Caminhos Entrelaçados
31 Epilogo
Notas iniciais

Kenichi estava em meu colo, eu sentia que nada poderia tirá-lo dali, eu não queria afastar meu filho de mim.
Eu estava aguardando o retorno de Sesshoumaru e Takeo, eu queria muito correr para meus filhos, deixar toda aquela merda para trás, mas eu não podia preocupa-los mais do que já estavam. Kenichi estava com a cabeça em meu pescoço, me abraçava tão apertado, que era como se ele tivesse medo de que alguém aparecesse e o levasse de meus braços. A floresta estava barulhenta, era possível ouvir os animais mais distantes fazendo algazarra, talvez pelo barulho forte que fora nossos ataques.
Eu ouvi passos se aproximando e logo o cheiro de Sesshoumaru e Takeo se fazia presente para nós, Kenichi levantou a cabeça olhando na direção em que o cheiro vinha, estava misturado com sangue, muito sangue. Takeo foi o primeiro a aparecer e suspirou aliviado quando nos viu sentados ali, Sesshoumaru vinha logo atrás, eu sentia através da ligação que ele estava aliviado também.
— Kenichi! — Takeo disse se aproximando e pegando a criança de meus braços, sujando a roupa dele de sangue, mas nenhum dos dois se importou — Que susto você nos deu. — Takeo acariciou a cabeça de Kenichi com carinho, ele apenas lhe dirigiu um sorriso choroso.
— Eu pensei que eles fossem realmente me matar Takeo — ele disse apoiando a cabeça no pescoço dele, ele ainda estava assustado, isso era totalmente compreensível.
— Eu nunca permitiria uma coisa dessas! — ele afagou as costas de Kenichi. Sesshoumaru se aproximou também, pegando Kenichi do colo de Takeo, ele estava claramente aliviado pelo filho estar bem, eu sentia isso em mim.
— Papai... — ele abraçou Sesshoumaru mais apertado e voltou a chorar, Sesshoumaru apoiou o queixo no topo da cabeça de Kenichi e afagava levemente as costas dele.
— Está tudo bem agora Kenichi — Sesshoumaru disse tranquilo para o filho, ele olhou para mim, eu estava preocupada ainda — Vamos para casa.
Nós quatro nos encaminhamos ao Oeste, Kenichi não voltou para o meu colo, talvez estivesse aproveitando um dos poucos momentos que ele conseguia ter com o pai, eram raros esse tipo de envolvimento entre eles. Takeo estava tranquilo também, todo o nervoso deixado para trás. Quem nos visse, acharia que éramos perigosos, todos nós estávamos imundos de sangue, em Sesshoumaru e Takeo era mais fresco do que em mim.
Logo os portões do Oeste já nos era visível, alguns dos guardas nos olharam assustados, mas se tem uma coisa que eu aprendi com Sesshoumaru era a ignorá-los. Passamos direto, e logo estávamos no quarto de Yuri, Kenichi estava impaciente para vê-la. — Arata! — Yuri gritou assim que viu Kenichi no colo de Sesshoumaru, Rin e Shippou estavam com ela, o que me deixou bem mais aliviada.
— Yuri! — ele pulou do colo de Sesshoumaru e abraçou a irmã a sujando, ele estava realmente preocupado com ela, depois que eles se afastaram, perguntei a Kenichi o que tinha acontecido e ele nos contou tudo o que sabia. Desde quando fora levado até os planos que lhes contaram, ainda bem que tudo aquilo teria um fim logo.
Já era fim de tarde, quase hora do jantar quando deixamos nossos filhos um instante apenas para nos banharmos, Kenichi e Yuri também foram se lavar, estávamos imundos de sangue ainda, e eu não aguentava mais aquele cheiro.
— Já vou Ka, — Takeo disse depois que achou ser seguro deixar as crianças, o senso de proteção dele falava mais alto do que qualquer outra coisa e eu agradecia isso profundamente — o templo está tempo demais sozinho, e nunca se sabe o que podem tentar roubar.
— Ok, Takeo — eu disse o abraçando, agradecida. Ele havia se limpado e colocado roupas de Sesshoumaru, ainda bem que ele não se importava com isso — Não sei nem como posso te agradecer por tudo.
— Não precisa boba — e sorriu, aquele sorriso do meu Takeo, sincero e espontâneo.
— Apreça sempre que quiser, as crianças te adoram — eu disse quando ele já estava indo e ele apenas gritou um tudo bem.
Sesshoumaru já tinha se banhado e vinha pelo corredor quando eu me dirigia para o nosso quarto — Irei me limpar também — ele apenas assentiu e seguiu para onde estavam nossos filhos. Eu continuei a caminhar para o quarto, peguei um kimono qualquer e fui tomar banho, lavei o cabelo e aquela roupa estava estraga, a joguei fora, infelizmente.
Quando terminei de me trocar, fui direto para a cozinha, eu sabia que minha família estava lá, o jantar já havia sido servido afinal. Parei ao batente da cozinha, Sesshoumaru estava com Yuri em seu colo e Kenichi sentado ao seu lado, Rin e Shippou estavam mais próximos também, estavam brincando e sorrindo, uma cena agradável de se ver, mesmo que a poucas horas estivéssemos todos preocupados. Segui para a cadeira ao lado de Shippou, ele percebeu minha presença e me dirigiu um sorriso, apenas acariciei a cabeça dele.
