Caminhos Entrelaçados
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Em algum momento durante o treinamento.
— Kagome — Takeo chamou minha atenção para ele. Eu estava sentada em uma cachoeira enquanto a água caia em minhas costas, era um exercício para treinar a concentração. Abri um olho, os olhos chocolate me olhavam preocupados — Eu vou me retirar um pouco, mestre Fujimoto está me chamando — eu assenti para ele — Continue com o treinamento, voltarei logo.
— Tudo bem — eu disse fechando o olho novamente, antes de prosseguir — Pode ir tranquilo.
Ouvi um suspiro e logo os passos dele se afastando, sua passada amassava a grama, o som parecia alto aos meus ouvidos agora, mas sabia que Takeo era muito silencioso enquanto andava, então ficou claro que ele corria. Voltei a me concentrar, tinha que deixar minha mente vazia novamente para dar continuidade ao treinamento.
Já tinha alguns meses que eu estava passando pelo treinamento, creio que já se passaram seis meses, ou talvez ainda não já que não conto, mas para mim ainda era pouco. Mestre Fujimoto é muito exigente, mas eu sempre me esforço, dando o meu melhor. Takeo é um ótimo amigo, o youkai é um ser muito doce e não faz mal a uma mosca se ela não apresentar perigo, mas quando algum de nós era ameaçado, ele matava sem remorso algum. Sei disso por experiência própria...
Takeo é tipo o guardião do templo de Fujimoto e tem uma ligação muito forte com Fujimoto, eles disseram que essa ligação é como um contrato que durara enquanto Fujimoto for vivo, ele é mais para um familiar do mestre Fujimoto. Não sei o que significa, mas ele é bem bonzinho e se tornou uma ótima companhia nesse período em que estou aqui. Ele me escutou muitas vezes, ou estão somente aproveitamos a companhia um do outro em silêncio.
Um som de passos chamou minha atenção. Aproximava-se da cachoeira de forma irregular e com passadas rápidas e lentas ao mesmo tempo. Abri os olhos a tempo de ver um youkai se aproximando muito ferido, parecia estar perdendo a consciência. Ele olhou em minha direção, pareceu surpreso por eu estar ali, mas mesmo assim balbuciou sem voz alguma “Me ajude” e caiu no rio.
Rapidamente me levantei, correndo em sua direção, ou indo mais rápido que a água me permitia. A correnteza estava o levando, eu tinha que agir rápido. Seus cabelos acobreados estavam espalhados pela água, consegui o pegar e levantei sua cabeça, mesmo ele sendo um youkai precisava respirar, com muito custo consegui colocá-lo na beirada do rio. Abri a parte de cima do Kimono dele, deixando a mostra o peitoral definido, mas não podia focar nisso agora.
Usei minha energia espiritual para curar as feridas dele, como youkai deveria se recuperar mais rápido do que eu. Quando me machuco eu mesma me curo com uso de minha própria energia, ainda me exige muito esforço, mas estou treinando isso. E assim aconteceu, os ferimentos começaram a se curar, ele parecia ter sido brutalmente atacado e tinha um estranho colar no pescoço. Vai ver ele gosta de adornos... Enquanto estava desacordado não pude deixar de notar na beleza dele.
O corpo é bem definido, sua pele bem pálida quase como a de Sesshoumaru... Vai ver youkais completos são sempre pálidos, ou a grande maioria. Seus cabelos num tom castanho acobreado e estavam na altura dos ombros. Usava um kimono negro que agora estava em sua maior parte rasgado. Será que ele estava bem? Ele deu um leve gemido antes de abrir os olhos, negros como a noite mais escura.
— Obrigado por me ajudar — ele disse se sentando e pareceu confuso — Como já estou praticamente curado?
— Bom, eu sou uma sacerdotisa e te curei — eu disse explicando para ele — Não se preocupe, meu poder de cura não purifica seu miasma...
— Muito obrigado linda sacerdotisa — ele disse me analisando e eu me senti ficando rubra — Que descuido o meu, me chamo Kurama — ele disse me estendo à mão — Como é seu nome linda sacerdotisa de olhos azuis?
— Kagome — eu disse lhe estendendo a mão e apertando a dele — Bom, acho que tenho que voltar ao meu treinamento, você já está bem, não?
