Caminhos Entrelaçados
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Pov’s Inu-yasha.
A batalha estava muito difícil! Naraku estava ficando cada vez mais forte e eu não estava conseguindo sozinho. A noite também atrapalhava um pouco, mas logo eu sabia que já iria amanhecer. Sango e Miroku ajudaram bastante, mas foram abatidos em dado momento que eu não percebi, estava preocupado com Kikyou. Ela tinha perdido as almas e não conseguia se movimentar direito, maldito Naraku que mais uma vez está tentando matá-la!
Procurei por Kouga, que até pouco tempo estava comigo e com Sesshoumaru na luta, mas não o encontrei, achei Sango e Miroku mais afastados... A direção que eles estavam era contraria a de Kikyou, porque eles não estavam juntos? Ela não é uma má pessoa para ser ignorada... Alias, onde está Kagome? Percebi um ataque se aproximando e consegui desviar.
— Nossa luta é aqui, Inu-yasha — disse Naraku sorrindo.
Eu bufei e o ataquei novamente com as Lanças de Diamantes, mas ele sempre se defendia. Um movimento chamou minha atenção, Kagome abraçada a Kouga. Como ela pode estar abraçada a ele daquela forma?! Eu estava verdadeiramente irado, Kagome não pode ficar assim com ele! Algo chamou minha atenção, percebi que Kagome estava dando apoio a ele. Uma luz desviou minha atenção e um estrondo foi ouvido, Sesshoumaru atacava com aquela nova espada dele e ela é realmente melhor que a Tessaiga!
Olhei novamente para Kouga e Kagome e pude entender o porquê de Kagome estar o ajudando, ele estava com as pernas feridas. Mesmo assim, ele não devia nem ao menos tocá-la! Ela se sentou próximo a ele – próximos demais para meu gosto -, e eles pareciam conversar. Sobre o que, eu não sei. Como alguém pode conversar durante uma batalha decisiva?! Resolvi voltar a prestar atenção na luta, afinal, quando eu pudesse teria uma conversa com Kagome! Ela teria que me explicar o que estava conversando com ele!
Eu voltei a atacar Naraku que sempre se defendia naquela barreira idiota, nem mesmo a Tessaiga Vermelha conseguia destruí-la. Naraku deu um sorriso e lançou um ataque, que nem de longe era para mim ou Sesshoumaru, nos viramos ao mesmo tempo e vimos em quem ele mirava: Kagome. Eu fiquei sem ação, não consegui me mover... Kagome teria o mesmo fim que Kikyou!
Quando fui pensar em me mover, Sesshoumaru já tinha o feito. Ele segurava Kagome pela cintura, com um braço só. Essa proximidade deles me incomodou e mais ainda a iniciativa de Sesshoumaru em ir salvá-la, eu só conseguia me perguntar por que ele o fez... Ele odeia os humanos, porque ajudar uma? Provavelmente por Rin, ela gosta muito de Kagome e Sesshoumaru sabe que se ela viesse a morrer, Rin sofreria... É, foi isso. Eles trocaram algumas palavras e depois eles desceram perto da mochila dela, parei de olhar, pois Naraku chamava minha atenção.
— Parece que não se importa mais com Kagome, Inu-yasha — Naraku disse dando um sorriso, olhando na direção deles — Se Sesshoumaru não fosse ao resgate dela, ela não passaria de pedaços agora — ele me olhou com desdém — ou pensou que eu não fosse matá-la realmente? Porque se foi isso, estava enganado.
— Não diga sobre o que você não sabe — eu disse para ele, sério. Olhei para Kagome, pelo menos ela está bem... Se eu a perdesse... Resolvi afastar esse pensamento — ORA KAGOME — eu gritei chamando a atenção dela, ela não me olhou, mas sabia que ela escutava — Não seja irresponsável!
Ela nada disse e nem me olhou, mesmo depois de eu deixar claro a minha preocupação por ela. Às vezes Kagome é tão ingrata! Não reconhece a minha preocupação e nem me agradece! Naraku me atacou novamente, fui pego de surpresa, afinal ainda prestava atenção em Kagome. Eu entendi qual era o plano de Naraku, se ele derrotasse um de nós ele sairia vencedor. Sesshoumaru voltou para perto e por incrível que pareça me ajudou. Ele estava muito irritado com alguma coisa, só não sabia com o que, afinal Rin já tinha partido há muito tempo. Vai ver ainda eram resquícios daquela raiva anterior.