Meu menino estava tão grande. Cinco anos apenas haviam se passado, ele parecia ter dezesseis anos, eu nunca perguntei quantos anos ele tinha, mas sempre o vi como muito pequeno. Shippou apoiou a cabeça em meu ombro e eu continuei acariciando os cabelos dele, meu menino ficava tão a vontade. — Assim eu vou dormir — ele disse baixinho, fazendo com que eu sorrisse e lhe desse um beijo na testa.
— Pode dormir se quiser meu amor — eu disse contente, meus filhos estavam todos comigo, e nada de mais havia acontecido com eles, aquilo para mim já bastava, eles estavam felizes — Apesar de que já está tarde e todos vocês devem ir descansar.
— Vamos treinar amanhã mamãe? — Rin perguntou por cima de Shippou. Desde que a revolução havia se mostrado mais forte, eu havia interrompido os treinamentos com Rin, mas já estava na hora de retomá-los, e dessa vez começaria a treinar os pequenos também.
— Vamos todos, até mesmo Kenichi e Yuri — eu disse dando um sorriso. As crianças ficaram alegres, Shippou apoiou melhor a cabeça em meu ombro. — Está tarde, estamos todos cansados, venham crianças, mamãe vai coloca-los para dormir.
Rin e Shippou se levantaram, assim como Kenichi e Yuri, os segui para fora da cozinha. Os maiores seguiram para seus próprios quartos, enquanto eu segui para o quarto dos pequenos, peguei roupas limpas para ambos. Kenichi e Yuri já se banhavam novamente, eu queria ter certeza de que eles estavam limpos, terminei de dar banho neles e os troquei, enquanto ainda eram pequenos dividiam o mesmo quarto. Terminei de pentear os cabelos de Yuri quando Kenichi bocejou sonolento.
— Estou cansado mamãe — ele disse estendendo os braços para mim, o peguei no colo assim como Yuri, ambos se aconchegaram mais a mim — O dia hoje foi muito longo.
— Eu quem o diga querido — eu disse dando um sorriso, seguindo com ambas as crianças. Eu estava aliviada de ter todos eles comigo, como deveria ser, sob minha proteção. Entrei no quarto deles, colocando Yuri em pé na cama dela e depois colocando Kenichi na dele — Durma bem meu amor — beijei a testa dele, quando ele se deitou fazendo o mesmo com Yuri — Você também querida.
— Boa noite mamãe — ambos responderam, e eu saí do cômodo.
Segui para o quarto de Shippou, desejando boa noite para ele, assim como para Rin. Eu estava apenas me certificando de que todos estavam bem e salvos, eu me sentia exposta, me sentia a mercê de seja lá o que fosse. Eu suspirei, será que Sesshoumaru já havia ido se deitar? Talvez não. Fui na direção do escritório, eu estava ouvindo um barulho lá dentro, talvez ele estivesse arrumando alguma coisa. Abri a porta e ele estava sentado atrás da mesa, os olhos fechados, relaxado.
Fechei a porta, e ele nem se mexeu, mas eu sabia que ele estava consciente da minha presença. Aproximei-me dele, o empurrando para trás e me aninhando no colo dele. Sesshoumaru me envolveu num abraço e eu coloquei a cabeça no pescoço dele.
— Como você está querido? — eu perguntei dando um cheiro no pescoço dele.
— Cansado — ele disse afagando minhas costas. Eu o sentia um pouco tenso sob o meu corpo, talvez estresse acumulado e depois do que aconteceu hoje — Eu tive medo hoje — ele disse me tirando de meus devaneios — medo de que não chegássemos a tempo...
Eu assenti, eu também tive e muito. O som dos grilos lá fora anunciava que a noite estava avançando, era tudo silencioso, o castelo também já estava em silêncio. Eu estava acabada, física e principalmente emocionalmente. — Eu também tive — eu disse de olhos fechados, sentindo o afago que ele me fazia nas costas e eu o acariciava no pescoço — Eu achei que fosse perder nosso filho para eles, e eu me senti desesperada, sem chão, praticamente sem rumo... — eu dei um suspiro prendendo as lágrimas — Achei que não fossemos conseguir.
— Tudo isso agora está no passado — Sesshoumaru apoiou o queixo no topo de minha cabeça — Kenichi está bem, assim como o resto de nossos filhos — eu o senti sorrir — Nada os ameaçarão novamente, isso eu te prometo.
Eu apenas assenti ainda agarrada a ele, eu me sentia em paz com ele, segura, inatingível. Sesshoumaru fazia com que eu me sentisse segura, mesmo que não estivesse, só dele estar ali comigo, tudo já valia a pena. O apoio dele, o amor dele, a preocupação dele, para mim, era o que importava. Eu o amo, com todo meu ser, com todo o meu coração. Sesshoumaru voltou a mexer nos papeis, parecendo nem se importar com minha presença em seu colo, como se eu não estivesse atrapalhando. Contudo eu sabia que estava.
Fiz menção de me levantar, já estava tarde e eu acho que ele não vem dormir hoje, mas ele me segurou quando tentei, fazendo com que eu o olhasse confusa — Fica — ele estava indiferente, mas eu sentia uma angustia estranha, eu o olhei com o cenho franzido, em dúvida — Já vamos, só vou terminar isso.
