Caminho a seguir
3 Capitulo 3
Notas iniciais
O navio cada vez ficava mais próximo de seu destino, os homens do Blood Baron não paravam quietos devido à ansiedade, a troca de tiros logo começou, a cada milímetro mais próximo a ansiedade da ruiva aumentava, foi quando seu ódio explodiu ao ver o capitão daquela embarcação no centro observando tudo com seus olhos frios e calculistas.
Logo os piratas invadiram o navio traficante e começaram a lutar com seus homens. Salácia andava em meio a eles desviando-se das laminas das espadas, ao chegar na porta que lhe daria acesso ao andar abaixo um homem lhe interrompeu.
– Onde pensa que vai doçura?
O ar começou a se movimentar de forma violenta, como em uma tempestade de vento, seus cabelos rubros chicoteavam e chiavam como um chama ardente, seus olhos ficavam variando de cor, entre o verde e o azul esverdeado, o ódio presente ali fizera com que um frio descesse pelas costas do homem, que começava a se arrepender de entrar no caminho daquela garota.
– Irei libertar as mulheres que estão presas, se não quiser perder sua medíocre vida sugiro que saia do meu caminho e fuja do navio, agora se não tiver amor a ela terei muito prazer em lhe matar!
O homem deu um passo para o lado e a garota passou pela porta e desceu a escada. Os homens daquele andar nem sequer entravam em seu caminho, eles podiam sentir que ela seria capaz de matar sem dó nem piedade. Foi quando ela já estava praticamente enfrente a porta que um corajoso se pôs em sua frente e lhe estendeu a espada, mas ela tremia mais que vara verde.
– Você não ira passar por mim!
Salácia levantou seus olhos para quem estava lhe interpelando, se surpreendeu ao ver que não passava de um garoto, ele não deveria ter mais do que dezesseis anos.
– Você é novo demais para morrer, então sugiro que abaixe sua espada e volte para a barra da saia da sua mãe, que é o lugar de onde você nunca deveria ter saído!
– Não!
– Olha garoto eu não estou afim de sujar minhas mãos com sangue de crianças que não sabem seus lugares, então volte para casa, arranje um emprego descente, namore, noive, case e tenha sua família, você ainda tem uma vida inteira para viver e eu não quero interromper o seu ciclo, apenas quero libertar as mulheres que vocês traficantes estão levando contra a vontade!
– Eu não tenho para onde voltar!
– Então vá para um lugar onde possa viver tranquilamente, onde possa formar sua família, não viva como um traficante que pode perder sua vida a qualquer momento!
– Falou a pirata!
Salácia sorriu de canto, havia gostado do garoto.
– Realmente, não tenho muita moral, mas veja só você, tremendo igual vara verde, se borrando de medo de uma pessoa que nem ao menos pegou sua arma, tem certeza que é essa a vida que você quer levar?
Ele arregalou os olhos e apontou sua espada para o chão.
– Não!
– Então vá viver, ainda existem muitas pessoas boas nesse mundo que poderão lhe ajudar, basta você querer!
O garoto se virou e chutou a porta com tudo a arrancando de suas dobradiças.
– Não quero ser o culpado de estas mulheres serem traficadas!
– Então cuide delas enquanto eu vou cuidar do maldito que as estava traficando e quanto a vocês, se atrevam a fazer algo ao pirralho e eu mesma vou cuidar para que a morte de vocês seja lenta e agonizante!
Os olhos da garota assustaram os homens, que apenas foram capazes de acenarem em concordância.
Salácia deu meia volta e marchou para o convés do navio, sua vitima era nada menos que o capitão do navio que agora lutava bravamente com Kallel. Ambos usavam as espadas com destreza, mas sem se importar em se ferir, a ruiva segurou a lamina das espadas com as mãos nuas, seu sangue escorreu pelo metal e ambos os homens estavam espantados com a atitude da mulher.
Seus olhos brilhavam estranhamente em um tom amarelado, seu rosto estava quase animalesco e sua voz saiu baixa e rouca quando se dirigiu ao seu capitão.