Naraku novamente mirou em alguém e eu sabia quem estava naquela direção, antes que ele completasse o ataque eu já me movia — KIKYOU! — eu estava com medo de não conseguir salvá-la, de não conseguir chegar a tempo e que acontecesse tudo novamente, mas eu consegui. Abracei Kikyou muito forte, o medo ainda fazia presente em minhas veias fazendo meu sangue ser bombeado a uma velocidade absurda... Conseguia o sentir pulsando por minhas veias.
Caminhei com ela para outro lugar seguro, dei um beijo em sua testa antes de sentá-la próxima a uma árvore. Eu quase a perdi novamente! Um som chamou a atenção para a batalha novamente, era Sesshoumaru e aquela espada dele, qual era o nome mesmo? Uma luz rosada chamou minha atenção e de Kikyou, Kagome estava com a flecha envolta em energia espiritual, mas ela só iria atrapalhar agora — Não atrapalhe Kagome! — eu disse quando ela estava prestes a atacar, ela não me olhou, não se mexeu... Kagome estava me ignorando?!
— Kukukuku, você não vai conseguir Kagome — Naraku disse de forma divertida e Kagome não pareceu se abalar, eu me levantei. Kagome estava de olhos fechados quando soltou a flecha — Mas o que? — Naraku murmurou e eu percebi a oportunidade que Kagome tinha aberto, afinal a barreira estava sendo desfeita!
Eu e Sesshoumaru atacamos ao mesmo tempo e nossos ataques se misturaram, acertando Naraku num grande golpe. Finalmente, ele havia morrido! Kagome se aproximou lentamente, seus olhos não continham o brilho de sempre, seus azuis estavam opacos, sinal claro de cansaço. Ela retirou a Joia do único pedaço de carne que tinha sobrado, deve ser por causa da Joia, pois assim que ela o retirou a carne apodreceu e desapareceu. Kagome estava se concentrando em purificá-la. “A traga para mim, Inu-yasha” Kikyou sussurrou, acho que sem força para falar mais alto, eu a olhei e ela me estendeu a mão debilmente “Kagome está quase sem energia espiritual. Ela não conseguirá purificá-la”. Eu somente assenti. Kikyou já estava recebendo as almas novamente ficando um pouco mais forte.
— Você é muito fraca Kagome — eu disse para ela, afinal, como ela não consegue purificar uma Joia? Eu lhe estendi a mão e a olhava pedindo a Joia com o olhar, quando ela não o fez, eu pedi — Me dê a Joia, Kikyou fará isso corretamente — ela me entregou a Joia meio relutante e quando a peguei, não esperei ela dizer mais nada. Saí em direção a Kikyou, afinal a Joia precisava ser purificada.
Eu me aproximei de Kikyou e me abaixei ao lado dela. Ela pegou a Joia e começou purificá-la, eu olhei para onde Kagome estava. Ela e Sesshoumaru estavam próximos de Kirara e ela falava com ele, porque ele está lá com ela? E pior, porque ela está falando com ele? Kagome já se esqueceu de tudo o que Sesshoumaru já me fez? Kikyou chamou minha atenção, ela deu um sorriso quando a olhei, a Joia em sua mão totalmente rosada novamente.
— O que você vai fazer Inu-yasha? — ela perguntou me estendendo a Joia. Eu a olhei, dando um sorriso em seguida. Uma pergunta tão simples, mas que poderia ter milhões de significados. Para mim, para ela, para nós...