Apenas assenti me apoiando a ele novamente. Não iria contrariá-lo, não hoje, quando estamos nos sentindo vulneráveis. Olhei para a mesa cheia de papeis espalhados, tentando analisa-los sem sucesso. — O que são esses papéis?
— Avisos aos outros lordes de que a resistência encontrou seu fim, e que estou cortando laços com eles — eu me afastei de seu ombro para olhar em seus olhos, Sesshoumaru me olhava indiferente, aquele olhar de olhos quase fechados por estar olhando para baixo — Eles ousaram dizer que eu estava liderando aquilo, como se eu fosse algum lunático em busca de poder, como se eu pudesse mandar sequestrar e assustar meu próprio filho... — eu assenti a ele, mas aquilo era um pouco sério demais, decisivo demais — A partir de hoje o Oeste está fora de qualquer coisa que não seja diretamente ligada a nós.
— Isso não é uma atitude muito radical Sesshoumaru? — eu perguntei observando as reações dele, mas ele continuou impassível — Eu estou com tanta raiva quanto você, mas e lá na frente, se acontecer algo assim novamente, conseguiremos sozinhos?
— Não foi preciso à ajuda deles hoje — ele disse me dando um xeque, apoiei a cabeça no ombro dele novamente assentindo dando o assunto como encerrado. Sesshoumaru tinha razão, nenhum deles moveu um dedo para nos ajudar a meses estávamos apenas eu e Sesshoumaru buscando informações, infiltrando nossos filhos dentre aqueles seres repugnantes.
Comecei a dar leves beijos no pescoço de Sesshoumaru, eu estava acabada, frustrada e sobrecarregada, assim como ele. Há meses não ficávamos juntos, e eu apenas queria matar o meu desejo dele, sabia que ele estava da mesma forma que eu, às vezes revessávamos no descanso para não deixar nada sem vigia, poucas vezes íamos os dois juntos descansar e quando acontecia estávamos tão sobrecarregados que adormecíamos rapidamente.
— Sesshoumaru... — eu disse manhosa, passando o nariz pelo pescoço dele, sentindo a pele dele se arrepiar ao meu toque, passei as garras levemente pelo peito dele, por cima da yukata, ele me apertou mais ao corpo dele. — Vamos para o quarto...
Senti meu corpo ser içado muito rápido, Sesshoumaru já estava na porta do escritório quando dou por mim. Eu lambi o pescoço dele, da base até o lóbulo da orelha, dando uma leve mordida ali, ele me apertou mais nos braços dele. Entramos no quarto e ele me colocou no chão, travando a porta como ele sempre fazia. Ele estava de costas para mim, eu desamarrei o obi do meu kimono e o joguei no chão, eu tinha pressa.
Quando ele se virou, eu envolvi seu pescoço o beijando com toda a vontade que eu estava sentindo naquele momento, nada me importava mais, apenas eu e ele. Comecei a desamarrar a hakama dele, eu sentia que ele tirava os sapatos, Sesshoumaru tinha a mesma urgência que eu. Ele me puxou para o colo dele, o envolvi com minhas pernas, sem interromper o beijo, ele me apoiou na parede, esfregando nossas intimidades.
Sesshoumaru arrancou meu kimono, o jogando no chão, eu estava apenas de calcinha, arranhei as costas dele quando ele desceu os beijos para meu pescoço. Tínhamos pressa, vontade, saudade. Aquela loucura toda estava nos afastando também, não apenas de nossos filhos. Eu me afastei dele, descendo os beijos pelo pescoço dele, Sesshoumaru me apertou com força nas nádegas e eu gemi. Ele estava mais vestido do que eu, ainda usava a calça.
Sesshoumaru me desencostou da parede e me levou para a cama, me colocando sobre ela, se afastou apenas para tirar as peças de roupa restante, arrancando a minha quando voltou. Ajeitei-me sobre a cama, apenas para senti-lo me penetrar em seguida, de uma vez, estávamos tão afoitos que não tinha tempo para preliminares. Eu gemi, ele também, há tempos eu não o sentia me amando da maneira que apenas ele sabia fazer, me mostrando o quão grande era o nosso sentimento, o quão único.
Arranhei as costas dele, Sesshoumaru chupou meu pescoço, ele me penetrava rápido, fundo, insano. Eu sabia que estávamos apenas deixando nossos instintos falarem mais alto, nosso desejo e aquilo estava gostoso demais. Mesmo depois de tantos anos juntos, era como se não houvesse passado um minuto se quer, Sesshoumaru ainda era ele mesmo, e isso nunca iria mudar. Sesshoumaru mudou nossas posições, comigo ficando por cima.
Meu cabelo sobre nós, parecendo uma cortina; Ele segurava em minhas nádegas me ajudando no movimento de sobe e desce, eu sabia que não demoraríamos muito em atingir o clímax, ele se sentou e eu o envolvi com meus braços, meu peito roçando no dele, nossos corpos arrepiados, extasiados. Aumentei a velocidade e logo sentia aquela sensação me atingindo por todos os lados, continuei me movimentando com a ajuda de Sesshoumaru e logo ele gozava também, arranhando a extensão de minhas costas.