— Sim, graças a você — ele disse dando um sorriso completo. Confesso que o sorriso dele é lindo e me desconcertou alguns instantes. Kurama é lindo por completo — Sabe, eu tenho que dizer algo, se não me arrependerei — eu o olhei confuso sem entender o que ele dizia — Você é a pessoa mais linda que eu já conheci e tem os olhos mais belos também...
Eu me senti envergonhada — Muito obrigada — eu murmurei sem graça ainda, não sou acostumada com elogios — Eu gostei bastante de seu cabelo, sempre quis que o meu fosse de outra cor — eu disse puxando os fios negros que agora batiam um pouco abaixo da metade das costas — se os seus fossem maiores seriam perfeitos! — eu dei um sorriso.
Ele se levantou e eu me levantei também — Muito obrigada pelos elogios Kagome — ele me deu um abraço que me pegou de surpresa e me deu um beijo na testa — Espero que um dia nos encontremos novamente — ele se afastou — Eu esperarei ansioso pelo nosso próximo encontro!
E da mesma forma que veio se foi. Eu fiquei muito confusa, mas fiquei feliz que pelo menos em alguém eu fui capaz de criar o interesse e não porque eu me pareço com alguém... Afastei esses pensamentos antes que eu me deixasse levar por meus sentimentos ainda conturbados. Sentei-me na cachoeira e voltei a meditar. Alguns minutos depois Takeo retornou.
— Kagome — ele disse quando chegou — Porque suas vestes cheiram diferente? — Eu expliquei para ele o que aconteceu e ele me olhou muito sério — Você tem noção de que poderia ter sido morta?
Eu não pensei isso no momento, mas ele não me pareceu ser uma ameaça — Eu estou bem, não estou? — eu disse me defendendo. Ele somente balançou a cabeça em negativa — Eu sei que quando sentisse que eu fosse ferida você viria — eu mostrei meu pulso para ele onde tinha uma pulseira feita com a energia de Takeo — Afinal eu não a uso para nada.
— Não se sinta — ele disse dando um sorriso de canto — Vai logo, volte a se concentrar — e assim eu o fiz, me “desligando” do mundo novamente.
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Dois anos depois.
— Você finalmente terminou seu treinamento menina — Fujimoto me disse na entrada do templo, eu estava enfim de partida — Confesso que você foi uma das mais aplicadas em querer aprender.
— Muito obrigada mestre — eu disse fazendo uma leve reverência — Se o senhor não fosse tão paciente comigo eu não teria conseguido — eu disse lhe dirigindo um sorriso — Sou muito grata por ter aceitado se tornar meu mestre!
— Que isso garota — ele disse dando um leve curvar de lábios — É meu dever de qualquer forma — palavras frias, mas para mim sabia que era a forma de dizer que eu fui bem.
Takeo se aproximou com uma caixa em mãos — Kagome — Fujimoto disse novamente. Ele se virou para Takeo e da caixa retirou uma espada, sua lâmina era simples como uma espada comum e muito brilhante, seu cabo era vermelho com preto e tinha um guizo prateado na ponta. A bainha era preta com um laço vermelho próximo da ponta e um guizo dourado estava amarrado nela, estavam uma do lado da outra dentro da caixa — Essa espada é um presente meu e Takeo para que você sempre se lembre de nós.
Meus olhos se encheram de lágrimas, mas me contive. Peguei a espada e quando ela entrou em contato comigo ela cresceu. Sua lâmina ficou levemente curvada, se parecia com a Tessaiga, mas no tamanho de uma espada comum. Quando se transformava a lâmina continha o desenho de um dragão na base, coisa de uns oito centímetros.
— Ela é linda! — eu disse a manejando a frente dos olhos.
— O nome dela é Joyeuse — Takeo disse dando um sorriso — Só funciona com você, foi feita especialmente para você — ele me entregou a bainha, e um tipo de cinto para colocar na cintura, guardei a espada novamente e ajeitei o cinto abaixo do Obi do meu Kimono, e a coloquei ali — Terá que se acostumar a andar carregando consigo a espada e a aljava com o arco.
