No meu relógio de pulso marcava 7:00 am quando entrei no refeitório, ele era enorme e estava quase cheio. Tinha umas 10 lojas fast food diferentes, desde a comida mais gordurenta que se possa imaginar a vegetariana. As mesas eram redondas e se sentavam umas 5 pessoas, na média por mesa, algumas mais, outras menos.

- E lá está a Rafaela! — Dany gritou em uma mesa perto de mim. — Senta aqui com a gente.

Estava ela, a Flávia, Carlos, Samanta, Max e Vitória.

Dany estava com um coque frouxo, e usava uma blusa de frio folgada cinza. Flávia estava com seu cabelo preto solto e seus olhos verdes brilhantes, usava uma blusa do Black Sabbath. Carlos se sentava ao lado dela, ele estava sorrindo de alguma que Samanta tinha falado para ele e suas covinhas eram tão fofas, ele estava de mãos dadas com Samanta, usava uma blusa verde e óculos escuros. Samanta tinha prendido o cabelo em uma trança, o que ficava legal quando seu cabelo era colorido. Max me encarava, seus grandes olhos castanhos estavam fixos em mim, seu cabelo enrolado estava penteado para trás, mas um pequeno cacho caía na testa, ele vestia uma blusa listrada preta e branca. Vitória ao meu lado tinha o cabelo loiro com cachos enormes, usava uma blusa rosa.

Me sentei junto com eles, ao lado da Victória.

- A sua primeira aula é de que? — Carlos perguntou.

- Filosofia. — Respondi.

- Tenho pena de você. — disse Samanta. — Eu odeio filosofia.

- Eu também tenho filosofia agora. — Disse Max. Sua voz era um pouco rouca.

- Prepare seu discurso, o professor vai te perguntar tudo. — Disse Dany.

Fiquei meio nervosa, não gostava muito de ser o centro das atenções.

- Não está com fome? — Vitória perguntou. Eu e Max eramos os únicos sem comida.

- Vem. — Max se levantou. — Eu te pago alguma coisa.

Me levantei e segui ele.

- Que tipo de comida você gosta? — Ele perguntou.

- Qualquer uma que não tenha fritura ou muito açúcar. — Eu chegava a ficar arrepiada quando Mike e Dillan comiam algumas coisas ensopadas de fritura na minha frente. — Mas não estou com tanta fome.

- Que tal o melhor café do mundo? — Ele me conduziu até a ultima bancada. Não acredito, pensei, até Starbucks tinha aqui. — pode escolher o que quiser, eu pago.

- Pode ser um Frappuccino. — Eu disse. Era o que eu mais gostava.

- Só isso? Você vai ficar sem comer nada até meio dia.

- Eu não estou com muita fome. — Eu disse.

- Ah, vamos lá. — Ele revirou os olhos. Se virou para a atendente. — Por favor, um Frappuccino, um Choco Chip Frappuccino, e dois Cupcakes de chocolate.

Não reclamei, eu adorava cupcakes, mas não fiquei feliz por ele pagar tudo.

- Acho que não começamos do jeito certo. — Ele disse depois que os cafés ficaram prontos.

Ele me conduziu para uma mesa vazia por perto e nos sentamos.

- Vamos começar de novo, ok? — Sugeriu ele, sua voz rouca ficava fofa quando ele sorria. — Eu me chamo Max Lemory.

- Me chamo Rafaela Martins. — Eu disse em resposta. Mordi meu cupcake, era delicioso.

- Vou falar de mim. Depois quero saber sobre você, não precisa me contar se não quiser, mas eu meio que gosto de saber sobre as pessoas. — Ele deu uma mordida no cupcake dele. — Eu morava com minha mãe, nunca conheci meu pai, mas sei quem ele é, passo todos os verões desde os 11 anos em um acampamento de verão especial. Nunca fui um bom aluno, adoro aprontar e andei roubando algumas coisas com meus irmãos, fui preso e me colocaram nesse internato. Eu não sou normal, sou um ótimo amigo, Carlos é o meu melhor amigo. Ele, a Dany e a Samanta são do mesmo acampamento que eu. Tenho dislexia e sou ótimo em esgrima.

Enquanto ele falava eu observava ele enquanto tomava meu café, ouvi atentamente. Quando ele terminou, fiz uma pausa pensando no que falaria para ele.