Apoiei a cabeça no ombro dele, ofegante. Sesshoumaru estava da mesma forma, ele me envolvia em seus braços e estava com a cabeça na curva do meu pescoço; eu sentia a respiração dele me fazer cocegas. Enfiei meus dedos entre os fios dele, o acariciando levemente, enquanto ele ficava passando o dedo na extensão de minha cicatriz. Puxei os cabelos dele, sem força, o beijando quando ele me olhou inquisitivo. Não mudamos de posição, o membro dele ainda dentro de mim.
Rebolei lentamente e o senti sorrindo entre o beijo — Vamos para o segundo round? — eu perguntei mordendo o lábio dele e o puxando entre meus dentes.
— Não sei o que significa round, mas gosto da ideia que me passa — ele disse apertando minhas nádegas novamente, esfregando nossas intimidades. Logo estávamos nos amando do nosso jeito louco e cheio de desejo.
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20 anos depois.
Bip.
Bip.
Bip.
Aquele som era tão irritante aos meus ouvidos. Queria não ter que dar atenção a ele.
Tic-tac.
Tic-tac.
Tic-tac.
A vontade de correr daquilo e deixar tudo para trás era imensa, mas eu não conseguia mover um dedo. E para onde eu iria afinal?
Bip.
Aquele som me deixava cada vez mais apreensiva, porque eu não sabia quando poderia ser o último. Eu não podia simplesmente sumir sem saber se aquilo teria um fim.
Tic-tac.
O tempo não favorecia nada, apenas fazia com que eu sentisse que aquele era o último segundo, a última vez que a veria.
Afaguei a mão pálida que estava entre as minhas, estava velha, enrugada, cansada. As unhas mal tratadas, a pele mais pálida ao invés da rosada que eu estava habituada, os cabelos brancos e sem vida, os olhos sempre brilhantes estavam fechados, os lábios que sempre tinham um sorriso gentil e alegre estavam rachados, secos e numa linha severa.
Eu já devia ter saído há cinco minutos, mas eu não conseguia me mexer daquela cadeira desconfortável, era sempre assim, a enfermeira já sabia disso, por este motivo vinha todos os dias me expulsar gentilmente do quarto, apenas para me ver sentada no corredor esperando o próximo horário de visitas.
Ficava pensando em Kenichi e Yuri, não veriam a avó uma última vez, eles já estavam com 25 anos, se encaminhando na vida. Rin estava gravida de Kohaku, meu primeiro neto ou neta estava a caminho e eu não tinha conseguido ir visita-la ainda, mas ela entenderia quando eu lhe explicasse. Shippou estava tão empenhado em treinar os soldados de Sesshoumaru que era difícil vê-lo, contudo ele sempre ia me visitar. Suspirei cansada, eu só queria ver meus filhos, mas eu temia deixa-la.
Temia que ela me deixasse nesse meio tempo...
A porta se abriu e eu já sabia que era a enfermeira para me expulsar de novo, aquela rotina já estava ficando tão chata, cansativa. Afaguei novamente a mão de minha mãe, esperando uma resposta de volta, mas nunca vinha, nem um mínimo afago, um mexer de dedo, nada. Já havia uma semana que ela estava em coma, depois de ter tido um infarto e caído, batendo a cabeça. Conseguiram salvá-la a tempo, todavia desde então ela não acordou.
— Senhorita Higurashi, precisa deixar sua avó descansar — a enfermeira disse gentilmente, me dirigindo um sorriso. Ela se aproximou de minha mãe e analisou a prancheta como sempre, depois me dirigiu um sorriso novamente.
Levantei-me entendendo o recado, eu era a neta de minha mãe por aparentar ter 17 anos e não 50. Mamãe estava na metade da casa dos setenta, eu sabia que a qualquer momento poderia dar o último suspiro e no fundo eu estava apavorada com a ideia. Souta estava do lado de fora, desde que mamãe adoecera nos revessávamos para estar com ela, Souta se tornou um ótimo advogado e era muito competente, estava quase na casa dos quarenta e ele sim apresentava a idade que tinha.
Souta podia dizer aos quatro ventos que ia ver a mãe, enquanto eu mentia dizendo que era neta dela, filha mais velha de Souta... Ele tinha ficado maior do que eu, com um ar mais responsável e sério, seu filho mais velho, Kano, estava ali também me aguardando, meu sobrinho tem quinze anos, e é tão bonito quanto o pai. Souta levantou os olhos quando me viu, ele estava tão arrasado quanto eu, os olhos castanho mostrando todo o cansaço que sentia, aposto que os meus olhos estavam iguais, cansados.
— Fazia tempo que não te via assim mana — ele disse quando eu me sentei ao lado dele, aposto que se referia a minha aparência humana, há tempos não ficava assim. Souta me estendeu um copo de café que eu prontamente aceitei — Como ela está?
— Do mesmo jeito — eu disse balançando a cabeça em negativa. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde ela partiria, e eu não sabia o quanto eu poderia suportar. Sesshoumaru e meus filhos estariam preocupados comigo, há dias eu não ia pra casa... Casa, quinhentos anos no passado. Sentia que a qualquer momento algum deles aparecia por ali, e eu temia por isso...
Souta suspirou ao meu lado atraindo minha atenção novamente, Kano estava choroso ao lado dele... Tempos difíceis... Lembra-me da época do vovô. — Maya queria ter vindo, mas com parto recente e com Ayumi com dias de vida, é complicado...
