Caminhos
5 Capítulo 5
–Isso senhor Thompson, ainda é altamente secreto. -Ela usou toda a acidez possível para me dizer isso.
–Capitã, com todo o respeito, mas está nos dizendo que fomos recrutados, para ser treinados e não vamos poder saber nem pra onde vamos quando o treinamento terminar? -Eu estava começando a achar que ter assinado aquele contrato foi uma má ideia.–Sim. Estão sendo muito bem pagos, fora que todos são tenentes e podem ser promovidos casos nossa missão obtenha êxito. Estou falando de uma medalha por bravura para cada um dos senhores. Creio que o pagamento por tanto sigilo seja, mais do que o suficiente. Mas caso qualquer um dos senhores queira desistir, assinem o 10 40, e peçam despenca. Ninguém aqui irá detê-los. -Ela me deu um sorriso irônico, eu pude jurar que estava me imitar quando eu era sarcástico com ela.Ela explicou alguns detalhes da missão e sobre o treinamento. Falou sobre inteligência artificial, mas quase não consegui prestar atenção em nada. Eu estava ali e estava longe ao mesmo tempo. De certa forma eu estava orgulhoso por ela, por quem ela tinha se tornado. Era evidente que era metida, cheia de si e muito autoritária. Mas era brilhante, ela tinha a atenção de todos a sua volta onde quer que fosse. Eu a magoei no passado, desisti dela e a fiz acreditar que eu só a tinha usado pra sexo. E vendo quem ela se tornou, penso que ela está tão feliz, e ao ouvir a excitação na voz dela- É notório que ela ama o que faz! Você conseguiu minha linda, você realizou o seu sonho.Eu queria beijar aquela boca e poder ver aqueles olhos verdes cheios de alegria, olhando pra mim outra vez. Mas não era assim, no mundo real as coisas nunca são tão fáceis.No momento eu que eu disse que ela ia voltar pra casa, a seis anos, ainda lá em Londres, eu sabia- Eu a perdi pra sempre.Talvez se ela ainda fosse a minha menina, a minha Lexi frágil e amedrontada com tudo, eu teria uma chance, eu poderia lutar por ela. Mas ela era uma mulher agora, o tipo se rabo de saia que só causa dois tipos de sentimentos em um cara como eu- ódio ou paixão. E definitivamente eu nunca odiaria Alexandra, talvez eu até me odiasse por tê-la feito chorar antes, mas odiar ela era coisa impossível pra mim.Ela era demais pra mim, sugava cada pensamento que eu tinha. Passei seis anos da minha vida tentando tirar aquela garota da minha cabeça, e agora a vida deu um jeito de eu me encontrar com aquela garota transformada em mulher, e não em qualquer mulher; ela era minha capitã, e também era a dona de qualquer pensamento que eu tinha.É como se estivesse em minhas veias e eu não pudesse tirar, queimando por dentro, e me fulminando com o seu olhar de mágoa por minhas palavras no passado.Ela nunca esqueceu, qualquer idiota percebe. Ela não pode me perdoar.Foi ai que pensei em assinar o 10 40 e desistir da missão. Mas eu era masoquista por natureza, só ficar perto dela, já me mudava, mudava quem eu era. Uma vez ela me disse que eu era especial, que cativava as pessoas, mas no fundo ela nunca entendeu que ela é que me cativou. Seis anos tentando deletar ela da minha mente, e ela estava mais presente em mim a cada dia. Ela é minha droga, sou um viciado tendo uma recaída. Por mais que eu tente parar, tente me reabilitar, me afastar dela, a vida faz questão de nos unir. Só não sei se para o bem ou para o mal.Sei lá se isso vai dar certo, nem sei muito sobre essa missão, mas posso conseguir o que eu quero, melhorar ainda mais o meu trabalho, ela podia me ajudar nisso. Sei que to entrando numa fria, e que talvez eu possa sair muito ferido dessa, mas eu ia passar algum tempo com ela. De repente eu conseguisse superar ela, ou não, mas estar perto ia ser doloroso, e bom ao mesmo tempo.Eu pensei- Que se dane, eu consigo!–----Narrativa por Alexandra/---- Eu estava de frente pra razão de todos os meus problemas do passado. Ele estava sentado de frente pra mim, me olhando, me desafiando. Mesmo agora Johnny ainda tinha todo o ar irônico comigo. Um misto de emoções me invadiu e eu queria esganar aquele idiota, mas eu era uma militar agora e tinha que manter a minha postura. Então eu iria punir ele do jeito que me daria mais prazer, mostraria que eu era muito melhor do que ele jamais será dentro de um caça. Talvez ele pense que ainda sou aquela menina que ele usou e magoou, mas eu era muito perigosa agora, porque eu tinha uma coisa que ele nunca terá. Fúria feminina. Ardendo, queimando. -Droga porque ele está aqui!Eu recebi o relatório dos pilotos no começo do dia de ontem, eu tina planejado estudar cada um dos tenentes durante a noite, no meu apartamento. Mas fiquei ocupada demais enchendo a cara a tranzando com o meu melhor amigo que tinha terminado a sua residência. Fiz uma besteira tamanha com o Mike, nem sei como vou consertar isso. Mas eu não podia me atrasar para a apresentação dos pilotos, sai de fininho da cama do Mike catando minhas roupas pelo chão e me vestindo o mais rápido e silencioso que consegui.