— Muito obrigada por tudo — eu disse abraçando a Takeo, que me devolveu o abraço — Amei te ter como amigo; espero que nos encontremos novamente! — ele somente assentiu — Obrigada novamente mestre, serei eternamente grata!
— Vá com cuidado, que Kami te guie em seus caminhos menina — ele disse se virando e voltando a caminhar para dentro do templo, Takeo ficou ainda alguns poucos segundos antes de entrar também.
Eu me virei para a escadaria, ajeitando meu kimono – que agora eu tinha vários na mochila – a espada e meu arco e flechas. Enfim eu voltaria para o vilarejo e eu estava morrendo de saudades de todos, e eu sei que nesse momento eu já posso encarar Inu-yasha e Kikyou sem me importar com eles, que se amem de verdade!
Comecei a descer a longa escadaria, eu quero voltar logo para meus irmãos e meu amado filhotinho. Shippou já deve ter crescido tanto! Prendi meus longos fios negros – que estavam na altura da cintura – num rabo de cavalo alto e voltei a andar. Minha direção, o Vilarejo da vovó Kaede.
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Eu já estava caminhando há dois dias, corria sempre na parte da manhã, mas depois eu decidi que não tinha pressa para chegar, o vilarejo não sairia do lugar então, não havia necessidade de pressa. Estava caminhando pelo meio da floresta e podia escutar o barulho de um rio próximo, tudo bem, não tão próximo assim.
Seguia na direção dele, deveria ser mais uns dez minutos de caminhada. A floresta estava clara, apesar das copas frondosas acima de minha cabeça serem densas. O rio estava a minha frente, as árvores acabavam a uns cinco metros antes do rio. Eu me abaixei e tomei água, passei a mão úmida na minha nuca.
Estava quente, eu levei as mãos até meu rabo de cavalo quando escutei uma voz infantil se dirigindo a mim — Olá moça... — eu olhei para o lado um pouco assustada, mas reparei em quem se tratava: Rin — Está perdida? — eu somente neguei com a cabeça. Terminando de soltar meus cabelos — Você é humana?
— Sou — eu disse me divertindo com isso, ela não me reconhecia?
— Hm... — ela começou sem jeito, ela queria me pedir algo — é...
— O que foi Rin? — eu perguntei quando ela não falou nada e olhou para o chão. Após escutar o nome dela, ela me olhou com os olhos arregalados, assustada — Calma, você não está me reconhecendo pequena? — ela negou com a cabeça e deu um passo para trás — Não se assuste, sou eu a irmã Kagome...
Os olhos dela brilharam e ela correu em minha direção — Irmã Kagome! — ela disse quando me abraçou, eu a envolvi num abraço também — Quanto tempo! — eu somente murmurei um “verdade” — Você está tão diferente, está tão bonita!
Eu fiquei envergonhada, crianças são tão espontâneas! — Obrigada — eu disse agradecendo, ela pareceu me analisar e olhava diretamente para minhas armas — Bom, o que você queria me pedir?
— É que eu me perdi... — Rin disse envergonhada — Você pode me levar até o senhor Sesshoumaru? — ela perguntou me olhando com receio.
— Tudo bem — eu disse pegando na mão dela e passando a caminhar. Ela parecia um pouco inquieta e até mesmo ansiosa — Quer me perguntar algo?
Ela corou por ter sido pega e balançou a cabeça em afirmativa — Porque da espada? — ela disse me olhando — E porque não está com suas vestes estranhas?
Eu dei um sorriso para a pequena, voltando a caminhar pela floresta — Eu estava treinando Rin, e ganhei essa espada do meu mestre — eu disse para ela, que prestava total atenção em mim — Agora eu sou uma sacerdotisa de verdade! — e pisquei para ela que sorriu — Quanto às roupas, eu não posso mais voltar para a casa, então tive que me acostumar com kimonos...
— Deve ter sido difícil — ela disse olhando para frente. Continuamos a caminhar em silêncio por alguns instantes, até eu sentir o youki de Sesshoumaru, mudando de direção e eu mudei também — Senhor Sesshoumaru vai ficar uma fera quando chegar e eu não estiver lá...
— Ele te deixou sozinha? — eu perguntei desacreditada.
— Com o Senhor Jaken, mas eu estava com sede e ele não queria me dar água — ela disse envergonhada — Então eu saí quando ele tirou um cochilo...