— É melhor ela ficar longe mesmo... — eu disse dando um sorriso mínimo, eu estava arrasada com aquela situação toda. Eu senti a presença dele antes mesmo de vê-lo, e eu sabia que ele não demoraria a vir... Sesshoumaru deveria estar preocupado já que havia mais de uma semana que eu não mandava notícias. Ele usava roupas de minha Era, sempre tão cuidadoso — Querido — eu disse quando ele se aproximou de nós.
Sesshoumaru me analisou, ele sabia mais ou menos o que era um hospital, então ele desconfiava que algo não estava certo. Souta e Kano o cumprimentaram e ele se sentou ao meu lado, segurando em minha mão, eu apoiei a cabeça no ombro dele, sentindo a calmaria que ele me passava me atingir aos poucos. Ele queria que o explicasse e eu o faria quando me sentisse melhor. Souta se remexeu ao meu lado e tocou em minha perna.
Desencostei-me de Sesshoumaru olhando para Souta, assim como meu marido. Souta estava nervoso e parecia em conflito com algo dentro dele, quando ele me olhou estava mais sério do que de costume — Kagome, eu tomei uma decisão e espero que você respeite.
— Decisão? — eu o perguntei confusa, me ajeitei melhor na cadeira, e o olhei atenta.
— Quando a mamãe morrer — ele gaguejou e desviou os olhos dos meus, eu estava chocada, eu sabia o que ele ia me dizer antes de terminar — eu quero que você nunca mais volte...
Choque. Eu não conseguia acreditar no que eu ouvia. Meu próprio irmão não quer que eu volte mais? Eu sentia a dor da perda me atingindo, duas vezes ainda por cima, porque Souta estava me dizendo aquilo? Eu ainda era Kagome Higurashi, irmã mais velha dele... Souta não me olhou quando continuou a falar.
— Já vai ser bem difícil sem a mamãe, e eu não quero que você passe por isso comigo, depois com Kano e Ayumi — eu vi que ele chorava, assim como eu. Senti Sesshoumaru me afagar as costas, ele não tinha ideia do que estava acontecendo, nem sei como me encontrou aqui — Prometa-me Kagome, que quando a mamãe morrer, será a última vez que verei você.
— Não irei prometer algo assim Souta, está ficando louco? — eu perguntei ofendida, eu estava desesperada com a ideia de nunca mais vê-lo, já não bastava nossa mãe estar prestes a nos deixar para sempre?
— Acha que eu gosto dessa ideia? Acha que eu gosto de propor a minha única irmã nunca mais vê-la? — ele se levantou e me deixou ali com Sesshoumaru, Kano o seguiu. Eu senti Sesshoumaru me puxando para o peito dele, e afagava meu braço levemente.
— Mamãe está morrendo querido — eu disse olhando para minhas mãos, eu estava esgotada, para mim qualquer segundo seria o último e aquilo me deixava ainda mais aflita — Ela está em coma há uns dias, e eu acho que a qualquer momento chegará à notícia que Souta e eu não queremos...
— Por isso não voltou para casa? — ele me olhou e eu afirmei com a cabeça, ele afagou meu cabelo — Estávamos preocupados...
— Me desculpe — eu disse afagando a mão dele, ele enlaçou nossos dedos — Agora Souta não quer me ver mais, isso é difícil para mim... — suspirei triste — Eu só queria que tudo isso acabasse.
— Eu sinto muito Kagome — Sesshoumaru afagou meu rosto, secando algumas lágrimas que escorriam.
— Como você me encontrou aqui? — eu perguntei bebendo um gole do café que Souta havia me dado.
— Takao me disse onde você estava, por isso eu vim — ele sorriu para mim — Confesso que me confundi um pouco na hora de me trocar, mas acho que me vesti bem.
— Está lindo — eu sorri fracamente. Apoiei a cabeça no ombro de Sesshoumaru e fechei os olhos, talvez um cochilo não me fizesse mal.
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Crac.
Crac.
Crac.
O som do cascalho sob nossos pés eram tão altos aos meus ouvidos, mesmo que eu estivesse em minha forma humana, parecia que estavam dentro da minha cabeça. Ecoando de todos os lados ao meu redor. Sesshoumaru estava comigo, ele nunca me deixaria afinal.
Snif.
Alguém choramingou atrás de mim, mas eu não me importei, nem quis tentar descobrir quem era, eu tinha olhos apenas para lapide a minha frente. As pessoas começavam a deixar o cemitério e eu não conseguia me mover da frente da lapide de minha mãe. Um a um as pessoas foram saindo, Souta relutou um pouco ali, talvez querendo falar comigo, mas eu o ignorei totalmente, até que ficamos apenas eu e Sesshoumaru.
Eu coloquei meu crisântemo branco no potinho de água, eu só queria que o tempo parasse no momento em que eu estivesse com minha mãe, um último sorriso dirigido a mim, um último gesto de carinho, mas eu sabia que aquilo era impossível e isso fazia a dor ser pior. Senti Sesshoumaru me envolver pelos ombros, eu olhava de forma vidrada para a lápide.