- Eu passei os meus 6 anos em um orfanato, nunca conheci meus pais, no orfanato eu tinha dois amigos, o Mike e o Dilan. — Minha voz falou quando disse o nome deles. — Quando fiz 6 anos fui adotada por um casal que não conseguiam ter filhos, o sr. e a sra. Martins, mas um mês depois a sra Martins descobriu que estava grávida e desde em diante virei um peso morto na vida deles. Mike e Dillan foram adotados por uma família que morava no fim da rua dos meus pais umas três semanas depois de mim, os dois ficavam na minha casa o tempo todo quando nós não estávamos na minha casa, estávamos roubando alguém rico. — Sorri, lembrando de bons momentos. — Quando eu tinha 11 anos comecei a ver umas coisas bem estranhas, coisas que não são reais, ter umas alucinações, depois que contei isso para minha mãe, um mês depois tive minha primeira consulta no psicólogo, depois fui diagnosticada com esquizofrenia e transtorno bipolar, mas não se preocupe, eu tomo meus remédios todos os dias e quase não tenho mais isso. No começo, comecei roubado só para chamar atenção, mas meu pai fingia que não ligava e odiava Mike e Dillan por me influenciar a fazer essas coisas, depois o motivo não era mais atenção, eu gostava de fazer isso. A ultima vez foi mês passado, quando, quando tudo aconteceu. — Minha voz falou e não consegui mais dizer nada, não estava mais cotando sobre mim, eu estava desabafando tudo. Uma lágrima escorreu no meu rosto e me apressei para secá-lá. — Desculpe.

- Não precisa mais me contar se não quiser. — Max se inclinou e secou outras lágrimas que insistiam em cair.

- Não. Eu quero falar. — Respirei fundo. Por algum motivo era bom poder contar a alguém. — Mês passado eu, Mike e Dillan fomos até uma joalheria, foi a ultima vez que roubamos alguma coisa, era madrugada e a rua estava deserta, eu estava vigiando enquanto os dois pegavam tudo que podiam, mas de repente o gerente da loja virou a esquina, tentei contar a eles, eu mandei uma mensagem falando para fugirem, mas aconteceu alguma coisa lá dentro, algo fez um barulho muito grande, o que chamou atenção do homem que se dirigia até lá, ele correu e entrou na loja. E eu fiquei parada. Ouvi um barulho muito alto, era o som de tiro. Fui até lá ver e Dillan estava no chão todo cheio de sangue, fiquei paralisada vendo aquela imagem, Mike e o homem brigavam, tentando chegar perto da arma que estava jogada no chão. Eu podia ter pego a arma, Mike estaria vivo. Foi tudo culpa minha. O homem alcançou a arma e atirou na cabeça de Mike. Eu vi o sangue escorrendo dele e não fiz nada. Mike e Dillan estão mortos. Foi minha culpa. Eu não fiz nada.

Me levantei de repente, estava chorando.

- Rafaela. — Max tentou dizer.

Me virei e saí correndo em direção a saída. Corri. Saí e respirei o ar gelado lá fora. Olhei para o lado e vi a porta do banheiro feminino, abri a porta e fechei ela com uma batida. O banheiro estava vazio, me apoiei na pia e olhei no espelho, minha maquiagem estava borrada e meu rosto estava vermelho. Juntei minha mão em uma concha e peguei um pouco de água e molhei meu rosto, peguei papel e tirei a maquiagem borrada, não consegui tirar por completo e ficou o lápis de olho meio borrado, o que fazia meu olhar ficar meio ameaçador. Me esforcei ao máximo para disfarçar, me lembrei que tinha um pequeno quite de maquiagens na minha bolça, retoquei rapidamente a maquiagem.

Quando terminei o sinal tocou.

- Filosofia, sala quatro. — Murmurei para mim mesma.

Saí do banheiro e fui até o prédio onde ficava as salas de aula. No primeiro andar, pude ver que ficavam as primeiras salas, 01, 02, 03, 04 e 05 no primeiro corredor na parede esquerda e os armários ficavam na parede direita. Não estava com vontade de nenhum tour, entrei logo na sala quatro. Parei quando pisei dentro da sala, as 30 cadeiras estavam posicionadas em um grande círculo, uns 10 alunos estavam sentados todos me fitaram quando entrei. O professor arrumava os papéis em sua mesa e não prestou atenção em mim.

- Você está bem? — Perguntou uma voz rouca atrás de mim. Me virei e vi Max segurando um livro. Quando confirmei com a cabeça ele falou. — Pode entrar, não fique com vergonha.

Tirei do bolço o papel que a diretora tinha me dado, eu precisava mostrar ele a todos os professores. Caminhei até onde o professor estava, ele não notou minha presença, eu disse.

- Senhor?

Ele deu uma rápida olhada para cima e voltou aos seus papéis, quando se deu conta que não me reconheceu ele olhou novamente.

- Pois não? — disse ele. — Quem é você?

- hã.. eu sou aluna nova. — Eu disse. — Chamo-me Rafaela Martins.

- Ótimo, aluna nova. — Ele pegou o papel em minhas mãos e anotou alguma coisa em seu diário. — Deixe suas apresentações para daqui a pouco, arrume um lugar e sente-se.

Me virei para o círculo de cadeiras. Mais pessoas tinham chegado.

- Senta aqui, Rafa. — Max chamou.

