Caminhos Entrelaçados
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Eu fiquei olhando meus amigos saindo do castelo. Pelo caminho em que eu vim – enquanto era trazida pelos soldados -, eu sabia que estávamos no meio de uma floresta e que eles me esperariam em algum lugar próximo. Eu tinha que conversar com Kurama, quero saber o que ele sabe. Afinal ele não estava aqui para nada. Voltei-me na direção dele, e ele continuava sentado apoiado na árvore.
— Agora você pode me falar — eu disse dando um sorriso encorajador, Kurama abriu um olho e suspirou, parecia cansado — Como um youkai como você pôde ter sido capturado? E mais ainda, o que fazia aqui?
— Eu já te disse como foi — ele disse me olhando como se sentisse traído, pressionado. Eu o olhei de forma debochada, me sentando de frente pra ele, como estava de kimono, estava sentada com as pernas de lado — Tudo bem... — ele disse se dando por vencido, se ajeitando de forma mais confortável a árvore — Eu estava passando pelo vilarejo, quando um dos moradores me parou pedindo ajuda.
“Eu escutei sua história, ele me contava que o Senhor Feudal estava agindo de forma estranha e resolvi ajudar — ele me olhou dando um mínimo sorriso, parecendo nostálgico — eu era soldado de um Senhor Feudal e mesmo eu sendo youkai o respeitava muito. Então passei a observar os arredores, foram dias assim — ele deu um suspiro e segurou no colar com a pedra vermelha em seu centro — Só o que eu não sabia era que eu também já estava sendo observado. Quando eu invadi o local... Bem eu fui capturado e isso faz mais ou menos uma semana”.
— Então tem uma semana que você está sendo torturado? — eu perguntei um pouco incomodada. Não incomodada por ter sido Kurama, e sim me colocando no lugar dele... Eu não ia gostar nem um pouco disso.
— Sim — ele respondeu dando um sorriso — Até que fui salvo pela linda donzela — piscou para mim. E eu inevitavelmente acabei corando, esqueço desse lado dele as vezes — eu fiquei sabendo que havia uma sacerdotisa pelos arredores e pelas reações de Ritsu eu soube que era você, só não sei o porquê do interesse dele em você — ele deixou o lado divertido de lado e me olhou sério, e eu decidi não contar o que eu sabia... O porquê do interesse de Ritsu em mim. Até porque não contei aos meus amigos, porque contaria a ele? — Só esperava que você passasse direto.
— Eu estava atrás dos meus amigos, e eu recebi informações de que eles passaram por aqui — eu disse revirando os olhos — Mas é claro que era falsa... Ou, ela não mentiu e o Daisuke me descobriu antes de eu ir embora — dei de ombros. Eu não senti que ela mentia para mim, por isso acredito mais na segunda opção.
Kurama deu um sorriso e segurou em minha mão, eu estava envergonhada, mas não retirei minhas mãos do meio das suas — Eu entendo você — ele deu uma piscada de olho e deu um sorriso — Mas acho que já está na hora de você ir, sinto que vocês todos estão com pressa, por isso não posso perder essa chance — ele ficou de joelhos a minha frente, com isso ficando mais alto do que eu – que continuava sentada — e aproximou seu rosto do meu — Eu quero que você saiba que eu estou aqui...
— O qu... — não consegui continuar a falar, pois Kurama selou nossos lábios. Por eu estar falando acabei dando livre acesso para ele. O beijo começou lento e doce, mas não queria dizer que Kurama não mostrava estar seguro de si, eu retribuía de forma acanhada, afinal eu fui pega de surpresa. Eu já havia beijado antes, mas nunca havia sido pega de surpresa, nem sabia ao certo como reagir! Ele terminou o beijo com dois selinhos e eu estava envergonhada, muito envergonhada. Não conseguia olhar diretamente para ele. Levantei-me rapidamente, o deixando como estava — Eu preciso ir — e peguei as minhas coisas andando a passos rápidos em direção à saída.
