Caminhos de Terraria

2 O Assalto de Cinesins


Notas iniciais
Olá a todos e todas! Não consegui esperar... Esta história está tão cativante para mim que eu não aguento se não escrever toda a hora... Antes que comecem a ler, eu sugiro que ouçam esse música para acompanhar o capítulo pois acho que realmente exemplifica o espírito da história - https://www.youtube.com/watch?v=F90Cw4l-8NY (Bastille - Pompeii)

No meio de uma floresta intensa e obscura, com apenas alguns raios de sol a penetrarem o profundo arvoredo, Mabel Willis e Robert Orson tinham acabado de sair de Almaris quando o caminho se dividiu. Aqui seria a primeira escolha na sua aventura. Um poste encontrava-se no meio do caminho e este tinha pregado no topo duas placas. Uma apontava para a direita e tinha nela escrito “Spawnish” enquanto que a outra apontava para a esquerda e dizia “Cinesin”. Robert olhou para Mabel e questionou-a. – “Então… Queres fazer a nossa primeira escolha, ou devo eu?” – Mabel ripostou o olhar com um brilho no olhar. Raramente conseguia escolher o que fazia, principalmente por causa das atitudes controladoras da mãe. – “Sim, Rob! Eu quero muito mesmo!” – Exaltou ela. Isto não veio como uma surpresa alguma para Robert, que já a conhecia há bastante tempo.

Mabel olhou cuidadosamente para as duas placas. – “Eu gostava de visitar Cinesin primeiro.” – Respondeu ela sem alguma hesitação restante na voz. – “Ouvi histórias da cidade e gostaria de lá ir. Aparentemente é um centro de atração…” – Ela olhou para Robert enquanto que pegava na sua mala. – “…Acredito que todo o tipo de pessoas a visitam, e podemos comprar algumas coisas.” – Robert acenou com a cabeça e sorriu, concordando com a decisão tomarão o caminho da esquerda.
À medida que se aproximavam do destino, a densidade da floresta começava a desaparecer. Eram aproximadamente cinco horas da tarde. O sol ainda pairava sobre o sol, mas já num movimento descendente para dar lugar às estrelas e à lua. Uma fonte de luz já se via no limite do céu, era belíssima. Mabel e Rob ficaram imediatamente excitados. Estavam quase a alcançar o seu primeiro destino! – “Finalmente! Parece que estamos a andar há horas!” – Falou Rob, parando para se repousar um pouco, com um tom exaustivo. – “Nada a ver, só estamos a andar há duas horas, nem é assim tanto, sabes?” – Mabel respondeu num tom de felicidade contagiante. – “Sim… ‘duas horas’.” – Concluiu Rob, regressando para o caminho.
A cidade estava a pouca distância e a ansiedade aumentava. Pelo que se ouvia, um festival tomava lugar. A animação conseguia notar-se a metros e metros de distanciamento. Mabel começou a apressar o seu passo e Robert tentou acompanhar, o barulho surgia cada vez mais… Eles mantinham passadas muito apressadas, aproximavam-se cada vez mais da festa, a luz fazia com o céu ainda tomasse tons diurnos e eles não se conseguiam segurar. Até mesmo Rob começara a demonstrar ansiedade para chegar, quando do nada surge um vulto negro, recolhendo a mala que Mabel segurava e perfurando as sombras que vinham da cidade. O ladrão rapidamente se misturou com a multidão enquanto os dois o tentavam avistar desesperadamente. – “Não! Não!” – Gritava Mabel. O tom de medo e inseguridade presente na sua voz era completamente diferente daquele que demonstrava previamente. – “Mabel… Não te preocupes, quase de certeza que vamos encontrar aquele ladrãozito.” – Falou Robert para tentar animar a amiga.