Jaken não quis a ajudar? Como pode alguém negar algo a essa linda garotinha?! Que raiva essas coisas me dão, se sentir superior só porque é um youkai! Mas ele ia ver uma coisinha. Ao longe eu escutei os berros de alguém e pelo apertar de Rin em minha mão, era o Jaken.
— Me perdoe Senhor Sesshoumaru — ele gritava, aposto que estava prostrado diante dele como sempre — Eu não sei o que aconteceu... — ele continuava a falar, Rin e eu apertamos o passo — Rin desapareceu...
— Como? — eu escutei aquela voz fria se pronunciar, já tinha algum tempo que não a escutava — Rin, saia — ele disse sério, acho que pensou que ela estava brincando.
— Rin não está aqui — ele disse um pouco gago, seu medo era perceptível. Rin soltou de minha mão e correu na direção deles — Ai! — Jaken disse provavelmente apanhando.
— SENHOR SESSHOUMARU — Rin gritou quando saiu do meio da floresta. Apareci quando a mesma envolvia suas pernas. Ele não olhava para ela, olhava para mim. Ele a afastou e sacou a Bakusaiga.
— Rin, afaste-se — ele disse frio. Rin arregalou os olhos e olhou em minha direção com medo, quando ela foi se pronunciar, ele a cortou — Rin — mas ela não se afastava.
— Ora, quanta hostilidade. Ainda bem que não somos amigos... — eu disse com desdém — Não se preocupe, só vim trazê-la em segurança — eu a olhei dando um sorriso — Eu já vou pequena, ainda falta muito para o vilarejo.
— Mas... — ela me olhou com os olhos marejados, dando alguns passos em minha direção — Faz tempo que não brincamos mana Kagome...
Sesshoumaru me olhou novamente, dessa vez me analisando. Bakusaiga sendo embainhada novamente — Sesshoumaru não me quer aqui — eu disse séria — Então eu vou me retirar, mas antes — eu caminhei na direção de Jaken, sem nem me importar com os olhares de Sesshoumaru e Rin, ele me olhava em desafio enquanto me aproximava dele — Dá próxima vez — eu disse o pegando pela gola do kimono — que Rin pedir alguma coisa você irá fazê-lo — eu comecei a descarregar uma pequena quantidade de energia espiritual nele — Se não prometer, Sesshoumaru terá que arranjar outro servo idiota, porque eu vou te purificar!
— Eu prometo — ele disse chorando e na hora eu parei de purificá-lo.
— Se não fosse eu a encontrá-la, ela poderia estar morta agora — eu disse olhando para Jaken e o jogando no chão — Ela estava sendo seguida por um youkai que só se afastou quando eu disse que era sacerdotisa — ele arregalou os olhos em desespero — E dessa vez, nem Tenseiga poderia salvá-la!
— Eu não sabia — ela murmurou chorosa.
— Não se preocupe pequena — eu disse me agachando a frente dela — Eu sou forte agora e sei cuidar das pessoas — e sorri para ela, ela me abraçou — Eu já vou tudo bem? — ela somente balançou a cabeça com ela ainda em meu ombro — Prometo voltar para brincarmos o dia inteirinho e trarei o Shippou também — ela me olhou e murmurou um “sim” — Se eu conseguir voltar para a minha era, como eu pretendo, eu trarei um presente também.
— Tá bom — ela disse correndo na direção de Jaken, que ainda estava caído no chão chorando. Ambos estavam o mais distante possível de mim, em vista que Jaken tinham fugido para mais longe.
— Bom já vou me retirar Sesshoumaru — eu disse o olhando pela primeira vez em dois anos e meio. Sua beleza continuava inegável, me pergunto quantas garotas/youkais ele não conquistou? Resolvo afastar esses pensamentos, afinal não me interessa — Desculpe o incomodo que lhe causei — comecei a andar.
— Porque não está com Inu-yasha? — ele disse baixo, mas eu pude escutar. Parei e me virei para ele — Ele deixa a sua humana ficar andando por aí desprotegida?
— Antes de mais nada, não tenho mais necessidade de ser protegida — eu disse de certa ofendida por suas palavras — Segundo, eu não sou humana dele. Kikyou quem é — eu sustentei o olhar dele, estava indiferente ao que ele pensava — Tudo o que eu menos preciso agora é de Inu-yasha para alguma coisa.