— Desculpe assustá-la — escutei Kurama falar ainda sem se mexer — Mas eu não podia deixar a chance passar — eu parei e me virei para ele, e ele continuava agachado no chão me olhando, e eu queria fugir do olhar dele — Eu só queria que você soubesse...
— Tudo bem — eu disse me virando em direção a saída novamente — Até mais Kurama.
Eu na verdade estava um pouco assustada, afinal ninguém nunca havia feito o que ele fez. Todas as vezes que eu beijei um garoto eu também queria, não que com Kurama eu não quisesse, eu só não esperava. Eu segui na direção dos meus amigos que me esperavam, eu sabia que não havia demorado nada, mas só por eu ter estado sozinha com Kurama; Inu-yasha já demonstrava sinais de impaciência. Ele estava escorado na árvore com Kikyou ao seu lado, Sango e Miroku estavam sentados apoiados em Kirara e Shippou correu para meus braços assim que me viu.
— Pensei que não fosse vir! — Inu-yasha me disse impaciente. Eu somente peguei Shippou no colo, acariciando os fios ruivos e me virei para ele.
— Eu não demorei nada bobinho — eu disse dando um sorriso, o que deixou Inu-yasha desconcertado — Só precisava de informações, e somente Kurama podia me dar... — e dei de ombros.
— E descobriu o que? — Inu-yasha perguntou contrariado.
— No vilarejo eu te conto, e explico tudo para todos vocês — eu olhei para cada um deles e parei meu olhar em Inu-yasha — A lua nova se aproxima, temos que chegar ao vilarejo o mais rápido possível — Inu-yasha assentiu.
— Vocês ficam falando lua nova, lua nova... — Kikyou disse chamando nossa atenção e parou seu olhar em mim — O que tem essa lua nova? E o que ela tem a ver com Inu-yasha?
Eu olhei para ele sem entender... Quer dizer que Kikyou não sabia que ele virava humano? Se ele não disse; não serei eu a dizer — Vamos para o vilarejo... Teremos que andar direto, sem descansar — eu acabei a ignorando, meio que sem querer. Eu olhei para os meus amigos — Se fizermos assim chegaremos antes do anoitecer do primeiro dia do mês.
Todos eles assentiram e olharam para Inu-yasha, eu o olhei também. Ele parecia perdido em pensamento. Kikyou se aproximou dele e o retirou dos devaneios em que havia entrado, ele se abaixou e ela subiu nas costas dele. — Kagome, pode ir na Kirara com Sango — Miroku disse chamando minha atenção.
— Não será preciso Miroku — eu disse o tranquilizando — Pode ir com Sango como sempre — Shippou subiu em minhas costas me abraçando pelo ombros — Shippou irá comigo.
Ele não disse mais nada e montou em Kirara, logo Inu-yasha passou a correr e Kirara a voar. Eu sabia que eu não iria correr tão rápido quanto Inu-yasha, mas estaria logo atrás... Afinal ele corre e pula no processo, enquanto ele correr eu estarei de páreo com ele — Vamos pequeno? — eu perguntei a Shippou que sorriu acenando — Se segure então — e passei a correr os alcançando logo em seguida.
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Já estávamos quase chegando ao vilarejo, ainda era de madrugada e meus cálculos estavam errados, porque para mim só chegaríamos aqui depois do meio dia. Mas ainda assim chegamos no primeiro dia do mês, ou seja, essa noite Inu-yasha assumiria sua forma humana. Eu corri o tempo todo junto com eles, mesmo tendo ficado um pouco cansada eu não deixaria ninguém perceber, afinal eu agora tinha que mostrar que era forte. Entretanto eu ainda sou somente uma humana.