Eu tinha aceitado a condição de Souta no fim, contudo, ele não sabia disso. Aposto que naquele momento ele queria falar disso, mas eu não. Eu não iria me despedir dele, eu era fraca demais para ter que lidar com a perda dele de forma consciente, porém se ele não quer me ver mais, eu iria respeitar a vontade dele e nunca mais cruzaria o caminho dele, ali estava sendo a despedida de minha família, minha base, e seguiria em frente com minha família, onde eu era uma das bases junto com Sesshoumaru.
Meus filhos estavam preocupados e estavam me aguardando retornar.
— Kagome — Sesshoumaru disse pegando em minha mão, envolvendo nossos dedos, eu o olhei dando um sorriso triste. Sesshoumaru sorriu para mim também, logo me puxando de perto da lápide — Vamos, precisamos voltar para casa — ele passou o braço por meus ombros me guiando pelo caminho repleto de cascalho.
— Certo — eu disse dando uma última olhada por cima do ombro para a lápide de minha mãe. Era meu último adeus para a mulher mais importante da minha vida — Sentirei saudades mamãe — eu disse para o nada, como se ela pudesse me escutar uma última vez.
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Virei-me de costas para a claridade do cômodo, com certeza aquilo era coisa de Sesshoumaru, ele sempre fazia aquilo, mas qual é, pra que levantar cedo num dia de folga? Gemi frustrada e puxei o edredom para me cobrir melhor, mas foi uma tarefa difícil, o pano não se movia. Abri um dos olhos incomodada com toda aquela luz, procurando o motivo do meu empecilho em voltar a dormir, o encontrei ali, sentado ao pé da cama.
— Sabe, não adianta fugir, mais cedo ou mais tarde as pessoas virão até você... — ele sorriu e subiu na cama, se deitando ao meu lado. Os olhos ambares com vestígios em azul estavam orgulhosos, os fios que antes foram brancos estavam pintados de preto e curtos, por clara opção dele — Não é sempre que se faz 515 anos mamãe — Kenichi deitou a cabeça em meu ombro e me abraçou, eu o envolvi da melhor maneira possível.
515 anos... O tempo nem parece ter passado tanto assim, contudo, quando paro para pensar são quinhentos anos... Meio século... É tempo demais! Assenti para meu filho o abraçando melhor, Kenichi era um homem, com família e vida própria, parecia mais irmão de Sesshoumaru do que filho. Ele estava beirando os quinhentos anos também, juntamente com Yuri. Senti-me velha por um momento.
— Obrigada querido... — eu disse afagando os fios escuros e dando um beijo na testa dele — Como estão meus netos? — ele levantou a cabeça me dirigindo um sorriso.
— Estão bem, — ele se sentou melhor, apoiando a cabeça no braço — eles estão viajando com Yuuwa, voltam semana que vem — ele suspirou, depois me dirigiu um sorriso — sabe estou morrendo de saudades deles e de minha esposa.
— Ah, porque quando era eu que falava essas coisas, eu estava sendo dramática — eu disse dando um sorriso me sentando também, Kenichi ficou envergonhado mas deu de ombros — Não se preocupe querido, logo eles estarão diante de seus olhos e não aja como se eles fossem criança.
— Você ainda se comporta assim — ele disse dando um sorriso sincero, um sorriso puro — O que confesso gostar — eu baguncei os cabelos dele sorrindo.
A porta se abriu e nos dois olhamos para ela, por ela passou uma mulher de cabelos longos até a cintura, ela tinha californiana preta nos fios brancos, que ela exibia com muito orgulho, os olhos dourados calmos como sempre, mas ela sorria com uma bandeja em mãos.
— Café na cama! — Yuri se aproximou da cama, me entregando a bandeja — Feliz aniversário mamãe! — ela se sentou ao meu lado me dando um beijo na bochecha. Yuri não tinha filhos, mas porque ela me dizia ser nova demais para isso, contudo ela estava começando a pensar na hipótese. Ela é casada há muitos anos com Takehiko, filho de Kouga.
— Obrigada meu amor — eu disse comendo uma das torradas e bebendo um gole de suco — A proposito, o que vão fazer hoje? — eles trocaram olhares e depois me olharam desconcertados.
— Infelizmente vamos trabalhar — Yuri disse dando um sorriso triste, segurando minha mão como se desejasse força — Mas vamos compensar depois, prometemos!
— Não tem problema — eu disse dando um sorriso sincero, na verdade eu não queria ninguém comigo hoje... Hoje era o dia que tudo começou. O dia em que minha vida deu um giro, através daquele poço.
Continuei a comer e conversar um pouco com meus filhos, mas logo dava o horário deles, quando eles saíram eu suspirei, o mais difícil de viver numa era em que você já existe é a questão de que as pessoas que você mais ama estão vivas de novo, isso fica tão complexo quando se analisa na linha do tempo, que parece algo desorganizado. Mamãe, Souta ainda me ama e não me quer longe, vovô... Eu sentia falta deles...
Fui ao banheiro e tomei um banho, meu cabelo estava curto, como usei uma vez há muitos anos atrás, eu os deixei na cor de youkai mesmo, contudo de vez em quando eu deixava minha forma humana assumir por um período. Com o passar do tempo aprendemos a nos camuflar entre os humanos, muitos de nós estavam espalhados por ai. Kouga, Shippou, Takeo. Eles estavam em meu âmbito, próximos de mim.
