Caminhos Tortos
21 Capítulo 21 – Então é isso...
Notas iniciais
Depois daquele dia, nós ficamos quase três dias sem se falar, não que ele quisesse, até porque ele não deixou de me ligar e mandar mensagens um dia sequer, até tentar me ver em casa ele tentou, mas eu estava tão irritada com ele que não quis vê-lo nem pintado de ouro. Mas é claro que eu sentia falta dele, muita, muita falta mesmo, o que me fez atender a ligação dele naquela noite de quarta feira.
— Alô, Nina... Disse ele.
— O que foi? Perguntei meio seca.
— É... Eu só estou te ligando por que... Porque eu estou sentindo muito a sua falta, muito mesmo e queria te pedir desculpas por ter falado aquilo com você. Por favor, me perdoa e volta para mim. Disse ele com uma voz meio rouca, como se ele tivesse chorado, ou algo do tipo.
— Leo... Eu não sei nem o que dizer, até porque eu ainda estou muito chateada com você, mas eu também sinto a sua falta... Falei começando a chorar pelo telefone parecendo uma idiota.
— Eu posso ir aí, onde você está? Perguntou ele.
— Vem. Respondi enxugando o rosto.
Ele continuou na linha, mas não disse nada até que apareceu na minha sacada com o celular ao ouvido. Quando o vi, ele estava meio vermelho e com os olhos um pouco inchados, me levantei da cama e fui correndo até ele e dei-lhe um abraço bem apertado. Ele me encheu de beijos no rosto e nos lábios. Parecia que não nos víamos há muito mais tempo, como se um de nós tivesse ido para o outro lado do mundo e o outro ficado aqui, foi uma coisa bem exagerada, porém deliciosa. A reconciliação é muito boa, nunca pensei que fosse tão boa assim.
— Me desculpe... Me desculpe... Eu não podia ficar um segundo a mais sem você. Disse ele me abraçando ainda mais forte.
— Eu também não, por mais que você tenha me magoado eu... Eu te amo — Falei nos braços dele — Eu sei que sentiu muito a minha falta, mas você está me sufocando amor.
— Foi mal. Disse ele me soltando meio sem jeito colocando uma das mãos no bolso e a outra na nuca.
— Vem, entra aí. Falei o pegando pela mão e o levando ao meu quarto.
Nós entramos e ele disse:
— Eu não queria te contar aquilo porque eu sabia que você iria ficar muito triste...
— Como assim Leo? Você vai me contar agora? Conte-me, por favor. Falei desesperadamente querendo acabar com todo aquele mistério.
— Tá, eu vou contar... Você se lembra de que no ano passado eu fui para um intercolegial nacional? Disse ele.
— Eu me lembro, é claro, como eu poderia me esquecer. Falei ansiosa para saber o que tinha a ver, o intercolegial com o mistério.
Ele respirou fundo e disse:
— Na final daquele campeonato alguns representantes de times internacionais estavam lá para ver os novos talentos do futebol e, quem sabe levar para a Europa para jogar lá...
— Tá, mas continue. Falei começando a ficar nervosa.
— O intercolegial só tinha durado um mês e meio, os outros um mês e meio eu passei na Europa fazendo teste para jogar em um time espanhol. Disse ele.
— Tá, mas você foi aceito para jogar lá? Perguntei já começando a ficar triste.
— Eu esperei quase um ano, mas um mês antes de começarmos nós a namorar, eles me mandaram uma carta e alguns e-mails, mandando propostas de contrato... Eles querem que eu vá para lá e jogue no time. Disse ele abaixando a cabeça.
— O quê?! — Exclamei não querendo acreditar no que eu estava ouvindo — E você aceitou?
— Ainda não respondi, eu ainda estou dividido... Eu quero jogar lá, é um sonho que eu tenho desde pequeno, mas tem você... Eu não quero ficar longe de você, eu te amo. Disse ele me olhando com os olhos transbordando de lágrimas.
Eu comecei a chorar por aquilo que estava acontecendo, aquela situação tão crítica e delicada que eu não sabia o que fazer. Ele me abraçou ainda mais forte e começou a chorar para valer no meu ombro, dizendo:
— Eu não quero te perder... Não quero ficar sem você.
— Eu também não quero ficar sem você... — Falei com a voz falhando por estar chorando — Mas Leo, é o seu sonho. Você tem que segui-lo... Aceite a proposta.
— Eu não posso... E você, como vai ficar sem mim? E eu, como fico sem você? Perguntou ele.
Eu fiquei sem respostas, sem palavras. O mundo parecia estar desabando com tudo em cima de mim, ou melhor, de nós dois naquele momento. Eu me afastei dele enxugando o meu rosto e falei:
— Se você aceitar, quando terá que ir para lá?