– Ele é meu!
Kallel abaixou sua espada e se virou, partindo para outro alvo. Salácia ainda segurando a espada do outro homem, se virou e seus olhos se encontraram com os do inimigo, que pareciam zombar da garota.
– O que uma garotinha como você pode fazer com um homem do meu tamanho?
– Muito mais do que você pode fazer comigo!
– Não acha que é muito insolente para uma mulherzinha?
O sangue da ruiva pingava no chão enquanto ainda segurava a lamina, o vento parecia anunciar uma nova tempestade, porem no céu não possuía nuvens.
– Mulherzinha? Você que não passa de uma babaca que só porque possui um pau no meio das pernas se acha o todo poderoso, mas saiba que aqui, neste momento você não passa de um rato asqueroso que uma mulher nunca deveria ter posto no mundo!
O vento os circulava e os cabelos da ruiva pareciam chamas vivas, seus olhos ficaram acinzentados e um sorriso cruel se abriu em seu rosto. Por um momento o grande homem tremeu, aqueles olhos, aquele sorriso, haviam lhe amedrontado, mas a face de garota doce que ela possuía fez com que de alguma forma ele se recompôs-se.
– Você fala demais, como todas as mulheres, mas não passa de uma criatura frágil feita para ser dominada!
Salácia aproximou seu corpo do dele, seus rostos ficaram muito próximos, mas sua face mantinha uma frieza que congelarias as chamas do inferno.
– Frágil? Eu? Você esta falando com a garota errada meu caro!
Salácia finalmente soltara a lamina da espada do homem, virou-se como quem iria embora, porem se voltou com um belo chute que acertara a lateral da face do homem o desiquilibrando e o irritando mais ainda.
– Sua vadia!
– Vamos ver se assim você não me subestima!
Fora a vez do homem contra atacar, ele fizera um movimento na vertical, na altura do pescoço da ruiça, que apenas inclinou o corpo para traz para desviar, ele tentara chutar sua barriga, mas novamente a garota desviou, jogando todo seu peso para tras produzindo uma cambalhota. Ela corre na direção do homem, passa suas pernas por seu pescoço e usa seu peso contra ele, o jogando no chão, enquanto ela cai de pé.
– Você é muito boa, para uma mulher!
– Você não viu nada!
– A proposito sou Liam, aquele que ira lhe matar!
– Sou Salácia, seu pior pesadelo!
A ruiva sorriu doentiamente, seus olhos brilhavam de forma horripilante, e o vento parecia não dar trégua. Salácia partiu para cima do homem com tudo que tinha, não pensando muito em seus movimentos e deferindo socos e chutes a bel prazer, o homem até tentava revidar, mas a garota lhe dava trégua e não parecia se cansar. Por fim ele conseguiu pegar uma pequena faca e partiu para cima dela, mas sua lamina nem ao menos encostava nela, ela girava, dava cambalhotas e estrelinhas, em um momento de cansaço ela pegou-lhe o pulso o torceu, esticoulhe o braço e quebrou, logo seu joelho fora chutado e ele forçado a se ajoelhar, um chute pegou em cheio seu nariz o fazendo cair com tudo de costas no chão. Salácia pôs seu pé em sua garganta e a apertou.
– Alguma ultima palavra?
Os olhos do homem brilhavam em meio sua fúria.
– Vá para o inferno vadia!
Salácia sentiu uma dor excruciante em sua perna que estava em cima do homem, ao olhar para ela, viu que ele havia enfiado uma outra faca nela, com força ela o retirou de sua coxa, tirou seu pé do pescoço do homem e puxou sua cabeça pelo cabelos.
– Te vejo no inferno, imbecil!
Salácia aproximou a faca do pescoço do homem, mas diferente do que ela imaginava, ela não lhe estraçalhou a garganta, fez apenas um pequeno corte na lateral dele e ele riu ao ser solto.
– Eu nunca vou morrer com um cortezinho desses!
