Caminhos de Terraria

7 Barril de Água Doce


Notas iniciais
Gostaria de pedir desculpa por não ter atualizado mais cedo pois eu queria postar na segunda, contudo agora estou tentando regularizar a postagem de capítulos, tentando postar apenas um a dois capítulos por semana! Espero que gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrever e a música para esse capítulo é, não pela letra, mas sim pela bela melodia.... https://www.youtube.com/watch?v=miOEmyjpLkU&list=PLMSOBeWSxbLc2MuDeroEF8-or7QzNylg-&index=13 (Ellie Goulding - Explosions)

Estava uma excelente manhã de sol. As ondas guiavam o navio a par de um vento calmo e sereno. “Tem cuidado!” – Dizia Mabel, olhando para Malcom que estaca agachado perto da sereia. Esta abanava a sua cauda como podia, podem a rede sobre a qual estava capturada não lhe facilitava o movimento. Aqui, facilmente distinguiam as suas caraterísticas físicas- os seus cabelos eram na verdade, muito mais loiros que os de Rob. A beleza era extrema, os seus lábios apresentam uma rosa natural e os olhos eram de um verde-claro. Na parte superior, a criatura estava absolutamente nua, expondo os seus seios, contudo, a cauda que ocupava a outra metade do corpo tinha lindas escamas, de vários tons de verde, abrangendo tons do verde ariel até à esmeralda. A sua boca havia sido presa com um lenço dourado. Este pertencia a Jean, que observava a criatura de longe, junto de Rahjin e Robert. – “O que é que o Malcom planeia fazer com ela?” – Rahjin riu um pouco. – “Comida!” – Os outros dois riram-se logo de seguida, e Jean prosseguiu. – “Não sei, talvez conseguir o porquê de nos terem atacado, se é que existe uma razão.” – Robert franziu a sobrancelha e virou-se para Jean. – “Achas? Geralmente as sereias atacam qualquer um que atravesse as suas águas. – Jean negou. – “Por aqui, acho estranho. É um lugar muito próximo de núcleos mágicos, ou seja, de magia. Existem aqui criaturas muito perigosas, mas felizmente acho que o Capitão as consegue evitar.” – Robert cruzou os braços, olhando para baixo e de seguida para a sereia que tentava escapar. – “Que tipo de criaturas?” – Disse ele enquanto observava com pormenor os movimentos da criatura. – “Muitas mesmo. Provavelmente são atraídas pela magia em si. Quanto mais perto estivermos do nosso destino, mais perigosa é a criatura, mas com alguma agilidade do Capitão e alguns feitiços de escudo do Malcom, tudo correrá bem.” – Rahjin observava com cuidado a sereia, como se já a imaginasse num prato, pronta a comer. Mabel aproximou-se dos outros. – “Ele está a tentar fazê-la falar. Contar-nos de onde vem.” – Robert olhou para ela. – “Não devia tirar-lhe o lenço da boca?” – Mabel negou. – “Se ele fizer isso, ela recomeça a cantar e o caos começa todo de novo. A nossa localização pode até mesmo ser revelada para as outras sereias.” – Jean parecia saber o que Malcom fazia, porém manteve-se calado, deixando os dois amigos falarem. –“Não é meio que impossível falar sem usar a boca?” – Mabel negou de novo. – “Ele não está a usar a boca, vai até lá e já percebes.” – Robert concordou e foi, juntando-se a Malcom. – “Segura-lhe os braços, por favor.” – O outro assim o fez, colocando as mãos sobre os pulsos da sereia para lhe impedir o movimento. – “Obrigado.” – Malcom colocou uma das suas mãos sobre a testa da criatura, agarrando no pulso de Robert com a outra. – “Indicate Mini Quod Tuum Animulus Desiderium.” – Murmurou Malcom. Assim que o fez, uma energia branca e levemente azul foi lançada das suas mãos diretamente para a testa da vulnerável sirene. – “Transport Mea Animus Indu Tuum Suus.” – Repetiu ele logo após. Tudo ficou escuro. –“Robert!?” – Gritava uma voz que se distanciava.