— Hm — ele murmurou indiferente — Ele pareceu com bastante ciúmes aquela época... — ele já não me olhava mais, parecia incomodado com alguma coisa, que eu não me importei em saber — Naquele dia, eu pude sentir o cheiro do ciúme dele.
— Você deve estar enganado — eu disse sem desviar o olhar — Aquele mesmo dia ele usou a Joia para reviver Kikyou, para poder ficar com ela como sempre quis e me prender nessa Era para sempre — eu disse dando de ombros — Estou retornando hoje para o vilarejo, desde aquele dia não o vejo — eu dei um suspiro — Mas isso não tem nada a ver com você.
— Realmente, não tem — ele disse imponente como sempre. Revirei os olhos — Humanos não me dizem respeito e não me importo com uma raça tão asquerosa quanto a de vocês.
— Deveria medir suas palavras, Rin faz parte da escoria — eu disse com desdém — Agora irei me retirar ó grande Senhor das Terras do Oeste — eu fiz uma leve reverência em deboche, quando me levantei Sesshoumaru me olhava raivoso — Preciso chegar ao Vilarejo ainda hoje e essa brincadeira já me atrasou demais.
Concentrei minha energia espiritual nos pés e não me abalei diante seu olhar, num piscar de olhos eu já não estava mais a frente dele. “Apareci” diante de Rin, Jaken se assustou com isso e começou a se afastar mais ainda, eu queria rir, me abaixei e dei um beijo em sua testa, Sesshoumaru me seguia com o olhar e não me importei com ele; e depois disso saí correndo em direção ao Vilarejo.
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Depois que já tinha me distanciado o bastante de Sesshoumaru diminui um pouco a velocidade, não queria estar desse jeito, mas estar perto dele ainda mexe comigo. Nunca vi uma fixação tão grande em tentar entender aquele ser. Tudo porque mesmo com Rin e Jaken ele continua a parecer muito solitário.
Sesshoumaru é sempre tão sozinho...
O vilarejo já era visível do monte em que eu estava. Sesshoumaru não estava muito longe daqui, talvez ele não se desse conta disso. Vilarejos humanos são insignificantes para ele, ainda mais o que abriga seu meio-irmão bastardo. Eu parei de correr e passei a caminhar, dei uma ajeitada em meu cabelo. Será que deveria cortá-lo? Talvez não... Ajeitei também meu kimono e passei a descer o monte. Será que Shippou, Sango e Miroku me reconheceriam?
Pelo cheiro seria possível? Afinal eu já não usava mais perfume há muito tempo, acredito que meu cheiro tenha mudado, ou somente ao que é o cheiro do meu próprio corpo. Eu já me encontrava na entrada do vilarejo, a noite já começava a nos agraciar e pequenas estrelas começavam a aparecer no horizonte. Eu andava tranquilamente, alguns moradores me olhavam estranho, olhavam diretamente para Joyeuse e meu arco. Eu os entendo, era difícil forasteiros por aqui. Ainda mais mulheres armadas.
Eu passava em frente ao lugar que gostávamos de ficar observando as estrelas, era meio que um monte e sempre ficávamos ali em noites como essa. E parece que meus amigos continuaram com o “ritual” porque Miroku, Sango e Shippou estavam sentados lá, olhando para o horizonte. Kirara estava deitada na grama em sua forma grande, levantou a cabeça quando me viu e eu sinalizei para ficar quieta. Ela se deitou novamente, como se nada tivesse visto.
Desci na direção deles — Com licença — eu disse para chamar a atenção deles, eles se viraram, mas não demonstram nenhuma reação. Estou tão diferente assim? — Vocês poderiam me ajudar?
— No que? — Sango disse séria, eu queria rir. Creio que ela esteja com ciúmes de Miroku, em vista que eles estão abraçados.
— Bom eu estou procurando algumas pessoas — eu comecei — eles são pessoas muito especiais para mim... — nenhum deles esboçou reação diferente e isso me magoou — Poxa gente, é assim que me recebem depois de dois anos e meio? Eu esperava mais...
