Caminhos

5 Maçã Verde (parte I)


— Hm... Turon...? André...?

— Athos! Você finalmente acordou! – Athos apareceu do nada no jardim e corri para abraça-lo — Você tá acordado há quanto tempo?

— Eu acordei agora... Ah... Minha cabeça...

— André, pode pegar um copo d’água para o Athos para mim?

— Claro. Já volto.

Após André voltar, eu e ele fizemos algumas perguntas para Athos: o que ele havia visto, como havia se sentido. Coisas assim. Não passou muito tempo e Athos sentiu um pouco de dor nas pernas e voltou para cama. Pedi para André se retirar e acompanhei Athos para o quarto.

— Sério, Turon. Não precisa ficar me “vigiando”. Não é como se algo fosse aparecer do nada me matando.

— Eu insisto, Athos. Deite e durma, finja que não estou aqui.

Fiquei observando Athos dormir. Como ele parecia estar dormindo tranquilamente e já era quase 22hr, saí para andar pela rua. Após alguns minutos andando, olho para cima e vejo Alasse e André sobrevoando as ruas. Eles descem e conversam comigo.

— Olá, Turon! – Alasse estava calma e com sua expressão fria de sempre – Tudo bem com Athos?

— Hm. Sim.

— Ah, que ótimo! Ainda bem que ele se recuperou rápido...

— Alasse, eu e Turon precisamos conversar. Pode nos deixar à sós?

— Claro! Vejo você mais tarde, então? Você sabe aonde me encontrar. Até mais.

— O que você quer conversar comigo, André? – Me sentei numa escada perto daonde eu estava.

— Sobre hoje a tarde...

— Hm? O que foi?

— ...Eu estava pensando, a gente poderia...

— Hah. Sério?

— Hm? Como assim...

— Só por causa de um abraço você cria falsas esperanças sobre a gente poder voltar a sair juntos? Sério? Eu pensei que você tivesse amadurecido mais do que eu imaginava, mas você nem ao menos chegou na minha expectativa.

— Turon, por que você sempre age assim?

— Assim como?

— Você cria um muro impenetrável ao redor de si desde que a gente terminou. Por que? Isso é medo de ser frao outra vez?

— EU não fui o fraco! VOCÊ que foi o fraco, não me venha com essa história de novo! Você não sabe metade do que aconteceu naquele dia.

— Acredite, eu sei ele por completo e eu entendo o que você fez, eu entendo que você errou e até hoje eu te perdoo por aquilo, então porq...

— Não, André. Você não sabe. E nunca vai conseguir entender.

— Turon, olhe para mim. – André me puxou pelo braço e me encostou no seu corpo – Diga nos meus olhos que você não quer voltar comigo.

Congelei. Era o que eu podia fazer. O calor do corpo dele, a sua respiração, seus olhos escarlates... Era impossível resistir à ele. Meu coração batia cada vez mais forte, como se tocar o corpo de André fizesse com que meu corpo simplesmente levasse um choque que o deixasse totalmente estático e funcionando em potência máxima.

— Turon, por favor, aja maduramente, pelo menos dessa ve – Interrompi André.

— Não.

— Hm? Como assim...

— Não, André. Eu não quero voltar com você. – Me desprendi dele – E eu não desejo nem que meu pior inimigo tenha o desprazer de ficar com você.

— Turon, por favor... Me desculpe.

— PARE! Pare de me pedir desculpas! Não é você mesmo que diz que quem errou fui eu? Então pare! Pare! Só... pare!

— Turon, cuidado!

Num piscar de olhos, um relâmpago cruzou os céus e atingiu em cheio o chão. Nem eu nem André fomos atingidos, mas aquilo parece um sinal divino.

— Não pode ser... Turon, corra!

— Correr? O que está acontecendo, André?

— Nut... Ela está por aqui perto...

— Nut? A deusa dos céus? O que Nut está fazendo na nossa área?

— Não faço a mínima ideia, mas temos que avisar o conselho divino agora mesmo. – André invocou um pergaminho mágico e conjurou um portal – Entre nesse portal, chame Alasse e diga para ela avisar o conselho divino sobre Nut. Rápido!

— Mas e você, André? O que você vai fazer?

— Vou distrair Nut. Ela não pode chegar à Área 8, de jeito nenhum!

— Área 8? Como assim? Nós não estamos na área 234? Como é possível que haja uma área 8 perto daqui?

— Existem 9 áreas que não são numeradas por ordem de criação, e sim por ordem de significado para o Conselho Divino. A Área 1 é aonde fica o Conselho, a Área 2 é a área em que residem os Diplomatas Divinos, a Área 3 é o centro de treinamento dos caçadores de almas. A área 4 é a área da criação de anjos da guarda, a Área 5 é a área da prisão espiritual, a Área 6 é aonde fica o Tribunal Divino. A Área 7 é aonde ficam os Magos e Invocadores Espirituais, a Área 9 é aonde reside os Deuses. E, por fim, a Área 8 é aonde ficam escondidos todos os pergaminhos de poder do nosso mundo.

— Tá, e o que isso tem a ver com Nut?

— Se Nut chegar na área 8, ela terá acesso a todos os pergaminhos de poder do nosso mundo, logo, ela poderá dominá-lo normalmente.

— Tá, mas e por que uma deusa está querendo, er... Dominar, o mundo?

— Isso eu ainda não sei, mas diz a lenda que um deus que chega na área 8, devido à corrupção que existe lá, pode se corromper a ponto de virar um demônio.

~continua~