Salácia sorriu ao ver que daquele pequeno corte muito sangue jorrava.
– Te vejo no inferno, imbecil!
Salácia aproximou a faca do pescoço do homem, mas diferente do que ela imaginava, ela não lhe estraçalhou a garganta, fez apenas um pequeno corte na lateral dele e ele riu ao ser solto.
– Eu nunca vou morrer com um cortezinho desses!
Salácia sorriu ao ver que daquele pequeno corte muito sangue jorrava.
– E é ai que se engana Liam, eu acabei de cortar sua jugular, você não tem muito tempo, afinal esse cortezinho ira lhe fazer sangrar até a morte!
Em poucos segundos os olhos do homem ficavam opacos, a vida esvaia de seu corpo conforme a surpresa lhe preenchia, por fim ele caiu no chão sem cor e sem vida.
Ainda com raiva Salácia sairá dali e ficara em cima do parapeito da parte superior do navio.
– Aqueles que não desejam morrer aqui, sugiro que parem de lutar imediatamente, levem as mulheres de volta para casa e nunca mais voltem a praticar trafico humano, pois se um dia os encontrar novamente, sua morte será muito pior do que o de seu capitão, pois não será tão rápida!
Os homens olhavam para a pequena figura de Salácia e para o capitão morto a seus pés, a cor de seus rostos se perdera e rapidamente eles começaram a se mover. A cada segundo mais uma mulher aparecia no deque, amedrontadas e totalmente perdidas.
Salácia voltara para o Blood Baron sem ninguém se dar conta, se amontoou em um canto e pregou seus olhos em um ponto qualquer, tinha outras coisas para se preocupar do que com homens idiotas que praticavam crimes hediondos.
Não percebeu quando atracaram ao por do sol, nem se deu conta de seu mascote ao seu lado dormindo, nem ao menos viu quando a escuridão tomou conta do local, seus pensamentos estavam voltados pro maldito poema do pergaminho, sua única pista de alguém que pudesse lhe ajudar a encontrar sua mãe parecia não lhe levar a lugar algum.
Lentamente a ruiva caia para o lado dormindo em sono profundo quando sua cabeça tocou em um ombro e em um ato involuntário ela se aninhou na pessoa. Ele por sua vez a pegou no colo e a levou para uma cama, deitou-se ao seu lado e também se entregou ao sono.
Salácia abriu os olhos e não reconheceu o local em que estava, ele era amplo, possuía armários com livros, mapas e algumas bugigangas, uma mesa com um mapa e um globo, ao tentar se mexer viu que braços rodeavam sua cintura, que estava deitada em uma cama macia e que os braços que lhe circulavam a cintura eram musculosos e cobertos por tatuagens, seu rosto começou a tomar uma coloração avermelhada ao se deparar com um Kallel semi nu agarrado a seu corpo.
A ruiva respirou fundo, engoliu em seco e se pôs a contar até dez, mas nesse meio tempo Kallel se moveu e trouxe o corpo da garota para mais perto de si, sua cabeça se encaixou nos ombros da ruiva e sua respiração causava constantes arrepios nela.
– Ka... Ka... Kallel, acorde!
Salácia tentava empurrar o homem, mas aquela montanha de músculos não parecia querer se mover.
– Só mais cinco minutinhos!
Salácia travou ao sentir a babar por fazer daquele homem roçar em sua pele sensível, lhe causando mais arrepio e terrível frio na barriga.
– Kellel você já não é mais criança para ficar pedindo mais cinco minutos!
O moreno apenas suspirou e abriu os olhos.
– Você é uma estraga prazeres Salácia, a mais bela estraga prazeres que eu já conheci!
Salácia atingiu todos os tons de vermelho e perdeu totalmente a fala quando o moreno se aproximou e lhe beijou. Sem perceber a ruiva foi fechando seus olhos e correspondeu ao beijo, o ar se tornava escasso, a temperatura parecia subir e a cada segundo que passava a ruiva sentia que iria derreter.
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