Caminhos Tortos
3 Capítulo 3 - Você é B.V!
Alguns anos se passaram e chegou aquela época chata dos 12 anos de namoradinhos, beijinhos e blá, blá, blá... As minhas amigas que antes nem ligavam para os meninos da escola, por acharem eles chatos e tudo mais, passaram a notar eles e não parar de falar sobre eles um segundo. Isso estava me irritando.
— Meninas, vocês notaram com o Bruno está gatinho? Disse a Luana olhando para o Bruno, que estava no meio do grupinho dos meninos.
— Ah é, e me disseram que ele beijou a Camila na festa do Rafael no sábado. Disse a Natasha.
— Sério? Caramba. Disse a Luana ficando meio triste.
— Ei! Por que você está assim amiga? Vai dizer que ficou triste por saber que aquele idiota não é mais B.V? Falei não acreditando no que estava vendo.
— É... É que eu gosto dele e, queria que o primeiro beijo dele fosse comigo. Disse a Luana meio tristinha.
— Relaxa, o seu primeiro beijo vai rolar com um garoto muito mais legal que ele, ele não presta. Falei sendo sincera.
— Como você pode ter tanta certeza disso? Você também é B.V. Disse a Natasha.
— Ah... Eu não sou nada. Respondi desviando o olhar.
— Então quando e com quem foi o seu primeiro beijo? Insistiu a Natasha no assunto.
— Ah... É.... Vamos mudar de assunto... Por favor. Pedi.
— A gente quer saber. Disse a Luana.
— Está bem... Eu sou B.V, tá? Eu só falei isso para você se sentir melhor e esquecer aquele garoto idiota que só anda com garotos como ele. Exclamei.
Ao ouvir isso, o Leo virou-se para o meu lado e disse:
— O quê? Não acredito! A Nanica é B.V.
E ficou rindo junto com seus amigos.
— Não! Eu não sou nada! Menti tentando fazê-los parar.
— É mentira cara, você acabou de confessar que é. Otária! Disse ele ainda rindo de mim.
Fiquei um tempo sem ter o que responder por estar envergonhada, mas logo falei:
— Com coisa que você também não é....
— Não é o quê? Perguntou ele parando de rir.
— B.V! Respondi.
— É claro que não! Eu não sou lerdo como você é. Disse ele mudando de semblante.
— É mesmo? Me prove. Até porque palavras não fazem diferença nenhuma sem provas. Falei querendo que ele confessasse logo que era B.V e acabasse logo com aquele assunto idiota, pois eu já estava ficando de saco cheio.
— Como você quer que eu te prove garota? Perguntou ele.
— Provando. Respondi cara a cara com ele.
— Eu não preciso provar. Disse ele ficando nervoso.
— Precisa sim! Respondi o provocando.
— Então tá. Disse ele me dando um beijo em seguida.
Aquilo foi a coisa mais estranha que já aconteceu na minha vida. Como assim ele me prova que não é mais B.V me beijando? Que garoto mais sem noção. Eu o empurrei e dei um tapa na cara dele.
— Está maluca garota? Perguntou ele alisando o rosto.
— Eu é quem tinha que perguntar isso! Eu não te dei permissão nenhuma para me beijar, seu idiota! Bradei.
— Mas eu beijei. Você ficou me pedindo provas de que eu não era mais B.V. Então eu te dei. Respondeu ele cheio de si.
— Mas eu não pedi essa prova! Eu queria que você me dissesse com quem foi, ou quando foi... Sei lá! Mas não queria que você me beijasse. Respondi indo embora.
Algumas das minhas amigas foram atrás de mim e outras ficaram lá.
Eu já não estava mais entendendo nada... Por que ele me beijou? Tinha tantas garotas lá para ele beijar, por que logo eu? Garoto mais besta! Odeio ele.
— Nina! Disse a Thay indo atrás de mim.
— Oi. Respondi parando para ouvi-la.
— Por que foi embora assim? Perguntou ela.
— Ah... Eu não aguentava mais ficar lá. O Leo é um idiota! Eu odeio ele. Respondi.
— Tá, mas hoje ele não fez nada que te fizesse odiá-lo. Disse a Bianca.
— É verdade. Eu acho que ele gosta de você, isso sim. Disse a Thay.
— O quê? Vocês só podem está ficando loucas! Ele me odeia, assim como eu também odeio ele. Respondi.
— Talvez não odeie nada. Disse a Thay.
— Eu também acho Nina. Ele só faz tudo para chamar a sua atenção, eu acho. Disse a Bianca.
— Está bem. Chega desse assunto, eu não quero mais falar sobre isso.
