.” – Mabel sorriu. –“Concordo plentamente! Vamos continuar em frente! …Mas só depois do baile.” – Robert soltou um pequeno sorriso. Finalmente tinha decidido contar-lhe sobre o a condição dela. – “Mabes, há algo que precisas de saber…” – Mabel franziu as sobrancelhas. – “O que se passa, Rob?” – Robert ingeriu uma enorme quantidade de ar e começou a falar, lentamente. – “Naquela noite… Tu foste arranhada. O Malcom curou-te de imediato, mas existe uma possibilidade de o golpe te ter infetado.” – Mabel ficou chocada. Boquiabertas as sobrancelhas dela alteraram-se, e a par dos olhos transmitiam medo. – “O… o quê?” – Gaguejou ela. – “Tem calma. Isto é só uma possibilidade, tu podes nem sequer estar infetada, e se estiveres, existe uma forma de remover o vírus.” – Robert colocou as suas mãos sobre as de Mabel. – “Em duas semanas, dar-se-á um eclipse lunar e parece que vai ocorrer a tua primeira transformação, mas ao mesmo tempo vais reter a tua mente humana. Isto significa que podes combater a besta em ti, podes domá-la. Isto, dito pelas palavras do Malcom.” – Mabel começou a olhar de uma forma desaconchegada em várias direções. – “E se eu não vencer?” – Rob apertou as mãos dela, de uma forma confiante. – “Eu tenho a certeza que tu consegues! E quero que saibas… Mesmo que transformes, eu nunca te deixarei e sempre te serei leal…” – Mabel começou a chorar, e Robert abraçou-a. – A lua encontrava-se no topo do céu, brilhando sobre eles. Todas as estrelas já tinham finalmente chegado ao baile noturno, e a par da lua, deslumbravam aqueles que as observavam.

O grande dia tinha chegado. Em geral, as primeiras partes passaram de uma forma regular. Tomaram o pequeno-almoço, seguido pelo almoço, passearam um pouco pela cidade, comprando alguns bens essenciais para partirem, e finalmente chegou a noite. A cidade estava invulgarmente vazia, apenas alguns vagueavam pelas ruas. Os rapazes vestiram-se todos juntos, como haviam feito previamente, e Mabel tinha pedido à dona da Taverna para se arranjar no quarto dela. Assim fez, e quando terminou de se vestir, reuniu-se com eles. O cabelo negro dela habitualmente era encaracolado, contudo, tinha-lo alisado novamente, tal como no dia da escolha. Mabel entrou no quarto com um belo vestido cor de pêssego, perfeito para a sua silhueta, tinha flores da mesma cor decorando o topo e, e para se suportar tinha um tecido invisível que envolvia o seu pescoço (x). Os rapazes, por sua vez, estavam igualmente únicos. Robert usava as suas típicas calças e botas de couro, no entanto, o seu peito vestia uma camisa cor-de-rosa, protegida por um colete verde, com bordas douradas (x); Malcom vestia umas calças de couro, mas as suas eram pretas, ele usava uma camisa roxa, com um colete todo preto (x) ; Rahjin, o que tinha as maiores dificuldades a vestir-se, era o que usava roupas mais simples, sendo que vestia calças soltas de cor branca e uma simples túnica bege com as suas bordas verdes escuras e douradas (x); por fim, Jean cobria-se com um colete com um belíssimo padrão preto e dourado, na sua cintura levava um cinto negro que lhe segurava as suas calças, que também eram de couro (x). – “Mabel… Tu estás linda.” – Disse Jean, soluçando as palavras. – “Uhum.” – Concordou Malcom. Rahj, por sua vez, apontou para o peito dela e berrou. – “Flores… bonita!” – Os comentários fizeram-na soltar um sorriso quase de imediato. – “Estás deslumbrante Mabes.” – Rob piscou-lhe o olho e desviou o seu olhar rapidamente para Jean, que olhava fixamente para ela. Mabel riu. – “Vamos?”

Saíram todos em direção à casa da presidenta, tal como tinham combinado. A casa era magnífica. A arquitetura era espantosa e enquadrava-se perfeitamente na cidade. Assim como na Igreja, para aceder à porta principal existia uma escadaria. No topo dela, um homem recebeu-os cordialmente. Indicou-os como aceder ao salão de baile, e eles fizeram tal percurso. Não seria de admirar que a cidade estivesse vazia, aquele lugar estava cheio de gente. Logo que entraram, a presidenta veio ter com eles. – “Que bom que vieram, meus queridos. Suspiro de alívio.” – Sempre que aquela mulher falava, era tão lírica. –“Nós não faltaríamos por nada, presidenta Alicia.” – Agradeceu Mabel. – “Meu doce, tu estás absolutamente linda. Uma flor, na verdade.” – Mabel sorriu, mas diferente do anterior, este era muito mais respeitoso. – “Muito bem, divirtam-se. Este baile é vosso, afinal.” Assim fizeram. Passaram a noite a dançar e a comer (principalmente Rahjin). Primeiro, Robert e Mabel dançaram juntos, de seguida separaram-se; Mabel dançou com Jean e Robert sentou-se junto a Malcom e Rahjin. – “Não danças?” – Disse ele num tom divertido para Malcom. – “Eu prefiro ficar a assistir. Sinto-me melhor aqui.” – Robert acenou com a cabeça, discordando. –“Raramente temos um baile inteiro dedicado a nós, o melhor é aproveitar.” – Pegando na mão dele, arrastou-o em direção à pista de dança. A música era calma, e lenta. Aqueles que dançavam na pista seguiam o ritmo, trocando de par de tempo em tempo. Mabel passou por várias pessoas, incluindo Malcom e Robert, até que um homem mais velho, se aproximou dela. – “Eu sei o que tu és. Cuidado com as tuas costas, menina.” – Foi tão rápido que Mabel não se apercebeu daquilo que realmente tinha acontecido, e quando deu conta, já tinha virado as costas ao homem. Assim que olhou novamente, ele tinha desaparecido. Ela estava assustada, então saiu da pista e sentou-se ao lado de Rahjin. Logo de seguida, vieram Malcom, Jean e Robert. – “Mabel, está tudo bem?” – Perguntou Jean. – “Sais-te de repente…” – Afirmou Rob. – “Um homem… Ele aproximou-se de mim e disse… ‘Eu sei o que tu és’… As pessoas sabem, Rob!” – Malcom colocou a mão no ombro dela. – “Tem calma. Tudo vai correr bem, afinal de contas, amanhã já estamos fora deste lugar. Mabel olhou para ele e suspirou. – “Certo… Se não se importam, eu prefiro ir embora.” – Os restantes concordaram. Rahjin mostrou-se um pouco confuso ao porquê de abandonarem toda a comida, e assim que se despediram da presidenta, agradecendo-lhe por tudo, saíram, retornando à taverna.

Notas finais
Finalmente, estamos fora de Cinesins! Falta tão pouco para a transformação de Mabel! E aquele homem do baile? O que ele queria com ela... Será perigoso? Para onde vão os nossos amigos a partir daqui? Que rumo tomarão? Eu sei, ficou enorme... Contudo, acredito ter ficado bom. O que acharam? Gostaram?