Shippou dormia em meus braços, ele estava tranqüilo e sereno. Ele me passava uma paz e uma segurança que eu nunca havia reparado antes... Eu amo esse pequeno como uma mãe ama a um filho. Estávamos parados a frente da casa da vovó Kaede quando dei por mim novamente, Sango se aproximou de mim e me dirigiu um sorriso — Ka, você olha para o Shippou como se fosse a mãe dele — ela disse acariciando a cabeça dele.
— Porque eu o amo como uma mãe ama a uma filho — eu disse dando um leve beijo na testa dele — Mas no momento podemos descansar um pouco? — eu perguntei a todos. — Prometo que contarei tudo o que tiver que contar mais tarde...
— Tudo bem — Inu-yasha disse deixando a todos surpresos — Todos nós precisamos de um pouco de descanso, não é mesmo?
Nós assentimos e entramos na cabana da vovó, ela estava dormindo e nem pareceu notar nossa presença. Das duas uma, ou não apresentávamos perigo para ela, ou ela estava fingindo dormir. Deitei-me com Shippou em meu saco de dormir, e nem vi os outros se ajeitando, eu já havia capotado.
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Acordei bem melhor. Ainda estava claro, mas não sabia identificar que horas eram. Talvez ainda fosse cedo, ou já estava perto do fim da tarde. Sentei-me e olhei ao redor. Sango e Miroku ainda dormiam, Kikyou também ainda estava dormindo. Procurei pela cabana Inu-yasha, Shippou ou a vovó, mas não os encontrei. Levantei-me e escovei os dentes, comi também um pedaço de pão que tinha ali em cima.
Eu saí da cabana e identifiquei que pela posição do sol, ainda eram por volta das três da tarde... Eu sabia que não iria dormir muito. Comecei a andar pelo vilarejo em busca do meu menino, estava seguindo em direção a um campinho onde ele costuma brincar com algumas crianças daqui. Passei em frente a uma senhora que tinha uma barraca de frutas e ela me ofereceu uma maçã, eu recusei, mas depois aceitei pela insistência dela.
— Kagome — escutei a voz atrás de mim. Me virei e me deparei com Inu-yasha — Acordou cedo...
— Costume... — eu disse mordendo um pedaço da maçã — Quando eu estava treinando com Takeo e mestre Fujimoto, eu dormia muito tarde e acordava muito cedo.
— Entendo — ele murmurou — Mas, o que está fazendo por aqui?
— Procurando Shippou — eu disse olhando em volta — Você o viu?
— Sim, ele estava ali com as crianças — ele disse apontando na direção em que havia passado — Atrás daquela casa.
— Obrigada — eu disse andando na direção em que ele me mostrou — Será que os outros já acordaram? — eu perguntei quando percebi que ele vinha ao meu lado.
— Talvez sim... — ele disse dando de ombros, não parecia muito interessado na verdade.
— Posso te fazer uma pergunta? — eu disse olhando para ele que assentiu — Porque Kikyou não sabe sobre a noite de lua nova?
Ele deu um suspiro, antes de começar a falar — Eu não gosto dessa condição, você sabe muito bem... — ele não me olhava e eu parei de olhá-lo, procurando por Shippou no meio das crianças que estavam um pouco distante ainda — E Kikyou nunca quis me ver assim. Uma vez ela disse que eu era um meio-youkai incomum por não virar humano, mas acontece que eu tenho medo da reação dela...
— Porém você não pode esconder mais isso dela, Inu-yasha — eu disse, quando ele parou de falar — Ela é sua companheira agora, talvez a mãe dos seus filhos — ele pareceu ficar tenso ao meu lado, pois seu Youki deu uma leve mudada — E se ela acordar no meio da noite e ver que você não está lá? Ela pode pensar errado...
— Eu não sei como agir — ele disse parando de andar, já estávamos próximos de onde as crianças estavam — Eu... Eu tenho receio de ela não aceitar — ele disse por fim.
