Caminhos

1 Do alto da janela


Notas iniciais
Espero que gostem!
Boa leitura!

Com o vestido de noite em seu devido lugar, fui para a janela, me sentando no beiral. quão rapido seria a minha morte se eu me jogasse dali, esmagando meu corpo no chão, seis andares abaixo? quantas vezes mais teria que enfrentar aquilo?
Minha beleza, que antes me era motivo de orgulho, agora era considerada uma maudição, por que mesmo depois de três casamentos, e pouco sobrando dela, eu estava ali, no quarto, escovando os cabelos, enquanto
esperava o meu quarto marido.
Depois que meu terceiro morreu, assassinado pelo herdeiro do vizinho de fronteira a norte de nosso feudo, por ter imprudentemente comprado uma briga sem sentido, eu pensei que seria o ultimo, pensei que finalmente iria me estabelecer no castelo de Ribeiro encantado, ajudar minha mãe com as obrigações de uma castelan e filha da casa, cuidar de meus feridos e doentes, algo que eu tinha certeza de minha competência, e cuidar de meu sobrinho Brian, filho de minha irmã gêmea, que fora morta junto a seu marido, por assaltantes, enquanto iam para ribeiro encantado para o meu primeiro casamento. aquilo sem duvidas devia ser um aviso do quão amaldiçoada seria a minha vida.
Mais ele apareceu... Lorde Matew de montes claros, que era o herdeiro de montes claros, o único dos onze feudos do sul que não havia formado uma aliança com o meu pai, que liderava a maior aliança de todo o reino, embora tivessem um acordo de cooperação, já que anos antes meu pai acolhera lorde Matew e sua comitiva em nosso castelo, a maioria deles feridos, incluindo lorde Matew, pois haviam sofrido uma emboscada de assaltantes enquanto voltava de uma reunião na corte. eu mesma, com minhas mãos habilidosas, com doze anos de idade cuidei de seus ferimentos. As alianças eram firmadas atravez de casamentos, fossem com as filhas do senhor da liança ou com as filhas dos outros lordes, todos os meus casamentos aconteceram para que estas alianças fossem formadas, assim como o ultimo...
Por que lorde Matew queria uma mulher que já se deitara com três homens diferentes, que trazia no rosto e no corpo marcas de sofrimento, triste, fria e distante como esposa era um mistério para mim, principalmente por que haviam três moças solteiras em idade para casar, lindas e com garantia de virgindade para ele escolher...
Eu pensava nisso quando olhava para as marcas de chicotadas em meus braços, cortesia de meu segundo marido, aquelas nunca sairiam, pois eu não podia cuidar delas corretamente, já que eram abertas constantemente,
baixei a escova parando por alguns segundos de desembaraçar os fios negros e compridos de meus cabelos e mechi os pulsos doloridos, machucados por meu terceiro marido que os segurava com força contra a cabeceira da cama enquanto me tomava violentamente. Eles sem duvidas deixaram suas marcas em meu corpo e espirito... Por muitas vezes enquanto em meu primeiro casamento lamentava a falta de interesse de meu
marido, que só se lembrava de minha existência quando íamos para cama, mais lamentei o constante interesse dos outros dois.
Perguntei-me quem era lorde Matew verdadeiramente, pois, fora de seus quartos os homens eram quem queriam, e minha experiência me mostrou que eles só se revelavam no quarto. Por isso anciosamente eu esperava para vêr em quem o alegre e cativante senhor de montes claros se transformaria assim que fechasse a porta atrás de si, trancando o mundo lá fora...
E ele chegou... Fechou a porta calmamente, sorrindo levemente para mim, enquanto andava até uma mesa no canto do iluminado quarto e depositava suas armas lá.
— Esse foi, sem duvidas um longo dia Angela
— Realmente, meu senhor. — eu disse, minha voz baixa
— Seu irmão Jorge realmente gosta de falar... — Disse, a voz leve e animada — A minha sorte e que Lady Catarina sabe como fazer o marido se calar...
Não era um comentário maldoso, eu percebi, era uma brincadeira, uma que alguém faria de um velho amigo... Quanto tempo mais demoraria? que monstro o corpo e as feições bonitas de meu marido escondia? Me perguntei, enquanto observava de canto de olho ele se abaixar para
tirar as botas...
Sem que eu quisesse, meu corpo começou a tremer. O que vinha pela frente agora? o quanto ele me mautrataria? Eu sabia que existiam casamentos felizes, o do meu irmão Jorge, por exemplo, ele e minha cunhada viviam um para o outro, mais eu sabia que aquilo não era para mim, minha sina era sofrer, sofrer e nunca encontrar o amor que
Catarina e minha mãe encontraram, eu já havia aceitado isso.
Senti o olhar dele em mim mais não o olhei, fixei meus olhos no céu negro de verão visto da janela. Depois de um tempo senti sua aproximação, seus paços de pés descalços foram abafados pelo tapete, ele não me tocou, pelo que eu fiquei grata. Suas mãos se apoiaram no beiral, perto das minhas e também ele olhou para o céu
— Quando eu era pequeno, em noites como esta, meu pai costumava levar a mim e meus irmãos lá para fora, para aquele monte menor, você vê?
— ele disse, apontando uma sombra escura contra a noite, que eu sabia ser um pequeno monte, a uma ou duas horas do castelo. Assenti e ele continuou, — nós acampávamos lá, e ele ensinava-nos o nome das estrelas e contava historias até que o ultimo de nós dormía, muitas vezes fora das tendas... — Ele pareceu pensativo,
Me perguntei o que ele estava fazendo, nenhum de meus maridos conversava comigo, na minha experiência naquele momento, todos os três já tinham tomado o que queriam.
— Também eu vou fazer isso com os nossos filhos, todos com os cabelos negros e os olhos lindos da mãe, — ele disse sorrindo para mim, com um sorriso que eu não queria interpretar.
Baixei o rosto, olhando para nossas mãos proximas e o ouvi suspirar, eu não sabia responder a isso...
— olhe para mim Angela, por favor, — ordenou, a voz baixa
Eu obedeci
— Sei que já sofreu em demasiado em sua vida, com os outros maridos... por isso seu pai não queria me dar sua mão, mas... Isso me pegou de surpresa.
— Ele não queria? — perguntei repentinamente o interrompendo, minhas mãos foram para minha boca pelo susto, eu o enterrompi... Ele ergueu a mão e eu ergui os braços, virando o rosto e fechando os olhos para me proteger da pancada que eu sabia que estava por vir...
Senti seu toque, suave em meu braço,
— olhe para mim Angela...! — pediu, sua voz suave, como se tentasse se aproximar de um animal arisco. de vagar, baixei os braços, sua mão nunca se afastando, e o olhei, seus olhos calmos olhavam-me.
— Eu nunca bateria em você! — ele disse, — Você pode falar comigo, e me interromper também se você quiser... — Seus dedos se afastaram do meu braço de vagar
— respondendo a sua pergunta, é por que eu lhe fiz uma promessa...
— que promessa? e por que eu? por que eu entre todas?

...Continua

Notas finais
Comentem ok?
Bjsss
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.