Fui timidamente me sentar ao seu lado enquanto enquanto era observada. Ao meu lado se sentou uma menina toda vestida de preto e o cabelo azul. Quando a sala se encheu e todos se sentaram o professor fechou a porta e se sentou um uma cadeira vazia.

Ele pigarreou e disse.

- Bom, antes de começarmos a matéria vamos nos apresentar. Temos uma aluna nova hoje. Eu sou o professor Marcel, dou aula de Filosofia e tenho um jeito diferente de ensinar, tenho 35 anos. Sua vez querida, diga seu nome, sua idade e o que gosta.

- Meu nome é Rafaela Martins, tenho 15 anos e gosto de livros. — Eu disse timidamente.

- Muito bem, agora todos vão se apresentar, Milena. — Ele disse à menina que estava ao seu lado.

- Meu nome é Milena, tenho 16 anos e gosto de música.

O menino ao lado da Milena disse:

- Meu nome é Gabriel Gomes, tenho 15 anos e eu gosto de futebol.

- Meu nome é Kalina, — Disse a menina ao lado do Gabriel. — Tenho 16 anos e gosto de matar.

- Meu nome é Regina, tenho 16 anos e gosto de loucos. — Disse a menina ao meu lado.

- Meu nome é Max, tenho 16 anos e eu gosto de roubar. — Disse ele com sua voz rouca.

- Meu nome é Felipe, tenho 15 anos e eu gosto de vídeo game.

E assim todos foram se apresentando.

- Meu nome é Jade, tenho 15 anos e eu gosto de doces.

- Meu nome é Vivian, tenho 16 anos e gosto de meninas.

- Meu nome é Hugo, tenho 15 anos e gosto de Guerra.

- Meu nome é Luana, tenho 15 anos e eu gosto de cantar.

Mais pessoas se apresentaram, até todos falarem, parei de prestar atenção no décimo.

- Muito bem, sem mais enrolação, vamos à matéria. Sabem o que é pensamento dedutivo? — Quando ninguém respondeu ele continuou. — Pensamento dedutivo é pura lógica. É o seguinte: Todo A é B, C é A, então C é B. Confuso? Pensem no exemplo: Todo homem é mortal, Lucas é um homem, então Lucas é mortal. Homem é igual a A, Mortal é igual a B, Lucas é igual a C. Entenderam? anotem isso.

Peguei meu caderno e um lápis e anotei enquanto ele repetia.

- Rafaela, agora vou falar algumas coisas sobre a história de Sócrates e do pensamento dedutivo, pode ir anotando o que achar importante. — Quando confirmei com a cabeça, ele continuou. — O pensamento dedutivo não é 100% correto, poder ter algumas falhas...

Ele continuou falando e eu anotei algumas coisas. Logo o sinal bateu, olhei novamente meu horário, eu teria história agora, me levantei e fui em direção à porta.

- Qual sua próxima aula? — Max perguntou com a voz rouca dele, ele estava no meu lado agora.

- História. — Suspirei. Eu odiava história.

- Qual seu armário? — Max perguntou.

- 118.

Ele sorriu.

- Meu armário é o 125. É no mesmo corredor.

No fim do corredor ficava uma escada que levava ao 2º andar e tinha um outro corredor paralelo ao que estávamos, fazendo os corredores parecerem um "U". Viramos na curva e fomos ao outro corredor, ele era como um espelho do outro. as salas 6, 7, 8, 9 e 10 ficavam nesse corredor.

Max me mostrou onde ficava meu armário, bem em frente a sala 7. O armário dele ficava um pouco mais para o lado. Peguei meu caderno e chequei a senha que eu tinha anotado e abri o cadeado. 10/7/5/8. Meu armário estava vazio e sem graça, coloquei meus livros e mais algumas coisas, só fiquei com meu caderno e um livro de História.

- Eu vou ter Geografia agora, até mais tarde. — Max se despediu e entrou na sala 6.

Entrei na sala 8, ela estava quase cheia. A professora estava anotando algumas coisas no diário. Fui até ela para entregar meu papel.

- Professora? — chamei ela.

Ela me olhou esquisito e pegou meu papel sem uma palavra, anotou alguma coisa no diário e mandou eu me sentar.

O único lugar vago agora era no fundo da sala, no ultimo lugar da fileira da porta. Estava ciente de olhos postos me mim, mas ninguém me disse nada. Me sentei ao lado de um garoto que estava dormindo com a touca da blusa cobrindo a cabeça.

- Celulares desligados e guardados. — Disse a professora com a voz severa, ela parecia ter uns 50 anos.

Depois começou a passar um texto na lousa sobre as civilizações antigas. Copiei o texto quieta.

As aulas de matemática e sociologia foram semelhantes, logo o sinal bateu e eu fui para o almoço.

Notas finais
E você? diga seu nome, idade e o que gosta *------*
Curtiram o cap?