Eu dei um sorriso — Ela não vai fazer nada disso — eu disse para tranquilizá-lo — Ela vai se sentir especial por você confiar a ela um segredo que você não queria nunca dividir com ninguém — eu disse dando uma piscada de olho para ele — Pode acontecer de ela ficar brava por você ter demorado a contar, mas com seu jeitinho, dará um jeito de acalmá-la.
— Você acha que eu devo deixá-la ver hoje? — ele perguntou olhando para Shippou que acenava para nós. Respondemos ao aceno e ele começou a andar em nossa direção.
— Para qualquer coisa, eu estarei lá com você — eu disse dando um sorriso para ele — Sango e Miroku também estarão... Afinal, amigos, são pra essas coisas... — ele pareceu contrariado e eu me calei — Olá meu pequeno — disse quando Shippou se aproximou de nós.
— Olá Kagome — ele disse me dirigindo um sorriso — Estava me procurando?
— Sim, vamos para junto dos outros? — eu o peguei no colo — Tenho que contar algo a todos — voltamos a caminhar na direção da cabana da vovó Kaede. Inu-yasha ao meu lado estava pensativo e eu o deixei no mundo dele.
Quando chegamos a cabana, todos já estavam acordados, Kikyou lançou um olhar de desgosto para mim e um magoado para Inu-yasha. No fundo eu acho que entendo o que ela sente, porque eu me sentia exatamente assim quando Inu-yasha me deixava por ela, a diferença entre nós duas é que eu não o amo mais e eu não quero mais ficar com ele, pelo menos não emocionalmente falando. E também Inu-yasha nunca me amou verdadeiramente.
— Onde estavam? — Miroku perguntou quando nos percebeu parados na porta.
— Eu estava procurando Shippou — eu disse acariciando os cabelos dele e dei um olhar de soslaio para Inu-yasha — E quanto a Inu-yasha eu só o encontrei aqui.
— Eu estava sentado em uma árvore na floresta descansando — foi tudo o que ele disse, Kikyou o chamou e ele se aproximou dela. Eles estavam comendo, então me sentei ainda com Shippou em meus braços.
Ele me olhou e me dirigiu um sorriso — Kagome, quando você vai me levar para brincar com a Rin novamente? — ele corou um pouco e eu sorri — Sabe, eu gosto dela como uma irmã... — ele sussurrou essa ultima parte.
— Bom — eu comecei o olhando nos olhos — Prometo que assim que possível, eu vou perguntar a Sesshoumaru, aposto que ele não se importará — eu disse piscando para ele, que sorriu para mim — e eu também gosto tanto de Rin, quanto gosto de você... Como meus filhos.
Shippou corou, mas mesmo assim me deu um abraço. Sango se aproximou de nós e passamos a conversar coisas rotineiras, Miroku se juntou a nós na conversa. — Vamos lá fora? — Miroku perguntou se abanando um pouco — Aqui está muito quente...
Assentimos e saímos da cabana, Inu-yasha nos seguiu juntamente com Kikyou. O sol estava se pondo, mas ainda falta um pouco mais de uma hora para escurecer. Nos sentamos próximos ao lago, na costumeira rodinha.
— Bom, acho que eu tenho algumas explicações para dar a vocês, certo? — eu disse acariciando a mão de Shippou, ele estava em meu colo. Meus amigos assentiram e todos me olharam — Bom, como sabem aquele dia eu estava com um mau pressentimento.
— Sim, você me contou antes de ir — Sango disse chamando nossa atenção — E você disse também que se demorasse a voltar é porque algo muito grave teria acontecido.
— Exatamente — eu disse baixando o olhar — Eu voltei para casa naquele dia, já estava de noite e eu pensei em dar uma olhada em minha mãe, mesmo ela dormindo — eu dei um suspiro, me lembrando da cena que presenciei — Quando cheguei lá, ela não dormia e sim chorava...
— Porque chorava? — Inu-yasha perguntou, parecendo incomodado.