— O mais rápido que puder. Eu vou ter que deixar tudo aqui, mas vou continuar os meus estudos lá, a minha vida lá... Eu não posso sem você. Disse ele enxugando o rosto olhando para mim.
— Eu sei Leo, mas é o seu sonho... Se eu estivesse no seu lugar, iria gostar que você me apoiasse a seguir o meu, por mais doloroso que seja... Eu te amo, mas você precisa... — Parei de falar chorando — Precisa aceitar a essa proposta. Eu não posso e não vou te impedir, seria egoísmo meu.
— Eu não quero aceitar. Exclamou ele.
— Mas tem que aceitar! Bradei.
— Eu não posso. Disse ele quase sussurrando.
— Pode sim, eu estou te permitindo ser livre para isso. Só te peço que não se esqueça de mim e nunca, nunca deixe de me amar... Nunca! Pedi me sentando em minha cama e olhando para o chão.
— Mas você não quer isso! Disse ele.
— Quero sim! Eu quero que você seja feliz. Respondi ainda olhando para o chão.
— Se realmente quer, por que não diz isso olhando nos meus olhos? Perguntou ele.
— Porque quando eu olho para você, eu já te vejo partindo e dói, dói muito aqui dentro. Respondi com a mão no coração.
Ele se sentou ao meu lado e me disse:
— Eu vou ficar por você.
— Não... Prometa-me que vai... Por mim e, acima de tudo, por você. Falei olhando para ele.
Ele se levantou de minha cama e disse:
— Eu vou... Para a minha casa agora.
E foi na direção da porta.
— Não! Fica por favor. Fica aqui, esta noite, por mim. Pedi.
Ele parou ainda de costas para mim e eu fui até ele e peguei em seu ombro. Ele não se moveu, então eu fiquei de frente para ele, fiquei na ponta dos pés e dei-lhe vários beijos delicados por todo o seu rosto. Ele me puxou de leve e me beijou intensamente. O beijo foi evoluindo de uma forma tão rápida que quando me dei conta, estávamos em minha cama, ele deslizava os seus lábios por meu pescoço e eu suspirava, porque era delicioso sentir os lábios dele em mim. Ele tirou sua camisa e eu, que já estava mais confiante que na primeira vez, rolei na cama com ele, ficando por cima dele. Ele se sentou na cama, comigo em seu colo, pegou firme em minha cintura e tirou a minha camiseta. Eu comecei a beijá-lo loucamente, bagunçando o seu cabelo e ele parava de beijar os meus lábios e beijava o meu pescoço e ia descendo cada vez mais, me fazendo arrepiar da cabeça aos pés. Depois nós rolamos de novo, ele ficou por cima e tirou o meu short beijando a minha barriga, depois ele beijou nos meus lábios de novo e, mais uma vez nós fizemos amor, mas dessa vez foi muito melhor que a primeira, porque como a Thayane disse, nós estávamos mais confiantes e experientes. Depois de um tempo, nós estávamos deitados na cama, eu estava envolvida nos braços dele e deitada sobre o seu peito. Nós dois suspirávamos bastante e ele disse:
— Eu não posso ir embora e ficar sem você, sem esses momentos com você...
Eu me enrolei na minha coberta e me virei para ele colocando o dedo nos lábios dele e dizendo:
— Ei, não vamos estragar esse momento, certo? Esquece isso, pelo menos hoje... Agora.
— Está bem, me desculpa amor — Disse ele me dando um selinho — Que horas seus pais chegam do trabalho?
— Eu acho que umas oito horas. Por quê? Perguntei.
Ele olhou para o meu relógio e disse:
— Eu preciso ir, antes que seus pais cheguem e nos vejam assim.
Ele se levantou e me deu um beijo nos lábios.
— Mas ainda são sete e meia. Falei querendo que ele ficasse mais.
— Eu sei, mas vamos fazer assim. Eu vou lá à minha casa, me visto você também se veste aí e fica apresentável aos seus pais, porque eu não quero nem imaginar do que o seu pai é capaz se nos vê assim... Até porque ele não sabe que...
— É lógico que não! Respondi o interrompendo.
— Então, eu não quero que ele descubra desta forma, até porque não seria a melhor. Disse ele tendo razão.
— Tá, mas você pode tomar banho aqui. Insisti querendo que ele ficasse.
— Mas e você? Perguntou ele.
— Ah... Não sei, eu posso tomar no banheiro de lá de fora. Respondi.
— Que tal você tomar comigo? Perguntou ele.
— Mas e se os meus pais chegarem e nos pegarem juntos? Perguntei.
— Está bem, então eu vou tomar banho aqui. Disse ele pegando toda a sua roupa e indo para o meu banheiro.