A noite caiu plenamente, um céu absolutamente estrelado percorria toda a vila. As luzes reduziam-se à medida que a noite progredia e o ambiente ficava mais calmo, pacífico. Mabel e Robert tinham-se sentado num banco perto da praça da cidade. Era um lugar igualmente calmo, porém atraia algumas atenções públicas. Na praça tinha uma fonte à volta da qual cresciam plantas e árvores, era um verdadeiro pedacinho de floresta, contudo, estava organizado com a planta da cidade de modo a criar um equilíbrio perfeito entre flora e urbe. – “Mabel, ele entrou na cidade, talvez o melhor fosse abordar algumas pessoas quanto à sua presença por aqui.” – Notou Robert enquanto que, junto de Mabel, contemplava o céu estrelado. – “Sim, o melhor é fazer isso mesmo.” – Mabel levantou-se e olhou para Robert, a sua cumplicidade permitia-lhe entender que estava na altura de ir. A cidade já não estava tão cheia, a maioria das pessoas já se tinha retirado para sua casa, porém, muitos dos habitantes ainda circulavam as ruas, fechando as suas lojas ou numa despedida mais longa. Mabel e Robert dividiram-se, falando com todas as pessoas que conseguiam apressadamente recolheram uma boa quantidade de informações sobre quem o ladrão poderia ser e a sua possível localização.

Alguns minutos após se separarem reencontraram-se novamente na praça. As ruas finalmente começaram a desertar. – “Pelo que me disseram, é um Troll qualquer que gosta de pregar partidas às pessoas” – Iniciou Mabel. – “Bem, aquilo que eu percebi, é que é um Vampiro que gosta de roubar pertences para saber que vítimas atacar.” – Ripostou Robert. – “Isso é assustador. Se ele vem atrás de mim…” – Respondeu Mabel, com aflição na voz. – “Não ligues a isso, pelo que percebi ele se esconde sempre nas catacumbas da cidade. O que achas de irmos lá?” – Falou Rob, colocando a mão no ombro de Mabel para a reconfortar. – “Obviamente… Eu não quero que eles mexam nas minhas coisas!”. Após terem decidido ir ao encontro do ladrão, procuraram a entrada das catacumbas. As ruas estavam vazias e o único ruído era de um ocasional mocho ou morcego que voava. As estrelas e a lua eram a única fonte de luz. O relógio marcava uma hora da manhã, o ar estava mais frio agora. A descida de temperatura era evidente. No céu, a lua presente estava cheia, presenteando toda a noite com a sua presença como se a sua existência fosse algo indispensável. Uivos distantes eram ouvidos, talvez fossem cães, talvez algo maior, mais perigoso. Felizmente, eles pareciam estar no total oposto de qualquer perigo existente. A entrada das catacumbas era um lugar escondido sobre um arco, na traseira de um edifício municipal. Uma grade de ferro separava o exterior da escuridão petrificante que existia na passagem. Mabel olhou para Robert e este retribuiu-lhe o olhar, como se estivessem a concordar, Mabel empurrou o portão e Rob passou, ela seguiu-o. Avançaram um pouco e cedo se depararam com uma escadaria que descia. – “Mabel, tem cuidado. Existem degraus a descer, ok?” – Robert colocou a mão na parede para se guiar melhor. – “Sim, obrigada.” – Mabel mal conseguia falar, sentia que se o fizesse poderia alertar qualquer perigo que aquele local escondia. Na medida em que eles desciam, a escuridão começou a desvanecer. Tochas conseguiam ser vistas no final da escadaria e isto atraiu-os com alguma esperança, em passos breves alcançaram o fundo e aquilo que viam era inacreditável.