— Meu avô faleceu Inu-yasha — ele arregalou os olhos e depois baixou a cabeça. Eu sabia que apesar de tudo, ele gostava de minha família — Minha mãe ficou muito mal e eu acabei demorando mais do que o esperado, não podia deixá-la só...
Todos assentiram, e não comentaram mais nada. Claro que eu ocultei a parte em que encontrei Sesshoumaru, depois que voltei... Não acho necessário eles ficarem sabendo disso, afinal não aconteceu nada demais, só cuidei de Rin. E mesmo aquele momento que tive com Sesshoumaru no rio – que não foi nada demais – é algo um pouco íntimo...
— E depois? — Shippou perguntou, chamando nossa atenção — Como você parou naquele castelo? — os outros assentiram.
— Eu estava procurando por vocês e escutei rumores de um grupo de humanos com youkais — eu disse os olhando — Resolvi investigar. Foi quando cheguei ao vilarejo e uma senhora me chamou, ela me contou uma história e contou sobre vocês também — eu dei um suspiro — Mas antes que eu conseguisse ir embora, os soldados me “convidaram” para um serviço no castelo.
“Quando cheguei lá, Ritsu estava aliado ao senhor Feudal, mas se apresentava com outro nome: Raiton — eu dei uma pequena pausa antes de voltar a falar — ele estava com um youkai como prisioneiro e era para eliminá-lo que eu fui chamada. Esse youkai era Kurama, e eu fingi que não conhecia nenhum dos dois.”
“Em um momento eu consegui sair do quarto, foi quando eu vi Yokoyama, ou o que eu acho ser ele, mas não conseguiria atacá-lo sozinha. Quando retornei Daisuke me mostrou sua verdadeira face e mandou seus youkais me atacarem, claro que eu lutei... — dei de ombros — o resto vocês já sabem”.
— Essas pessoas, elas estão cada vez mais fortes — Miroku murmurou pensativo.
— Sim, pelo visto teremos muito trabalho pela frente — Sango também estava pensativa — Miroku, você pode me ajudar a polir o Osso Voador?
— Sim — ele disse se levantando e Sango o imitou.
— Eu quero ir também — Shippou disse se levantando — eu tenho que afiar a ponta dos meus peões — ele se aproximou de mim e me deu um beijo na bochecha — Até mais tarde Kagome — e se foram os três.
Ficamos Inu-yasha, Kikyou e eu sentados no mesmo lugar, mas eu sentia que Kikyou estava incomodada e Inu-yasha desconfortável. — Vamos Inu-yasha — Kikyou disse fazendo menção de se levantar quando eu me pronunciei, a fazendo se sentar novamente.
— Kikyou, eu gostaria de ter uma conversa com Inu-yasha — eu disse atraindo os olhos castanhos para mim, quando ela foi se pronunciar eu continuei — Mas eu gostaria que você estivesse junto, para escutar o que eu tenho a dizer e me deixar em paz.
— Você acha mesmo que eu vou escutar algo que você tenha a dizer a ele — ela disse apontando para o Hanyou — Não temos nada a ouvir, vamos Inu-yasha?
— Eu quero escutar — ele disse a olhando, nenhum dos dois me olhava — e também tem algo que eu quero que você veja... — ele segurou na mão dela, de forma carinhosa — Por favor...?
Ela nada disse, somente se aconchegou mais a ele e me olhou, de forma irritada — Certo, eu sei que você não queria estar aqui Kikyou — eu disse a olhando e me ajeitando melhor no lugar — Mas eu não aguento mais essa situação. — eu não olhei pra nenhum dos dois — Eu me sinto um pouco perseguida, e sem credibilidade; Eu já deixei claro para Inu-yasha e para você também, mas por algum motivo, você não parece entender, nem ele... — eu olhei para Inu-yasha e ele estava ligeiramente confuso — Eu já não conversei com você no dia em que eu voltei?
— Sim — ele respondeu ainda confuso — Aliás, a única coisa que conversamos na sua volta, foi sobre sua partida...
