Caminhos Tortos
9 Capítulo 9 - Tudo para me confundir.
Três meses se passaram e o Leo já estava para voltar de viagem. Eu estava em meu quarto estudando para a prova de química, quando ouvi o som da campainha. Eu estava sozinha em casa e não teria mesmo jeito, era eu mesma que teria que ir ver quem era. Levantei-me e fui até o portão, assim que abri dei de cara com a mãe do Leo.
— Oi Marina, tudo bem? Disse ela sorrindo para mim. Ela era uma moça muito simpática, não sei por que o Leo não a puxou nesse aspecto, mas enfim...
— Oi Sra. Luiza, tudo bem sim... Você quer falar com a minha mãe? Perguntei.
— Não, na verdade eu quero falar com você mesma. Amanhã o Leonardo irá voltar de viagem e eu estou querendo preparar uma festinha surpresa de boas vindas, mas eu queria que alguém me ajudasse você se importaria? Perguntou ela.
— Não, por mim tudo bem, eu iria gostar. Respondi sorrindo e sendo sincera.
— Será que a sua irmã vai se importar? Perguntou ela se referindo a Natasha.
— Não, tenho certeza que não. Respondi.
— Eu pedi a ela que me ajudasse, mas ela disse que iria para a aula de ballet e talvez nem viesse para a festa depois. Disse ela.
— Não... Tudo bem, eu já estou acostumada com essas atitudes dela é normal ela fazer isso mesmo. O ballet é a vida dela. Respondi ironizando a desculpa esfarrapada da Natasha para não ajudar a Luiza com a festa de amanhã.
— Está bem, então amanhã você vem depois que chegar da escola, está bem? Sugeriu.
— Ótimo! Respondi concordando.
— Está bem. Muito obrigada mesmo Marina. Disse ela.
— Que isso. Não precisa agradecer. Respondi rindo um pouco.
No dia seguinte eu fui para a escola e fiquei contando os minutos para que fosse liberada logo.
— Amiga, por que está tão ansiosa? Perguntou a Bianca notando todo o meu nervosismo.
— Depois eu te conto porque aqui não dá. Respondi.
— Tá bom. Disse ela.
— Contar o quê? Perguntou a Thayane.
— Eu também quero saber. Disse a Luana.
— Tá. Respondi e tocou o sinal do intervalo.
Fomos todas ao banheiro, pois lá sabíamos que o Luan não iria, até porque ele não pode saber disso.
— O Leo vai chegar hoje e a mãe dele pediu para que eu a ajudasse a fazer uma festa de boas vindas para ele. Respondi.
— E você aceitou? Perguntou a Bianca.
— Não Bi, eu fui super grosseira com a minha vizinha que praticamente me viu crescer. É claro que eu aceitei. Respondi.
— E a Natasha? Não vai participar dessa festa? Perguntou a Thayane.
— Não, ela prefere ir para o ballet dela. Respondi com ar de deboche.
— E você acha que isso vai dar certo? Perguntou a Luana.
— E por que não daria? Perguntei.
As horas foram se passando e eu fui para casa correndo, tomei um banho e fui para a casa do Leo. Assim que cheguei lá a Sra. Luiza me pediu que a ajudasse com os quitutes e decoração da casa. Parecia que seria coisa rápida de fazer, mas não foi bem assim, ficamos um bom tempo fazendo tudo. Assim que terminamos tudo, ela disse:
— Agora você já pode ir para sua casa e se arrumar porque daqui a pouco ele está chegando.
— Tá. Vou lá então. Até daqui a pouco. Respondi indo até a porta.
— Muito obrigada por me ajudar, você é um anjo de pessoa menina. Disse ela me elogiando.
— Que isso, eu não sou nada. Eu só gosto de ajudar as pessoas. Respondi.
Eu saí e fui até a minha casa me arrumar. Demorei um bom tempo escolhendo a melhor roupa para revê-lo, pois ficamos seis meses sem nos vermos e eu acho que ele deve ter mudado bastante, eu quero que ele note alguma mudança em mim, para melhor é claro.
— Nina, se você demorar desse jeito o menino vai chegar e você ainda não saiu deste quarto. Disse a minha mãe me apressando.
— Tá mãe, calma que eu já vou. Respondi pegando uma regata cinza e uma saia de cos alta preta com estampas brancas e o meu par de sneakers.
