Caminhos Traçados
10 Cinema- Parte 1
Notas iniciais
Levantei-me dos braços de Harry e fique de pé, ele me olhou por um instante e se levantou, ficou de frente para mim e colocou sua mão no meu rosto. Eu corei no mesmo instante. Eu já tinha beijado ele algumas vezes e admito que já esteja um pouco acostumada, mas agora estava sendo tão diferente... Agora eu estava precisando dele e ele estava ali, eu precisava de carinho e ele estava me dando, eu precisava de um abraço para chorar e ele me abraçou e ficou comigo até eu me sentir melhor.
Talvez eu tenha julgado Harry Lancaster sem conhecê-lo de verdade.
Talvez Bruno seja como o Harry e no outro dia me peça desculpas... Ou será que ele vai mesmo ficar com a Geovanna.
Eu só queria que ele me explicasse, queria entender tudo isso, eu devo ter feito algo de errado e ele deve ter ficado com raiva, bom talvez ele... Não! Não Fernanda! Foi você quem viu ele beijando ela! É você quem tem que ficar com raiva.
Ah Bruno, por favor, era você quem deveria me abraçar, você é o que sempre me defende não é mesmo? E cadê você agora? Deve estar com ela, mas porque com ela? Porque assim de uma hora para outra?
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, uma lágrima que eu tentei reprimir, mas insistiu em descer, uma lágrima fria. Talvez eu realmente seja fraca, fraca como a Geovanna disse. Fraca! Fraca! Fraca! Como eu podia nutrir algo por alguém assim tão rápido? Talvez a forma como ele me beijou? Eu não sei, mas eu sei que aquele Emo me encantou, me encantou e me deixou depois. Meu pior defeito era me entregar fácil demais. Fraca!
— Hey, para chorar... Eu já disse que ver você chorando por ele me perfura o coração não é mesmo... — Harry falou passando o polegar pela minha bochecha, limpando a lágrima que escorria. Sorri calmamente para Harry e ele retribuiu o sorriso Você fica mais bonita ainda sorrindo ele falou e me encarou
— Eu sou tão fraca. — falei e encarei-o também.
— Não Nanda! Claro que não! — ele falou
— Sou sim. — falei suspirando devagar, talvez eu seja, talvez Geovanna tenha razão. -
— Sabe... Você não deveria deixar a Geovanna falar com você como se você qualquer uma... — ele disse gesticulando com a mão.
— E quem sou eu para brigar com ela toda vez que ele me provocar? Harry ela é a garota mais popular do colégio. — falei olhando para o chão.
— Não importa quem é ela e quem é você! No final todos vamos morrer e ser enterrados na mesma terra, não importa nada se ela é melhor ou pior que você agora! — ele disse
— Nossa! Me sinto bem melhor! — falei ironicamente e ele deu uma risada.
— Só estou dizendo que você não deveria deixar ela se achar melhor do que você — ele falou tranquilamente.
— É... Acho que entendi. — falei passando meus dedos pelo rosto, limpando todo vestígio de lágrima que ainda restava, olhei-o e dei um sorriso de canto.
— Naquele dia, no aeroporto, você parecia uma menina tão forte decidida, e eu sei que você é assim, não deixe que as pessoas te machuquem tão facilmente assim. — ele falou e eu parei alguns segundos e refleti, talvez ele tenha razão.
Ficamos alguns minutos em silêncio, apenas encarando um ao outro e ele resolveu se pronunciar.
— A gente podia ir ao cinema...- ele falou passando o braço dele por trás da nuca.
— Em plena segunda feira? — falei arqueando uma sobrancelha
— Sim, em plena segunda feira. — ele repetiu sorrindo.
— Sabe... Da última vez que a gente resolveu sair juntos, as coisas não deram muito certo. — falei olhando para ele.
— É, mas dessa vez tudo vai certo — ele falou.
Olhei para ele desconfiada e ele riu e levantou a mão direita, em um gesto solene.
— Prometo que tudo vai dar certo, sem Geovanna, sem confusão, sem nada, só para você esquecer um pouco esse lance do Bruno — ele falou.
Sorri para ele e peguei minha mochila do chão, passei a mão pelo meu cabelo em uma tentativa de ajeitá-lo. Se Sofia estivesse aqui ela com certeza diria que ele estava possuído pelo ritmo da ragatanga ( Hein — Ah... Maluquices da Sofia, maluquices...)
— Eu vou tomar um banho e venho aqui no seu dormitório — falei caminhando até a porta.
— Opa! Opa! Acho que você esqueceu alguma coisa. — ele falou segurando meu braço.
— Ah Claro! Como eu sou idiota! — falei e caminhei novamente até o chão onde eu estava há alguns minutos atrás com o Harry e peguei o fone que eu tinha usado no meu plano com a Sofia.
Caminhei novamente até a porta e Harry me parou novamente.
— Eu não estava falando de nenhum objeto — ele disse e passou um dos braços pela minha cintura me puxando possessivamente para ele, colou nossos lábios em um selinho demorado depois encarou semblante surpreso e riu. — Mas oque é que isso? — ele perguntou arqueando uma sobrancelha e olhando para o fone.
Soltei um risinho. Ah Harry, isso é um fone, bom... Só um fone! Não serviu para nada, eu não usei ele porque não sabia como ser juíza de um jogo de basquete, eu juro!
— Ah... Isso... Bom, é um fone... É um fone preto de... De escutar música! — falei encarando ele, Harry arqueou uma sobrancelha e assentiu vagarosamente.
— Se você fala né — ele disse.