— Pois foi mesmo... — eu disse olhando para o horizonte, o sol começava a sumir e eu sabia que não demoraria para Inu-yasha se transformar. Eu o olhei e o incentivei com a cabeça, acenando um sim.
— Kikyou... — Inu-yasha chamou a atenção dela. Ela o olhou confusa, e ele estava nervoso — Eu quero que veja uma coisa... — quando ela foi questioná-lo, seu cabelo começou a escurecer, sua orelha ficou humana e seus olhos escuros. Ela o olhou um pouco assustada e confusa — Essa é a minha forma humana...
— Desde... — ela parecia mais confusa ainda — Desde quando você esconde isso de mim? — ela perguntou por fim.
— Ele somente estava inseguro de sua reação — eu resolvi ajudá-lo, Inu-yasha parecia uma criança que havia feito algo errado e havia sido pego — Era sobre isso que falávamos da lua nova...
— Você já sabia disso? — ela me olhou, quando perguntou.
— Sim... — eu respondi incerta, da reação dela — Já tem algum tempo...
— Eu entendo que você tinha receio de minha reação... — ela começou o olhando, me ignorando completamente — Mas por favor, não esconda mais nada de mim... — Ela pareceu tentar entender o lado dele, e sinceramente, eu espero que ela realmente pense em como ele se sente.
— Bom, só pra esclarecer as coisas — eu voltei a chamar a atenção dos dois para mim — Prometo deixá-los a sós... Porém só peço um pouco mais do seu tempo — ambos assentiram, Kikyou deixando claro sua falta de vontade. — Kikyou, eu me dirijo diretamente a você agora — ela me olhou em desafio e com uma das sobrancelhas arqueadas — Eu não quero nada mais do que a amizade de Inu-yasha.
— Como? — ambos falaram juntos.
— Eu não quero nada mais do que a amizade dele — eu repeti a minha última frase — Quando eu voltei do meu treinamento eu conversei com Inu-yasha e disse a ele que não o amava mais, que o que eu sentia por ele, eram nada mais do que resquícios de seus sentimentos em minha alma — eu a olhava enquanto falava — Eu não vou mais “correr” atrás dele sentimentalmente falando.
“Eu vou simplesmente seguir com a minha vida, tendo a convivência com vocês. — eu olhava para ambos agora — Eu quero muito, Kikyou, que possamos nos acertar e que no mínimo tenhamos uma convivência decente, sem brigas desnecessárias. — eu olhei diretamente para Inu-yasha — E quanto a você, eu espero que você entenda que não podemos ter nada além de amizade”.
— Eu não sei o que dizer — Kikyou disse pela primeira vez sem me dirigir um olhar hostil.
— Só que vai respeitar a minha amizade com Inu-yasha — eu disse dando de ombros — E você, Inu-yasha, prometa que vai entender de uma vez por todas que somos somente amigos.
— Eu já entendi isso — ele disse me olhando sério — Só pensei – no começo – que você estava se fazendo de forte, ou outra coisa... — ele deu um suspiro e depois me olhou desafiador — Bah! Quem ia querer ficar com uma mandona que nem você?!
Eu dei um sorriso, e me levantei — Irei me retirar agora.
Ambos assentiram e eu sabia que eles precisavam conversar. E seria sempre assim, eu nunca poderei me meter na relação dos dois, porque o elo que os une é mais forte do que qualquer outra coisa que eu já presenciei. E enquanto eu treinava Takeo me mostrou isso, que eu estava somente tentando dar continuidade ao desejo de Kikyou... Voltei para a cabana da vovó e fui ajudá-la a preparar a comida, quando ficou pronto eu comi e fui me deitar. Finalmente o cansaço do esforço do dia anterior estava batendo e eu poderia enfim descansar como se deve.