Outros eu só conhecia por ser a Lady das terras do Oeste, mesmo que a divisão tenha ficado mais discreta com o passar das eras. Coloquei uma calça jeans, all star e uma regata preta. Eu ia dar umas voltas por ai e quem sabe não encontrasse alguém de minha época?
Sai de meu apartamento, a coisa boa de se ter quinhentos anos é a questão monetária. Não precisávamos nos preocupar com dinheiro, não precisávamos trabalhar, o fazíamos apenas para não ficar sem ter nada pra fazer. Fui caminhando, observando as pessoas ao meu redor, aquele tempo, hoje eu vejo como uma era bagunçada, e é engraçado de se pensar porque na verdade, aquela era a minha era.
Parei numa lanchonete comprando um sorvete, voltei a caminhar, parando aqui e ali olhando uma vitrine, mas nada me agradava. Fui em direção ao caminho que eu tanto conhecia, o templo Higurashi. Subi as escadas sem pressa, eu estava ansiosa, afinal poderia me ver, mesmo que para mim nada mudasse, para essa Kagome mudaria tudo.
Quando cheguei ao final da escadaria à porta se abriu, disfarcei indo na direção do templo quando avistei mamãe me dando tchau, Souta saia ao meu lado e vovô chorava correndo atrás de Buyo que estava com algo na boca, provavelmente um dos péssimos presentes que ele me dava alegando dar boa sorte. Sorri nostálgica, seguindo para o templo.
— Seja bem vinda — a voz me saudou, preguiçosamente. Observei o homem sentado na varanda, usava vestes de sacerdócio, os cabelos azuis caiam sobre os olhos e os chocolates estavam escondidos pela pálpebra fechada. Takeo estava preguiçosamente aproveitando o tempo passar.
— Olá — eu disse cordial dando um sorriso para ele quando abriu um dos olhos. Estendi a mão a ele que prontamente pegou — como vão as coisas por aqui Takao?
— Vão bem, Kagome não me conhece, não tem interesse no templo — ele deu de ombros mostrando o lugar ao lado dele — O que no final é bom né, porque depois não vamos mais desgrudar, literalmente.
Sorri para ele, olhando a casa de minha infância, aquela sensação me deixava bem agoniada, mas não havia nada que eu pudesse fazer. Apenas esperar o tempo passar... — É, Kagome acha que tudo isso é baboseira, mas isso vai mudar hoje Takao, seja como for, não interfira — eu disse o olhando sério — É assim que começa minha vida.
— Eu entendo Ka, não se preocupe — ele sorriu envolvendo meus ombros num meio abraço — Parabéns! — ele tirou um pequeno embrulho de dentro das vestes me entregando — é um presente meu e de Yukio, espero que goste.
— Você não poderia ter encontrado pessoa melhor — eu disse dando um sorriso a ele. Yukio era o marido de Takeo, se conheceram há muitos anos, ele era um youkai reservado e muito fofo, eu gostava muito de Yukio, era a maior torcedora deles — Ele deve estar achando ruim ter que se afastar de você assim... Sinto-me culpada.
— Quanto drama! — Takeo disse jogando os braços para cima e revirando os olhos — Sabe que eu quem quis cuidar do templo — ele disse afagando meu braço — Yukio sobreviverá, afinal eu não moro aqui, vou para casa toda noite.
— Bom, eu vou embora antes que minha mãe venha te oferecer algo — eu disse me levantando, mas já era tarde demais, ela vinha em nossa direção sorrindo cordialmente com uma jarra de suco e dois copos — Ai...
— Bom dia Takao — ela disse nos olhando animada, talvez achando que eu fosse a namorada dele — Olá, sou...
— Essa daqui é minha prima — Takeo a interrompeu de repente dando um sorriso nervoso — ela só veio me trazer um recado, a carona dela está a aguardando lá em baixo — ele me deu um leve empurrão, para me tirar dessa situação estranha.
— Muito prazer senhora, eu sou Yuri Taisho — eu disse dando o nome de minha filha, já que foi o primeiro nome a vir na minha cabeça e sorrindo sem seguida — Eu já vou me retirar, até a próxima.
Saí muito rápido, quase correndo, ela deve me achar uma louca, nossa. Desci a escadaria e me dirigi para o meu parque favorito, me sentei em um dos bancos e me deixei pensar... Mamãe estava bem, sorridente, e cheia de vida. Acho que o pior dia para mim foi quando encontrei com meu pai no mercado poucos dias antes de morrer, a vontade de impedi-lo foi enorme, mas deixei as coisas acontecerem como deveriam. Infelizmente meu pai acabou morrendo de novo.
Observei a paisagem, era próximo do meio dia, eu começava a sentir fome. Olhei ao meu redor pessoas em seu cotidiano, algumas passeavam por ali, outras estavam apenas de passagem. As pessoas conversavam alegres e muitas delas ficavam apenas apreciando a vista como eu. O parque era repleto de árvores e eu gostava da sensação de tranquilidade que ele me passava. Assustei-me quando percebi alguém sentado ao meu lado.
O homem estava voltado para mim, usava roupas normais, calça jeans e polo, me observava tranquila e abertamente, revirei os olhos. Os ambares estavam divertidos, talvez por eu não tê-lo visto chegando. O rosto que antes tinham marcas estava limpo, afinal as marcas estavam ocultadas, sem meia lua, exceto a do pescoço, as orelhas menos pontudas, os cabelos curtos e na cor natural. O rosto que eu adorava ficar admirando me perguntando como eu pude ter sorte em ter um homem tão lindo desses?