(…)

Tal como da última vez, o cenário havia mudado, porém, desta vez algo estava diferente, esta não era a memória de Robert. A luz solar penetrava dificilmente por entre as ondulações. A terra havia sido substituída por areia, as plantas por algas e corais, e os animais tais como os ursos e lobos, por peixes. Eles estavam no oceano. Mais concretamente, no fundo do oceano. Rodeados por outras sereias, à sua frente nadavam duas sereias e um tritão, ligeiramente afastados e diferentes dos outros. Estes eram evidentemente maiores de tamanho, e a sua idade era mais avançada. Eram eles que impunham o respeito sobre os restantes tritões e sereias, e isso era claro para qualquer um. A sereia capturada estava lá, logo ao lado de Rob e Malcom, a observar os três líderes. – “Infelizmente, a nossa irmã foi capturada por aquele monstro…” – Disse uma dos três. Esta tinha lindos cabelos ruivos ardentes. Era provavelmente a mais bela entre eles. – “O caçador levou a nossa irmã, a nossa filha. E já pediu um resgate.” – Assim que esta parou, o tritão continuou. – “Ele quer que nós ataquemos um barco. E quer que todos sejam mortos.” – A multidão de sereias e tritões começou a sussurrar, mostrando desacordo. – “Tirando uma pessoa, a única rapariga entre eles.” – Assim que a fala recomeçou, todos pararam de murmurar. –“Isto vai contra as nossas próprias leis, mas por favor, tenham boa-fé. Reúnam-se e tentem salvar a nossa irmã. Matem aqueles que vão no barco e tragam a rapariga, é a nossa única esperança.”

(…)

Robert sentiu um puxão, como se estivesse a ser levado mundo, o que estava realmente a acontecer, pelo menos estava a ser removido da mente da sereia, pois assim que piscou os olhos, estava novamente no barco.

Malcom já não segurava o seu pulso, na verdade, segurava o próprio, que sangrava. – “Ela arranhou-me. Não sei se foi impulsivo ou não, mas pelo menos percebemos porque nos perseguiram.” – Malcom pediu que os outros se aproximassem, e levantou-se. –“ Fige vulneribus debilem.” – Disse ele, colocando a palma da mão sobre o braço ferido, libertando uma luz dourada, curou o pequeno dano em segundos. Rob ainda estava um pouco tonto, então, Malcom estendeu a sua mão impune para o ajudar a levantar-se. Este aceitou, erguendo-se do chão. Logo que os outros se juntaram, Malcom começou a explicar a situação, repetindo tudo o que tinha ouvido. Passados poucos minutos, ele terminou e começou a chuva de perguntas. – “Então estamos a ser perseguidos?” – Perguntou Mabel. – “Por sereias?” – Continuou Jean. – “Mais… comida?” – Terminou Rahj. – “Sim. E por tritões. Não por agora, Rahj.” – Respondeu-lhes Malcom à medida que eles perguntavam. – “Por agora eu vou avisar o capitão. Robert, quero que comeces a praticar os feitiços aquáticos que te ensinei.” – Ele acenou. – “Jean, Rahj e Mabel, treinem, mas fiquem atentos. Eu realmente não sei o que está para vir, mas todo o cuidado é muito pouco, e o melhor é prevenir do que remediar o que está feito, ok?” – Todos acenaram. Os três juntaram-se de modo a conseguirem trocar práticas de combate, e Rob afastou-se, sentando-se logo na base do Bauprés, cruzou as pernas, colocou os pulsos sobre os joelhos e endireitou as suas costas. Na sua mente, via apenas um azul. Ele apenas cheirava o mar, sentia as ondas a oscilar e enviar ondas de som á medida que batiam no barco. O som aumentava, como se elas estivessem a crescer, a aproximar-se dele. Mabel, por sua vez, decidiu recomeçar o seu treino com Rahjin e Jean. Este último ordenava que Rahjin lançasse os seus punhos contra Mabel, e a sua tarefa era desviá-los. Jean estava diretamente atrás de Mabel, olhando fixamente para ele. Acenou com a cabeça, e o troll lançou de imediato um murro que Mabel desviou, baixando-se. Levantou-se novamente, com um pouco de orgulho próprio. Jean acenou novamente, mas desta vez o punho dirigia-se às suas pernas. Esta saltou de imediato, mas quase que falhou o desvio devido à sua espontaneidade. Novamente, foi emundada de uma sensação de orgulho. Ela estava realmente a melhorar. – “Ok Mabel, treino de combate agora. Põe-te em posição de defesa e vira-te para mim.” – Mabel assim o fez. Virando-se para Jean, reparou que Robert meditava perto dali. Na acontecia à sua volta, a não ser paz e serenidade. Mabel continuou, colocando-se imediatamente em posição de combate, segurando um punho em frente á sua cara e o outro ligeiramente ao lado, com as pernas um pouco separadas, estava pronta para combater.