As catacumbas reservavam um mundo inteiramente novo. Iluminado em todos os cantos era facilmente notável uma cascata de água, possivelmente proveniente da fonte que existia na superfície. O chão, as paredes e o teto eram feitos inteiramente de pedra, porém caminhos eram facilmente notados. Existiam bancadas de comércio, porém diferente do exterior. Vendiam artefactos um pouco mais obscuros do que a típica bijutaria que era comprada. O subsolo era na verdade, uma semi-cidade que existia em baixo da cidade de Cinesins. Tal como a cidade do nível acima, esta estava perto de vazia. Contando apenas com alguns comerciantes e figuras encapuçadas, Mabel e Robert rapidamente mapearam o lugar. Lá estava ele, a silhueta era igual aquela que tinha bruscamente assaltado Mabel. Sentando num banco junto de mais dois companheiros comemoravam os ganhos do dia. Ela saiu a correr, furiosa, em direção a eles. Seguida por Rob, conforme se aproximava ela via que o seu criminoso estava encapuçado, no entanto, pela altura, era um rapaz da idade dela. – “Ei! Tu do meio!” – Gritou Mabel assim que chegou perto deles. Apontando para o chão, onde estava o seu pertence roubado, completou os seus gritos – “Essa mala é minha, e eu quero-a de volta!” Mabel estendeu o braço, alcançando a sua mala que estava no chão e olhando para o grupo. Robert estava de pé, logo atrás dela. O grupo rapidamente se levantou, cada um puxou uma faca de cintos que lhes seguravam a cintura e apontaram-nas a Mabel. Esta, apesar de estar aterrorizada com a situação, manteve uma postura elegante e consistente. Robert caminhou na direção dela, agarrando-lhe no braço e puxando-a levemente para trás. Assim que ele estava na ex-posição dela, começou a falar. – “Rapazes… É totalmente desnecessários ficarem exaltados por uma mala, certo?” – O grupo hostil mantinha os capuzes na cabeça enquanto que ele falava. – “A minha amiga só quer a mala que lhe pertence, nós somos viajantes e realmente não temos muito, então vamos tentar evitar confronto direto. O que acham de nós simplesmente levarmos a mala connosco e não vos incomodamos mais?” – Robert, apesar de que eles tinham a face coberta, mantinha uma postura semelhante à de Mabel, olhando-os fixamente. O jovem do meio, aquele que tinha executado o assalto, ergueu-se, colocando a faca novamente no cinto. Os outros dois mimicaram o movimento, retornando ao seu lugar. Ele começou a falar. – “Viajantes, ein? Eu respeito isso. Respeito coragem e bravura.” – Enquanto que falava era evidente que ele analisava Robert de cima a baixo. – “Acho que vos posso deixar ir, por agora. Mas aviso-vos, este lugar não é seguro para pessoas como vocês. Existem criaturas aqui… Seres supernaturais.” – Mabel aproximou-se e Robert afastou-se um pouco para o lado para lhe dar algum espaço. – “Explica-me uma coisa… Porquê é que as pessoas julgam que estão a ser assaltadas por Vampiros e Trolls? É bastante claro que tu és humano.” – Assim que Mabel terminou a pergunta, o rapaz riu-se. – “É assim tão difícil de compreender? Rapazes.” – Logo que ele citou esta última palavra, os outros dois levantaram-se.

