Caminhos Traçados

36 Está tudo bem


Notas iniciais
Oiie pessoas lindas, como eu tinha avisado cap passado, eu iria demorar um pouco nesse capítulo, mas tá aqui ele e bem gente, eu não sei nem oque dizer com os comentários passados, eu simplesmente amei eles, de verdade, alguns quase me fizeram chorar (E outras me fizeram chorar de vdd). Quero agradecer as minha leitoras like a divas de CT: Letícia Winchester Salvatore (obrigado pela crítica dada sobre a sua opinião, eu gostei muito, é sempre bom receber críticas e elogios, eu acho incrível quando as minhas leitoras participam) Patricia Bellarmino (minha sweet ;3) Forever Fics (Hêlozinha :D) Lala Luna (bffs emogirl :p ) Ariane (minha leitora nova mega fofa) Darfiction (Minha leitora numero 1 que voltouuu)

Acordei com o despertador gritando sob a banqueta.

Abri os olhos levemente e me arrependi, minha cabeça estava doendo, e meu corpo parecia estar mole e cansado.

Retirei o cobertor de cima do meu rosto e observei o teto quarto até me acostumar com a claridade.

– Sofiaaaa – chamei – Sofia acorda please, eu estou me sentindo tonta – choraminguei e senti uma vontade súbita de espirrar. E assim fiz, espirrei duas vezes seguidas.

Ah não, estou gripada? Eu não costumo espirrar por qualquer coisa, nem alergia eu tenho! Ah droga, gripeeee. Não pode ser.

Mas que droga, como é que eu fui gripar desse jeito? Tudo bem que nós estamos no inverno, mas eu nem fico na nev... Ah meu deus! Neve! Ontem! Harry!

Minha cabeça parecia girar, como se uma bola de informações se fizesse presente na minha mente de uma vez só.

– Você está gripada? — escutei a voz rouca do Bruno.

– Bruno? -

– Bom dia meu bem –

– Você estava aqui? –

– Na verdade acabei de chegar, Sofia está com Jason e eu vim prá cá – ele disse e sorriu.

Aquele sorriso, expondo todos os enfileirados dentes brancos. Igual o do Harry.

– Bruno! O Harry! Ele foi embora! – gritei e me levantei da cama em pulo. Péssima ideia, a tontura me invadiu mais uma vez me fazendo cair sentada na cama em um baque e o Bruno se levantar aflito da poltrona no mesmo instante.

– Você está bem? Do que você está falando? — Bruno se sentou do meu lado

– Harry, ontem, ele foi embora... – falei e senti uma pontada de dor de cabeça se fazer presente.

Harry foi embora, e eu sabia,e eu tinha prometido para mim mesma não chorar e nem olhar para trás, e eu não chorei e nem olhei, mas agora, agora eu sentia medo, medo não vê-lo nunca mais, medo de não poder abraçar ele e nem sentir o cheiro de colônia masculina. A verdade é que eu não sabia realmente se eu conseguiria conviver sem o Harry, mesmo ele não sendo minha escolha, mesmo ele não sendo quem eu amo. Ele já tinha se tornado essencial, ele sempre fora.

– Como assim? – Bruno perguntou

– De madrugada, eu acordei, e saí, eu o vi e ele me disse que ia embora, ele se tornou capitão de... –

– Uma liga de basquete profissional – Bruno completou e eu o olhei confusa. – Ele me disse Fê, ontem, depois que você dormiu. –

– Mas você não me disse e... –

– Você estava dormindo meu amor – ele completou e eu baixei o olhar.

Ele disse para o Bruno, ele falou com o Bruno. Bom, pelo menos isso, eles se falaram antes de separarem.

– Você disse o que depois? – perguntei e ele colocou as pernas sob minha cama e as cruzou.

– Eu disse... Parabéns, e... –

Ele fitava a parede, com um olhar calmo e... Feliz, um olhar incrivelmente feliz.

– E...? — perguntei

– E eu o abracei antes de ele ir – Bruno terminou e meu olhar resplandeceu em um brilho indescritível.

– Você o abraçou? Ah meu deus! Bruno, eu não acredito! Vocês fizeram as pazes de verdade! –falei e esbocei um sorriso sorrateiro, a dor de cabeça martelava, porém eu tentava sorrir o máximo que eu podia, eu queria que ele percebesse que eu estava feliz de verdade.

– É, acho que sim. Ele realizou o sonho dele Fê, e você sabe que eu o odeio com todas as minhas forças, mas sabe, foi estranho porque na hora que ele me contou eu não senti ódio, eu na verdade... –

– Ficou feliz! – completei e ele me encarou e sorriu calmamente.