Fui até o banheiro e tomei um dos banhos mais demorados da minha vida, porque eu queria estar impecável naquele dia, com coisa que o Leo estava vindo para mim, só que não. Terminei o banho, me vesti, deixei o meu cabelo meio solto, passei uma maquiagem bem discreta e fui para a casa do Leo com os meus pais e minha irmã para aguardar a chegada dele. Assim que chegamos lá, havia algumas pessoas que pareciam fazer parte da família dele, não sei, eu não conhecia e alguns dos amigos dele da escola também estavam lá.
— Ele já está chegando, apaguem as luzes. Disse a mãe dele.
Alguém foi até o interruptor e apagou. Ficamos parados durante um tempo na expectativa de que ele chegasse e se assustasse ou ficasse surpreso, sei lá, a intenção era deixa-lo feliz.
Ele abriu a porta olhando para baixo e dizendo:
— Mãe! Cheguei!
E todos nós gritamos:
— Surpresa!
Acenderam as luzes e ele ficou paralisado na porta olhando para a gente com cara de surpresa. Os amigos dele foram até ele e o abraçaram, juntamente com sua mãe e familiares. Eu fiquei num canto da sala, na verdade eu nem queria que ele notasse a minha presença lá... Tá, eu queria sim, a quem quero enganar?
— Nina você não vai falar com ele? Perguntou a minha mãe.
— Eu não. Respondi.
— Por quê? Perguntou ela.
— Porque eu não quero. Respondi olhando para o outro lado.
Ele veio na minha direção e disse:
— Nanica?! Você aqui?
— Está respondida a sua pergunta mãe? Perguntei olhando para a minha mãe com cara de tédio.
Ele ficou rindo, me puxou pela mão e me abraçou dizendo:
— Sabe, a viagem foi muito chata. Eu não tinha ninguém lá para perturbar.
— Então você acha divertido me encher? Perguntei me afastando dele.
— É. Disse ele.
— Idiota! Respondi.
— Você gosta mesmo de me chamar assim, poxa! Disse ele.
— Na verdade eu não gosto, você que me força a te chamar assim, porque você é um idiota. Falei rindo dele.
— Leo, você tem que ver os jogos que eu comprei no sábado passado, são irados! Disse um primo dele que chegou perto da gente.
— É... Eu já volto. Disse ele com um sorriso amarelo.
— Tá. Respondi.
Minha mãe ficou me olhando com uma cara de quem diz “Vocês são um casal tão bonitinho”.
— Qual é mãe?! Não faça mais essa cara. Pedi me afastando dela.
— O que Nina? Que cara? Vá te entender em! Disse ela como se não entendesse do que eu estava falando.
Eu fui até a cozinha, peguei uns salgadinhos e resolvi ir até o quarto dele. Já sei, sou muito louca de fazer isso, mas eu estava super curiosa de saber como era o quarto dele. Assim que cheguei lá vi que o quarto era muito bonito e todo azul e branco. Tinham fotos dele desde pequeno até as mais atuais com a mãe e o pai dele que eu nunca vi. Eu peguei o porta-retratos da foto em que ele estava com o pai dele, eu não o conhecia, mas só de olhar dava para perceber que o Leo era filho dele, porque eles se pareciam muito.
— O que faz aqui? Perguntou ele abrindo a porta.
— Leo?! Exclamei sem saber como reagir.
— Eu te fiz uma pergunta. Disse ele com uma cara nada boa, o que foi bem estranho.
— Eu... Eu... — Coloquei o porta-retratos no lugar — Me desculpe por entrar no seu quarto assim e sair fuçando suas coisas, eu sei que isso é errado e eu já vou indo.
Fui à direção da porta e ele me segurou dizendo:
— Eu não mandei você sair.
— E quem disse que você me manda? Perguntei o encarando.
Ele me soltou, foi até a estante e pegou o porta-retratos que eu havia pegado e disse:
— Este é o meu pai... Ele morreu um ano antes de você chegar ao Rio.
— Ah Leo... Desculpe-me! Eu... Eu sinto muito. Só faço besteiras mesmo. Falei muito chateada comigo mesma.
— Não... Tudo bem. Não precisa ficar assim não, tudo bem que você é maluca, mas é uma louca legal. Disse ele abrindo um sorrisinho para mim.
— Eu desisto! Falei com cara de tédio.
— Do quê? Perguntou ele.
— De acreditar que em algum momento da sua vida você vai ser sério. Respondi sendo sincera.
— Pra que isso? Zoar com tudo me faz bem. Disse ele sorrindo e colocando o porta-retratos no lugar.
Nós dois ficamos nos olhando um tempo sem dizer nada, até que eu fiquei rindo meio sem graça e falei:
— O que foi?
— Nada, não posso mais olhar para você? Disse ele.
— Não! Respondi fazendo agindo como metida.