“Aqua Ascendet” – Murmurava Rob. Na sua mente, a água flutuava, voando sobre ele, contudo, no exterior era diferente. Apenas precipitava do oceano, e a maior parte das vezes eram ondas. O abanar gentil que o navio sofria até agora alterou. As águas começaram a precipitar-se, alcançando o convés. Rapidamente ficou inundando. O estado de tempo foi o que se alterou de seguida, o sol desapareceu entre nuvens. O vento começou a soprar de tal maneira que as velas não conseguiram aguentar, tendo que ser baixadas de modo a não serem danificadas. – “Todos para dentro! Tempestade!” – Gritava o Capitão que carregava o leme. A tripulação fez como ordenado, porém, Malcom correu no sentido contrário. Robert levantou-se, indo de encontro aos outros. – “Ouçam, isto não é uma tempestade. Se é aquilo que eu penso… Esperemos que não seja.” – Jean, de todos, era o que demonstrava mais shoque. – “Malcom, simplesmente diz-lhes. É melhor.” – Malcom suspirou. – “Se é mesmo o que eu penso… É um Kraken.” – Rahjin, Mabel e Rob pareciam mais confusos que qualquer coisa. – “Um Kraken?” – Perguntou Mabel. – “Um monstro gigante, com tentáculos. Ele é extremamente perigoso, especialmente se estiveres no alto mar.” – Eles começaram a parecer preocupados. – “E como é que saímos disto?” – Malcom respondeu de imeadiato. – “Não saímos. O Kraken tem um poderoso efeito mágico, eu não consigo usar a minha magia de forma a nos levar para fora daqui.” – Mabel olhou para a sereia e ia falar quando Malcom a interrompeu. – “Nem penses, não sei o que é que ela nos pode fazer. Pode até mesmo pior a situação.” – Jean olhou para a criatura que estava imóvel no chão, ainda dormente. – “Ela precisa da Mabel viva, se o Kraken a ameaçar…” – Robert interrompeu-o antes que ele terminasse. – “Nós não vamos usar a Mabel como isca.” – Mabel olhou para ele e depois para Jean, Malcom e Rahjin. –“Vocês conseguem manter-me segura, certo?” – Os restantes acenaram. – “Então vamos fazê-lo.” – Robert segurou o braço dela. – “Mabes!” – Ela soltou-se e segurou-o a ele. – “Ajuda-os, e tudo correrá bem.”

Soltaram a sereia, e Malcom usou magia de um nível muito reduzido para trazer a criatura de volta do seu sono. – “Tem calma! Não te queremos magoar!” – Ela não ouvia, quase de imediato tentou atacar os outros. Rahjin agarrou na sua cauda, pendurando-a no ar. O barco continuou a abanar, como se algo estivesse a surgir debaixo. –“Por favor, ouve!” – Repetiu Malcom, mas ela ignorava-o. – “Estamos a ser ameaçados por um Kraken!” – A sereia parou por um pouco, e Rahjin soltou-a de volta para o chão. – “Talvez não devessem ter irritado os mares.” – Mesmo sem estar a tentar encantar os restantes, ela expressava um próprio charme natural na sua voz. Jean abanou a cabeça, recusando a última afirmação. – “Nós apenas nos defendemos.” – A sereia riu-se. – “No minuto em que vocês me capturaram, fizeram mal.” – Robert aproximou-se. –“Nós capturamos-te para compreender o porquê do ataque, não foi ao acaso, pelo que já sabemos.” – Ela parecia ofendida. – “Vocês andaram a vasculhar a minha mente!?” – Os outros abanaram todos com a cabeça, e Malcom respondeu. – “Não. Apenas essa memória, eu fui muito específico. E nos entendemos as vossas razões… Mas podemos ajudar. Se nos ajudares a nós.” – A sereia abanou com a cabeça. – “O que é que vocês podem fazer por mim? Pelo meu povo?” – Malcom precipitou-se de imediato novamente. – “Pelo que compreendemos, vocês foram obrigados a perseguir-nos porque um homem tem a vossa irmã. Nós podemos ajudar-vos a recuperá-la.” – A sereia mudou a sua postura face à proposta. – “Vocês parecem ser fortes o suficiente para fazer isso…” – Os outros acenaram com as cabeças. – “Mas é tarde demais, o conselho já lançou as ordens, e agora é impossível parar o Kraken.” – A sirene partilhava agora a preocupação deles. – “Estamos todos em perigo. Eles devem pensar que vocês me mataram…” – O ambiente estava extremamente pesado, poderiam eles estar mesmo perto de um fim? – “Pode existir uma maneira. Os Krakens têm o hábito de se afastarem de água doce. Eu sei, parece estúpido, mas é um mito entre as sereias. A maior parte dos marinheiros não sabem disso, e quando se apercebem, já estão mortos.” – Os restantes olharam para ela. Malcom afastou-se. –“Rahj, vem comigo, depressa.” – Rahjin seguiu-o enquanto os outros ficaram a olhar sem saber onde eles iam. –“Provavelmente foram buscar água doce, espero.” — Disse Jean. Os movimentos intensificaram, o barco começou a balançar intensamente, algo estava prestes a sair.