Eu teria que consertar as coisas com Mike depois, agora eu tinha outro problema em mãos.- Johnny Thompson estava aqui. Meu amor do passado, o primeiro homem com quem eu fiz amor. Na verdade ele foi o único homem com quem fiz amor, com os outros foi apenas sexo. Com Johnny foi lindo, foi calmo, foi doce, e foi a minha ruína. Nunca pude esquecer aquela noite, o céu todo estrelado, e o que eu senti, eu achava que estava protegida.Foi tudo uma ilusão. E agora minha ruína está em minha frente, e não dá pra fugir. Nem sei se dessa vez eu fugiria, aquela garota que chorava todas as noites e que se culpa até hoje por ter baixado a guarda, aquela garota não é mais a mesma...(Link para música da cena a seguir:http://www.youtube.com/watch?v=fz4WKZq6n2c )E olhando pra ele percebi que ele também não era, aqueles olhos negros, agora eram muito mais profundos, não sei explicar, mas penetrava dentro de mim. Aquela boca que antes só tinha sorrisos irônicos, agora estava formando uma espécie de careta. Ele tinha 26 anos agora, e muito mais barba do que eu me lembrava. Claro a barba estava bem feita, mas havia aquela sombra dos pelos, que antes não havia. Lembrava-me de um Johnny alto, corpo atlético. Mas agora ele era muito mais malhado, provavelmente o trabalho fez isso com ele. O cabelo ainda era o mesmo, talvez um pouco mais curto, acho que ainda deve ficar completamente loiro sobre o sol, e a pele ainda era tão bronzeado como me lembrava, ele puxou isto do avô de seu pai. Um latino de pele lindamente bronzeada. Mas havia outra coisa, seu rosto, estava... Triste, como se não fosse feliz há muito tempo. Ele era um homem agora, antes ele já era, mas agora parecia muito amadurecido. Lembrou-me do meu avô, sua postura de piloto, estava claro que ele nasceu para fazê-lo. Jonathan Thompson era um homem muito bonito, o tipo de cara de te fazer perder a cabeça, mas eu estava vacinada, ou pelo menos achava que estava. Ele era o melhor piloto inglês, e eu havia pedido os melhores, então eu ensinaria alguns truques a ele, eu mostrarei como voar com estilo, eu ensinarei a ser eficaz em combate, eu o ensinarei a ser uma arma. Porque é assim que eu trabalho, foi assim que aprendi. Meu pai nunca me deu moleza desde que entrei para a Força Aérea, dizia que não podia deixar que todos pensassem que ele estava me favorecendo. Tive de aprender a ser boa no que faço. Falo cinco idiomas, me formei como melhor da minha turma e um ano antes de todos. Aprendi a atirar e a ter excelente mira, aprendi a lutar boxe. Na verdade o boxe me ajudou a relaxar com toda aquela pressão sobre mim.Há seis anos eu fiquei fria, dura, aprendi a nunca deixar que ninguém me engane, nunca mais. Não como ele havia feito comigo. Mas ainda havia uma coisa em mim que nunca mudou... O que eu sinto. Mesmo agora olhando pra ele, e o odiando, mesmo agora, ele ainda mexia comigo. Seja lá o que ele tem, não deve ter nenhum tipo de defesa contra, se houvesse um modo de tira-lo de mim, eu já teria conseguido. Era como se ele estivesse em minhas veias, queimando por dentro, e eu só pudesse agonizar com toda a dor, e esperar que algum dia passasse. Mas nada nunca é fácil. Nunca passou.Eu venho tentando há tantos anos, por isso eu sei, não há escapatória. Só posso pegar a saída mais curta, vou odiá-lo, tenho que tentar, eu vou conseguir.Vou treina-lo para ser o melhor, como todos os demais pilotos. Mas será só trabalho, sem conexões, sem toques. Assim será mais fácil. Sem emoções, eu posso fazê-lo, tenho a fibra para tal coisa.Quando a reunião terminou eu quis ir embora de uma vez, mas teria que encarar, sugar todo o veneno é o certo a se fazer.–Capitã, eu só queria dizer que é um honra poder trabalhar com a senhora. –Payppar, o melhor piloto americano que foi muito bem recomendado me disse.–Digo o mesmo, soube de seus feitos, é o melhor que temos, veremos se será o melhor do grupamento. –Apertei a mão dele.–Bem senhorita Walker, eu sempre dou o melhor de mim, e espero corresponder às expectativas de meus comandantes. –Ele se despediu.