— Aquilo que eu sempre prometi a você, minha Kikyou — eu disse dando um beijo em sua testa — Está pronta? — ela me olhou, seus olhos brilhavam mais do que o comum. Com um sorriso, me acenou positivamente — Joia de quatro Almas, escute, pois lhe farei meu desejo — ela começou a brilhar mais forte, clareando todo o local a nossa volta — Quero que Kikyou volte a ser humana, volte a ser viva — e assim a Joia fez. Um brilho passou a envolver o corpo de Kikyou, ficou assim alguns minutos e ela ficou o tempo todo de olhos fechados. A luz passou a diminuir aos poucos e logo tudo voltou a ficar escuro. Eu escutava o coração de Kikyou batendo, o ritmo aumentando.
— Inu-yasha... — Kikyou disse com a voz embargada, lágrimas lhe banhavam a face — Eu estou viva novamente! — ela me abraçou e eu a envolvi, sentindo o cheiro dela que há cinquenta anos eu não sentia, nem percebi que sentia falta daquele cheiro único dela! Eu me sentei apoiado na árvore e ela se sentou entre as minhas pernas — Eu estou cansada agora...
— Não quer descansar no vilarejo? — eu perguntei acariciando os longos cabelos cor de chocolate.
— Não — ela disse se ajeitando melhor — Quero descansar antes de irmos — eu a abracei mais, aquecendo o corpo vivo dela novamente. Logo a respiração dela ficou mais leve anunciando que Kikyou dormia. Lembrei-me de Kagome e os outros, Sango e Miroku precisavam de ajuda.
Olhei na direção que eles estavam anteriormente e estava vazio. Kagome foi embora sem me dizer nada? Acho que ela só estava com pressa, afinal Miroku e Sango foram feridos e precisavam de atendimento e... Espera, ela levou o lobo fedido também?! Ela não podia ter feito isso! Onde já se viu, ela sabe que ele é apaixonado por ela e fica andando com ele por aí! Kikyou se remexeu em meus braços, me despertando de meus devaneios. Bom, Kagome não é imprudente ao ponto de ficar andando com ele por aí, ela deve somente tê-lo levado até a tribo dos lobos, afinal ele também estava ferido.
Eu estou um pouco cansado, me recostei melhor na árvore. Ainda estava escuro, devia faltar pouco para o amanhecer, mas quero descansar um pouco, vou tirar um cochilo e quando acordar seguiremos para o vilarejo, tenho que conversar com Kagome. Uma conversa muito séria!
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Acordei com afagos em meu rosto. Abri os olhos me deparando com olhos castanhos, Kikyou estava ajoelhada a minha frente. O Sol já estava clareando tudo, sinal de que já deveria ser quase metade da manhã. Eu dormi demais! — Que bom que acordou — ela disse se levantando — eu já consegui me recuperar um pouco, vamos para a casa de Kaede — eu me levantei, coloquei a Tessaiga na cintura e Kikyou continuou a falar — lá eu descanso mais um pouco.
— Tudo bem — eu disse me abaixando e virando as costas para ela — Suba — mas ela não subiu — O que foi?
— Vai me levar como leva a ela? — Kikyou perguntou, um pouco amarga até.
— Quer que eu te leve como? — eu perguntei confuso, assim é mais fácil para mim e creio ser mais confortável para ela — Vamos Kikyou, eu não carrego somente Kagome assim...
Ela nada disse, mas subiu em minhas costas. Ela me envolveu e me abraçou forte, gosto de tê-la assim por perto. Passei a correr na direção do vilarejo, estávamos um pouco longe, mas nada que eu não desse conta.
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Diminui a velocidade na entrada do vilarejo. Kikyou me acariciava levemente no peito e admito a sensação era gostosa.
— Agora eu entendo porque ela gosta de ser carregada assim — Kikyou disse quando desceu de minhas costas — É tão bom ter você assim, perto...
Eu sorri com isso — Kagome não gosta de ser carregada assim, ela prefere andar naquele treco estranho que ela chama de bicicleta — eu disse andando em direção a casa de Kaede, Kikyou seguia ao meu lado — Só que depois de um tempo ela parou de reclamar, eu quem acho mais rápido andar assim.
— Agora não será mais necessário levá-la assim — ela disse segurando meu braço.