– Sim –

– Ah Bruno! – falei e joguei meu corpo para cima dele, envolvendo o pescoço dele com meus braços, instantaneamente ele rodeou minha cintura com os braços dele me apertando contra ele. – Bruuuu minha cabeça está explodindo de dor – choraminguei enquanto repousa minha testa na curvatura do pescoço dele

– Por deuses Fê, você está queimando em febre! Como você gripou de uma hora para a outra?– ele disse e me afastou um pouco dele tocando minha testa com a mão.

Suspirei pesadamente e olhei para o Emo.

Como eu gripei? Você nem imagina.

Eu sentia certa culpa interior por ter beijado Harry ontem, e também porque o que aconteceu ontem chegou um pouco mais perto á ser algo á mais que um simples beijo. E fazer isso enquanto namoro com o Bruno me parecia algo gritantemente errado, principalmente quando a pessoa com quem isso ocorreu é o primo dele, mas eu não poderia colocar isso como algo á esconder.

– Bom, ontem, quando eu achei o Harry no meio do pátio cheio de neve, eu meio que não saí debaixo da neve porque ele me chamou para dançar –

– No meio da neve? – Bruno perguntou com o cenho franzido

– Sim, eu também estranhei, mas depois eu deixei ele me conduzir, era uma valsa –

– Mas depois que a dança acabou, porque você não saiu de debaixo da neve? – ele indagou hesitante.

– Porque nós nos sentamos do chão e ele... – deixei a frase escapulir no ar, eu tinha medo de terminar aquela frase, talvez por medo que o Bruno tivesse ciúme e se afastasse de mim, seria o fim de tudo, sem Harry, nem Bruno, nem coração.

– E... ? –

Suspirei mais uma vez. Definitivamente eu estava louca para mudar a frase e terminar com um: “E nós ficamos conversando e só isso, eu não me deixei levar e nem beijei ele. Rá! Porque eu faria isso? Só porque talvez eu não fosse ver ele de novo?! Imagine! Eu nunca o beijaria!”. Mas eu acabei falando isso:

– E ele me beijou – falei e baixei o olhar no mesmo instante, eu não queria encarar o Bruno. A culpa estava me invadindo e a dor de cabeça poderia ser capaz de me fazer cair no chão e rolar de dor.

Escutei Bruno suspirar pesadamente e se levantar da cama alguns segundos depois.

– O-onde você vai? – perguntei com a voz falha.

– Buscar algum analgésico para você, para ver se controla a febre e a dor de cabeça — ele disse e eu o olhei.

Ele estava indiferente. O cabelo acastanhado relativamente bagunçado, como uma franja que ele não queria deixar cair sob o rosto. A blusa preta mangas longas parecida com um moletom estava larga nele.

– Ei, não faz isso não – disse e minha voz saiu quase como uma súplica

– Hm –

– Bru, por favor, fica aqui, eu preciso de você, você sabe disso – falei e escutei ele suspirar mais uma vez.

Ele caminhou e se sentou na cama do meu lado.

– Porque Fê? Porque tudo isso? Achei que você já tinha se escolhido – ele disse

– E eu já escolhi, mas é que, bom, eu não sabia se iria ver ele novamente, e ele estava tão perto e eu estava tão... Hipnotizada –

– E você o beijou. Sabe, isso é frustrante às vezes , porque você está comigo, mas você beija ele, você é minha, mas é como se você mesmo se deixasse ser dele –

– Mas eu não sou dele –

– Mas é tudo o que ele quer –

– E o que você quer Bruno? –

– Você sabe que eu quero você, mas sabe que ele também quer –

– E vocês não param para pensar no que eu quero? –

– Nós fazemos isso todo tempo, nós deixamos você escolher. – ele disse e me fitou.

Droga. Ele tem razão. A falta de argumentos me acertou em cheio. Na verdade esse sempre fora meu pior defeito, eu sempre tentava argumentar algo, porque quando a falta de defesa me atingia eu me senti acessível, como se pudessem me atacar e eu não tivesse nada para me defender.

Suspirei pesadamente e o encarei. – Você tem razão — disse

– Eu sei que é estranho, sei que você já deixou bem claro que gosta de nós dois, você já até mesmo escolheu qual dos dois, mas sabe, as vezes as pessoas tem fazer as escolhas valerem á pena – ele disse

– Como assim? –

Ele suspirou e aproximou a mão da minha. O calor de dedos entrelaçados envolveu minha mão e eu relaxei por um instante.