De repente, surge um tentáculo do lado direito do navio. Erguendo-se até mais que os mastros, caiu para baixo, felizmente falhando as velhas, acertou precisamente no navio. O tentáculo era roxo, com algumas saliências parecidas com agulhas e decorado de corais. Mabel serviu-se de uma espada e correu em direção ao tentáculo. – “Não vás!” – Gritava a sereia. Já era tarde, assim que Mabel atingiu o membro do Kraken foi projetada para trás, como se a pancada voltasse para trás. Robert correu em seu auxílio, arrastando-a para longe. O Kraken ergueu novamente o tentáculo, e no lugar que estava previamente deixou lá uma marca. Atingindo novamente o navio, e novamente. Malcom saia a correr, Rahjin seguia-o logo atrás. – “Rahjin, acerta naquilo!” – Gritava Jean, apontando para o tentáculo. O troll assim o fez, atirando um dos barris contra o alvo. De imediato se ergueu, como se lhe queimasse a pele, retraindo o braço. Porém, logo de seguida, surgiu outro. Rahjin repetiu o processo, atirando o seu outro barril. – “Robert, Mabel, Jean, vão buscar um barril cada um e tirem a sereia fora do perigo!” – Os outros assim fizeram. Jean e Mabel arrastaram-na para dentro de um camarote. – “Boa sorte!” – Dizia ela, enquanto que os outros se afastavam para recolher barris. Robert já estava no exterior, com o seu. – “Rahjin, preciso que destruas os três perto da borda do barco!” – Rahjin tentava equilibrar-se, porém era de extrema dificuldade. As intensas chuvas combinadas com os abalos oferecidos pela força bruta do atacante impossibilitavam-lhes a vida, no entanto, o troll lá conseguiu alcançar os barris, e com a ajuda de Malcom e Jean, partiu-os, fazendo com que se misturassem com a água salgada. Os empurrões continuaram por um pouco, mas logo cessaram. – “Robert, vai buscar a sereia, agora!” – Malcom falava num tom extremamente autoritário. Sem qualquer hipótese de negar, ele assim o fez.

Estavam todos no convés, inclusivo o Capitão e a tripulação. – “Ah! O meu nome é Asherah. Agora, assim que me lançarem ao mar eu regressarei para junto do meu povo e vou informá-los do que vocês prometeram. Entrarei em contato em breve.” – Todos acenaram, formulando um tratado invisível. – “Asherah, tenta fazê-lo o quanto antes. Nós apenas temos mais dois dias antes de chegarmos à costa, e o melhor seria encontrar-te ainda antes de chegar.” – Disse Malcom, que já estava mais calmo. – “Tudo bem, eu vou tentar. Nadarei o mais rápido que consigo, e boa sorte para vocês. Eu realmente não sei até que ponto tudo isto pode piorar, mas tenho a certeza de que alguém tem algo contra vocês… E isso não é nada de bom.” – Mabel manteve a sua cabeça para baixo, ela julgava ter a culpa de toda aquela situação, do arranhão, da possível transformação; apesar de que os outros sabiam perfeitamente de que ela era absolutamente inocente. Ajudaram Asherah a regressar ao mar, e ela partiu de imediato, desaparecendo por entre as ondas. A noite tinha chegado novamente, e tal como na noite prévia, Mabel observava as estrelas. Porém, desta vez estava acompanhada de Jean. – “Foi um dia peculiar, não achas?” – Perguntou-lhe ele. – “Concordo plenamente…” – Mabel pausou um pouco, mas logo continuou. – “Mas as piores tempestades trazem as estrelas mais brilhantes.” – Jean sorriu, olhando para Mabel, que por sua vez, fixava o seu olhar nas estrelas mais brilhantes.

Notas finais
O grande dia se aproxima! Asherah voltará a tempo? Quem está perseguindo eles!? Que outros perigos enfrentarão os nossos heróis até chegarem ao destino? Acompanhem e comentem se gostaram, é tudo o que peço!