As pessoas olhavam para nós, as pessoas mais velhas a cumprimentavam, as mais novas a olhavam meio torto, mas nada que uns dias não resolvessem. Kikyou voltaria a ser a sacerdotisa do vilarejo junto de Kaede. A casa da velha já era visível, eu queria logo ir falar com Kagome, mas se o fizesse agora, Kikyou ficaria com ciúmes e tudo o que eu menos quero é que elas briguem. Eu quero que as duas sejam amigas e não inimigas. Eu entrei na casa junto de Kikyou.
— Olá Velha — eu disse assim que avistei Kaede. Ela se virou para mim, seu olhar era acusador, confesso não ter entendido. Ela olhou para a pessoa atrás de mim e sorriu, mas seu sorriso não chegou aos seus olhos.
— Olá Inu-yasha. Seja bem vinda Kikyou — ela disse se levantando. Ela estava sentada ao lado de Miroku e parecia ter acabado de trocar o pano de sua testa. Estranhei nem Sango, Shippou e Kagome estarem na cabana, vai ver estavam conversando em algum lugar por aí, depois os procuraria.
— Olá Kaede — Kikyou disse dando um sorriso e abrindo os braços, claro sinal de quem queria receber um abraço — Não vai abraçar a sua irmã?
Kaede se dirigiu até Kikyou e lhe deu um abraço — Não está cansada Kikyou? — ela somente assentiu para a irmã — Então pode se deitar ali, Miroku está doente e não acordará tão cedo.
— Tudo bem — ela disse se dirigindo para o local até onde Kaede indicou — Vou descansar agora Inu-yasha, quando eu acordar, você me leva para conhecer o vilarejo, sim? — eu somente assenti positivamente e saí da cabana.
Agora sim eu iria atrás da Kagome! Ela deve estar me esperando... Fui até o lago onde ela costuma ficar e ela não estava lá, fui até a escada do Santuário, até onde um grupo de crianças brincava e Kagome gostava de observar, fui até a árvore sagrada e a vários outros lugares. Kagome não estava em lugar nenhum! Ela não podia ter ido embora sem falar comigo! Ela não poderia fugir de mim, Kagome não pode me abandonar! Fui até o poço come-ossos e senti o leve aroma de Kagome ali, se ela está pensando que vai fugir de mim, está muito enganada! Eu vou buscá-la agora! E ela me explicará porque fugiu assim.
Eu pulei no poço e não aconteceu o que eu queria, somente bati no chão. Eu não podia mais passar?! Não, será que a Kagome está presa do lado de lá? Não, ela não pode ter passado para sempre! Eu nunca mais irei vê-la? Uma sensação ruim se apossou de mim, mas isso não é possível! Kagome não pode ter ido embora assim, e ter me deixado aqui... Um pensamento me ocorreu, Kagome pode não ter conseguido passar também! Uma pequena esperança se apossou do meu ser, talvez ainda eu pudesse ver Kagome! Corri de volta para o vilarejo, alguém saberia do paradeiro de Kagome!
Quando eu voltei, avistei Kaede com Shippou e Miroku sentados na beira do lago, observando o entardecer. Sango e nem Kagome estavam com eles, onde será que elas estavam? Não estou gostando nada disso! Dirigi-me até eles. Respostas eu queria e respostas eles me dariam!
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Pov’s Autora
Após Inu-yasha sair da cabana Kaede se sentou em seu lugar de costume. Ela estava verdadeiramente chateada com o que Inu-yasha tinha feito para Kagome, mas também estava feliz por sua irmã ter voltado à vida. Só não conseguia demonstrar, afinal o sentimento de culpa por Kagome continuar ali por causa de sua irmã falava mais alto em seu coração.
A porta foi aberta anunciando a chegada de mais uma pessoa, o pequeno youkai raposa vinha com um olhar sério em direção a Kaede. Ela entendia a raiva e a tristeza dele, afinal o pequeno youkai ruivo amava Kagome como se fosse uma mãe, e para ele era difícil ter a ideia de que talvez ela nunca mais chegue a voltar por culpa de um erro de Inu-yasha. Ele olhava diretamente para Kikyou que dormia na cabana, seu olhar era acusador.
— Vem aqui pequeno — Kaede disse mostrando o lugar ao seu lado para o pequeno se sentar, e assim ele o fez — O que foi que você tem? — ele nada disse, muito menos a olhou. Kaede resolveu mudar a abordagem — Onde estava Shippou?