Ele veio até mim e disse:
— Para, essa parada de você ficar cheia de si, igual a essas patricinhas, não combina contigo.
— Ah... E eu te perguntei se combina comigo ou não? Perguntei o enfrentando.
— Você adora me confrontar... Por quê? Perguntou ele.
— Você é quem começa com tudo! Respondi.
— Não sou eu não. Disse ele ficando cara a cara comigo.
— É você sim! Respondi.
— Você só está dizendo isso porque não admite que seja louca... Por mim. Disse ele.
Confesso que fiquei boquiaberta ao ouvir isso e respondi:
— Isso não é verdade.
Ele chegou mais perto ainda e disse:
— É sim!
— Não é! Exclamei.
— Então tá! Disse ele.
— Então tá! Exclamei irritada.
Estávamos muito próximos, olhando um nos olhos do outro com cara de raiva e bufando por estar revoltado com o que o outro dizia, mas por impulso, ou sei lá, uma coisa bem estranha, a gente acabou se beijando de um jeito bem louco, tipo que igual nesses filmes que depois de uma briga o casal se beija e tal... Foi muito esquisito, até porque eu não queria beijá-lo, não naquele momento porque eu não podia me opor a tudo o que acabei de dizer. O beijo foi tão bom e intenso que eu não conseguia mais pensar em nada, só em como aquilo era bom e me fazia bem. Nós paramos de nos beijar lentamente, eu abaixei a minha cabeça e murmurei:
— Droga!
— Ei! Não precisa se preocupar em se culpar, a culpa foi toda minha. Fui eu quem começou com isso e tive a iniciativa. Disse ele se explicando.
— Eu sei que foi você... Mas eu também tive culpa, eu não deveria ter vindo... Eu vou embora. Respondi saindo correndo do quarto.
— Ei! Nina! Exclamou ele vindo atrás de mim correndo.
Eu desci as escadas correndo e nem quis saber do que as pessoas iriam achar da minha atitude, eu só queria ir embora. Eu cheguei ao portão, abri e saí. Na hora em que eu ia fechar o portão ele segurou e também saiu dizendo:
— Nina, me escuta...
— Você me chamou de Nina?! É isso mesmo? Exclamei surpresa, porque já estava acostumada a ouvir ele me chamar de nanica.
— Chamei... Algum problema? Perguntou ele.
— Não... É que eu nunca ouvi você me chamar assim. Respondi olhando para ele.
— Então você gosta quando te chamo de nanica? Perguntou ele com um sorriso travesso.
— Não! Bradei.
Ele riu e disse:
— Você me desculpa pelo o que aconteceu?
— Tá... Vamos esquecer isso, ok? Pedi.
— Tá bom. Disse ele me puxando e me abraçando de novo.
— Nossa! Você está carinhoso demais comigo, é de se estranhar... Diz logo, o que quer? Perguntei o estranhando.
— Nada! Eu só estava com saudades mesmo. Disse ele me soltando meio sem graça.
— E da sua namorada, não sentiu falta? Perguntei.
— Senti, Mas... Ela nem veio. Você sabe onde ela está? Perguntou ele.
— Não sei, acho que ela está no ballet. Respondi.
— O ballet dela é mais importante do que eu. Não é mesmo?! Disse ele ficando chateado.
— Sabe, pensando bem, é... O ballet é mais importante. Respondi o provocando.
— Você é muito engraçadinha, quando implico com você, você fica cheia de graça. Disse ele.
— Tá Leo. Vou indo porque eu sei muito bem no que essa discussão vai acabar. Falei indo até o meu portão e abrindo-o.
— Tá, mas antes me diz você me desculpa por aquilo que aconteceu? Perguntou ele.
— Eu já desculpei, esqueceu? Perguntei rindo.
— Ei, espere! — Pediu ele me fazendo parar e olhar para ele — Você está usando o cordão que eu te dei.
— É... Eu o achei... bonitinho. Respondi não querendo demonstrar que amei o cordão e por isso eu o usava sempre.
— Hum. Eu sabia que ia ficar bem em você. Disse ele me olhando.
— Hum. Foi você quem o comprou? Perguntei morrendo de curiosidade.
— Sim, minha mãe não tinha tempo para ir comprar e me pediu que fosse e tal... Respondeu ele coçando a nuca.
— Ah tá — Falei meio sem jeito ainda segurando o portão — então... Tchau.
— Tchau. Disse ele voltando para sua casa.
Eu entrei em no quintal sorrindo, fechei o portão e fui até em casa meio que flutuando mesmo sabendo que o que aconteceu não era certo, eu não estava nem aí.
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