O rapaz que se situava na sua direita era invulgarmente alto, e musculado. Assim que removeu o capuz facilmente se notou que tinha uma pele com uma tonalidade verde. Os seus cabelos eram pretos e escondiam os olhos cor de esmeralda. A cara dele parecia um pouco deformada, no entanto, não ao ponto de assustar dois amigos que nunca tinham visto um Troll previamente. O outro rapaz, que estava sentando à esquerda, tinha uma pele branca. Mais branca que a de Robert. Assim que removeu o seu capuz, os seus cabelos eram castanhos libertaram-se e os olhos, que agora se fixavam em Mabel, tinham um tom vago de rubi. Ele era alto, no entanto não se aproximava da altura do outro rapaz. – “Estes são o Rahjin e o Jean. Meus companheiros desde que me lembro. O meu nome é Malcom. Eu sou o que é conhecido como um Feiticeiro.” – Mal Malcom começou a explicar, Robert sorriu. Finalmente a conhecer novas espécies… Isto sim era uma aventura digna. Mabel ficou principalmente surpreendida. Eles eram fascinantes, diferentes das histórias que tinha ouvido em criança. – “Eu conheci estes dois em pequeno. Os meus pais abandonaram-me pelo facto de que eu era diferente, e precisei de me adaptar. Encontrei o Rahjin a viver debaixo de uma ponte e o Jean, bem… O Jean simplesmente se juntou a nós. Nós não assaltamos pessoas, mas ultimamente tem sido difícil. Desde que as pessoas souberam que existia um Lobisomem na cidade começaram a repudiar-nos por sermos diferentes, e o único local seguro… São estas catacumbas.” – Toda a história parecia algo removido de um conto de fadas. Ambos Robert e Mabel estavam impressionados com a inteligência e habilidade que eles três retinham juntos. Assim que Malcom começou a detalhar algumas das aventuras, a admiração aumentou. Sentaram-se para ouvir, pois a noite aparentava ser longa e cativante. O assunto virou-se para o Lobisomem. Jean explicou que era possível que o Lobisomem o tenha cheirado e decidido entrar na cidade para o perseguir, no entanto, o odor típico de Rahjin mantinha-o escondido. Entre palavras, o jovem Troll apontou que o Lobisomem já tinha vindo a trazer problemas à algum tempo, mas na última semana tinha agravado pela lua cheia. Tornara-se impossível para eles viver no exterior sem que fossem acusados de ser os culpados, então necessitaram de se refugiar nas catacumbas, contudo, até mesmo aqueles que as frequentavam se haviam tornado agressivos. Perderam-se na conversa, Rob contou-lhes de onde vinha, Mabel falou-lhes de sua mãe, Isabel e da Tia Aurora e a noite logo passou…

A madrugada chegou. Um galo podia ser ouvido com o seu grito penetrante pela abertura mais próximo do exterior – a cascata que permitia a água da fonte correr. – “Já!? O tempo voou.” – Robert exclamou, levantando-se. – “Vocês já vão embora…?” – Jean perguntou ainda um pouco embaraçado com os novos conhecidos. – “Agora que sabemos que a cidade tem um Lobisomem, quase de certeza que não. Provavelmente vamos encontrar um hotel para nos alojarmos por algum tempo.” – Respondeu-lhe Mabel, com um sorriso de quem já não se conseguia aguentar mais de pé. – “Sim, também estou fascinado pelo Lobisomem, e bem, por vocês três também. Não é todos os dias que nos deparamos com pessoas tão diferentes!” – Robert concluiu e Malcom sorriu. – “Por agora, despedimo-nos. Nós também precisamos de descansar um pouco. Vejo-vos logo à noite, como combinamos.” – Ele olhou uma última vez para Robert antes de se afastar para uma pequena gruta alguns metros dali. Rahjin e Jean despediram-se de igual forma e seguiram para a gruta. Mabel e Robert afastaram-se e saíram das catacumbas. O sol erguia-se e a luminosidade era impossível de aguentar, pelo menos a esta hora. Rapidamente procuraram uma taverna na qual pudessem alugar um quarto para ficar, e felizmente encontraram uma bem perto da praça. Alojaram-se num quarto com duas camas e deitaram-se nelas. A sensação era maravilhosa. Nem sequer parecia que a escolha tinha sido feita à menos de um dia. Tudo parecia tão surreal, os novos conhecimentos, um Lobisomem na cidade, toda aquela aventura… Robert começou a entrar no reino dos sonhos e Mabel rapidamente o seguia, mas na sua própria mente. Assim que os corpos deles aceitam o repouso, preparam-se para dormir. Do nada, um grito agudo ecoa por toda a cidade.

Notas finais
O que se passou na cidade? Porquê um grito a essa hora da manhã? Que tipo de relação surgirá entre Mabel, Robert, Rahjin, Jean e Malcom? O que fará o Lobisomem agora que a sua presa tem alguns apoiantes? Espero conseguir postar o próximo capítulo ainda antes da próxima quarta-feira, e pelo ritmo que está indo, é bem provável que aconteça!