— Estava no lugar que Kagome mais gosta de ficar — ele disse a olhando, Kaede percebeu os olhos vermelhos do pequeno — Naquela clareira atrás do poço...
— É, ela gosta dali. Acho que só eu, você e Sango sabemos daquele local... — Kaede sorriu para o pequeno. Ambos ficaram em silêncio até o pequeno youkai se pronunciar novamente.
— Acha que ela vai voltar mesmo...? — Shippou perguntou receoso da resposta e com medo de tudo aquilo não passar de uma encenação para que Kagome fosse embora para sempre. Ele ama Kagome como sua mãe e quer viver com ela. Como uma família... Igual a que ele tinha antes, quando seus pais eram vivos.
— Claro que vai voltar — Kaede disse dando um sorriso terno e passando confiança para o pequeno. Mas o mesmo sumiu quando a pergunta foi feita de forma lenta e arrastada.
— Quem vai voltar?
A pergunta foi feita muito baixa, quase num sussurro. Ambos olharam para Miroku que tinha acabado de acordar e se sentando em seguida com certa dificuldade. Tinham se assustado, afinal não era para ele ter acordado ainda e pensaram que tinha sido Inu-yasha o autor da pergunta.
— Vamos lá fora para podermos conversar mais a vontade — Shippou disse rispidamente e olhando diretamente para Kikyou. Miroku seguiu o olhar e arregalou os olhos, ele estava verdadeiramente confuso. O que Kikyou fazia ali?
Com muito esforço Miroku se levantou, com a ajuda de Kaede, e seguiram para a beira do lago. Lá acomodaram Miroku da melhor maneira possível, para não machucá-lo ainda mais e passaram a contar para ele o que sabiam da luta. O mesmo analisava sua mão que ainda estava com o rosário e foi o retirando aos poucos, quando o retirou por completo abriu um sorriso. Finalmente estava livre da maldição e poderia ter uma vida comum, como qualquer outro homem.
— Eu estava na cabana quando Kagome chegou com você ferido. Eu cuidei de você e; Sango e Kagome tinham saído na direção do poço. Naquele instante eu soube que algo estava errado, Kagome quase não falou comigo... — Kaede contava a Miroku que prestava total atenção, Shippou ao seu lado estava triste e Miroku não entendia o porquê — Depois de um tempo Kagome e Sango retornaram, ali eu tive a certeza de que algo estava errado.
— Onde está a Sango? — Miroku perguntou antes de Kaede continuasse de sua pausa.
— Foi levar a Kagome — Shippou respondeu, atiçando assim ainda mais a curiosidade do monge.
— Antes que você pergunte para onde, eu vou continuar a falar — Kaede se adiantou antes que o monge fizesse a pergunta — Kagome veio me pedir para mandá-la para longe depois que Inu-yasha usou a Joia para reviver minha irmã Kikyou e a passagem entre as Eras se fechou — Miroku arregalou os olhos em surpresa.
— Ele fez isso com ela? — Miroku perguntou desacreditado — Justo com ela?!
— Pois é, eu também fiquei bem irritado — Shippou disse bravo.
— Bom, ela não queria mais ficar aqui — Kaede continuou — Pelo menos não por agora... Por isso a mandei para um lugar longe o bastante para ele não encontrá-la e também para atender o maior desejo dela no momento — Kaede fez uma pequena pausa olhando ao redor, antes de voltar a falar — Kagome deseja ficar mais forte para exercer seu poder de sacerdotisa, já que não pode mais voltar e terá que viver aqui... Talvez para sempre...
— Entendo — Miroku murmurou pensativo — É totalmente compreensível à vontade dela de se afastar dele. — ele os olhou um pouco em dúvida — Mas porque Sango foi junto?
Shippou e Kaede sorriram pela expressão de receio que o monge demonstrava — Não se preocupe Miroku — Shippou disse ainda sorrindo — Sango só foi levá-la até o templo, mais tarde ela estará aí — o monge ficou levemente corado com as insinuações do pequeno, mas deixou pra lá.
