Caminhos Tortos

1 Capítulo 1 - Mudança de vida


Minha mãe sempre teve o costume de me dizer que as coisas costumam mudar e que os opostos sempre se atraem... Mas não é que é verdade mesmo...

Quando eu era pequena, tinha oito anos mais ou menos, morava no interior de Minas Gerais e amava aquele lugar. Pois tinha tudo o que eu mais amava, a cachoeira, a calmaria, o som do canto dos pássaros, os meus tios e avós morando perto, o cheirinho de terra molhada quando chovia, o meu cavalo o Bob, o meu balanço de pneu e tudo mais que me trazia as lembranças mais gostosas de lá.

Certo dia, eu estava brincando com os meus primos na praça da cidade de pique esconde e minha mãe foi me chamar no meio da brincadeira, coisa que não era muito comum ela fazer.

­— Mas mãe, estamos no meio da brincadeira. Exclamei com o braço encostado no tronco da árvore, pois era a minha vez de procurá-los.

— Nina, eu e teu pai precisamos conversar seriamente com você. Respondeu ela seriamente.

— Não pode ser depois? Sugeri, pois não queria perder aquela brincadeira.

— Não filha, o assunto que temos que conversar com você é sério. Se despeça dos seus primos que vamos entrar. Disse ela se afastando da praça e indo na direção de nossa casa.

Eu, é claro, fiquei muito chateada porque eu amava brincar com os meus primos, eles eram incríveis. Eu estudava com dois deles, mas nos recreios todos nós nos reuníamos no pátio para lancharmos e brincarmos juntos, era perfeito. Eu já estava chateada antes de chegar a casa, mas quando cheguei e recebi a notícia de que iríamos nos mudar para o Rio de Janeiro o meu mundo desabou.

— O quê? Não! Eu não vou, eu fico morando com minha a avó Beth, mas não vou ir embora, não mesmo. Respondi indo até o meu quarto pisando duro.

É, acho que desde quando eu era pequena que tenho essa marra toda. Depois de um tempo, minha mãe foi até o meu quarto e conseguiu me convencer de ir embora, dizendo que iria ter muitos amiguinhos no Rio, que o Papai Noel dava presentes melhores para quem morava lá... É eu sei, ela apelou para um mito infantil, mas como eu era criança ela conseguiu realmente me convencer assim.

Dias se passaram até que chegou o dia mais doloroso de toda a minha infância, o dia que eu teria que me despedir das pessoas que eu passei toda a minha vida até ali perto, que eu estava acostumada, do Bob meu amigão por quem eu tinha um amor imenso, tipo como a maioria das meninas tem por suas bonecas, mas eu nunca fui chegada a bonecas. Enfim, eu chorei bastante, abracei a todos, inclusive ao meu Bob e fui até o carro do meu pai que estava repleto de coisas de nossa mudança, até porque só o caminhão não seria suficiente para levar tudo o que tínhamos.

A viagem foi longa e muito cansativa, pois fomos de carro e como meus pais disseram que nós iríamos morar no centro da cidade eu imaginei que seria muito longe de onde morávamos e diferente também. É eu estava certíssima de pensar assim, pois foram horas e horas de viagem, até que enfim chegamos ao nosso destino. Era uma cidade que parecia ser enorme e tinham prédios e prédios um pertinho do outro, havia carros e carros passando para lá e para cá o tempo inteiro, muita gente andando como se estivesse com muita pressa mesmo, tipo, coisa de louco.

Quando chegamos a nossa nova casa, eu fiquei meio assustada e estranhei tudo, ou quase tudo. Mas minha mãe já tinha me dito mais ou menos como era, pois ela nasceu e cresceu ali, só depois que se casou com meu pai que foi morar em Minas. Eu entrei na casa e fiquei andando por ela toda analisando todos os locais, cada detalhe, até que minha mãe me chamou para ir até os fundos da casa. Assim que chegamos lá, havia uma piscina grande e parecia ser funda.

— Filha, eu não pude trazer a cachoeira que você tanto ama, mas acho que vai se dar bem com a piscina. Disse ela tentando me mostrar que seria bom morar ali.

— Nossa mãe, que legal. Falei indo correndo até a beira da piscina.

E assim foi o primeiro dia na casa nova.

No segundo dia no Rio minha mãe já tinha me matriculado numa escola próxima a minha casa e foi me levar até lá com o meu pai de carro. Eu não estava nem um pouco confiante, pois não sabia o que esperar de uma escola nova, num lugar novo, mas não teve jeito. Ela foi comigo até o portão e me deixou lá, dando-me um beijo na testa e dizendo:

— Tchau filha. Olha, vê se faça bastante amizade para no fim de semana fazermos uma festa do pijama.

— Tá bom, mãe tchau. Falei entrando no meio da multidão com minha mochila roxa de rodinhas e minha lancheira.

Eu olhava para os lados e via várias crianças com seus amigos conversando e se divertindo ao máximo, enquanto eu estava solitária e totalmente perdida. Eu passei por um grupo de meninas que pareciam legais e fiquei olhando bastante e me lembrei das minhas primas, como nós erámos unidas e como era divertido estar com elas na escola. Eu me distraí tanto com elas que acabei me esbarrando em um garoto.