Eu fui até o meu guarda roupas enrolada no lençol, peguei o meu roupão e vesti, peguei minha camisola, uma toalha e fui tomar banho. Assim que cheguei ao banheiro prendi o meu cabelo que estava um pouco embolado e entrei no Box ligando o chuveiro. A água estava fresca e eu tomei o meu banho cantando, mesmo não tendo uma voz bonita, mas eu estava “feliz” e tinha que liberar toda a minha felicidade. Depois que terminei o banho, fui até o meu quarto e dei de cara com o Leo ainda sem camisa secando o cabelo. Eu me encostei sobre os umbrais da porta, cruzei os braços e fiquei sorrindo para ele. Ele estava tão distraído que nem me notou só depois que terminou de secar que se virou e me viu e disse:
— Estava aí há quanto tempo?
— Eu não sei, mas tem um bom tempo já. Respondi rindo.
— Eu me distraí aqui com o meu cabelo. Disse ele vindo até mim.
— Percebi. Respondi olhando para ele com uma das sobrancelhas erguida e com um sorriso provocador.
Ele me estranhou e disse:
— Por que está me olhando assim?
Eu abaixei a cabeça rindo e respondi:
— Nada, vamos descer e fingir sermos dois anjinhos que estavam vendo TV?
— Boa ideia. Disse ele vestindo a camisa, me abraçando e descendo comigo em seguida.
Nós chegamos à sala, sentamos no sofá e eu liguei a TV e estava dando o filme “10 coisas que eu odeio em você”. Eu comecei a rir e falei:
— Esse filme tem tudo a ver com a gente.
— Quase tudo. Disse ele sorrindo para mim e me dando um beijo.
— Hum — Falei parando o beijo — Eu vou preparar uma pipoca de micro-ondas para nós dois.
— Tá. Disse ele.
Eu me levantei e fui até a cozinha, peguei a pipoca no armário, abri a embalagem e a coloquei no micro-ondas. Enquanto não estava pronta, eu fiz um refresco. Na hora em que eu estava colocando o açúcar no suco, o Leo veio de mansinho e me deu um susto fazendo-me derrubar todo o açúcar no suco. Eu me virei e o enchi de tapas. Na hora em que eu o estapeava, meus pais chegaram do trabalho.
— Filha, já chega de espancar o menino, acho que ele já aprendeu a lição. Disse o meu pai rindo.
— Hum, estou vendo que hoje tem pipoca. Disse a minha mãe sorrindo e colocando suas chaves e bolsa na mesa.
— É que estamos vendo um filme e filmes pedem pipoca, né? Respondi.
— E um suquinho, pena que a filha de vocês não tem noção de quantidade de açúcar. Disse Leo me provocando e rindo.
— Eu vou te bater garoto! Murmurei com raiva.
— Como assim? Perguntou o meu pai.
— O seu genro querido que me fez derrubar o açúcar todo na jarra. Respondi.
— O quê? Exclamou a minha mãe.
— É isso ai. Respondi cruzando os braços com raiva, porque sabia que eles dois iriam começar a me darem uma bronca daquelas na frente do Leo.
— É como eu sempre digo, quando se tem crianças na cozinha sempre tem problemas. Disse o meu pai.
O Leo me olhou como cara de quem diz:
— “Aham, crianças”...
E ficamos rindo um para o outro.
— O que foi que eu falei de tão engraçado? Perguntou o meu pai.
— Ah, não é nada não sogrão... Disse o Leo coçando a nuca.
— Hm, nada não é?! Tá legal. Disse o meu pai nos olhando desconfiado.
— Vão os dois para a sala e deixem que eu termine com esse suco. Disse a minha mãe.
— Ah mãe, obrigada. Falei indo até ela e a enchendo de beijos na bochecha.
— Tá... De nada, agora vai beijar o seu namorado, até porque ele deve estar morrendo de ciúmes. Disse ela me zoando.
— Tá bom. Respondi indo até o Leo e ele me beijou.
— Ei, ei, ei! Disse o meu pai, como quem pede respeito.
Paramos de nos beijar rindo e o Leo disse:
— Foi dona Laura que liberou.
— Deixe as crianças André. Disse ela tranquilamente.
— Vocês são demais. Disse o meu pai.
— Eu também te amo pai. Falei indo até a sala abraçada com o Leo.
— Eu não quero nem ver quando ele souber do nosso segredo. Sussurrou o Leo no meu ouvido.
— Não toque mais nesse assunto. Sussurrei com medo de que alguém ouvisse.
Sentamos no sofá e ficamos vendo o fim do filme, até porque demoramos bastante na cozinha. Um tempo depois, minha mãe trouxe o suco e a pipoca, assistimos a outro filme e em seguida, o Leo foi embora.
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