Eles começaram a conversar sobre outros assuntos que não envolvesse a partida de Kagome e nem a falta que ela faria, conversaram sobre o treinamento que Shippou disse que faria por alguns dias longe da vila, sobre a “nova” vida que Miroku poderia ter dali pra frente, mas o assunto foi interrompido quando Inu-yasha chegou bem irritado.
— Velha, onde está a Kagome?! — Inu-yasha começou sendo ignorante e muito irritado — Eu fui passar no poço e ele não funcionou — Inu-yasha diminuiu o tom de voz antes de continuar, um para quase desesperado. Seu olhar demonstrava um medo nunca visto antes — Ela ficou presa do lado de lá?
Todos o olhavam chocados, como ele pôde dizer isso? Como ele pôde fazer uma pergunta dessas? Se fazendo de cínico dessa forma! E pior fingindo estar preocupado ou até mesmo que se importa com ela! — Antes ela tivesse ficado presa do lado de lá — Shippou murmurou em voz alta, o que irritou Inu-yasha que lhe acertou um cascudo. Só não acertou outro porque Miroku o protegeu.
— Nunca mais diga isso! — Inu-yasha disse visivelmente irado.
— Não seja cínico Inu-yasha — Shippou continuou — Você sabe muito bem que Kagome não pode atravessar o poço sem a Joia e mesmo assim a usou para trazer de volta a outra! — Shippou disse irado com ele — Eu odeio você por fazê-la sofrer!
Só naquele instante Inu-yasha se lembrou daquele detalhe insignificante. Entendeu que prendeu Kagome ali para sempre longe de sua família, amigos, vida... Ele não pensou nela, somente nele!
— Onde ela está? — ele perguntou mais calmo agora e tomado por um sentimento de remorso — Eu tenho que me desculpar com ela...
— Infelizmente isso não será possível Inu-yasha — Miroku disse sem olhá-lo, estava magoado com o amigo. Ele ama Kagome como se ama uma irmã e não podia aceitar a “maldade” que ele fez com sua irmã do coração, entre os dois, Miroku sempre escolheria Kagome.
— Pare de brincadeira seu monge maldito — Inu-yasha disse seguindo na direção de Miroku, mas lembrou-se que ele estava ferido ainda da recente batalha, parando de avançar sobre ele — Diga logo onde Kagome está!
— Kagome não está no vilarejo Inu-yasha — Kaede resolveu intervir antes que ele agredisse Miroku — Sango a levou para um lugar distante a pedido da própria.
— E para onde ela foi? — ele disse a olhando — Eu vou buscá-la agora!
— Infelizmente eu não sei a localização e nem Sango saberá — Kaede continuou — Kagome foi treinar para se tornar sacerdotisa e só ela poderá seguir com Takeo em certo ponto — Kaede o olhou, com certo ressentimento — Kagome quer se tornar sacerdotisa já que agora a vida dela será feita aqui, sem a chance de escolha.
— Ela não podia ter ido embora sem falar comigo antes! — Inu-yasha disse muito irritado e por dentro ele estava desesperado, não conseguiu se explicar a Kagome e nem se quer saberá o que ela estava falando com o Youkai lobo e nem com Sesshoumaru!
— Kagome não lhe deve satisfações — Miroku disse chamando a atenção dele — Kikyou é sua namorada agora, Kagome entendeu isso muito bem e seguiu com a vida dela — Miroku o olhou, com uma raiva mal contida no olhar — sem você.
— Isso não é verdade — Inu-yasha disse sentido com as palavras de Miroku. Elas realmente pesavam em sua mente, e em seu coração. Realmente ele já tinha a Kikyou, mas Kagome também era dele, isso era inegável e irremediável! Ela não pode viver sem ele! — Ela volta quando? Semana que vem?
— Não — Shippou respondeu sentido.
Inu-yasha ficou com medo daquela reação, mas mesmo assim repetiu a pergunta — Quanto tempo então?
— Kagome só retornará daqui a dois anos Inu-yasha. — Os olhos cor de mel pela primeira vez demonstraram o espanto que teve com tal notícia. Ele não podia perder Kagome para sempre, ainda mais daquela forma!
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