– Pensa bem, recomeçar de novo é admirável para algumas pessoas, mas continuar de um ponto que já te fez sofrer é algo surpreendente, poucos conseguem isso, e sabe por quê? Porque tudo parte de uma escolha, e você tem que estar certa do que você quer na verdade, porque se você tem duas coisas pelas quais gosta, mas só pode escolher uma delas, você tem que amar o que escolheu acima de tudo, e você continuou de ponto que uma vez ti fez sofrer, e fez sua escolha, mas agora acima de tudo você tem que estar certa do que escolheu meu amor, e é por isso que... –

– Que o que? – perguntei relutante.

Meu coração palpitava e minha respiração estava falha. Existiria a opção de ele terminar comigo? De ele me abandonar, e mais uma vez o dilema se repetir, sem Bruno, nem Harry...

– Que eu vou dar essa chance para você, toma – ele disse e retirou o celular dele do bolso. Desbloqueou a tela e abriu rapidamente o ícone de chamadas. – Liga para ele, se é o que o seu coração quer, liga para ele, diz para ele te esperar naquele aeroporto, diz que você está indo – ele disse

– Mas... Bruno! O que você está falando? Você acha que eu vou deixar você aqui sozinho?! –

– Não é isso Fê, pensa comigo, você merece ter todas as chances possíveis, porque você mesmo disse, e quando você disse isso me afetou meu amor, você lembra? Você falou “Nós fazemos nosso próprio destino”, e você tem que fazer o seu, tem que saber o que você quer e correr atrás disso, não importa como, você não tem que se prender a mim – ele disse e abriu um sorriso amargurado – As pessoas que lhe amam de verdade vão ficar feliz só por ver você feliz –

Eu escutava as palavras dele com toda a atenção possível, mais uma vez, eu estava sem argumentos, mais uma vez eu estava acessível, e mais uma vez, ele tinha razão.

Peguei o celular da mão dele delicadamente e ele me olhou. O brilho do olhar dele escureceu, mas ele forçou um sorriso, e dessa vez eu tive a maior certeza que era um sorriso falso.

Olhei a tela do celular e suspirei. Tinha uma foto de contato, era uma foto de ontem, Harry estava sentado com o controle do videogame da mão e sorria.

Eu sabia que se eu ligasse para Harry, todas as minhas incertezas já estariam decididas, mas na real, eu sabia de muitas coisas e não fazia nada. E de que adianta saber dos fatos e não fazer nada para mudar eles?

De que adianta ter as armas e não ir para a luta?

De que adianta ter um amor concreto e simplesmente o abandonar?

Sorri levemente e levantei o celular até a altura do meu rosto.

Isso não é nada, ontem havia sido o meu adeus para o Harry, e agora não podia ser mais nada.

Ontem foi o nosso adeus, e ontem ele me prometeu que quando tivesse chance iria atrás de mim, não importa quando, ele iria. Eu e ele resolvemos nos dar uma chance de viver o nosso agora. Eu e Harry juntos nunca existiu, por isso nós nos deixamos viver o presente que realmente existe para cada um de nós, e deixar a nossa “não existência juntos” para quem sabe talvez existir no futuro, ou não. Eu e Harry era algo incerto, algo que a vida levava pra longe e deixava cicatrizes, mas que quando trazia de volta, vinha com uma intensidade inquestionável, já Bruno era algo concreto, algo recíproco e certo, algo pelo qual eu nunca tive dúvidas se era incerto ou não.

– Obrigado por me dar mais uma das milhares de chances que você já me deu de escolher, mas você sabe que a minha escolha é você né? – perguntei e vi seus olhos faiscarem.

– Mas você, você sente falta dele, e, e os beijos dele? Você está me confundindo! Por favor me diga, se a sua escolha sou eu, porque beijar ele? Porque sentir falta dele? Porque me escolher se você algo por ele?–

– Sentir algo por ele seria inevitável, mas a questão é medir oque eu sinto, fazer escolhas baseadas no coração, se eu chegar mais perto de você — falei e aproximei nossos rostos até nossas respirações mesclarem — meu coração bate mais rápido e isso são coisas que nem eu mesmo sei explicar de onde tem poder sobre mim, mas uma coisa eu acabei de perceber, os sentimentos que eu ando nutrindo pelo Harry são incertos, é como uma gripe, você pega sereno por exemplo, mas você não acha que aquele sereno vai lhe causar alguma coisa, mas no outro dia, a gripe simplesmente aparece, meu sentimento pelo Harry é algo como isso, aparece do nada, e muitas vezes eu nem sei porque, mas aparece com uma intensidade indescritível e eu não sou capaz de evitar, já você... – falei e encarei o, ele estava sorrindo – Você é algo concreto, se alguém chegar e perguntar se eu amo você, um “Sim, é claro que sim” vai estar na ponta da língua, mas se alguém fizer a mesma pergunta relacionada ao Harry, eu... –