— Tá. Disseram elas.
Assim que cheguei em casa, minha mãe estava dando papinha para a Amanda que já estava com 2 anos e meio, e eu fui direto para a escada querendo chegar logo no meu quarto.
— Ei! Mocinha! Venha já aqui. Disse minha mãe me chamando.
— Mas mãe... Respondi não querendo ir, pois eu queria ficar sozinha.
— Mas nada, venha já aqui. Disse ela limpando a boca da Amanda.
— Tá. Respondendo indo até ela sem vontade nenhuma.
— Primeiramente, boa tarde miss educação. Disse ela sarcasticamente.
— Boa tarde mãe. Respondi com um sorrisinho amarelo.
— Agora você pode me dizer o que aconteceu? Perguntou ela logo notando que algo aconteceu, porque geralmente eu chego, falo com ela, dou um beijo na bochecha da Amanda e brinco um pouco com ela, mas naquele dia eu estava estressada.
— Nada não mãe. Respondi querendo esconder o que realmente aconteceu.
— Nina, você não sabe mentir. Diga logo, o que aconteceu? Tem a ver com o Leo? Perguntou ela já acertando logo de cara.
— Por que você sempre acha que sempre tem a ver com o Leo? Perguntei indignada.
— Porque sempre tem a ver. Respondeu ela tendo razão.
— Tá... Ele me beijou. Respondi abaixando o tom da voz.
— O quê? Eu não entendi, fale mais alto, filha. Pediu ela.
— Tá mãe, tá. O Leo, nosso vizinho me beijou. Respondi em alto e bom som.
— Eu não acredito! Filha! Eu sabia que um dia isso ia acontecer. Disse a minha mãe com os olhos brilhando de emoção.
— Isso o quê, mãe? Foi só um beijo! Um beijo ridículo e nojento. Eu odiei isso. Respondi fazendo cara de nojo.
— É mentira. Você não achou nada disso. Eu sei que você amou quando ele te roubou um beijo. Disse a minha mãe acreditando estar certa.
— É claro que não. Aquele gordo ridículo não sabe beijar. Respondi.
— E você sabe? Perguntou ela.
— É claro que sei, pelo menos melhor que ele. Respondi mentindo descaradamente, até porque o meu primeiro beijo foi com ele.
— Uhum, sei. Ele que te deu o seu primeiro beijo e você diz que sabe beijar melhor que ele... Como assim? Perguntou ela complicando com a minha vida.
— Ih mãe, chega. Até você vai ficar me enchendo agora? Perguntei já irritada.
— É porque todo mundo percebeu que vocês dois se gostam. Respondeu ela cheia dessa coisa de achar que tudo entre um garoto e uma garota acaba em amor.
— Tá. Agora eu posso ir? Perguntei farta daquela conversa melosa demais.
— Pode. Vai lá marrentinha. Disse ela me fazendo lembrar do apelido que aquele idiota colocou em mim.
Eu cheguei no meu quarto, peguei umas roupas simples e fui tomar um banho. Enquanto eu estava no banho, eu via como se fosse um filme o momento em que ele me beijou... Eu em, o que é isso? Coisa mais idiota para se pensar, tenho que esquecer isso.
Os dias foram se passando e algumas coisas estranhas foram acontecendo. A Natasha foi mudando comigo, não sei por que, mas ela não concordava com mais nada do que eu dizia, fazia tudo ao contrário do que eu pedia ou sugeria, fazia festas do pijama, pique niques e tudo mais na casa dela e não me convidada na maioria das vezes... Estava muito esquisito, esquisito demais para o meu gosto. Eu cheguei até a perguntar a ela o que estava acontecendo, mas ela nunca dizia nada, sempre desconversava, mas eu sabia que ela havia mudado comigo. Até o Leo também estava diferente, não me perturbava mais, parecia que a minha presença na sala para ele era tanto faz, como tanto fez. Aquilo estava me deixando muito intrigada. Aos poucos o nosso grupão de garotas foi se desfazendo e parte delas foi ficando ao meu lado e a outra parte ficou com a Natasha. Eu nunca desejei isso para a gente, pois erámos tão amigas e próximas que me senti mal de nossa amizade terminar assim.
No aniversário do Gustavo, o melhor amigo do Leo, todo mundo foi convidado, pois apesar de ele só andar com esse idiota, ele era legal e simpático com todo mundo. As minhas amigas e eu ficamos num canto da sala dançando e se divertindo entre a gente, até que alguns meninos chegaram na gente e ficaram conversando e zoando junto com a gente. Acho que aquela barreira que tinha entre nós estava sendo demolida naquele momento, pois já estávamos crescendo e não tinha porque odiar os meninos da escola o resto da vida, pois não tinha motivos para isso.