— É — falei — Bom, eu vou me arrumar e... — antes de eu terminar de falar fui cortada por ele
— E a gente se encontra aqui no meu dormitório — ele falou sorrindo e eu retribui.
Saí do quarto dele e tomei rumo até meu dormitório.
Sabe aquele momento que você reza para caminhar até seu quarto normalmente, como uma pessoa civilizada, passando despercebida por todos... Pois é! Não foi isso que aconteceu comigo
Eu acabei esbarrando em uma menina que estava carregando vários livros enquanto conversando com um menino.
— Ah meu deus! Me desculpa! Eu não prestei atenção — falei enquanto me abaixava para pegar os livros que tinham ido ao chão.
— Está tudo bem. — ela disse me ajudando a pegar alguns livros e depositando metade deles nos braços do menino que estava do lado dela.
— Meu nome é Laura — ela disse sorrindo.
— O meu é Fernanda — falei devolvendo o sorriso.
— Foi você quem caiu da escada no meio do jogo de basquete né? — o menino que estava do lado dela se pronunciou.
— Matheus! — ela berrou e pisou no pé dele, o fazendo derrubar todos os livros que carregava no chão.
— Ai! Ai! Ai! — resmungou ele com uma careta — Podia ser pelo menos gentil né! — ele falou juntando os livros do chão.
— Podia pelo menos ser discreto?! — perguntou Laura
— Prazer sou Matheus ele falou estendendo a mão para mim e eu apertei.
— Sou Fernanda — falei e encarei-o. — É, acabei caindo da escada. — completei
— Cara foi uma queda feia. — Laura disse.
— Haha! — gritou Matheus e eu e Laura o encaramos.
Em um gesto rápido ele levantou o pé e pisou no pé de dela, fazendo soltar um grito abafado... E lá voltamos à cena dos livros jogados no chão... Laura em vez de juntar os livros começou a bater nele e eu que tinha ficado observando a cena, soltei uma gargalhada que fez eles dois pararem de brigar e me encararem.
— É... Bom, o Matheus tem problemas na cabeça mesmo, não estranhe. — ela disse e fez um sinal de desinteresse com a mão.
— Mas Hein! — Matheus protestou — E depois ainda diz que ama... — falou ele fazendo um bico e virando para o lado.
— É, ele tem problemas mentais, mas eu amo ele — ela falou e passou o braço pelo ombro dele, o fazendo sorrir e depositar um beijinho na bochecha dela.
É, acho que entendi a confusão, vejamos a minha conclusão lógica:
Matheus + Laura = Namorados que me fazem rir.
É gente, perceptível!
Se o Bruno estivesse aqui ele diria que eu sou gênio... Ah Bruno... Droga! Concentre se Fernanda! Você vai sair com o Harry e vai tentar se divertir um pouco...
Ah Bruno, essa mania idiota de ficar pensando em você, agora o Emo que eu conheci é da Geovanna e eu não posso fazer nada.
Suspirei pesadamente.
— Você acha que ela ainda está viva? — falou Matheus com um bico cutucando a minha bochecha com o dedo indicador enquanto Laura passava a mão perto do meu rosto me fazendo sacudir a cabeça e voltar a realidade.
Droga, eu preciso aprender a me concentrar nos meus pensamentos sem desligar da realidade.
— Menina tu viajou por alguns instantes — falou Laura me fazendo dar uma risada.
— Isso se chama entrar em transe hipnótico — falou Matheus levantando o dedo indicador.
— Gente, eu estou realmente ocupada, mas foi ótimo conhecer vocês — eu disse me lembrando de que tinha que me arrumar depressa.
— Claro! Sempre é ótimo conhecer a gente! — falou Matheus sorrindo e se colocando em uma pose heroica.
— Modesto ele né... — falou Laura me fazendo dar uma risada — Tchau gata, a gente se vê por aí ela disse me abraçando e empurrando Matheus para fazer o mesmo. —
— Tchau — falei me afastando deles.
Adentrei meu dormitório joguei a mochila em qualquer canto, abri a porta do banheiro e me despi, abri o box do banheiro e entrei, liguei o chuveiro e a água quente deslizou pela minha pele.
Lembrei de Laura e Matheus e sorri devagar. Tomara que um dia eu consiga ser feliz assim com alguém, talvez Bruno, ou Harry... Não sei, talvez nós três sejamos realmente Caminhos Traçados.
Saí do banheiro e me enrolei na toalha, caminhei até o guarda roupa e peguei um conjunto íntimo qualquer, peguei calça jeans preta, uma blusa de mangas longas na cor branca na qual tinha escrito em preto a palavra: Dream e meu all star branco, me vesti rapidamente e apenas penteei meu cabelo e passei um brilho labial, corri até a mesinha do abajur e peguei um perfume que estava lá em cima, passei ele rapidamente e sai do dormitório correndo, eu devo ter perdido muito tempo.
Corri até o dormitório do Harry, bati na porta duas vezes e ele a abriu. Sorriu a me ver e me saiu do quarto. Olhei para ele e sorri, não tinha como negar, Harry era bonito, muito bonito, ele usava uma calça jeans preta, uma blusa xadrez verde e laranja e um tênis, seus cabelos pretos caíam lhe sobre os olhos azuis em forma de franja e ele sorria.
— Você está linda — ele disse e eu abri um sorriso.
— Você também — falei e ele arqueou uma sobrancelha.
— Não! Quis dizer bonitinho, ah, bonitinho não, fofo, é, fofo — falei nervosa e ele sorriu.
Sorri internamente e tentei memorizar essa cena, aquele garoto rindo fazia tudo valer á pena.
Eu iria sair com Harry mais uma vez, seja oque deus quiser...
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