– Vai estar incerta – uma voz feminina ecoou pelo quarto e eu levantei da cama em um pulo novamente. Péssima ideia de novo, a tontura e a dor de cabeça que já tinham se acalmado voltaram no mesmo instante fazendo eu quase tombar na cama sentada mais uma vez, porém dessa vez Bruno segurou-me pela cintura fazendo eu manter o equilíbrio em pé novamente.

Minha cabeça ainda estava meio zonza, porém eu conseguia manter o equilíbrio. Ah que droga, até a gripe resolveu complicar minha vida agora?

– Você está bem? – logo eu identifiquei a voz feminina, era Laura.

Ela e Sofia estavam adentrando o quarto, seguidas por Jason e Matheus.

Me aproximei da cama novamente na menção de sentar, olhei relutante para Bruno e ele apenas sorriu carinhoso em resposta e enlaçou um braço na minha cintura, sorri de volta e acomodei-me sentada sob uma das pernas dele, puxei meu lençol e olhei para o resto do pessoal que se acomodava no quarto.

– Estou gripadaaaa – choraminguei e escutei Bruno sorrir enquanto colocava uma mecha de cabelo minha para trás.

– Ela tá manhosa – Bruno disse e eu formei um bico.

– Não to não – falei e Laura sorriu e me ofereceu uma bolacha de um pacote que o Matheus segurava enquanto ela estava acomodada no braço dele.

– Mas ela ta manhosa de um jeito fofo — Bruno completou e depositou um beijo no meu pescoço.

– Rá dissi qui naum to manhosa oxa! — falei enquanto mastigava a bolacha, oque fez Bruno rir e enterrar o rosto no meu pescoço delicadamente.

– Ela ta birrenta – Sofia disse enquanto fazia um tipo de cafuné na cabeça do Jason, ela estava sentada na cama e Jason estava coma cabeça repousada nas pernas dela.

– Traidora – falei e escondi meu rosto no lençol

– Ah sim, falando em traidora a gente veio aqui avisar que falta dez minutos para o despertador da Geovadia tocar – Matheus se pronunciou

– Mas aí a gente acabou interrompendo a DR de vocês – Jason completou

– A gente não tava tendo uma DR – Bruno contradisse

– Estavam sim – Laura disse

– É verdade – Sofia concordou

– Alguém me explica que diabos é uma DR? –Matheus pediu

– Era uma DR séria – Jason disse

– Eu já disse que não era uma DR — Bruno disse

– Gente eu também não sei o que é uma DR – falei enquanto descobria meu rosto do lençol.

– E num é – Matheus concordou

– Quer aceitar logo que vocês estavam tendo uma DR? — Sofia disse

Bruno revirou os olhos e falou: — Já disse que não era uma DR

– Quer jogar jogo da velha, Matheus? – perguntei *Lê-se gritei para ele escutar no meio de toda a discussão*

– Aham, mas eu sou X – ele “disse”

– Ta, mas se eu fiquei com a bola eu quero começar – falei enquanto ele pegava o papel e as canetas.

E assim os 10 minutos se passaram, eles decidiam se era ou não era a suposta “DR” que até agora ninguém me explicou o que é, e eu fiquei perdendo no jogo da velha para o Matheus.

– Agora – Laura disse enquanto todos nós fazíamos uma rodinha ao redor do celular dela. – Vocês lembram-se da mini-câmera que nós instalamos no quarto da Geovadia? – Laura perguntou e os meninos assentiram. – Pois é, ela estava conectada no meu celular, ou seja... –

– Nós vamos poder ver tudo o que vai acontecer quando ela acordar e se deparar com loucura do quarto dela – Sofia concluiu a dedução.

Os meninos trocaram sorrisos e Laura ajustou o celular.

– Falta um minuto para o despertador dela tocar – Laura disse

Notas finais
Bomm gente U-u Acho que no próximo cap ou talvez no próximo do próximo cap, eu dê um adiantamento bem grande no futuro da fic tipo: 4 meses depois ou 7 meses depois, mas relaxem porque isso faz parte do final sim :D Beijin pra todoss