— Você é tão previsível para mim querida — ele disse afagando meu rosto quando se aproximou mais, Sesshoumaru estava tranquilo, mas parecia estar levemente agitado — Takeo ficou preocupado com você...
— Takeo é sempre um anjo comigo — eu disse observando as pessoas, senti Sesshoumaru enlaçar meus dedos com o dele, me puxando para um abraço de lado — Mamãe continua exatamente como me lembro, acho isso engraçado, nossas lembranças sabe?
— Sim, eu entendo... — ele ficou acariciando minha nuca, me deu um leve roçar de lábios fazendo com que eu o olhasse — Feliz aniversário Kagome — e sorriu, meu sorriso favorito. Um sem preocupações, alegre, dele mesmo.
— Obrigada.
Sesshoumaru comentou sobre ter uma surpresa para mim, estava em casa, e que ele queria que fossemos agora para aproveitar, mas desconfiava que parte dessa surpresa envolvia nós dois nus no nosso quarto, confesso que adorava essa parte. Sorri e assenti, me levantando. Sesshoumaru me abraçou pelos ombros e eu envolvi a cintura dele, passamos a caminhar para casa, não era muito longe dali. Quando estávamos próximos da escadaria do templo uma jovem de cabelos negros, uniforme escolar verde e uma mochila amarela passou por nós correndo, eu sabia o que aquilo significava. Sesshoumaru ficou observando a mesma cena que eu, ambos parados no meio da calçada, o puxei para que voltasse a caminhar.
— Mal sabe Kagome que ela está correndo para a nova vida dela — eu disse dando um sorriso nostálgico, observando a jovem subir correndo, aposto que ela surpreenderia Takeo por estar chegando mais cedo, sorri de imaginar a cena.
Sesshoumaru me olhou um pouco confuso — Nova vida? — Ainda olhava na direção da escadaria.
— É hoje querido que acontece a primeira viagem entre as Eras — eu o olhei divertida e deixando as lembranças invadir a mente dele, depois de tantos anos não precisávamos mais usar as marcas, bastava querer mostrar algo ao outro. Os ambares me mostravam a compreensão de minhas palavras. — Kagome vai conhecer aquele mundo hoje. Vai conhecer novos amigos incríveis, vai sofrer por amor, vai lutar pela própria vida e consertar todos os erros que já cometeu — Atravessamos a rua, enquanto continuávamos a conversar — A partir de hoje, Kagome irá mudar completamente.
Sesshoumaru sorriu e me deu um beijo no topo da cabeça — Só espero que ela seja tão cabeça dura e insolente quanto você. — eu parei de andar o olhando de certo ofendida, como ele ousa falar isso? — Confesse Kagome, você é teimosa quando quer.
— Como se aquele Sesshoumaru fosse cair de amores por mim, — eu o olhei descrente, como ele pensa algo assim? — Se esqueceu de que ele ainda odeia fervorosamente os humanos?
Sesshoumaru sorriu para mim novamente, fazendo com que voltássemos a andar — Ela vai dobrá-lo, você me dobrou — ele afagou meu ombro, dando um sorriso para o nada, eu podia sentir a sensação de nostalgia — Ele vai perceber o quanto você é especial para ele, o quanto você desperta a curiosidade dele, no tempo dele, e quando Yokoyama aparecer, tudo fluirá como deve ser.
Chegamos em casa, assim que a porta se fechou Sesshoumaru me prensou nela, me beijando com desejo, como sempre fora — Lembre-se Kagome, você nasceu para pertencer a esse Sesshoumaru — ele me puxou para cima, fazendo-me envolver a cintura dele com minhas pernas — Destinada a ser minha, por inteiro — ele me beijou no pescoço em cima da marca, fazendo com que eu me excitasse quase instantaneamente, esfregando nossas intimidades — A me fazer ser o homem mais realizado do mundo, só por você ser minha mulher.
Sorri para ele, o beijando novamente — Assim como você foi destinado a ser meu Sesshoumaru — ele caminhou comigo em seu colo na direção de nosso quarto, batendo a porta quando passamos — Apenas meu — ele me colocou na cama, se colocando sobre mim — Por isso, ele pode espernear, reclamar, se emburrar... Aquela Kagome, vai chegar onde estamos e as outras depois dela, porque nossos destinos são entrelaçados como um emaranhados de fios — ele sorriu e me beijou novamente.
— É estranho sentir ciúmes de outros eus? — ele perguntou dando um sorriso e puxando minha camisa a retirando — Porque eu não gosto da ideia de outros a tocando, exceto eu mesmo.
Nosso amor era assim, mesmo com todos os empecilhos e dificuldades chegamos até ali, juntos, como uma família e principalmente como se fosse a primeira vez que nos amamos. Sesshoumaru era meu de todas as formas, assim como eu era dele, fomos destinados a estar juntos, independente de preconceitos ou diferenças. Nossos caminhos eram entrelaçados desde que eu viajei pela primeira vez pra Era Feudal e fui parar naquele tumulo, assim, com aquele encontro, nosso destino foi selado.
FIM.
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