— Dois anos e meio? — Shippou murmurou, quando seus olhos se arregalaram — KAGOME!! — e correu em minha direção. Eu me abaixei para abraçá-lo — Que saudades!
— Eu também estava meu menino — eu disse o apertando no abraço, quando senti mais dois pares de braços me envolvendo — Eu também estava com saudades de vocês meus queridos! — eu já estava chorando.
— Que saudades de você Kagome — Miroku disse ainda me abraçando — Você fez muita falta nesse meio tempo.
— Verdade Ka! — Sango disse também chorando — Eu precisei tanto de você! Mas como você está linda! — ela me analisava — Está tão diferente, está mais madura, mais mulher, mais confiante!
— Verdade — eu disse convencida — Mas eu não pensei que estivesse tão diferente assim, nem Sesshoumaru me reconheceu...
— Sesshoumaru? — os três perguntaram juntos.
Eu me sentei com eles e contei o que aconteceu e eles me contaram o que aconteceu no meio tempo em que eu estive fora. Depois me fizeram contar tudo o que ocorreu no meu treinamento e assim eu o fiz, contei por todo o tipo de treinamento que eu passei, todas as armas que eu aprendi a manejar, como ganhei minha própria arma e outras mil coisas.
— Então você teve uma vida agitada enquanto estava treinando? — Sango perguntou dando um sorriso. Eu acariciava os fios ruivos de Shippou que já tinha adormecido há algum tempo.
— Eu tive mesmo, mas era divertido — eu disse os olhando — Takeo era uma ótima companhia, ficamos bem próximos — eu disse dando um sorriso, ambos me olharam com malicia e eu corei — Não foi isso o que eu disse, ele somente se tornou um ótimo amigo!
— Não dissemos nada — Miroku disse divertido, ele abraçou Sango de lado passando o braço por seus ombros — Você quem está pensando besteira...
Eu sorri para ambos — Nada a ver! Eu e Takeo ficávamos conversando e ele me ajuda no treino extra que eu tinha montado — eu dei de ombros — Takeo é um ótimo ouvinte também...
— Imagino que precisasse conversar com alguém — Sango disse me dando um olhar compreensível — Deve ter sido solitário no começo, afinal Takeo nem nos dirigiu a palavra aquele dia...
— É porque ele é tímido — eu disse dando um sorriso — ele ficou envergonhado, só isso.
— Bom Kagome, eu tenho que te contar algo — Miroku disse sério e eu fiquei um pouco curiosa, não disse nada e ele entendeu como um prossiga — Quando você partiu e Inu-yasha descobriu o que tinha te feito, ele ficou bem irritado e queria ir atrás de você — eu arregalei os olhos em surpresa — Mas eu o coloquei no lugar dele e por incrível que pareça Shippou também...
— Eu não quero saber o que ele pensa ou deixa de pensar — eu disse séria ainda — Ele fez a escolha dele e eu segui com minha vida, não quero saber se ele gostou ou não — eu dei de ombros — Eu segui em frente e descobri o porquê eu o amava, simplesmente resquícios do sentimento de Kikyou em minha alma, não o amo mais... — dei um sorriso — eu enfim retirei tudo o que ligava a minha alma a de Kikyou, agora eu não tenho mais nenhum sentimento dela!
— Então quer dizer que talvez agora você consiga realmente amar alguém? — Miroku perguntou curioso e Sango assentiu como se fizesse a mesma pergunta.
— Não pretendo me apaixonar novamente — eu disse dando o assunto por encerrado, ambos soltaram um muxoxo — A propósito, ele está no vilarejo?
— Não, ele foi levar Kikyou no vilarejo vizinho — Sango respondeu dando um sorriso para meu alívio — Ela é a médica daqui agora...
— Entendo, então vamos para a casa da vovó? — eu disse me levantando com Shippou no colo.
Sango e Miroku também se levantaram, um pegou meu arco e flechas e o outro pegou minha espada. Passamos a caminhar lado a lado, Sango e Miroku de mão dadas, eu estava feliz por eles finalmente se resolverem. Eu sempre soube do sentimento de ambos e secretamente eu torcia por eles, e agora com eles juntos, não poderia estar mais realizada, pelo menos alguém saberia o que é e como é, sentir o verdadeiro amor.
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