— Nossa, vocês são tão legais, vamos lá na varanda, lá é bem melhor. Disse o Thiago.
— Tá, vamos. Respondeu a Thay e nós fomos.
Assim que chegamos lá, o Leo estava com o Gustavo junto com a Natasha e suas amigas, que também eram as minhas amigas até uns dias atrás. Eu fiquei olhando para eles e me senti meio estranha, sei lá. Foi muito esquisito, porque eu nunca senti isso, eu também não sei o que é isso. É tipo um nó na garganta e um embrulho no estômago. Todos estavam tão felizes e entretidos nas conversas e zoações, enquanto eu estava prestando atenção neles lá cheios de papo e pensando:
“Será que foi ele quem fez a cabeça das minhas amigas contra mim?”
A Bianca me cutucou e disse:
— Amiga você está bem? O Luan te fez uma pergunta há um minuto e até agora você não respondeu.
— Hã? Eu? É... Pergunta de novo. Pedi com a mente muito distante dali.
— Eu tinha perguntado se você curte mesmo a banda Rolling Stones. Disse ele.
— Ah... Claro. Eles são os meus favoritos. Respondi.
— A sua camisa é incrível. Onde você comprou? Perguntou o Luan.
— Numa loja de rock no centro. Respondi.
— Hum. Ela ficou muito boa em você. Disse ele sorrindo.
— Ah... Obrigada. Respondi meia sem jeito.
— Que isso. Disse ele.
Depois disso eu olhei de novo para onde a Natasha o Leo e os outros estavam, mas não os vi lá. Então eu fui saindo de fininho de perto do pessoal e fui procurar disfarçadamente a eles. Fui até a sala, o quarto do Gustavo, a cozinha... Mas quando cheguei no portão vi algo que me deixou chocada, a Natasha estava beijando o Leo e parecia ser de língua. Eu fiquei boquiaberta ao ver aquela cena e não acreditei que ela que se dizia ser a minha amiga estava se pegando com o Leo, justamente com o tosco do Leo. Eu fiquei muito chateada e a única coisa que consegui fazer foi ir embora dali o mais rápido o possível. Após ver aquele beijo caiu a ficha de que ela parou de falar comigo porque gostava do Leo e ele me beijou. Sendo que a culpa não foi minha. Assim que cheguei perto do pessoal que estava comigo antes a Thay olhou para mim e disse:
— Que cara de enterro é essa Mari?
— Que cara? Hã? Perguntei não entendendo.
— É, você está com uma cara meio estranha... O que aconteceu? Perguntou o Luan.
— Essa é a minha cara de sempre, não tem como mudar e, não aconteceu nada. Eu quero ir embora. Falei mostrando ainda mais que aconteceu sim alguma coisa, até porque eu não pediria para ir embora a toa de uma festa.
— Tá, você não quer falar na frente dos meninos, tudo bem, mas você vai nos contar o que está rolando. Disse a Luana, vindo até mim junto com todas as minhas amigas.
Fomos até um canto um pouco distante de todos e então eu disse:
— Eu vi a Natasha e o Leo se beijando... E eles estavam dando um “beijão”, com língua e tudo.
— O quê? Exclamaram todas juntas.
— Shiiiu! Falei com o dedo na boca.
— Foi mal. Disseram.
A Thay ficou indignada e disse:
— Caraca... Eu não acredito que ela fez isso. Nina ela sabia que você e o Leo brigam demais porquê...
— Porque o que Thay? Perguntei.
— Ah, é porque vocês dois se amam. Ela mesma já disse isso pra gente, na verdade, foi ela quem notou isso primeiro. Disse a Bianca.
— Eu não amo ele! Exclamei.
— Shiiiu! Fizeram elas todas juntas.
— Desculpa, mas gente, eu não amo ele, será que vocês não conseguem entender? Eu e ele somos totalmente diferentes, temos gostos diferentes, vidas diferentes... Ele é idiota, chato, esquisito, tosco... Não tem como amar um garoto assim. E também eu não estou na idade de sentir essas coisas chatas. Falei.
— Tá, mas gosta dele e ele também gosta de você. Eu sei disso, e você também sabe. Disse a Luana.
— Se ele gostasse realmente de mim, não estaria se pegando com a Natasha lá no portão sabendo que eu estou aqui. Cochichei.
— Mas você gosta dele. Disse a Thay.
— Ah, sei lá... Quer dizer... Não! Eu vou embora. Respondi saindo de perto delas.
Fale com o autor