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Acordei no horário de sempre, sentia meu corpo descansado. Eu estava sozinha na cabana, meus amigos já haviam acordado e estavam do lado de fora; podia ouvi-los conversando. Eu comi alguma coisa que tinha por ali e fui até eles, Inu-yasha já estava como sempre... Grosso. Já estava implicando com Shippou, nem parece que estava naquela tensão ontem, eu me aproximei deles sem fazer barulho. Porém dessa vez deixei pra lá a implicância dele com Shippou, Inu-yasha parecia mais alegre do que de costume.
— Bom-dia — eu disse quando me sentei próximo a eles. Todos me responderam, até mesmo Kikyou. Ela continuava afastada dos outros e não parecia se incomodar com isso.
— O que faremos hoje? — Shippou se aproximou de mim, se sentando ao meu lado.
— Não s... — Inu-yasha começou a falar se interrompendo em seguida, ele estava olhando para o horizonte. Para a direção em que ele olhava, eu sabia do que se tratava possivelmente — Arurun se aproxima daqui, com a menina e o youkai verde — ele disse sério. Somente os três? Será que aconteceu algo?
Não demorou muito e o youkai se aproximou com a pequena Rin muito nervosa, Jaken também estava agitado. Rin estava chorando e eu me assustei um pouco quando percebi isso. Corri até ela e a abracei, a retirando de cima do youkai — O que foi pequena? — eu perguntei um pouco assustada com a reação dela.
— Mana Kagome... — ela disse fungando um pouco. Jaken estava tão agitado quanto ela, mas ele segurava as lágrimas... O que aconteceu? — O Senhor Sesshoumaru... — ela parou de falar voltando a chorar. Eu já sabia que era algo relacionado a ele.
— O que tem ele Rin? — eu perguntei sentindo um incomodo aperto em meu coração. Mas o que está acontecendo comigo?
— Você precisa ajudá-lo — ela disse eufórica, me assustando com a súbita mudança de humor dela — Tem que ir até aquela cabana, depressa!
Aquela cabana, significa que eles ainda estavam lá? Para mim eles já estavam longe a muito tempo — O que aconteceu Rin? Explique-me, eu estou confusa — eu disse cobrando um pouco dela.
— O Senhor Sesshoumaru está muito ferido — ela disse fazendo com que eu arregalasse os olhos. Sesshoumaru ferido? — Ele não consegue se mexer, e seus ferimentos não sararam ainda! — ela me olhou de forma suplicante, meus amigos estavam tão sem reação quanto eu — Você precisa ajudá-lo, por favor...
Eu a abracei e deixei que ela chorasse, ela estava realmente muito preocupada com ele — Eu irei ajudá-lo pequena, mas só porque você me pediu — eu disse acariciando os fios chocolate. Eu não acho que Sesshoumaru a mandou até aqui... — Pessoal, eu estou saindo. — coloquei Rin de volta em Arurun e entrei na cabana para pegar minhas coisas — Eu os encontrarei — eu disse quando saí da casa. Inu-yasha não disse nada dessa vez e eu agradeci, Rin ficaria pior caso ele se opusesse. Saí na direção da cabana onde ele estava e Rin me seguiu.
— Mana Kagome — ela disse quando já estávamos afastados dos outros, eu parei me virando para ela. Ela olhava para baixo, de forma envergonhada. Ali eu tive a certeza de que algo não estava muito bem — Eu não poderei ir com você, Senhor Sesshoumaru nos deu ordens para irmos ao Oeste... E deixá-lo sozinho, mas eu não podia... Ele precisa de alguém e não confiamos em mais ninguém a não ser você... — ela me olhou envergonhada, Jaken parecia contrariado, mas assentiu também.
Eu sabia que tinha algo. Sesshoumaru é muito orgulhoso e não ia querer a minha ajuda. É, pelo visto terei um longo trabalho.
— Tudo bem — eu disse por fim, ela me dirigiu um sorriso e eles partiram.
Pelo visto eu serei uma visita indesejada, mas por Rin eu enfrentarei a fera e o ajudarei, mesmo contra a vontade dele.
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