–Capitã Walker? –Me virei para ver quem me chamava.–Há Sargento Smith. O que deseja?–Bem, eu lhe enviei os relatórios como havia pedido. Foram satisfatórios? –Smith era o que eu chamava de puxa saco.–Sim, perfeitamente. Sargento eu tenho mais uma tarefa para o senhor. –Tive uma ideia. –Quero um relatório avulso, sobre o Senhor Thompson, o piloto inglês. E não comente com mais ninguém que lhe pedi isto.–Perfeitamente Capitã. –Como um paspalho doido pra subir de cargo ele se foi. Sai andando porta fora, seguida por alguém que disse alguma coisa que eu não dei atenção, apenas disse: Entro em contato mais tarde, obrigado. Entrei na minha sala trancando a porta atrás de mim. Ainda ofegante eu me atirei na cadeira acolchoada atrás da minha mesa. Eu estava preza em um centro de operações no meio do Golfo até o fim de semana, e o que é pior, Johnny estava lá. Ainda era terça-feira.De repente fui invadida por todas as lembranças que eu venho matando dentro de mim. Não era justo que mesmo depois de tudo que ele me fez, ainda sentisse aquilo. Porque eu não o esqueço? Perguntas não respondidas, e os mesmo sentimentos. Seis anos e ele ainda mexia comigo. A mera presença dele me perturbou, e toda a segurança que eu tinha, toda a postura dura, tudo isso desmoronou. Ele ainda era o mesmo, o meu Johnny. Ainda eram os mesmo olhos negros que me penetravam, o mesmo sorriso que me iluminava. Mas o tempo não volta, e as mágoas não desaparecem assim. A dor nunca foi embora... Então eu me recompus e abri a porta. Algum idiota estava parado na porta e quase tropeçamos um no outro.–Você não... –Ainda desnorteada eu o vi.–Desculpe, eu estava prestes a bater na porta. Capitã tudo bem? –Eu o encarei. Johnny estava de frente a mim com olhar apreensivo.–Sim. Mas o que você quer?–Eu... Capitã... Alexandra, eu gostaria de conversar. –Ele me responder meio gaguejando.–Acho que você está confuso. –Eu disse entre meu riso ácido. –Não há nada que possamos ter para conversar. A menos que seja a missão.–Não é sobre a missão. É sobre você e eu.–Repito, você está confuso. Não temos nada para conversar, e sugiro que se dirija a mim como Capitã. Não quero e nem faço questão de nem um tipo de aproximação com o senhor, que não seja a profissional.–Capitã, por favor, eu gostaria de explicar algumas coisas, e também de agradecer por me permitir estar aqui. Imagino que deva ter sido no mínimo controverso. –Ele estava me dizendo tudo àquilo bem no meio do corredor. Tinha de abafar, não queria que ninguém soubesse da nossa aproximação. Puxei-o pelo braço pra dentro de minha sala antes que alguém visse.–Escuta aqui Johnny, não me agradeça porque não fui eu que o escolhi. Eu nem ao menos sabia que você tinha sido convocado. E que fique bem claro que eu não quero que você se dirija a mim desta forma nunca mais. Pra você eu sou a Capitã. Não me chame pelo meu nome como se pudesse. Nunca mais fale comigo sobre assuntos pessoais, não pense que pode. Da próxima vez que você se aproximar de mim desta forma, eu juro que meto uma bala bem no seu joelho esquedo. Eu posso fazer isso. E posso te rebaixar de tenente para rapaz que serve cafezinho! Agora saia da minha sala! –Eu praticamente cuspi cada palavra.–Ok, Capitã. Eu já entendi, a senhora esta certa. Eu fui desrespeitoso. Só queria que soubesse que nada me dói mais. -Ele me olhou, sobrancelhas arqueadas, quase uma careta de dor. -Sei que a senhora sabe do que estou falando. Reintegro meu pedido de desculpas, desculpe por tudo. Eu só quero que a senhora saiba que seu trabalho é genial, como eu sempre achei que seria. Parabéns Capitã Walker. Boa noite. –Ele saiu.Respirei fundo. Eu não ia chorar dessa vez. Não mais... Eu faria outra coisa, eu faria da vida dele um inferno. Enquanto ele estivesse perto de mim, eu ia desprezar ele o máximo que pudesse.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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