— Ei! Vê se presta atenção por onde anda Nanica. Disse ele.

Ele se achava, só por ser maior que eu e gordo. Ele tinha os olhos azuis céu e o cabelo bem pretinho, era até bonitinho, mas o que o tornava feio era a arrogância que ele tinha para falar comigo. Tudo bem que eu sempre fui tampinha mesmo, mas ele não tem o direito de falar assim comigo, ele nem me conhece.

— O meu nome não é Nanica. Respondi seriamente.

— É mesmo? Legal! Disse ele indo embora.

— Ei! Você não pode tratar as pessoas assim não, só por elas serem menores que você. Exclamei fazendo todos que estavam no corredor pararem o que estavam fazendo para prestar atenção na gente.

Ele parou de andar e virou-se vindo até mim dizendo:

— Eu posso sim, até porque eu sou dono da minha boca e falo como eu quiser com quem eu quiser.

— Tá bom. Desde que você não fale assim comigo. Ótimo! Respondi o encarando.

— Ótimo! Por mim tanto faz, Nanica. Disse ele caçoando de mim.

— Pela última vez, o meu nome não é Nanica. Respondi indo embora, irritada.

— Ei, nossa conversa ainda não acabou. Exclamou ele.

Eu parei de andar, me virei e respondi:

— A decisão é minha e eu acabo com a conversa quando eu quiser.

E fui embora ao som de aplausos de muitas pessoas que, pareciam nunca ter enfrentado ele. Garoto idiota! O sinal tocou e eu entrei na sala de aula onde teria que passar o resto do ano estudando. Eu me sentei no fundo da sala e em seguida aquele mesmo garoto idiota entrou com seus amigos, um jogando bolinhas de papel no outro, patéticos. As meninas que estavam conversando como eu e minhas primas também entramos na sala sentando na minha frente. Uma delas, que tinha os cabelos loiros e encaracolados e os olhos castanhos, virou-se para mim e disse:

— Oi, qual é o seu nome?

— Marina. Respondi meio tímida.

Ela sorriu e disse:

— Prazer Marina. Eu sou a Luana, essa é a Thayane e aquela é a Bianca.

— Poxa, nós vimos você enfrentando o Leo, foi muito maneiro. Já estava na hora mesmo de alguém fazer isso, até porque ele se acha demais só por jogar futebol nos intercolegiais com os garotos da 4ª série. Disse a Bianca, que tinha os cabelos ruivos, sardas nas bochechas e os olhos castanhos avermelhados, o que fazia dela uma menina super meiga.

— O nome dele é Leo? Hum. Ele só é bobo daquele jeito por jogar futebol? Que idiota. Falei indignada com o motivo ridículo de ele ser tão valentão.

— É mesmo... Nossa! Você é tão legal, quer ser nossa amiga? Andar junto com a gente e tudo mais? Sugeriu a Thayane toda sorridente. Ela era negra, tinha os olhos cor de mel e os cabelos cacheados e pretos azulados.

— Tá bom, pode ser. Gostei de vocês. Respondi toda sorridente.

Senti algo bater em mim, quando vi era uma bolinha de papel. Olhei para o lado de aonde ela veio e vi o idiota do tal de Leo rindo de mim com seus amigos.

— Abre aí o papel, marrentinha. Disse ele.

— E se eu não quiser? Respondi sem nenhuma vontade de pegar o papel para ler.

— Aí você não ler. Disse ele.

— Tá. Falei.

— Tá. Respondeu ele.

Garoto chato! Odiei a ele. As horas se passaram e enfim, chegou a hora de ir para casa, mas meus pais não iriam me buscar, pois estavam trabalhando, então eu teria que ir embora a van da escola, junto com todos os meus colegas de classe, todos mesmo. Eu entrei junto com minhas novas amigas e ficamos zoando e rindo bastante até chegar a casa. Quando eu desci, vi que o chato do Leo desceu também.

— O que está fazendo aqui marrentinha? Perguntou ele.

— Eu era quem deveria te perguntar isso. Respondi.

— Eu moro aqui — Disse ele apontando para a casa ao lado da minha, droga! — E você?

— Eu moro aqui. Respondi apontando para o meu portão.

— Que saco! Então você que é minha nova vizinha. Disse ele fazendo cara de tédio.

— Nem me fale. Eu preferia morar com os E.T’s, do que morar perto de você. Confessei.

— E eu preferia morar em cavernas a morar ao lado de sua casa. Esse é o pior castigo que eu poderia ter. Disse ele indo até o seu portão.

— Incomodado que se mude. Respondi entrando na minha casa batendo o portão.

As horas passaram e meus pais me perguntaram como foi na escola, e eu é claro, contei tudo nos mínimos detalhes. E todos sabem como pais são sempre se preocupam com a gente e tal. Eles me deram umas broncas de leve, dizendo que eu não deveria ter arrumado confusão na escola, ainda mais sendo o meu primeiro dia de aula, como se fosse eu quem começou com a briga. Aff!

Notas finais
Oi pessoal, esse é o meu primeiro capítulo postado da primeira história que resolvi divulgar, espero que todos gostem e leiam até o fim. Beijos :*